domingo, 31 de dezembro de 2017

A descoberta do dia

Estes são os bisavós do meu sogro, trisavós do pai cá de casa e tretravós dos meus filhos.
 
[Soubessem eles há talvez mais de 120 anos que o retrato deles ia ser publicado para o mundo...]

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

10 anos de ti, blog

Faz hoje 10 anos que escrevi o meu primeiro post neste blog. 
No dia 29 de dezembro de 2007, os blogs estavam na moda, a Mary tinha um muito giro sobre a sua vida na Holanda, a amiga da amiga tinha um muito cómico sobre a sua filha...Enfim, todos tinham e também quis ter um! 
O blog foi uma forma de relatar sentimentos e factos concretos para poder recordar mais tarde. Inicialmente queria escrever porque era uma forma de nunca me esquecer dos episódios do nosso dia a dia com os meus pequenos príncipes. (Que título tão baby blog, baaah!). Confesso que também me passou pela cabeça deixar aos meus filhos a minha visão sobre o crescimento deles, para que num futuro já não tão distante quanto isso, pudessem ver que afinal a mãe os amou incondicionalmente (a adolescência mete-me muito medo) e que a mãe muita imperfeita que lhes calhou fez sempre o seu melhor. 
Para além disso, não tenho muitas recordações da minha infância, quase nenhumas. Tenho episódios tão gravados que não sei se aconteceram realmente ou se são fruto da minha imaginação e sei, sem dúvida alguma, que o facto de não me lembrar ou de inventar ou de recordar coisas que aconteceram ou não, toldaram o meu relacionamento com os meus pais mas sobretudo com a minha mãe. O blog foi também criado para que não houvesse dúvidas para os meus filhos. Sim, fizemos uma meia festa com meio bolo quando tu, Tiago, fizeste 6 meses. Sim Tiago, tu dizias kéké; sim Pedro, morri quando foste internado no dia que é ainda hoje o mais longo da minha vida; sim Pedro, tiveste um piaçaba na boca e lavaste as mãos numa sanita; sim filhos, fiquei louca convosco e gritei muito; sim filhos, deliraram com o calendário do Advento. 
O blog é isto tudo e mais ainda. Aos poucos foi ficando mais meu e a escrita foi muita vez o meu escape, a minha terapia mesmo quando fazia terapia a sério. Foi uma fuga, um sítio onde sou eu. Descobri, com o blog, que gosto cada vez mais de escrever.  Adoro escrever e o sonho que tive em miúda de escrever romances (só de amor, claro!) concretizou-se. Sou escritora aqui, de factos e sentimentos. Tella Marie, um sonho realizado! Quem diria!

Mais umas notas sobre o(s) blog(s):
- não sei quem me lê porque quase ninguém deixa comentários. 
- no início, os comentários eram muitos. Há sempre pessoas prontas a ajudar uma mãe desesperada que quer saber como se tira a fralda ou como picar melhor a fruta;
-deixei de escrever no blog no PC. Há mais de um ano que só o atualizo no telemóvel;
- continuo a ler os mesmos blogs há anos embora alguns estejam mais pró parados. É pena porque os blogs dão 15 a 0 às redes sociais: mostram mais calma e talvez mais emoções verdadeiras; 
- não há nenhum familiar meu, com exceção do pai ca de casa que escreveu apenas um post aqui - o relato do nascimento do Pedro - que saiba da existência deste blog. Ah, a S. do Ribeiro também sabe mas é prima em 5 ou 6 graus e é sobretudo amiga. 
- há apenas dois colegas de trabalho que conhecem o blog e desconfio que outra também. Por mim tudo bem, ou não, ou não.  

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

De 2017, em trimestre.

No primeiro trimestre de 2017, corri com a Carolina como uma louca. Treinámos quilómetros e quilómetros para a meia maratona de Lisboa. Corri tanto que tive uma fascite plantar. Mas mesmo com a lesão, teimei em fazer a prova. Lixei o pé todo. Chorei de dores ao km 18 mas cheguei à meta. Eish, que feito? Não.  Agora, olhando em retrospetiva só me apetece dizer "Eish, que estupidez". A meia maratona deixou-me um sabor agridoce. Tanto treino, tanto sacrifíco, tantos recordes batidos para fazer a prova da ponte em 2h22. Baaah.
O primeiro trimestre do ano foi marcado também pela preocupação. Uma delas foi pela minha gata, que perdeu um rim e que esteve quase a morrer. Tivemos de tomar uma decisão, que não seria óbvia há uns anos, mas que em 2017 nem foi questionada: a Fifi é da família e os 900 e tal euros gastos no veterinário são meramente acessórios. Ela, a gata, é que não o é. O Pedro, creio, foi o primeiro a perceber isso quando me disse que não queria ir à Paris mas que queria a Fifi em casa. 
A outra grande preocupação do primeiro trimestre de 2017 foi a minha sobrinha. Achei que a miúda tinha uma doença muito muito grave e vivi acorrentada a essa crença, sofrendo uma ansiedade brutal. Felizmente, estava errada. Tinha "apenas" uma doença de foro emocional e psicológico. É grave também mas está a ser tratada e está agora nitidamente no bom caminho. No meio desse momento aterrador que vivemos, também senti que o meu irmão cresceu muito. Foi um Pai do caraças, mesmo que ache que tenha falhado. Ainda não percebeu que foi grande, Grande. Em 2017 percebi que os laços que unem os manos são muito fortes. Podemos estar na nossa vidinha, crescidos, mas se houver qualquer coisa, qualquer apelo, corremos um para o outro, como o sentimento de mãe para filho. O amor fraterno é muito animalesco também. 

No segundo trimestre, tive de fazer vários tratamentos ao pé, tudo sem grande resultado. Era horrível andar, poisar o pé no chão ao acordar e impossível correr. Comecei a engordar e resolvi ir ao ginásio pela primeira vez na vida. Fui todos os dias. O meu corpo mudou e tonificou-se como nunca. Quando quero, sou muito determinada e levei o ginásio muito a sério. Andei por momentos perto do obsessão, reconheço, a querer ser fit até mais não. Tive de ultrapassar os meus preconceitos acerca das mães que deixam os filhos em casa enquanto tiram uma hora por dia para elas. Foi difícil mas consegui perceber que não era nem melhor nem pior mãe por causa disso. 
No segundo trimestre, fiz 39 anos mas para todos os efeitos e em todas as conversas, assumi que tinha 40. Em 2017, quis ter 40 anos. Anseio pelos 40 e antecipei-os. Estou farta de ter trintas, de ainda ser vista como uma miúda. Quero ter 40 porque os 40 garantem-me, psicologicamente, mais confiança, mais certezas. Na verdade é triste que precise de um número para sentir que tenho autoridade ou qualquer coisa assim do género com quem quer que seja. Ou talvez queira apenas sentir aquela cena da mulher madura, cheia de si e estilosa com a sua madeixa branca. Mas ui, há um  caminho tão longo a fazer que resolvi encetá-lo em 2017. Só pode. 

No terceiro trimestre, que correspondem ao verão, voltei aos poucos a correr, pois o meu pé ficou bom graças a um óleo de magnésio. Milagroso. Nestes meses, houve calor e férias. As férias na ilha são sempre maravilhosas. Vi os meus filhos saírem à noite com os amigos enquanto ficávamos em casa à espera deles, por vezes até a 1h da manhã. Cresceram tanto naqueles 15 dias. Tiveram noites de aventura com os amigos, longe dos pais. O pai cá de casa, a Carolina e eu curtimos muito as aventuras deles e com muito riso. Para aguentar a pancada do dia a dia, recorro muito aos dias na ilha, aos mergulhos, à praia, ao pôr do sol mas sobretudo às gargalhadas e às frases ditas.  
No dia 5 de agosto, saímos da ilha por 48 horas, contrariados, para casar o meu primo em Lisboa. Foi para mim um grande frete sair da Armona mas saí porque o meu primo merece. Foi nesse dia que tive um apagão pela primeira vez na minha vida. Bebi apenas 2 copos de moscatel em jejum e pronto, morri. Estive apagada no carro o casamento inteiro. Dizem que foi um casamento muito giro e divertido. Acredito. Mas porra, saí da ilha para quê senhoras? Para quê?!
O que marca mesmo mesmo o 3° trimestre de 2017 foi a minha terra por duas razões completamente diferentes: os incêndios e a nossa decisão em organizar a festa da aldeia em 3 semanas, já depois dos incêndios. Em nome da tradição, em nome da terra, em nome dos nossos avós e dos meus filhos, em nome de tudo o que tinha ocorrido, decidimos avançar. Ainda hoje tenho difucldades em acreditar no nossos feito, no mega sucesso e no trabalho que tivemos. Foi difícil. Foi neste mês que olhei outra vez para o pai cá de casa e lhe disse "faz-me um filho". Apaixonei-me por ele mil vezes nesses dias.  Ele é capaz de tudo. Que força. Que orgulho.  Hei-de lembrar-me sempre do rancho estar a atuar, de olhar em redor, cruzar os meus olhos com os dele e de começarmos a chorar.  Depois fui chorar com o V e a M. e os voluntários loucos que nos ajudaram. Era para não haver nenhuma festa, era só para ser um encontro de amigos, um sítio onde só iríamos vender minis e acabámos por vender 1000 litros de imperiais. Foi de arromba.

