quinta-feira, 18 de abril de 2019

Então, panicaste?

O pai cá de casa olhou para mim e sussurrou "não grites". 
Fechei os olhos, agarrei na mão do Pedro que me disse baixinho "ah Tella, não paniques" e consegui controlar-me respirando como alguém que está a ter um ataque de asma,  durante alguns minutos.  Acalmei-me cada vez mais e fui sentindo-me relaxada. 
Nunca saberei se a coisa correu bem porque 1)  tinha uns pais de uns alunos atrás de mim e há toda uma postura a manter;  2) Nossa Senhora do Chilique intercedeu por mim, abençoada seja;  3) os calmantes deram-me uma agradável sensação, bastante parecida àquela que se tem quando se bebe 3 imperiais quase de seguida num dia de verão. 

Os desígnios das crises de ansiedade são insondáveis.

[Entretanto o Pedro comunicou-nos, quase no embarque, que já não tinha medo de morrer porque não havia pessoas estranhas que iam controlar o avião...]

quarta-feira, 17 de abril de 2019

"Tu vais panicar"*

Há uns anos para cá, tenho tido ataques de ansiedade provocados sobretudo por alturas (a última foi em novembro na torre dos Clérigos), descidas acentuadas (a ultima foi ao tentar atravessar uma estrada de burros no meio da Lousã, com o sogro e miúdos em frente ao carro a limpar a estrada de árvores e pedregulhos), ravinas (houve uma aproximação de ataque, foi só um ligeiro panicanço, quando fomos fazer o trail de Montejunto), de AVC súbitos que me dão  (um dia conto...) e é por isso que sei que vou panicar* amanhã no avião (e só a ideia fez com que o coração ficasse mais oprimido).

[Entretanto, o Pedro apareceu no quarto a chorar a dizer que tem medo de morrer no avião. Devia ter percebido que algo o inquietava porque recomeçou com os tiques há 3 dias.]

 Os miúdos já me viram chorar, ter dificuldade em respirar, falar alto, aos gritos "não consigo, não consigo", arfar, ficar descontrolada. Panicar* a sério, vá. Já me avisaram que ia ter medo, de certeza e que se calhar teria de me controlar no avião. "Mamã, tu vais panicar, não é?". É.

Por isso, já comprei calmantes para tomar duas horas antes para ficar meia grogue e sentir-me nas nuvens.
Aproveito também para rogar à Nossa senhora do chilique. Ajudai-me, please (e já agora, parece-me que o Pedro também vai precisar de vós!)

*panicar, do verbo paniquer. Em casa, usamos muito os galicismos, ou melhor, criamos os nossos galicismos. 


Constatação dolorosa

Olho para o Tiago e não vejo um único traço de bebé ou até mesmo de criança que foi. Os olhos são a única coisa que não mudaram. Tudo o resto está diariamente em mutação.  Está grande, cheio de força, de vitalidade e com um apetite insaciável. Não consegue estar sossegado. Precisa constantemente de se mexer, de gesticular ou de falar. Vejo crescer dentro dele uma grande ebulição, um turbilhão de hormonas.
Se por um lado me agrada vê-lo crescer, tornar-se num adolescente simpatico, correto, divertido qb e giro; por outro assusta-me a adolescência. Sei que o vou perder para os amigas/os e namoradas/os, isso não me assusta. Assustam-me as palavras: aquilo que poderá ser dito ou feito nos momentos de zanga e que poderão minar durante décadas as nossas relações. Assuta-me não conseguir ajudar a equilibrar as emoções: as nossas e as dele, deixando de ver claramente o que realmente interessa. Assusta-me a ideia de deixar de haver momentos de cumplicidade e afeto. 
Já me disseram que terei de aproveitar todos os momentos em que ele estará disponível para mim. Fá-lo-ei, que se há coisa que sei é ouvir quem tem mais experiência do que eu. E depois lembro-me de uma mãe de um aluno que me confidenciou, em lágrimas, "tenho um estranho em casa e é o meu filho" e tenho medo que não haja um momento, sequer. 
Já me disseram também que não devo pensar nisso agora. Há tempo para a tempestade que aí vem mas torna-se difícil olhar para o Tiago e não pensar nisso tudo, nem que seja numa fração de segundo. É que por vezes até me custa a crer que aquele rapaz sentado no sofá seja o meu filho, aquele que me cabia nos braços. 

