sábado, 26 de agosto de 2017

E a festa Tella, como foi?

Ainda não sei se consigo pôr em palavras a nossa aventura na festa da aldeia. Ainda estou muito emocionada.
4 semanas antes, Miguel e eu decidimos que devíamos fazer qualquer coisa na festa da aldeia. Não havia mordomos, uma das vítimas dos incêndios tinha-se chegado à frente para fazer qualquer coisa mas a sua morte deixou tudo ainda mais triste. Alguém tinha de a fazer e fomos nós.
Nunca acreditei que íamos ter tanto sucesso. Vendemos 1000 litros (sim, mil) de cerveja, fora tudo o resto: porco no espeto, 70kg de bifanas, caldo verde, sardinha, etc. Foi um arraial digno dos Santos de Lisboa. Inicialmente pensámos em juntar no máximo dos máximos 300 pessoas e isso até era quase um delírio. Pensamos agora que estiveram cá 2000 pessoas. Tivemos até a sorte de aparecerem pro bono uns senhores para tocarem concertinas e batucos. Foi o delírio de todos.
Demos o litro. Não vi nada, não me diverti nada. Só trabalhei e muito. Estive 48 horas sem ir à cama. Proporcionei aos outros uma grande festa, um momento feliz num cenário triste. Que orgulho. Como dizia o Vítor, colega que fez parte da organização, "temos uma história para contar. É a primeira vez que umas pessoas que não  são comissão de festas fazem uma coisa dessas e que coisa nós fizemos!". E chorei com as palavras dele.
O pai cá de casa foi o meu maior orgulho. Só espero que os meus filhos sejam como ele. Ele foi o motor, a cabeça pensante de tudo, o que nos puxava pra frente. Um Homem capaz de tudo. Foi o maior. Teve entretanto não sei quantos convites para organizar as próximas festas. Mas não, obrigada! Chegou ao limite do esgotamento físico e emocional. (Ainda hoje foi devolver mesas aos centros recreativos de concelhos e aldeias vizinhas).  Muito choro houve entre nós todos, os organizadores e ajudantes (sim, porque o nosso arraial ganhou tal dimensão que sem várias ajudas, nada teria sido feito).
Os meus filhos trabalharam como gente grande, desde à limpeza, à organização da quermesse, a servir imperiais ou servir nas mesas até as tantas da manhã. Foi mais uma experiência de vida.
Ontem dizia ao Pedro que quando tivesse a minha idade e estivesse também ele a organizar a festa da senhora da guia, ia contar aos filhos da sua primeira festa, que foi só um arraial de dois dias mas que foi brutal. E terá de lhes dizer que os avós é que tiveram a ideia de animar a malta, de juntar uns loucos como eles e fizeram o impossível no ano em que muitas pessoas morreram no nosso concelho por causa dos incêndios.
Ainda estamos todos muito emocionados com tudo.
Acabei a festa completamente esgotada, cansada, sem forças.  Dei uma semana de ferias à causa. Nao me arrependo nem um minuto. Acabei de coração cheio e muito orgulhosa.

3 comentários:

Carolina Gonçalves disse...

Andava em pulgas por este post! que leva às lágrimas qualquer pessoa! Brutal!

Mary QA disse...

Que emoção! Sem palavras!

Marlene, Simão e Martim disse...

Lindo de ler, de sentir e quando no fim a sensação é essa tudo vale a pena. Beijinhos