O último trimestre de 2017 foi quase como um retrocesso.  Muito trabalho, mais responsabilidade e menos tempo para mim. O Tiago entrou no 5°ano e passou por várias fases: deslumbramento, medo, desorganização e verbalizou "ajuda -me mamã que não consigo!". O Pedro foi para o 2 ano e percebi que tem muitas dificuldades de leitura e de escrita. Sei que o meu Pedro é diferente e a professora dele não percebeu ainda. Decidi então tomar conta dele também nas coisas da escola. De repente, eu que ia ao ginásio todos os dias deixei de ir. Impossível ter uma hora para mim. Entre testes dia sim dia não do Tiago ou do Pedro, TPC, estudos e as cenas de casa, perdi -me e a minha cabeça começou a hiperventilar... Priorizar os filhos não é um sacrifício mas abdicar de tempo para mim, é. Confesso que me custa ter tido tempo para mim e deixar de o ter por causa da escola . A raiva acumulada do dia a dia ou o stress, não sei, foram libertados nas corridas e provas /trails que fiz com a Carolina. Bolas, cada um mais difícil que o outro mas foi a melhor terapia. Muito me rio nestes momentos. Muito mesmo. E aí tenho tempo para estar comigo, de me superar e de me organizar. 

Acabei o ano hiper dramática com a minha avó que teve um AVC. Já está em casa, ainda com uma luz de Aída nos olhos, que vai e vem. Todos dizem que vai recuperar e eu digo que sim para não ser a pessimista. Mas não acredito.  Não me reconheceu. Fiquei super super triste embora não o dissesse a ninguém. A minha avó sempre soube quem eu era...
Em 2017, li 13 livros. Uff, pelo menos um por mês. Vi meia dúzia de filmes e só me recordo de dois: o Manchester by te Sea e outro, do miudo gay e negro. Vi muitas séries como sempre. Obrigada netflix, internet e tv on streaming. Corri apenas 650 km quando queria passar a barreira dos 1000. Sinto que falhei. É parvo mas era a única meta que me tinha posto no dia 1 de janeiro de 2017 e não cheguei lá. 
Em 2017, ouvi coisas que não gostei, que me fizeram chorar. Desiludi-me com vários pessoas (ainda me desiludo ...) mas tive a certeza que há pessoas com as quais posso contar, que valem ouro. O meu grupo de afetos é restrito mas gosto que seja assim. 
Dei alguns abraços à minha mãe. Olho para ela e tenho vontade de a proteger, de recomeçar do 0 sabendo que já perdemos muita coisa e que é impossível. Se pudéssemos recomeçar relações sem ideias feitas uns dos outros e sabendo o que sabemos hoje, seria tão bom. 
Em 2017, senti que estou a perder o meu filho mais velho. Já não é meu. Quer ser dos amigos, do futsal, do mundo. É bom e é mau. Às vezes fala comiga como se eu já fosse um caso encerrado, com um certo desdém tipo "oh mãe tu não sabes nada!". Que nervos. Um dos piores momentos do ano para mim foi o seu dia de aniversário.  Foi um dia triste para todos cá em casa e temo que isso molde a sua visão de filho para com os seus pais.  [ Às vezes acho que dramatizo demasiado. Espero que sim.] 
Também acho que o meu Pedro não esteja bem, que não se sinta encaixado de forma correta, que as suas dificuldades na escola sejam o reflexo de qualquer coisa emocional e que aquele feitio não seja mais do que uma chamada de atenção. [ Às vezes acho que dramatizo demasiado. Espero que sim.] Em 2017, senti que não fui 100% boa mãe  (Quem o é ? - perguntar-me-ão vocês, eu sei...) porque falharam cenas, pormenores que consigo vislumbrar por segundos mas que me escapam no segundo seguinte. Em 2017, como qualquer mãe que se preze (ou não, ou não) gritei muito, stressei muito, corri (não no sentido literal agora) de um lado para o outro tipo barata tonta. Mas aguentei a pancada. Dramatizei muito também e estou cada vez mais hipocondríaca.
Acabo 2017 a acreditar que estou a entrar numa menopausa precoce. Os calores súbitos, os suores noturnos e a falha de período que tive há uns meses e que me fizeram crer que estava grávida apontam para tal. Só me faltava essa. Ter 39 anos, dizer a todos que tenho 40 mas o meu corpo pensar que já tem 47/48. 
Que venha 2018 e que no final do ano, possa olhar em redor e ver sempre amor e sorrisos. 

Calendário do Advento

Não atualizei as atividades mas fizemos muita coisa.
Espalhámos mensagens de Natal pela cidade, deixámos postais na caixa de correio dos vizinhos, enviámos vídeos de Natal, escrevemos ao pai Natal,  foram brincar com os amigos, acendemos velas, lemos contos de Natal, fizemos uma caça ao tesouro, fizemos um piquenique, ouvimos músicas de Natal, fomos ver as iluminacoes da cidade, dormimos junto à árvore e fizemos um Pai Natal em cartão.  

sábado, 16 de dezembro de 2017

Do amor

Fará uma semana amanhã que nos juntámos todos em torno de ti. Almoçámos todos juntos, como todos os anos, sendo esse o meu primeiro Natal do ano. Disse-te, como te digo sempre, que chegarás aos 100 anos. Já é um clássico nosso. Tu ris sempre, dizes que só Deus sabe e acrescento "chegas, chegas Aida".
Esta semana, tiveste um AVC e tudo cá dentro se alterou. Nunca pensei que tu, avó, pudesses ter um AVC. Ainda no domingo me asseguraste que estavas bem e que não te doía nada. Nada. Fizemos um pacto, como sempre, que estavas proibida de ficar velha para que nada te acontecesse. E agora estás numa cama num hospital, com fralda e amarrada porque queres arrancar os fios todos. 
Tudo me aflige agora avó.  Estás lá, sozinha e com medo, sem saber o que te está a acontecer e isso aflige-me. "És leve no crer" como sempre dizias e como a tua mãe sempre disse, segundo me contaste mil vezes. Sei-te assustada por causa disso também, por saber que não compreendes muita coisa.
Estás perdida nas tuas memórias. Oscilas entre elas, frases sem nexo e o presente. É normal mas assustador para quem te quer tanto e que está ao teu lado de mão dada (e que mão quente tu tens avó). Percebo que estás a deixar de ser a minha Aida. 
Não te lembraste do meu nome. Disseste "ai, és... tu, rica filha, és a...ai, és tu". É isso avó, sou eu. Bastou-me. Estive contigo 2 horas. Falaste do meu Pedro que dormiu contigo e te puxou o cabelo. Falaste de coisas incompreensíveis, mas que deviam fazer sentido para ti e da tua mãe. Esqueceste de algumas palavras. Quiseste contar-me coisas mas as palavras fugiram -te e fechaste os olhos e disseste "o que fui e o que sou". Dizes coisas sem nexo outra vez.
Então porque quero que continues a ser a minha Aida, digo que ainda vamos dançar juntas e canto "meninas vamos bailar que o vira é coisa boa" e tu acompanhas-me e ris. Riste como as crianças, de uma forma genuína. Emociono-me. Voltas a ser a minha Aida mais uns segundos mas de repente já estás baralhada e sinto-te menos minha, Aida. 

Hoje, fomos todos ter contigo. Saí tarde. Repeti -te mil vezes que gosto muito de ti. Parto do hospital e espero que tu também partas, que feches os olhos para sempre, enquanto ainda há uma luz de Aída nos teus olhos. 
Semeaste muito amor. Podes ir avó. 
É o que desejo para o Natal.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Prenda de Natal do meu mais novo

(A melhor de todas)

Bilhete de Natal do meu mais novo na sala de aula

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XXI (Post dois em um)

Quando o teu filho tem resoluções para o próximo ano civil.

Quando o teu filho te diz quais são as ditas resoluções:
- ler mais livros;
- tentar deixar de comer carne* porque os vídeos que viu sobre a indústria da carne deixaram-no chocado.

* "Até porque na escola já só como a ementa vegetariana." 

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XX

Quando vamos requisitar livros à biblioteca e o teu mais velho escolhe livros "de crescido".

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Calendário do Advento #13

Enviar um video cheio de amor à...

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Calendário do Advento #12

As crianças fazem hoje o jantar!

[E já escolheram ementa!]

Calendário do Advento #11

Cantar músicas de Natal.

[Quiseram fazer uma video chamada com o pai, que está fora, para cantarmos juntos músicas natalícias!]

Calendário do Advento #dia10

Dar vários abraços a quem se ama.


sábado, 9 de dezembro de 2017

Calendário do Advento #dia9

Tirar uma foto de família nas máquinas de fotos nas estações de metro. 

Calendário do Advento #dia8

Fazer um piquenique junto à árvore de Natal.

Calendário do Advento #dia7

Tirar uma fotografia em frente a uma árvore de Natal que esteja na rua. 

Calendário do Advento #dia6

Tirar fotografias fofas e parvas em frente à árvore de Natal. 