terça-feira, 16 de abril de 2019

Notre Dame

Entrámos na catedral de Notre Dame num domingo em 2004 ou 2005. Estava a decorrer a missa mais importante para os católicos e só nesse momento em que me ocorreu que era domingo de Páscoa. 
Eram centenas e centenas de pessoas, envoltas no fumo das muitas velas acesas, na homilia e nas vozes do coro. Ao fundo, alinhados como um exército, homens do clero vestidos de branco e dourado, com chapéus pontiagudos. Olhava para todo o lado, em bicos de pé: a rosácea estudada na escola, as colunas altas, as paredes e a luz que entrava e que tornava tudo ainda mais bonito. Não conseguíamos avançar e ver a Catedral calmamente e confesso que isso foi uma contrariedade. Tínhamos de a apreender do sítio onde estávamos. Lembro-me então de ter desistido de a ver e de começar a sentir. O canto do coro elevava-se cada vez mais, fazendo-me esquecer o som dos disparos contínuos das máquinas fotográficas. A luz tornou-se mais forte e quase carregada de misticismo. Senti qualquer coisa e comecei a chorar. Porquê? Não sei. Ainda hoje não sei responder à pergunta.
Quando saímos, tive noção do que deveria voltar para ver todos os pormenores. Não sei por que razão não o fiz. Terá sido o nosso último dia em Paris? Talvez. Sei que não regressei para a ver atentamente, apesar de a ter sentido.

sábado, 13 de abril de 2019

Livro 13 -2019

E chegada à página 180, achei por bem desistir. Que seca de livro! 

sexta-feira, 12 de abril de 2019

A culpa

Decidimos passar um fim de semana fora, a dois. A ultima vez que o fizemos foi em 2007 e nem foi bem a dois, que o Tiago já estava a germinar cá dentro!
A camisola da Culpa, que eu vesti no exato momento em que o meu primeiro filho nasceu, fez-se notar. Apertou-me mais que o habitual. Vamos sem os nossos filhos? Eles que adoram os hotéis e os seus pequenos-almoços, os passeios e a comida alentejana...
Eles estão bem e até já fizeram a estreia da piscina na casa dos avós mas ir sem eles...pfff... que peso na consciência! 
Mas vamos, que o Pai cá de casa não vestiu a dita camisola da culpa ou se a vestiu, consegue despi-la, felizmente! 
Antes de ir, achei por bem dizer-lhes a verdade, até porque eles queriam que fôssemos para a casa dos avós. 
Ui, o que fui fazer! A argumentação deles passou pelo "é injusto", "nunca vamos a lado nenhum", "estão sempre a dizer que temos de poupar dinheiro", "ou vamos os 4 ou ninguém vai" ou pior ainda "não somos como os outros: fazemos sempre tudo juntos." Ainda lhes disse que os pais iam namorar e que não iam há 11 anos mas eles foram categóricos: "não estamos de acordo".

Vamos na mesma, os dois, desfrutar de um sítio lindo no Alentejo. Tenho noção que hão de falar para sempre daquele fim de semana em que os pais foram passear e nos deixaram nos avós, tristes e abandonados. Até antevejo uma noite de Natal, em que um mano se vira para o outro e diz "nunca fomos com eles para lado nenhum. Lembras-te, em 2019, eles...". O pai cá de casa e eu haveremos de contestar, fazendo um lista de sítios para onde fomos os 4 mas eles lembrar-se-ão apenas deste, de certeza. 

Ai, a culpa ligada à maternidade, cem mil vezes pior que a amamentação!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Livro 12 - 2019

"Estavam la retornados de todos os cantos do império, o império estava ali, naquela sala, um império cansado, a precisar de casa e de comida, um império derrotado e humilhado, um império de que ninguém queria saber."

Não consegui parar de ler. É uma história que prende do início ao fim. 

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Referências

Hoje numa aula de GAP - sim, voltei ao ginásio - tivemos de colocar pesos nos tornozelos. Calhou-me 2 kg em cada um. Amanhã não me mexo.
Ao longo de todo o treino e por causa dos ditos pesos, só tinha uma coisa em mente. Sabem qual foi?
...
...
 [E enfim, esse pensamento revela uma certa infantilidade e mostra que as minhas referências deixam muito a desejar, por vezes.]
...
... 
Todo o treino ali a suar e a rebentar comigo e só me ocorria que o Sangoku no Dragon Ball treinou sempre com pesos para conseguir derrotar o Coraçãozinho de Satã. Se não fosse a minha triste e penosa condição física, teria achado graça à analogia. 

domingo, 7 de abril de 2019

Livro 11 - 2019

Um livro sobre o Holocausto, cuja parte final me provocou náuseas e um mal-estar difícil de digerir. Em determinados momentos, tive de fechar os olhos, parar de ler e respirar fundo.
É também um livro sobre a culpa, coletiva e individual, e sobre a maldade humana. 

sábado, 6 de abril de 2019

Pedro & eu

Manhãs perfeitas de sábado...

sexta-feira, 5 de abril de 2019

O momento alto da semana e quiçá dos últimos tempos.

Aconteceu há pouco.
A Dulce Maria Cardoso veio à minha escola dar uma conferência sobre a escrita e a leitura. Tive a sorte de poder assistir e foi simplesmente maravilhoso. Tal como acontece com os livros dela, onde tenho vontade, ou melhor, onde sinto necessidade de sublinhar frases ou palavras, também quis gravar para sempre o que ela disse. Tal como a sua escrita, fala de uma forma correta, polida, carregada de mensagens. Foi qualquer coisa de muito bom. Trago comigo, para além da "Eliete" e da "monstrenga", a voz da autora. 
Bolas pá, quando for crescida, quero ser como ela:  uma calma doseada com uma dose certa de loucura, a sabedoria, a sapiência na escolha das palavras, a capacidade de agarrar em 250 alunos e fazer com que eles não desliguem ao fim de 5 minutos falando de livros, a inteligência, o dom das palavras and so on. 
O ciclo de conferencias da minha escola acabou hoje: entre deputadas parlamentares, ensaístas, cientistas e escritores, a Dulce Maria Cardoso foi a chave de ouro da semana. 
Senti-me uma privilégiada, hoje, por poder ouvir tanta coisa formidável. 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Livro 10 - 2019

Conheci este livro através do Goodreads. Alguém lhe deu 5 estrelas e fez uma crítica muito boa. Como sou fã de romances históricos, fui requisitá-lo.
É assim um livro tipo 3,5. Pois é.  
Lê-se muito bem porque tem uma escrita fluída e simples e uma história simplória e previsível. Mostra uma sociedade analfabeta, pobre e "cega" e uma Inquisição a tornar Portugal ainda mais ignorante e com medo. Mas tudo em simples. Demasiado simples. 


domingo, 31 de março de 2019

Livro 9 - 2019

É um livro muito bem escrito. A Dulce Maria Cardoso escreve maravilhosamente bem. Como é que só a descobri há uns meses? Andei mesmo afastada da leitura, só pode.
 
É a história de uma mulher, obesa de tipo I ou II, que se auto-intitula de "mostrenga". É a sua voz que seguimos sempre, com frases que se repetem ao longo do livro, como se fosse uma melodia.
 É na sua voz que nos deixamos ir como se estivéssemos em transe. Deixamo-nos ir para uma vida triste, crua, amarga. Sem rodeios. É um livro intenso.

"Não há nada que o silêncio não mate."

"A única coisa do que não me esqueci é que a crueldade é um poço sem fundo..."

[O livro é da biblioteca mas hei de comprar um para mim para o reler e poder sublinhar à vontade.]

sábado, 30 de março de 2019

Quando tenho de ver ainda 6 turmas de testes, lembro-me que ainda não escrevi cá que...

... ando preocupada comigo. Não se preocupem que não é nenhum problema de saúde, felizmente. É uma coisa que nem parece minha, uns sentimentos e vontades que não vão ao encontro do que sou ou do que fui nos últimos anos.
Ando a comer acima das minhas possibilidades. Tão acima, que a roupa já não me serve. As calças 36, esquece, nem pensar. As 38 começam a apertar demasiado. Não me pesei, que a balança está sem pilhas, mas pela imagem que o espelho me devolve, estou com 6 ou 7 kg a mais. A sério.
O pior é que só como porcarias, eu a louca que passava a vida a ler rótulos para descartar os E's; eu que só comia os alimentos que a natureza me dava, pumba, caí em grande também nos processados.
Então, perguntar-me-ão vocês, não corres, não vais ao ginásio e aos treinos militares?
Lá está, em 2019 nunca pus os pés no ginásio e a corrida anda irregular. Como mais do que corro. É isso que quer dizer "acima das possibilidades" também.