[E as parvas são tão parvas!]

Calendário do Advento #dia5

Dançar a "vossa" música de Natal.

[All I Sant for Christmas is you.]

Calendário do Advento #dia4

Jantar à luz de velas.

Calendário do Advento #dia3

Escrever a vermelho uma palavra importante e pendurá-la na árvore.

Calendário do Advento #dia2

Vamos ao cinema.
[Fomos ver Coco. Absolutamente fantástico.]

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XX

Quando ficas a ver com os teus filhos a série 1 do Gato Fedorento (série Fonseca) e rimos todos das mesmas piadas. 

domingo, 26 de novembro de 2017

Da saga "Run Tella run"

Hoje foi dia do Hard Trail Montejunto.
O melhor trail em que participei, acho eu. O mais difícil também, acho eu. Foram 15 km difíceis e com um joelho a querer dar problemas.
Foi arrebatador. Corri no meio do nada, a ouvir apenas o vento a bater nas árvores e a minha respiração. Ouvi os pássaros, olhei em redor mil vezes a querer guardar tudo cá dentro. Senti a terra, a natureza e senti-me pequena face a tal grandeza. Foi tão intenso que fiz uma vídeo chamada enquanto corria para os meus 3 homens. Queria tanto que estivessem lá comigo e que visse o quão espetacular era o sítio. Quis partilhar no momento a minha alegria com eles.
Pus também muita conversa comigo ao longo de 3h28. Ya, bué!
Na classificação geral feminina, cheguei na décima terceira posição, ou seja fui a última mulher a cortar a meta. Menos mal porque durante muito tempo pensei que era a última de todos  (m/f) e que o senhor que estava atrás de mim era o vassoura. Mas não! 
 Foi simplesmente maravilhoso.

Quando é que sabes que os teus filhos estão crescidos? XIX

Quando jogamos os 4 ao Scrabble.

[Fui resgatar o jogo à casa dos meus pais, por isso está em francês e ainda tinha um bloco de notas com a pontuação de jogos feitos em 1991/92/93.]

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Prontos para o calendário do Advento

O Pedro já disse não sei quantas vezes que quer que seja dezembro para começar às atividades! 

domingo, 19 de novembro de 2017

Em época quase natalícia...

Se não sabem o que oferecer ao filho, primo ou sobrinho, aconselho estes dois livros.

A professora de português do meu filho começou a ler "Um rapaz chamado Magia" nas aulas. Leu -lhes os 2 ou 3 primeiros capítulos e decidiu fazer circular o livro pela turma. Começou com o Tiago, que quis ficar com ele. Acho que nunca o vi tão entusiasmado para ler um livro. Adora-o e já me pediu para o ler também. Anda fascinado como nunca andou com um livro. 

O segundo foi oferecido ao Pedro há um ano mas só agora é que ele lhe achou graça.  Ele adora desenhar e o livro é a cara dele. Ensina-o a ser artista, sem castrar a criatividade. Muito bom mesmo. 

Ainda sobre o futsal

O futebol é um desporto violento,  de brutos onde a linguagem utilizada é muito má. 
Sábado, dia de jogo e eu fiquei passada, a ferver por dentro como há muito muito tempo não estava. Porquê? Pela estupidez que mina as pessoas que vivem para o futebol dos filhos, ou seja, as mães. Não todas obviamente, mas umas que verbizam coisas antidesportivas, que fazem reparos feios sobre CRIANÇAS da mesma equipa, como "foda-se, até esse entra" com a mãe ali ao lado [Eu by the way] e outras  pérolas que uma pessoa não pode dizer sobre CRIANÇAS.  Sou muito discreta e no final apenas disse que eram CRIANÇAS e não se devia exigir que jogassem como os profissionais, mas lá está, a estupidez tolda o discernimento a algumas pessoas quando se trata de bola e de filhos. 
O mundo do futebol é mesmo limitado. Joguei basquete durante anos e corro e nunca senti nada disso, essa coisa violenta. Enfim.
No fim do jogo, perguntei ao meu filho se estava triste, pois alguns colegas reagiram mal perante a derrota. O Tiago respondeu que não porque tinham jogado bem com a bola mas tinham de saber jogar melhor sem a bola e tinha gostado muito porque se tinha divertido. Rico Tiago que não liga nada à resultados e que percebe muito mais do que muitos adultos: o desporto é para ser vivido com um sorriso nos lábios e deixar-nos bem. 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Da saga "run Tella, run"

20km no trail de Ferreira do Zêzere.

Um desafio constante; uma superação fantástica;  uma prova difícil, com subidas que tinham de ser feitas com cordas e que mais pareciam escalada do que outra coisa; uma espécie de hipnose onde me organizei e me tentei reencontrar ao longo de 3 horas e muitos minutos; um cenário cinzento e seco mas mesmo assim maravilhoso porque sabemos que em breve a vegetação há de renascer das cinzas; umas cenas que contadas, enfim, dão um filme; gargalhadas trocadas com a Carolina e sempre aquela sensação que o pessoal dos trail é malta 5 estrelas. 

Que terapia senhoras, que terapia!

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XVIII

Quando levas o teu filho ao treino e, antes de entrar no carro, ele pergunta "posso ir sentado à frente?"

[E foi pela a primeira vez.♥]

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Matemática

O miúdo tem outra vez teste de matemática amanhã.
O pai está fora, mais uma vez e mais uma vez, o meu cérebro deu um nó perante as dúvidas! [Dentro de mim ecoa um gigantesco "daaaaaassssse"silencioso quando ele vem com dúvidas, tipo minuto a minuto...]

Divisores,múltiplos, não sei quê de Euclides, propriedades, números primos (descobri que havia números primos entre si, lol), mdc, mmc e os raios que partam. 

Pessoas com bebés, acreditem numa coisa: a amamentação e acordar de duas em duas horas não é nada comparado com a matemática que os putos têm de saber. 

sábado, 4 de novembro de 2017

Do futsal

Na semana passada, a equipe da bola do meu mais velho levou 18 golos do Benfica. 18. Houve meninos que saíram a chorar, coitados. Houve pais absolutamente revoltados com o "mister", que simbolizou a grande derrota dos nososs rapazes, que não percebem que o Benfica seleciona meninos, vai à procura dos melhores e só estes jogam. Confesso que achei muuuuito golo mas como a bola não é a nossa vida e sei que os meus filhos nunca serão um CR7, não liguei muito. O Tiago tambem  não. Um jogo para ele é um jogo. Encaramos a bola como uma tempo de lazer: é a cena de jogar num coletivo e fazer desporto, tão essencial para a nossa paz interior. 
Hoje, está  a jogar contra um clube como o dele. Estão a ganhar por 6-0 ao intervalo e comentei com uma mãe ao meu lado que estava com pena dos outros meninos, que se calhar já chegava. Ui, Ui, o que fui dizer...
Decididamente não sou uma soccer mum ou lá como se escreve isso. 

Nota

Sobrevivemos à festa de "pizza e pijama" do décimo aniversário do meu Tiago. Foram só 4 miúdos + os meus 2 e tenho ideia que não me meto noutra idêntica tão cedo!
(Deitar 6 miúdos lkicos de excitação é tarefa inglória para qualquer adulto e mais não digo...)

(Feliz que ele estava!)


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

10 anos de Tiago

O meu filho faz hoje 10 anos. 
Já muito escrevi aqui sobre ele e não me vou alargar muito.
Esta será talvez a frase que define a fase em que se encontra: sente-se o dono do mundo porque vai ter dois dígitos mas quis dormir comigo no seu último dia apenas com um dígito.
Amor maior este meu filho. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XVIII

Quando ele fica a ler o seu* livro, que está sempre na mochila, numa sala de espera do hospital.

[* Na verdade, ele está a ler um livro meu: o Harry Potter e a Pedra Filosofal.]

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ouvi dizer que o calor voltou e que o sol brilhou lá no céu. Não me apercebi de nada mas acredito.

O mais velho tem teste de Inglês na segunda, oral de Inglês na quarta e teste de HGP na sexta.

O mais novo tem teste de português na segunda e EM na sexta.

Tenho neste momento 7 turmas de testes para corrigir. 

[Tudo isto, como grande parte da população portuguesa, sem empregada, pais ou sogros que pudessem cá trazer uma sopinha pra semana e dar-me, de vez em quando, uma mãozinha... ]

Aaaah, os fins de semana preenchidos! Já tiveram tanto um significado mais engraçado!


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Os TPC pelo Pedro

Estava a ver os cadernos do Pedro quando vi que ele tinha escrito:
 "TPC - tortura para crianças"

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Da mãe, mas da minha

A minha mãe e eu sempre falámos uma com a outra em francês até virmos todos para cá, em 1993. A minha mãe deixou de falar francês comigo e eu com ela. Não sei bem as razões, se foi uma coisa pensada ou que simplesmente aconteceu porque, na verdade, houve (ainda há?) uma fase da nossa vida em que não falávamos muito uma com a outra. A  nossa língua era mais o silêncio, muitas vezes ensurdecedor.

E não deixa de ser estranho para mim que a única língua que ela fale com os irmãos seja o francês. Sempre que a oiço falar nessa língua, fico sempre a pensar:
1) Francófona uma vez, francófona para sempre;
2) Fala tão bem, tão naturalmente que parte dela só pode sentir-se francesa;
3) Bolas, mas por que razões é que não falamos a mesma língua  (seja ela qual for).



domingo, 1 de outubro de 2017

sábado, 30 de setembro de 2017

Suspiros

O mais mais velho teve o seu primeiro jogo oficial.
...
...
...
E dei por mim a gritar "chuta, chuta"!
[Verdade.]

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Coisas parvas que ainda ma fazem sorrir

Ir para as minhas salas de aula e cruzar-me com o meu mais velho nos corredores dos pavilhões. 

[Para ele, ainda não é embaraçoso... Espero que nunca o seja!]

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Quando é que sabes que estás crescida?

Quando apanhas as uvas da eira da casa da terra durante várias horas (não vamos dizer que andei nas vindimas que seria uma afronta para quem a faz, pois não apanhámos mais do que 70 kg ) e achas relaxante e muito muito giro. 

A roupa é completamente despropositada, eu sei, mas quem não tem cão, caça com gato*.

[ *Também sabes que estás a ficar pró "crescida" quando usas muitos provérbios no teu dia a dia. ]

sábado, 23 de setembro de 2017

Run Tella run

Conversa tida há pouco enquanto corria com duas senhoras, uma à espera do padeira e outra com umas couves [bem jeitosas] na mão.

- A menina é de cá?
- Não é, pois não?
Desacelero e respondo que sou da Sapateira.
- Espere, espere. Então quem é?
Paro.
-Sou neta da ti'Aida e ti'Anibal do fundo do lugar...
- Ah, casou com o neto do Joaquim Maria da Senhora da Guia. 

E pronto, feitas as apresentações, no meio da conversa sobre a minha avó, tios, filhos e afins, ainda tive direito ao "tem 40 anos? Está tão bem conservada!".  

Já ganhei o dia! 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Mulher de prata

A Carolina tinha-me falado do movimento e ando a segui-lo nas várias redes sociais.
Achei maravilhoso: não sou a única a não pintar o cabelo; não sou a única a assumir os cabelos brancos aos 39 anos.

Este verão, alguém achou por bem dizer-me assim, in my face, "pinta o cabelo pá!" e quase que podia jurar que a frase começou com um "foda-se". Mas não sei se o disse ou se o pensou. O mais estranho ou engraçado, não sei, é perceber que os nossos cabelos brancos incomodam muito os outros, como se fossem um espelho, como se lhes devolvessem a imagem deles também mais envelhecida e se recordassem constantemente que o tempo também está a passar para eles. Será? 
E as pessoas que falam comigo e cujo olhar acaba sempre por incidir nos cabelos brancos, na madeixa? Incrível! Parece um íman, como as mamas quando o decote é super decotado. Mesmo.  

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Sai um chá de camomila para a mãe do canto!

Sempre fomos uns sortudos: chegamos cedo a casa. Em média, às 17h15 ao mais tardar, estamos os três em casa. O pai cá de casa chega uma hora e pouco depois. 
As atividades deles eram às sextas, das 17h00 às 18h00. 
Sempre tivemos tempo para fazer muita coisa juntos, nem que seja não fazer nada sem culpa, mas juntos.

Agora de repente, estão a ter treinos quase à noite, às segundas, quartas, quintas e sextas, das 19h às 20h30. O horror! A preocupação, a angústia e o stress instalaram-se na minha cabeça tão frágil. Passámos o domingo a confecionar as refeições para a semana para que seja mais fácil mas ainda há muita coisa a stressar-me.
1) A hora do jantar que sempre foi às 19h30/19h45 no inverno passa a ser quase às 21h00. Simplesmente horrível porque não passámos tempo de família juntos após a refeição. Enquanto como, só penso que eles têm de ir para a cama e dou por mim a querer despachar o momento do jantar, que sempre foi feito de forma tranquila; 
2) Não temos um tempo para ver a nossa série em família após o jantar ou jogarmos às cartas ou... Não temos tempo para estarmos juntos, os 4;
3) O tempo de deitar sempre foi às 21h15 mas agora passa a ser mais tarde e ainda por cima agora, que acordam mais cedo do que nos anos anteriores; 
4) O Tiago no 5º ano requer mais foco nos estudo, mais tempo...que agora não tem. O que será do meu filho?
5) O Pedro, mais novo, acusa cansaço muito facilmente e fica sem apetite. Preciso de relembrar que ele é muito muito magro e que comer sempre foi a nossa saga?
6) Ir ao ginásio ou correr está difícil de encaixar agora.

Como fazem para não stressar com isto tudo? 
O desporto é essencial, eu própria não passo sem ele, mas será assim tão importante ao ponto de ficarmos todos doidos? (eu pelo menos eu, vá!)
Dicas senhoras, preciso de dicas! 



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XVII

Quando o teu filho começa hoje as aulas no 2º ciclo.
Ele estava ansioso. Informou-me há uns dias que ia chumbar o 5º ano porque ia ser muito difícil e ele não era muito bom na escola. O blábláblá da mãe reconfortou-o e sentiu-se hoje pronto para começar.
Foi feliz. 

Mãe que é mãe deixou recomendações: 
- senta-te na 1ª ou 2ª fila;
- não vás para o intervalo com a lancheira, apenas com o lanche;
- ouve os professores e colabora com todos;
- aprende muito que és o maior.

Filho que é filho entende as recomendações da mãe à sua maneira:
- no 1º intervalo, saiu com a lancheira;
 - sentou-se na última fila.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Adeus natação, olá futsal

Pedem-me para treinar num clube de futebol há anos. Por vários motivos, resisti até ontem. 
Hei, no entanto, de resistir para todo o sempre à ideia de me tornar uma soccer mom. Prometo.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XVI

Quando o teu filho mais velho deixa de dormir com o "meu cãozinho" - peluche oferecido pelos amigos dos sogros no dia em que nasceu e que lhe fez sempre companhia desde esse dia. 

domingo, 10 de setembro de 2017

Perguntas rápidas

Sou a única a ficar eufórica com as fotos no Instagram da Madonna? 

Sou a única a ficar eufórica com a remota possibilidade de andar por Lisboa e me cruzar com a Madonna?

Sou a única a ficar eufórica com a ideia do que posso estar a menos de 4/6 km da Madonna?

[A Madonna, senhoras, a Madonna, aquela cantora que faz parte da minha adolescência é que...que... ]

sábado, 9 de setembro de 2017

Das coisas que as pessoas nos deixam

Manda a tradição estabelecida pela minha avó que em dia de festas de anos ou no natal, ela deveria brindar sempre com vinho do porto. 
[Hoje fomos festejar os seus 92 anos e no fim, pediu à empregada um cálice de vinho do porto.]
Já lhe disse que dentro de muitos e muitos anos, quando ela já não estiver fisicamente entre nós, haveria de ficar no lugar dela e brindar em família só com vinho do porto. Ela riu-se.

A minha avó paga as cotas do santíssimo, seja isso o que for. Sei apenas que são 5 euros anuais. Não sei qual o objetivo nem nada e na verdade, nem me interessa. Já lhe prometi, no entanto, que dentro de muitos anos, quando ela não estiver fisicamente entre nós, ficaria eu a pagar as cotas do santíssimo por ela. Nesse dia, ela ganhou o dia!!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O piropo mais lindo que ouvi...

...foi na noite do nosso mega arraial. Um miúdo giro, com 18-22 anos, alentejano, voluntário no nosso Concelho, que me perguntou a idade. Quando lhe respondi 40*, disse que era impossível, pois tinha "as pernas de corredora, as pernas mais bonitas do arraial da senhora da guia".
Até lhe dei um abraço! 

[Nota: dei abraços a muita gente nessa noite, pois também foi uma festa de afetos.]

*Na verdade, tenho 39 anos mas arredondo para facilitar e sobre este tema, hei de escrever um post. 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XVI

Quando decidimos ver em família, antes de irem para cama, uma série para crescidos.

sábado, 26 de agosto de 2017

E a festa Tella, como foi?