O pior é que não encontro o botão ou o chip que me fará voltar à Tella antiga, cheia de força, vontade e energia. Todos os dias, acordo a pensar "hoje é que é " e nada.  Pode ser que um dia seja mesmo, vá.

O que fazer para encontrar o chip, seguir o caminho do bem, voltar a entrar nos eixos? Sabem?


terça-feira, 26 de março de 2019

Quando tenho muitos testes para corrigir, lembro-me que há coisas sobre as quais ainda nao falei

Nada é ao acaso? Existem coincidências?

A nossa casa da terra era a casa dos avós maternos do pai cá de casa.
Nas férias do Carnaval, estivemos a transformar o sótão no quarto dos miúdos. Estivemos a tratar de vigas, paredes falsas de pladur,  de isolamento, etc.

 [A ideia romântica de recuperar casas na aldeia é uma falácia. Tudo sai do pêlo e da carteira e parece que há sempre coisas para consertar.]

Enquanto rebocava com gesso algumas partes das paredes, constatámos uma coisa que me fez sorrir e divagar sobre as leis do acaso.
As vigas de madeira do teto, as que nos abrigam, e que ainda hão de durar um século ou mais, foram feitas por um carpinteiro chamado Manuel Rodrigues, ou seja, o meu bisavô.  
No movimento contínuo de lixar o gesso já seco das supracitadas paredes, tudo fez sentido e tudo convergiu num ponto: o meu bisavô construí o teto da casa que o bisavô dos meus filhos mandou construir. Engraçado, não?
(E se calhar não mesmo, mas estamos a procrastinar, ok?)



domingo, 24 de março de 2019

Já vimos o Cristiano ao vivo

Disse ao pai cá de casa que nunca tínhamos visto o CR7 ao vivo, que tínhamos de o ver para que pudéssemos contar ao nossos netos "eu vi o Cristiano a jogar em 2019", como as pessoas que dizem, enchendo o peito de orgulho, "eu vi o Eusébio."
Compramos os bilhetes família para ver o Portugal - Ucrânia por 30 euros.  Por mais 5 euros, poderíamos ver também o Portugal- Sérvia. "Ah - pensei eu - basta ver um jogo, ainda por cima o outro é à segunda; não vale a pena."
Tão parvinha, senhores, que sou por vezes. Tão parvinha!  É que o jogo da seleção não tem nada a ver com os jogos do Benfica mas eu não sabia. Os jogos ao vivo do Glorioso têm sido uma seca por vezes: o último a que fomos foi para a champions league, em dezembro, e ao minuto 70, já estava fartinha e pronta para regressar à casa. Mas o jogo da seleção é outra coisa. É uma festa, um delírio: o jogo foi mau mas não interessa. Foi divertido foi emocionante. Ainda por cima, estávamos em cima dos jogadores, no piso 0, fila E. Como disse o Pedro, "só temos 4 pessoas à nossa frente". Gritei pelos jogadores, "Criiiiiiistiano" sobretudo. Estava eufórica e constatei que tinha o coração a galopar dentro de mim quando vi a seleção em campo pela 1a vez. Ainda ouvi o pai cá de casa a dizer-me "menos Tella". Qual menos, qual carapuça pá.  É a nossa Seleção!
O jogo acaba e a minha sentença: "amanhã vou comprar bilhetes para o jogo contra a Sérvia".  Senti nesse momento o olhar dos meus filhos "uau, a nossa mãe é espetacular". Entusiasmada pelo estádio, pela equipa que não jogou nada mas não faz mal, pelo olhar dos meus filhos, acrescentei "a partir de agora, os jogos da seleção são para se verem ao vivo!Se for num sábado nas Antas, vamos todos para o Porto". Imaginem o olhar fos meus filhos nesse momento, qualquer coisa como "obrigada senhor por nos teres dado esta mãe como mãe!"