Ainda não sei se consigo pôr em palavras a nossa aventura na festa da aldeia. Ainda estou muito emocionada.
4 semanas antes, Miguel e eu decidimos que devíamos fazer qualquer coisa na festa da aldeia. Não havia mordomos, uma das vítimas dos incêndios tinha-se chegado à frente para fazer qualquer coisa mas a sua morte deixou tudo ainda mais triste. Alguém tinha de a fazer e fomos nós.
Nunca acreditei que íamos ter tanto sucesso. Vendemos 1000 litros (sim, mil) de cerveja, fora tudo o resto: porco no espeto, 70kg de bifanas, caldo verde, sardinha, etc. Foi um arraial digno dos Santos de Lisboa. Inicialmente pensámos em juntar no máximo dos máximos 300 pessoas e isso até era quase um delírio. Pensamos agora que estiveram cá 2000 pessoas. Tivemos até a sorte de aparecerem pro bono uns senhores para tocarem concertinas e batucos. Foi o delírio de todos.
Demos o litro. Não vi nada, não me diverti nada. Só trabalhei e muito. Estive 48 horas sem ir à cama. Proporcionei aos outros uma grande festa, um momento feliz num cenário triste. Que orgulho. Como dizia o Vítor, colega que fez parte da organização, "temos uma história para contar. É a primeira vez que umas pessoas que não  são comissão de festas fazem uma coisa dessas e que coisa nós fizemos!". E chorei com as palavras dele.
O pai cá de casa foi o meu maior orgulho. Só espero que os meus filhos sejam como ele. Ele foi o motor, a cabeça pensante de tudo, o que nos puxava pra frente. Um Homem capaz de tudo. Foi o maior. Teve entretanto não sei quantos convites para organizar as próximas festas. Mas não, obrigada! Chegou ao limite do esgotamento físico e emocional. (Ainda hoje foi devolver mesas aos centros recreativos de concelhos e aldeias vizinhas).  Muito choro houve entre nós todos, os organizadores e ajudantes (sim, porque o nosso arraial ganhou tal dimensão que sem várias ajudas, nada teria sido feito).
Os meus filhos trabalharam como gente grande, desde à limpeza, à organização da quermesse, a servir imperiais ou servir nas mesas até as tantas da manhã. Foi mais uma experiência de vida.
Ontem dizia ao Pedro que quando tivesse a minha idade e estivesse também ele a organizar a festa da senhora da guia, ia contar aos filhos da sua primeira festa, que foi só um arraial de dois dias mas que foi brutal. E terá de lhes dizer que os avós é que tiveram a ideia de animar a malta, de juntar uns loucos como eles e fizeram o impossível no ano em que muitas pessoas morreram no nosso concelho por causa dos incêndios.
Ainda estamos todos muito emocionados com tudo.
Acabei a festa completamente esgotada, cansada, sem forças.  Dei uma semana de ferias à causa. Nao me arrependo nem um minuto. Acabei de coração cheio e muito orgulhosa.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XV

Quando os teus filhos vão sair à noite com os amigos e tu ficas à espera deles, cheia de sono, até a uma da manhã. 

[Já tivemos direito, logo no 2 ° dia, a um "mamã, dá-me 5 euros que vamos ali ao café comer um gelado com os nossos amigos. ]

domingo, 30 de julho de 2017

Ainda sobre a nossa loucura

As coisas estão a ganhar proporções cada vez maior. Começou por ser um encontro, um convívio para que a tradição não morresse e tornou-se num arraial. O nosso trabalho, obviamente, é pro bono mas toda a gente está a dar tudo, desde as sardinhas pelo primo pescador, ao DJ que sempre fez a festa, às batatas e cebolas para o caldo verde, ao assador do porco, à gráfica que nós fez cartazes e senhas, às t-shirts estampadas, incrível. A parti do momento em que decidimos avançar, a comunidade juntou-se a nós e quis ajudar. Ninguém nos diz que não. Antes de pedir, já dizem que sim.
Já conseguimos vender 200 porta-chaves e tivemos doações de dinheiro, sem o pedir. 
Por tudo isso, a nossa loucura já valeu a pena, embora já tenhamos dito mil vezes "metemo-nos em cada uma..."

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando te despedes de dois amigos que vão para terra dizendo "façam boa viagem e vão devagar". Sinto que falta pouco para o "e quando chegarem, dêem um toque"!

sábado, 29 de julho de 2017

Férias

[Música para os meus ouvidos!]

terça-feira, 25 de julho de 2017

Momento louco

Quando decidimos, o pai cá de casa e eu, avançar com a organização da festa da nossa aldeia quando só faltam 3 semanas para ela acontecer. Falámos com 4 amigos, tão loucos como nós e siga. Era isso ou este seria o primeiro ano desde sempre que não tínhamos festa. Impensável e muito menos agora, que nosso concelho precisa de #renascer.
Os miúdos estão super super felizes. O Pedro já nos pedia há meses para fazer a festa. Eles adoram vender rifas, vender imperiais e sentirem-se, sobretudo, como membros da terra. 
Dia 19 de agosto, nos Lugarinhos - Castanheira de Pêra. A não perder. 



segunda-feira, 24 de julho de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XIV

Quando o teu mais velho toma as rédeas à coisa e ensina o mais novo a andar de bicicleta. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XIII

Quando andas com as Havaianas do teu filho mais velho, uma vez que já calçamos o mesmo número. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

As mães, os ginásios e a culpa (sempre presente na vida de uma mãe)

Em março, depois da meia-maratona, o meu pé obrigou-me a uma pausa longa. Comecei a descompensar, a comer muito e sobretudo a pensar que ia ficar sem vontade de correr ou de fazer desporto. Uma verdadeira neurótica. 
No dia 17 de abril, pesei-me, tirei uma foto em soutien em frente ao espelho da casa de banho e fui inscrever-me no ginásio. 
No início, senti-me intimidada pelas pessoas que, aparentemente, se conheciam bem; pelos músculos XXL, pelos corpos fit's das miúdas mais novas e sobretudo pelos valores dos pesos que levantava versus os pesos levantados pelos outros. Mas a vontade de reforçar a massa muscular para prevenir futuras lesões na corrida falou mais alto que a vergonha e não me deixei afetar por essa neura. 
Fui todos os dias ao ginásio menos no dia da criança e ontem (uma espécie de ressaca dos anos do pai cá de casa). Acreditem que não foi fácil. Inicialmente, sentia-me egoísta por estar a usufruir de uma hora por dia só para mim, deixando os meus filhos em casa. Estava no ginásio a pensar que tinha de despachar tudo super rápido para ir ter com eles, coitadinhos, abandonados sem o meu carinho, sem a minha presença. Estava no gym quase sempre em sofrimento. Que neura! Sabia também que se não fosse, ia ficar lixada comigo, com eles e que o pai cá de casa ia apanhar por tabela. Outra neura, está visto. 
Aos poucos, ou talvez depois da Carolina ter dito que era um falso peso na consciência, que era a sociedade a martelar que uma mãe não podia ter tempo para ela, fui deixando essa ideia de lado e passei a ir sem culpa, sem complexos e com maior prazer. Efetivamente não sou nem pior nem melhor por ir ao ginásio e usufruir de uma hora só para mim. Não é essa hora que me determina enquanto mãe. Sei - e isso é extremamente importante -  que sou mais fácil de aturar quando vou e tenho mais paciência também para os aturar quando regresso. Deixa de haver tantas neuras portanto. Maravilha. 

Saber lidar com a culpa é coisa que me faz ver que estou a crescer...

[Nota: se eu fosse uma blogger da moda, punha a foto do antes (17/4) e depois (hoje) para sacar montes de propaganda desportiva da Prozis, myprotein, Nike e afins por causa do transformação do meu corpo.De facto, é incrível como é que ele se modificou tanto. Como sou a Tella, não ponho foto nenhuma, que os azulejos da minha casa de banho são horríveis e não quero que vejam!]

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Fácil chegar, difícil partir

Cheguei à Castanheira.
Não há imagens na televisão que nos preparem para este cenário desolador. Nao encontro palavras para descrever a desolação. Dói a alma. 
A estrada nacional que liga Figueiró à Castanheira é terrível. É impossível não se emocionar perante tamanha tragédia.
As pessoas sentem necessidade de falar do medo que sentiram, das pessoas que perderam, do caos que viveram. No fim das conversas, há sempre qualquer coisa como "as pessaos têm de vir para cá para tentarmos seguir com a nossa vida".
O inferno existe e andou por cá. 

sábado, 1 de julho de 2017

Sabem qual foi o meu anticlímax de ontem?

Sair da festa da primária, com o meu "finalista" que se emocionou ao despedir-se do 1°ciclo (e cujas lágrimas vieram emocionar-nos também muito) e ver o nosso carro em cima de um reboque, pronto para ser transportado para um parque de EMEL. 

dasssssse, eu sei. Também o disse várias vezes. 

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XII

Quando o teu filho mais velho se despede da primária.

[Foi ontem]

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tão fácil chegar, tão difícil partir

Quem circula na EN 236-1, lê, à saída do Concelho de Castanheira de Pêra, a seguinte mensagem: "Tão fácil chegar, tão difícil partir". Esta é a mais pura das verdades, que o diga o meu Pedro que chora quando saímos de lá. Da estrada EN 236-1, basta saber isso. Basta recordar isso e mais nada. 
O meu pai e os meus sogros nasceram em pequenas aldeias no Concelho de Castanheira de Pêra. Toda a minha vida passei lá férias. O pai cá de casa também. Os meus filhos passam lá as férias desde que nasceram, claro. Não tendo nascido em Castanheira, somos de lá. É, sem sombra de dúvidas, a nossa terra e com muito orgulho, diga-se. Sinto-a. Não sei explicar. O meu ADN castanheirense fala mais alto do que outro qualquer! O ADN do pai então nem se fala. Conhece toda a gente, toda. Cumprimenta toda a gente. Toda. 