E pronto, já não havia bilhetes online, apenas no Continente. Lá, já só havia 70 bilhetes mas nenhum junto. Estavam espalhados pelo estádio, pelos diversos pisos e setores. Nem dois lugares de dois. Por um milésimo de segundo, ou menos ainda que não quero ter haters no blog a dizer que sou má mãe, ainda pensei "quero lá saber, compro um bilhete para mim e eles ficam a ver no sofá." Mas pronto, o giro da coisa também é ver a Seleção em família, né?!
 

sexta-feira, 22 de março de 2019

O Pedro descobriu o Tintin

Começou ontem à noite o terceiro volume.
Ri-se dos Dupond e Dupont. Adora a inteligência do jornalista. Quando lhe disse que havia um álbum onde ele era racista ("Tintin no Congo"), respondeu-me que estava enganada, embora ele não o tivesse lido ainda!

quarta-feira, 20 de março de 2019

Fui chamada à escola...

A professora do meu mais novo mandou-me um recado da caderneta: precisava urgentemente de falar comigo e teria de ser já no dia seguinte. 
Questionado sobre o motivo, o Pedro foi vago mas deu a entender que tinha a ver com o seu comportamento.
Hoje, foi o dia. Estou aqui a escrever este post, mas na verdade grande parte de mim ainda está naquele buraco preto, onde me enfiei à medida que a ouvia a relatar os episódios de má-criação. 

[Aquela coisa de "filho meu nunca há de ser malcriado com nenhum professor "...pumba, in your face Tella! Nem sabe o que lhe vai acontecer, nem eu, by the way, mas pronto, uma pessoa está agora a imaginar todos os tipos de castigos possíveis e impossíveis, num exercício de criatividade levado ao rubro!]

terça-feira, 19 de março de 2019

Livro 8 - 2019

Nem aquece, nem arrefece.

sábado, 16 de março de 2019

Declaração

Cheguei à casa por volta das 4h00 da manhã, com os pés doridos devido aos saltos altos e à dança frenética. Cheguei também cansada e muito muito esfomeada. Aterrei na cama, sem tirar a make up, e o pai cá de casa acordou. Partilhei com ele todos os males que me estavam a assolar nesse momento.
Então, num gesto quase incompreensível de amor, amizade, ternura, simpatia and so on, ele levanta-se, descongela broa (que já não havia pão) e leva-me uma torrada à cama.
Tenho o melhor marido do mundo. Mesmo.

Statement


quinta-feira, 14 de março de 2019

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XXXIII

Quando o teu filho mais velho quer fazer greve pelo planeta (#schoolstrike4climate) e quer ir à manifestação marcada em 112 países.

[Infelizmente não sei se poderá ir porque não pode ir sozinho, com 11 anos, a uma manif', pois não?]

Quando soltas a dona de casa que há em ti...

Comprámos uma slowcook há 3 meses. 

[Uma slowcook é um tacho elétrico, que cozinha "sozinha",  lentamente e a temperaturas muito baixas.]

É simplesmente fantástico. Porquê? 
Porque basta pôr lá dentro carne, temperos e pouco mais, sem grandes preparações ou dotes culinários (até porque eles nao existem.) Demoramos no máximo dos máximos 10 minutos a fazer isso e deixamos depois a panela programada para cozinhar no dia seguinte durante 4 ou 6 horas, consoante o prato. 
Resultado: quando chego à casa, o jantar está pronto. 
Incrível. 

Já muitas amigas me tinham falado da slowcook mas  tive sempre algumas dúvidas: fica a cozinhar 6 horas? Fica assim a cozinhar sozinha e não se queima? Não é perigoso? A comida fica boa? E o consumo de eletricidade, como é? 
E sim, a comida fica boa e tenra porque é cozinhada lentamente e não, não é perigoso. A fatura de eletricidade não alterou porque o consumo é baixíssimo. 

Tenho uma bimby que me custou demasiado e que não compensa o dinheiro investido, embora raramente se ouça dizer tal coisa. Agora a slowcook, que me custou 25 euros no ebay (a do Aldi custa 19 euros mas é mais pequena) vale cada cêntimo: o jantar faz-se enquanto estamos a trabalhar. Maravilha das maravilhas. 

Livro 7 - 2019

Achei que ia gostar muito mas não foi o caso.

After Life

Acabámos de ver esta série. São 6 episódios de 30 minutos e é muito bonita. 
Ri e chorei na dose certa. Recomendo.

sábado, 9 de março de 2019

Livro 6- 2019

O livro que Saramago escreveu com 24 anos, em 1947.  É engraçado porque sendo Saramago, ainda não é O Saramago. Mas o dom das palavras e o dom de contar uma boa história já estavam dentro dele. Quem editou o livro há décadas vislumbrou um grande escritor.

terça-feira, 5 de março de 2019

Viagem

Há uns tempos, comprámos uma caixa para encher de moedas de 1 euro para irmos viajar: queríamos ir à Disney juntos. 
Durante uns meses, todas as moedas encontradas eram religiosamente guardadas na caixa. Depois, começou-se a fazer da caixa um depósito de moedas encontradas aqui e ali: moedas de vários valores, do cêntimo mais baixo ao euro mais alto. 
Houve momentos de grande afluência à caixa e outros em que a caixa quase desapareceu das nossas vidas, completamente esquecida.

[Começámos a ver a série Outlander, que despertou a vontade de ir à Escócia.  Esquece Paris, que já conhecemos e onde o pai cá de casa vai não sei quantas vezes por ano. Queremos a Escócia e já!]

Fomos então abrir a lata. Fizemos apostas. Sendo uma pessoa contida, achei que tínhamos 520 euros. O pai cá de casa, tudo à grande, acreditou que tivéssemos 678 euros. Os miúdos apostaram um valor entre o pai e a mãe, como quem diz, nem 8 nem 80.
Tem 428 euros. 

Encontrámos na caixa moedas, notas mas também palitos, 3 moedas de plástico dos carrinhos do Continente e uma foto tipo passe do Tiago. 

O dinheiro angariado não nos permite ir à Escócia. Na verdade não nos permite ir a muito sítio. Há coisas em conta, claro,  mas quando multiplicado por 4 e durante a semana da Páscoa, já não fica assim tão barato. Mas pronto, viagem comprada para Londres. 


domingo, 3 de março de 2019

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Dizem que estão 26°C lá fora...

Acredito mas o Tiago pediu-me que o ajudasse a decorar tempos verbais... 

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Livro 4 # 2019

Houve momentos em que o livro me enervou, bastante até. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Goodreads - a aplicação do Demo

Sou uma mulher de listas. Não sei se gosto de fazer listas ou se preciso delas para conviver na desorganização natural que habita em mim. Mas faço e muitas e para quase tudo!

[Há uma história sobre um Natal de 2003 ou 2004 em que senti necessidade de fazer uma lista onde só escrevi "Bacalhau", "Couves e "Batatas". Desde então, quando alguém faz uma lista, há sempre uma pessoa a dizer "Bacalhau"...]

Descobri, via Mary, o Goodreads (Post anterior) e é uma aplicação do demo. É basicamente um sítio onde fazes listas de livros. Ponderei se fazia sentido atualizar a dita aplicação com TODOS os livros lidos ao longo da minha vida. A Mary disse que sim. Mas se dissesse que não, atualizá-la-ia na mesmo. Afinal de contas, é uma lista onde se pode fazer ✅. 
 Tomada a decisão, veio outra dúvida: terei coragem de assumir que li o Paulo Coelho ou a saga das Brumas de Avalon. Vou misturar Saramago, Manuel Alegre, Eça, Vargas Llosa, João Tordo com ...Paulo Coelho? 
Refleti bastante (sim, a minha vida é interessante ...) e cheguei à conclusão que aos 40 anos, assumimos tudo o que fomos e somos. O Alquimista, aos 18 anos, teria tido 5 estrelas. Hoje, vá, 3 e já é muito!

Enfim, ontem, parecia uma louca agarrada ao telemóvel, a querer completar a lista. Acordei as 3h00 da manhã e pensei "Como água para Chocolate"! . Tenho de atualizar a pps! Voltei a adormecer.

Ando agora a fazer uma retrospetiva literária à minha vida. Já vou em 222 livros atualizados mas acho que ainda faltam muitos. Não contabilizei os livros infantis nem a BD. Fá-lo-ei quando estiver mais em paz com essa coisa absurda de fazer listas, listas e mais listas.

(Como seu eu fosse de listas, i know! Mas vá, aguentem-me! Quem já cá anda há 10 anos a seguir-me, sabe que sou boa rapariga, certo?) 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Por cá

- Ando a comer muito pão, queijo, chocolate e manteiga. Andei anos -  5, 7 , 10 ? - sem comer manteiga e a pensar que não gostava. A simples ideia de comer manteiga dava-me náuseas. Não sei quando se deu um novo paradigma na minha cabeça e agora, ele é manteiga a toda a hora e em doses monstruosas. Desde dezembro que não consigo controlar a minha cena com a comida (e vinho). Todos os dias acordo a pensar que é hoje que volto a comer bem e com cabeça e depois dou comigo a falhar. Raios... E fico o dia todo com sentimento de culpa horrível...