Como é do conhecimento de todos, a nossa terra ardeu. Quem lá está diz que está um caos: cenário cinzento, ainda com fumo, sem luz ou comunicações e que viveram dias horríveis. 
Assistimos no fim de semana ao inferno, de longe, agarrados aos telemóveis, através dos grupos do FB do pessoal da terra. Tentámos saber pelos nossos, num momento em que não havia comunicações, excepto com a tia, que por milagre dos milagres, tinha telefone fixo em casa. O horror era relatado por ela, assustada mas que não quis ser evacuada. "ó tia, vá para a vila, saia da sua casa!". Não foi. Ficou em casa. 
Ler o desespero dos amigos e conhecidos a perguntar pela avó de 90 anos, pelo tio de 70 ou pelos pais. As casas não interessavam, queríamos saber das pessoas. No nosso caso , o primo direito do pai cá de casa. "O Pedro? Ninguém viu o Pedro?" (só soubemos que o Pedro estava bem às 3h00 da manhã de domingo para segunda). 
Vivemos momentos de aflição, sem saber de nada. A televisão prestou um péssimo serviço, pois nunca mas nunca mencionou onde estava o incêndio, que aldeias estavam a ser evacuadas, quando foram evacuadas ou quando deixaram de ser evacuadas por causa de um outro incêndio. A estrada EN 236-1 e os carros destruídos passavam em loop no nosso ecrã, assim como as palavras "incêndio de Pedrogão" quando o incêndio já nem lavrava nesse Concelho mas sim no de Figueiró dos Vinhos e de Castanheira de Pêra.  
Nem imagino o inferno vivido pelas pessoas que lá estiveram, que perderam tudo, inclusivamente a vida.
A Castanheira ficou sozinha e isolada, mas isso já são outros 31.  

No próximo fim de semana, tínhamos combinado lá ir. Mas como ir a um sítio que está de luto? Como estar num sítio com tamanha dor?

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Não sei que título dar a este post

Tenho um problema sério com a pílula: esqueço-me de a tomar. 
O esquecimento, por vezes, ultrapassa os três ou mesmo quatro dias, como no mês passado. 
Quando o esquecimento coincide com épocas mais festivaleiras (if you know how I mean), a coisa agrava-se. 
A coisa ganha proporções gigantescas quando a menstruação decide atrasar-se 2-3-4 dias, 8-9-10 dias. 
O pêlo que nasceu debaixo do umbigo quando engravidei do Tiago e do Pedro e que é uma espécie de teste de gravidez apareceu mas de forma diferente. Nos dois outros casos, eram grossos, pretos e compridos. Este é pequeno, fininho e claro. Sim? Não? Será pêlo de menina? Tudo me passou pela cabeça, confesso. Tudo.
Oscilo entre a ansiedade e uma espécie de alegria contida e penso "as hormonas estão baralhadas. Estou mesmo grávida" e fico novamente mais ansiosa e com uma esperança disfarçada de negação. E medo também mas sem saber bem de quê...

O pai cá de casa, que sempre disse que não queria mais filhos, vai perguntando, meio a brincar e meio a sério, onde vamos colocar o berço. Chega mesmo a perguntar aos filhos se gostavam de ter mais um mano ou mana. E até dois nomes são escolhidos pelos miúdos: Maria ou Afonso. 

O teste é adiado um dia, dois dias, consciente ou inconscientemente, não sei.

É negativo e de repente nem sei se fico contente, aliviada ou triste ou se fico isso tudo ao mesmo tempo. Sinto um aperto cá dentro que contrabalancei com "uff, vou poder correr", "bem, já não tenho de pensar como vou pagar três mensalidades de colégio", "uff, não vou ter de voltar a acordar de duas em duas horas", "na volta, era mais um rapaz e eu queria mesmo uma menina". 

Nessa tarde, estive com os meus primos e respetivos filhos, todos eles pequenos e a mistura de sentimentos continuou: "ahahah, estou aqui a beber um copo de vinho super tranquila que os meus filhos já estão autónomos e não chateiam nada"  e "óooo a Sofia, com o seu laço cor de rosa, a dar os primeiros passos, que bom".

[A menstruação ainda não veio. Estou à espera há 52 dias.]

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XI

Quando o teu filho mais novo acaba de ler sozinho, da primeira palavra à última, o seu primeiro livro. 

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando na única mercearia da terra, onde toda a gente conhece toda a gente, um senhor diz:
"Ó Rui, avie primeiro a dona!"

[até olhei para trás porque pensei que se estava a referir a uma outra pessoa!]

[saiu-me "trate-me por menina, para que o fim de semana me corra bem!"  Pffff]

Quando é que sabes que os teus filhos estão crescidos? X

Quando um deles vai dormir à casa de um colega. 


Run Tella, run

Neste fim de semana, fui para a terra e corri.
Correr na terra é talvez o melhor sítio para se correr: é fresco, a paisagem é maravilhosa e as subidas lixadas intercalam com boas descidas. 
Ponto importante: corri sem dores sem nada no pé. Sei que o pé não está a 100%, estará a 95% mas desta vez, nicles de dores, nada, rien de rien. Maravilhoso! 

Já vos tinha dito que achava que nunca mais ia correr em toda a minha vida, nem para apanhar o autocarro? 
Ah Tella, menos, pá, menos! 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Aquele momento em que percebes que se fala muito de treinos e de alimentação cá em casa

Os miúdos tiveram hoje o primeiro treino de futebol e chegaram à casa cheios de fome.
Qual foi a preocupação dos dois, qual foi?
- Mãe, depois do desporto, temos de comer proteína - dizia o Pedro. O que é que tem proteína?
- O que comemos? Pode ser um ovo mexido? - perguntava o Tiago. 

Enquanto comiam um iogurte natural com aveia e pêssego, o Tiago insistia em saber:
- É comida saudável e boa para depois do treino, não é?

[Meus ricos filhos]



terça-feira, 6 de junho de 2017

Eu, a eterna estagiária

No meu primeiro ano enquanto professora, ainda estagiária, emocionei-me na última aula com os meus alunos do 8°ano. Eram apenas 11 miúdos. Ainda me lembro da cara deles mas só o nome de alguns: do André, que disse "merda" numa aula, da Xana que percebeu comigo o que era o passé composé, da Andreia e de pouco mais.
Lembro-me de me terem dito que essa coisa das lágrimas ao despedir-me de uma turma só acontecia no início da carreira. Também achei que sim, até porque nunca nenhum professor tinha chorado à minha frente. Ficou claro na minha cabeça que só podia ser " coisa de estagiária". 
Os anos passaram-se e a "coisa de estagiária" continuou. No último dia de aula, fico com um nó na garganta. Por vezes aguento, sobretudo quando são turmas pouco dadas ou com quem não consegui criar grande empatia, outras vezes, não. Basta uma palavra, um agradecimento, um abraço, uma doença filha da mãe ou simplesmente a  despedida em si, minutos antes do toque. Todos os anos, todos eles desde 2002, eu emociono-me com os meus alunos. Dizer adeus sempre foi tramado. Dizer adeus às pessoas com quem efetivamente estamos é ainda pior. 
Ontem, com uma turma do 9°, aguentei, aguentei e depois, vieram 4 miúdas ter comigo, já depois do toque, a pedir um abraço e a dizerem coisas que me aqueceram e eu, pronto, já sabem. Isso mesmo. 
Mas hoje, hoje foi especial. A minha turma do coração, que foi minha do 7° ao 9° ano, que coordenei durante dois anos, teve a última aula comigo. Acordei de madrugada a pensar que me ia despedir deles e que me ia custar muito. 
E custou senhores. Muito. Chorei eu e choraram todos eles. Não tentei conter as lágrimas, pois temos uma relação muito boa, que assenta no respeito, e, como lhes disse, não tenho vergonha do que sinto. Foi bonito. Foi bom. 
Com eles aprendi sobretudo a ouvir os adolescentes com mais atenção e tive a certeza, embora já o soubesse há mais tempo, que dar aulas é muito mais do que transmitir conhecimento, atingir metas e coisas assim decretadas num papel por pessoas fechadas em gabinetes. Ser professora, sobretudo daquela turma, é envolver-me, repensar cada tarefa, pensar nos que têm mais dificuldades, fazê-los pensar sobre coisas que nada têm a ver com a matéria mas que têm de ser pensadas, saber quando o pai de um regressa de África, perguntar pelo pai doente de outro, saber da história da separação dos pais, dizer-lhe "és uma força, acredita", contar-lhes a minha cena com a corrida como metáfora para chegar às metas, ao que desejamos; lembrar-me do texto que uma aluna escreveu sobre a avó no 7°, da piada dita no 8°, and so on. Podia ficar aqui a escrever e escrever.
Espero que dentro de alguns anos se lembrem de mim e que digam "bem, eu tive uma professora de francês que foi muito importante para mim" porque eles foram verdadeiramente importantes para mim. Dei sermões, ralhei, castiguei, chamei encarregados de educação, passei-me mas também ri muito, desabafei, ouvi, conversei e plantei sementes que hão de germinar de uma forma saudável.
Vi-os crescer e foi um prazer. 