- Baldei-me a uma corrida com a Carolina no domingo de manhã. Jantei na casa do mano na véspera: deitei-me tarde  e comi muita porcaria (imaginem: salame de chocolate às 23h00 e vinho tinto a acompanhar!). Fiquei na cama até super tarde, coisa rara em mim. Fiquei, a seguir, com mega sentimento de culpa por ter falhado o compromisso com ela e comigo... 

- O livro da Eliete (post anterior) continua dentro de mim e estou a ter dificuldades em livrar-me da sua vida mediana e da sua família normal. Anda ainda tudo cá dentro a ser digerido. Ainda não o leram? Não podem mesmo perdê-lo.

- Ando com uma dor má no pé, tipo joanete. Fogo, pá. Aquele cena que sempre associei às pessoas sedentárias e mais velhas, pumba Tella, toma lá! (pode também não ser nada disso, que a menina aqui, é bastante dramática no que diz respeito às doenças e pensa que é médica!) 

- Fui com os meus filhos, o meu mano e a minha sobrinha passar a tarde de sábado na praia a apanhar sol. Foi tão bom estar na conversa com o mano, falar sobre tudo, sobre a vida, os sentimentos, o futuro. Foi uma conversa de gente adulta ou a fingir que é, não sei. Ver os nossos filhos a brincarem e a rirem juntos foi só mais uma coisa boa que me encheu o coração.

- Inscrevi-me (escrevi primeiro tinder! Eu não digo que a Eliete anda ainda por cá!) no Goodreads. Descobri que anda lá meio mundo. Estou agora com um dilema. Atualizo a aplicação de acordo com o que me lembro ou começo a atualizar a partir de janeiro de 2019? Vale a pena atualizar o que lemos ou basta ler as sugestões dos outros? Sei que já tenho uma lista de livros que quero ler... 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Livro 3 - 2019

Maravilhoso. Fantástico. Cativante. Muito bem escrito. 
É aquele livro que queremos partilhar com todos, porque tem absolutamente de ser lido.
[Nunca tinha lido nada da Dulce Maria Cardoso, mas já requisitei uns quantos romances dela na bilioteca.]

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Livro 2 -2019

Muito bem escrito. Uma história que cativa logo graças às palavras,  às imagens e às metáforas. 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Livro 1 - 2019

Não é nada de especial, até chega a ser aborrecido em determinados momentos, mas aprendi muitos factos históricos e tive curiosidade em googlar o nome de vários ministros da Rainha.
 Fui ler também muita coisa sobre a história do Brasil, desde o grito de Ipiranga até à instauração da República e sobre a Rainha Vitória de Inglaterra. 
Gosto mesmo de História e tenho mesmo uma coisa com as Rainhas e Reis deste e doutros reinos. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

A pergunta que incomoda...

Estamos há 6 anos na mesma casa e como nunca tivemos tanto tempo numa, decidimos procurar outra. Uma rápida pesquisa na Internet veio confirmar-nos o que já sabíamos: Lisboa não é para a nossa carteira.  Alugar por alugar, ficamos aqui, apesar das várias coisas que me chateiam.
De repente, uma ideia surge e verbaliza-se uma pergunta: e se voltássemos para a nossa casa na margem sul? Os miúdos já estão crescidos e já podem andar de transportes públicos e temos uma casa que ainda nos encanta...
O Pedro, que não tem recordação nenhuma da nossa casa, diz que quer voltar, até porque, passo a citar "foi a casa onde eu nasci". O Tiago recorda-se do espaço verde nas traseiras da casa e diz que quer ir jogar futebol para a rua.
E de repente, eu que já disse, cheia de certezas (ya, right!), que não voltava nunca mais para os subúrbios, dou por mim a pensar nessa hipótese de noite e de dia e até a fazer listas de prós e contras.  
Na balança, o que importa: estar perto do local de trabalho e demorar de carro 10 minutos  ou estar numa casa grande, com muita coisa que não tenho nesta, mas ter de andar de transportes públicos e demorar pelo menos 40 minutos?

Dúvidas pá!