[Há pouco, encontrei nem sei bem como um texto de uma aluna da dita turma no FB. A miúda sai da escola e escreve muita coisa, fala de muita gente e fala de mim. Fiquei então com a certeza que sim, que deixei lá qualquer coisa e que fiz, pelo menos, uma coisa certa. ]

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Momento em família

Assisitir às segundas-feiras ao Ministério do Tempo, na RTP1.
Ultrapassado o primeiro episódio que é chato e longo, a série portuguesa vai agarrando, quer pela historia da História, quer pelos diálogos ou quer pelas personagens.
Com o Ministério do Tempo, os meus filhos tornaram-se fãs do Camões e do Pessoa, do episódio do milagre das Rosas e de outras batalhas de cavaleiros e do Reino que os deixam ligados à História. Adoro ver-nos sentados os 4 em torno de um programa, de uma série. 
As segundas-feiras são muito melhores. 
Quando penso numa "porta do tempo", penso logo ir vivenciar o "25 de Abril". Eles respondem qualquer coisa como "quando tu o o pai eram crianças! Ver o que faziam". 
Aquele momento em que a história do pai e mãe é maior do que tudo. Tão bom. 

[ A 1a temporada está disponível na RTP play.]

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Da saga Run Tella, run

Hoje corri dois quilómetros, depois de dois meses de paragem obrigatória. Dois quilómetros hoje, dois meses depois dos vinte e dois quilómetros na meia-maratona. Dois quilómetros sem dor ou ardor no pé.
Uma alegria tão grande, tão grande que nem dá para explicar. Eufórica como se tivesse ganho sei lá o quê!
Eu que cheguei a pensar não voltar a correr nunca mais. O drama senhoras, o drama, sempre a acompanhar-me!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando comentas que vais estudar com o teu filho matemática e essa pessoa te pergunta se o teu filho está em Ciências ou Artes, se tem matemática A ou B. 

Quando no ginásio, um miúdo com 18 anos, mais coisa menos coisa, te aborda e te diz "peço desculpa minha senhora, estas chaves são suas?"
[morri um pouco com o "minha senhora"]
 

domingo, 14 de maio de 2017

39 anos

Hoje faço 39 anos.
A madeixa branca alarga-se e agora tende a deixar de ser madeixa porque os cabelos brancos resolveram espalhar-se um pouco por todo o lado  Continuo a viver com ela e a pensar que dá pinta, como da ao Cloney ou à Lagarde, e que é fixe assumi-los. As rugas em torno dos olhos também, embora, vá, não sejam ainda do outro mundo. Tento, através do desporto, que o corpo não se deixe arrastar pelo tempo que passa. Quero-o ágil e tonificado. Aí sim, quero enganar o tempo, correr para fugir dele. 
Este ano, ao contrário dos outros, não estou naquela coisa de "ah e tal, isso passa tão rápido, já é metade da minha vida e coiso". Sinto serenidade no ano antes dos -entas. 
Tenho 39 anos, dois filhos que me enchem muito, um pai cá de casa que está sempre ao meu lado e de quem me orgulho muito, dois gatos que me enchem tudo de pêlo mas que são parte da família, um mano e  uma sobrinha que assentaram, desde sempre, praça cá dentro, uns pais e uns sogros amigos que são avós importantes para os meus filhos, uma avó maravilhosa de 91 anos, por quem sinto um afeto cada vez mais forte e a Carolina, que não sendo família, o é. Ponto. Tenho amigos, poucos mas bons, com os quais rio, choro e converso. 
Sou uma felizarda. Tenho uma vida, que não sendo perfeita, com a graça do senhor, é fixe. La vie est un long fleuve tranquille. E isso, vale ouro, mesmo com 39 anos. Os números foram sempre demasiados valorizados, essa é que é essa. 
Venham outros 39 que cá estou para lhes mostrar que são um nada. 

sábado, 6 de maio de 2017

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando o teu pai, quando lhe dizes a idade que vais fazer (!), te responde de volta, com toda a seriedade: "Estás velhota filha! Já não és nenhuma jovem!"

sábado, 29 de abril de 2017

Quem não corre, vai pro ginásio do bairro

Na verdade, este post podia ter vários títulos. Ei-los aqui:

[Quem não quer perder o bichinho do desporto, vai pró ginásio do bairro.]
[Quem se sente a descompensar, vai pró ginásio do bairro.]
[Quem engordou 2,8 kg num mês, vai pró ginásio do bairro.]
[Quem tem receio de perder a capacidade de correr o que corria, vai pró ginásio do bairro.]
[Quem sonha com uma barriga lisinha lisinha, vai pró ginásio do bairro.] 
[Quem quer ser fit e saudável, vai pró ginásio do bairro.]
[Quem quer ter 40 anos mas parecer 30, vai pró ginásio do bairro.]
[Quem tem uma fascite plantar (filha da mãe), vai pró ginásio do bairro mas não faz passadeira.]

Qualquer título serve, é só escolher.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? IX

Quando o teu mais velho recusa tomar banho contigo porque tem vergonha!
 [da mãe, vergonha da mãe! Pfffff!]

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Aquele momento em que a tua rica sogra* te diz...

... "Tella, estás mais gorda. Reparei logo quando te vi! Tens de voltar a correr!"

[Buaaaah! Ela tem razão!]

*O título não é sarcástico. A minha sogra é como uma mãe para mim.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Da vida no campo ou das nossas férias no sítio de sempre.

Acordam e vão jogar bola para o centro (campo de futebol); vão brincar às escondidas ou à apanhada no meio do carvalhal; ficam com os pés gelados no rio a apanhar pedras e a atirá-las para longe, fazendo ricochete; imaginam navios nas fragas do rio; vão sozinhos para todo o lado. 
São 20h12 e eles ainda não chegaram à casa. Foram jogar novamente futebol e esquecem as horas. 
Tão bom. 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A lesão

Os exercícios recomendados pelo médico (e pelos meus colegas de Educação Física) para curar o meu pé são tramadas. Nunca pensei que passar uma bola de golfo na planta do pé pudesse ser do demo ou que alongar o pé contra uma parede durante um minuto fosse muito mais lixado do que fazer a prancha. 
Só me ocorrer um hastag: #ohfodase

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ficha de autoavaliação do Tiago

"Eu acho que devo melhorar na ortografia, estar com mais atenção e não ter tanta preguiça. Mas eu acho que devo dizer à Margarida que é uma ótima professora e que me ajuda muito."


segunda-feira, 3 de abril de 2017

A nossa gata

Teve alta no dia em que fez 4 anos. Está murcha, assustada, esta hiper magra e come pouco. Está nhô nhô. Suponho que seja normal. Também estaria nhô nhô se me retirassem um rim. 
Confesso que fico sempre com medo de chegar à casa e de a encontrar inanimada. 
Para a semana, vamos de férias e leva.os pela primeira vez a gata connosco.
(Sim, tornei-me numa pessoa que fala muito de gatos, que gasto rios de dinheiro com eles, que lhes tira montes de fotos e que os transporta por aí...)

O que queres ser quando fores grande?

O Pedro sempre gostou de clichés! 

domingo, 2 de abril de 2017

Da saga "Run Tella, Run"

Ando a receber mensagens de uma aplicação de corrida a dizer que "a sua saúde é prioritária, movimente-se". Abri a dita cuja e comecei a ver as minhas  estáticas e fiquei grrrr com o meu mês de Março. 15 dias antes da prova, fizemos, a Carolina e eu, um treino de 19,3 num tempo belíssimo. E depois, no dia da prova, faço,  embora com um pé todo inflamada, aquele tempo. 
Ainda não consegui digerir o tempo. Ainda não consegui superar o que me aconteceu.


sexta-feira, 31 de março de 2017

"Mamã, hoje estás vestida e calçada assim...sabes, tão adolescente"

E só agora é que me caiu a ficha: não sei se é bom ou se é mau!
[Ainda por cima nesta semana em que estive um trapo e me olhei sempre ao espelho a pensar, pela primeira vez, que estou a ficar velha, que estou com um ar envelhecido. ]

terça-feira, 28 de março de 2017

A nossa gata está internada desde sexta-feira.
Ontem, disseram que teriam talvez de lhe fazer um by pass, pois um dos rins estava muito debilitado e sem conseguir filtrar. A cirurgia implica mais ou menos uma fortuna. 
Neste caso, um gato é um gato, pensamos nós. Um gato é um gato. Um animal é um animal. 
Informamos então os miúdos que haveria a hipótese da gata não voltar à casa. Houve choro do mais velho claro e força para não chorar do mais novo, claro. 
Fomos então ao hospital vê-la, uma espécie de"goodbye" e foi muito mau. Ela ali, coitadinha,  naquele estado; o Tiago a dizer que " não vou chorar, não vou chorar, não vou chorar mas vai ficar bem, não vai?", o Pedro a entrar em parafuso, a dizer que queria sair dali. Eu, claro, a chorar, a chorar e a despedir-me dela de coração partido. 
Fui falar, dentro do possível, com o médico. Teriam de lhe remover um rim, que está quase a colapsar. A operação teria outro preço. Outra fortuna, mas mais baixa que a estimada anteriormente. Os miúdos a perguntarem se pagavamos, porque não pagavamos, mas "diz ao médico que sim", etc. "Mas não tens dinheiro mamã?" 
Para eles, um gato é um gato mas a Fifi é a Fifi, um elemento da família. 
O Pedro, já mais calmo (ou não), na rua, mostrou-me qual a decisão a tomar ao dizer-me que podíamos pagar a operação com o dinheiro da caixa [um mealheiro nosso que já deve ter uns 250 euros, mais ou menos, que já temos há um ano para irmos todos à Disneyland...]. Aprendi então com o meu filho que gastamos o dinheiro naquilo que vale realmente a pena e que a  Fifi vale a pena! Pelos nossos,fazemos tudo. 

Da saga "Run Tella, Run"

Tenho uma fascite plantar. Hoje, na eco, a médica perguntou-me como é que conseguia andar, pois estava com a planta do pé "muito muito inflamada".  
[Já percebi há uns anos (talvez desde o primeiro parto, a seco, sem anestesia nenhuma e sobretudo depois das complicações do parto, ser reaberta a frio, sem nenhuma anestesia)  que sou muito tolerante à dor, embora cada vez mais hipocondríaca.]
[E hoje doí-me tanto o pé.]

Já tenho consulta marcada no ortopedista, mas a médica que me fez a ecografia informou-me logo que teria de ficar sem correr pelo menos 6 meses, que é uma lesão difícil de tratar e que os anti-inflamatórios correntes não faziam nada...  Estou em choque. 6 meses sem correr?Oi? A sério?



Conta simples (que a matemática dá-me uma certa comichão)

(Lesão no pé que impede de correr e soltar raivas e tristezas + gata internada super doente com grandes incertezas quanto à sua recuperação + problemas familiares que envolvem problemas de saúde + desabafos & pedidos de ajuda da tua gente) X TPM ao quadrado = ataque constante à comida, seja ela boa ou má, que o objetivo é encher-me de qualquer coisa!

Raios. Só faltava esse descontrolo com a comida agora. 

sábado, 25 de março de 2017

A minha estreia

Eu nas Urgências do Hospital Veterinário com a minha Fifi. 

[Decididamente, as minhas sextas-feiras à noite já foram bem mais divertidas!]

sexta-feira, 24 de março de 2017

"Os mandamentos da Tella" - I

Não comprarás nunca mais a manteiga de amendoim do site MyProtein. 

[porque é deliciosamente do demo].

domingo, 19 de março de 2017

Da saga "Run Tella, run"

Cheguei ao fim da prova. 
O Voltaren ao pequeno-almoço e o Brufen na partida não acalmaram as dores no pé. 
A partir do km 5, fiz uma pausa para ir à casa de banho e também para fazer uma quebra no meu ritmo. Estava a ir demasiado rápido e sabia que assim, não conseguiria chegar ao fim. 
Por causa do pé (esquerdo), comecei a fazer mais força na perna direita e ao km 10, comecei a sentir uma coisinha na coxa direita. Que merda. A partir do km 15, foi muito difícil e aí, decidi correr 1 km e andar 200 metros. 
O sol quente, a inexistência de pessoas a torcer por nós nas ruas, a paisagem fraquinha tornam a prova chata e difícil. Árida, como disse a Carolina. 
Ao km 18, a dor no pé e coxa, o cansaço, a música que a banda estava a tocar (e nem me recordo que música era), desatei a chorar. Não foi assim baba e ranho mas foi uma grande emoção, não sei explicar. 
Na reta final, na meta, oiço "Tella" "mamã" e nas bancadas, o meu mundo: os meus filhos e o pai cá de casa. Não aguentei e a emoção tomou conta de mim. Nem me apercebi, por isso, que já tinha acabado a prova e continuei a correr. 
Mas depois disso tudo, a sensação de "feito" é maravilhosa, assim como a de superação. Mesmo. 
O meu tempo: 2h22.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Da saga Run Tella, run

Percebo que o que vá escrever não faça sentido para muita gente. Para mim, se calhar, há uns anos, também não faria.

A meia-maratona de Lisboa será no domingo. Estou inscrita há meses, desde novembro ou antes, não sei precisar. Treinei muito. Muitas vezes, depois de um dia difícil,em que fui buscar força não sei bem onde. Fizemos, a Carolina e eu, vários treinos longos ou semi-longos e até séries fizemos. Senti um músculo da coxa a rasgar depois de um arranque de uma série.
 Não é para meninos, não senhor. 
Li imensa coisas sobre meias-maratonas, desde alimentação à exercícios de fortalecimento muscular. Empenhei-me.
Um dia comentei com a Carolina que queria fazer a prova em menos de 2h30 mas ela, já batida nesta prova, reduziu o tempo para 2h15 e acreditei que sim, que era possível. Aos poucos, acalentei a esperança de correr os 21 km e poucos metros, em menos de 2h10. Acreditei que iria conseguir. Andava a quebrar records nos meus treinos, sentia-me super otimista e aquela sensação que a corrida nos dá, do "tu consegues, pois" ajudou à festa. Pelo sim, pelo não, não partilhei esta esperança com ninguém. Era o meu desafio e só meu. 
Mas depois, a dorzinha no pé passou a dor grande, que se tornou rapidamente lesão, deixou-me KO, o meu castelo de cartas ruiu completamente. E é tão frustrante, mas tão frustrante que nem consigo pôr por palavras o que aqui vai. O meu objetivo de repente passou a ser outro: cruzar a meta, nem que seja a última. Mas no fundo, no fundo, não sei se conseguirei. Não tenho feito nenhum exercício há 15 dias e  ainda sinto uma coisinha no pé. Vou tomar não sei quantos analgésicos antes da prova para ver se consigo. Passo, de repente, da maior que acredita em si, para a que não sabe se vai conseguir... Que frustrante!  
Ah! Sei que há mais provas e mias meias, please, não me digam isso, que eu sei, óbvio. Também sei que não é o fim do mundo e blá blá blá. Não deixa de ser frustrante ter investido tanto e agora estar assim, neste estado (físico, emocional e psicológico)!

[A única coisa boa desta lesão é perceber que há amigos que se preocupem comigo, que me trazem anti-inflamatórios XPTO, receitados aquando de uma lesão desportiva, suplementos alimentares com magnésio e não sei quê, links para curar lesões and so on. ]

sábado, 11 de março de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? VIII

Quando o teu mais novo decide, ao jantar, escrever frases no tablet sobre o próprio jantar...

quinta-feira, 9 de março de 2017

Coisas que me deixam triste e aborrecida

Estou há muito tempo (3/4 semanas?) com uma dor na planta do pé esquerdo. É uma dor tramada ao acordar, quando poiso o pé no chão ou quando recomeço a andar depois de estar algum tempo parada. Depois, a dor pára e volta assim quando quer...
Tenho continuado a correr mesmo assim porque estou inscrita há muito tempo para a meia-maratona e correr faz parte da minha vida neste momento. (Uau, menos Tella, menos). Mas na terça, depois de um treino de reforço muscular, a dor tornou-se insuportável. Ontem tive de tomar brufen e Voltaren. Estava coxa e muito deprimida por causa disso. Tive de cancelar uma corrida e tudo. Fiquei ainda mais depré. 
Hoje já tomei 3 brufens e ainda sinto qualquer coisa. 
Faltam 10 dias para a prova que considero de fogo e ando eu aqui meia coxa e sem treinar. 
Nunca pensei que uma coisa dessa me deixasse tão triste. Bolas...

Quando é que sabes que os teus filhos estão crescidos? - VII

Tu sabes que o tempo não pára. As estações sucedem-se a um ritmo louco e a figueira das nossas traseiras relembra-nos disso constantemente: carregada de figos, acastanhada, morta ou em flor;  carregada de figos, acastanhada, morta ou em flor; carregada de figos, acastanhada, morta ou em flor. Mas não é só a natureza que o faz: são os cabelos brancos que avançam de uma forma galopante, as rugas que marcam cada vez mais profundamente o meu rosto, a minha constante vontade de permanecer em casa às sextas ou sábados à noite, as ressacas que duram dias, etc, etc, etc. 
Tu sabes que o tempo avança, sempre. 
Mas hoje é que levei com uma espécie de murro no estômago. 
O meu primeiro filho já está matriculado no segundo ciclo. Parei para respirar fundo e foram quase 10 anos que caíram em cima de mim em segundos. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Tudo uma questão de fé.

O Benfica levou agora o quarto golo do Dortmund e faltam 3 minutos para o fim do jogo.
O Pedro diz "só têm de marcar três golos para empatar!".
E é isso.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A croma

Resolvi ver a cerimónia dos Oscares em direto, quase até ao fim. 
Digo quase porque quando os senhores disseram And the Oscar goes to "La La Land", pensei "pfff", desliguei a televisão e fui para a cama, mais morta do que viva. Já não havia paciência para discursos! 

De manhã, quando acordei e vejo no feed do meu FB que o Óscar tinha sido atribuído ao Moonlight (e bem atribuído, by the way!), o meu primeiro pensamento foi "meu deus, ando a perceber cada vez menos inglês e estou a ficar doida!".
E só depois é que percebi o que tinha acontecido e respirei de alívio!
Enfim, fiquei acordada até às tantas e não assisti à barraca ao vivo... e só eu sei o quanto gosto de uma barraca!