terça-feira, 14 de julho de 2020

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando tens de lavar o cabelo com um champô chamado "magnesium SILVER" para dar brilho e suavidade aos cabelos brancos e grisalhos, ie, para que o cabelo branco não fique amarelado, à la Jorge Jesus. 
[A sério,  é para isto que uma pessoa está guardada!]


sexta-feira, 10 de julho de 2020

Livro 21 - 2020

"O Amante Japonês " - Isabel Allende

Quando não há grande coisa para ler ou quando não me apetece ler grande coisa, recorro à Allende. Sabe contar histórias que prendem, mesmo quando quando não são grande coisa, como esta. Mas pronto, uma pessoa entusiasma-se, lê e pensa "É mesmo isso que queria: leitura leve e fácil que distrai".
4 estrelas porque cumpre o objetivo. 



quarta-feira, 8 de julho de 2020

Notas para tentar não perder o foco

Já consigo apertar alguns calções mas fico com a banha toda de fora. Também deixo de respirar para que tudo possa suceder. 
Ainda só uso calças com elástico na cintura porque as outras encolheram, filhas da mãe. Ya, mesmo.
Com os vestidos, estamos na mesma cena. 
Continuo a vestir roupa da sogra, sendo este o momento certo para agradecer o universo que me arranjou uma com bom gosto e com toneladas de roupa. Podia ser uma d.dolores, com tigresses e dinheiro e fama mas não, felizmente, que depois não tinha o que vestir.
Vamos então aos números:
61,7kg 
34 km corrido em julho
18 dias seguidos com mais de 10000 passos.
18 dias sem álcool a mais no sangue. 


domingo, 5 de julho de 2020

Livro 20 - 2020

"As velas ardem até ao fim " - Sándor Márai

Este livro foi recomendado por duas colegas há muitos anos mas só agora chego a ele.
É um livro que fala sobre as complexas relações humanas através de dois velhos que se reencontram ao fim de 41 anos e que buscam respostas.
O início do livro cativou-me mas os monólogos longos e com ideias repetidas do fim cansaram-me.
Dou-lhe um 3,5 sem saber se o recomendo. 

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Friends

Acabamos de ver as 10 temporadas e até me emocionei no último episódio. 
Estou cada vez mais nhonho, fogo.

(Recomendo porque é muito muito divertida. Vou ter saudades deles.)


quarta-feira, 1 de julho de 2020

Post para ideias parvas que possa eventualmente ter no futuro

Regressei fisicamente à escola há uma semana e meia.
Enquanto os sogros estão na aldeia, decidimos a ocupar a casa deles, que tem espaço exterior. Tem sido estar quase de férias. Voltei então a recordar que viver na Margem Sul é sinónimo de praia depois do trabalho e de mais espaços verdes. Cheguei a romantizar a vida na Margem Sul até ao momento em que  demoro 1h30 para chegar ao trabalho. Voltei também a recordar que viver fora de Lisboa é sinónimo de filas e mais filas, de stress no pára-arranca e de horas da minha vida perdidas no trajeto escola/casa. 

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Desistência de 2020 - livro 2

"Missa in Albis" - Maria Velho da Costa.

Achei que ia gostar mas à semelhança do último que li dela, não gostei. 
Dizem que é uma obra upa-upa da literatura portuguesa, mas eu cansei-me por volta da pagina 30. Não me apeteceu forçar a coisa. Cada um nasce para o que é, no meu caso, a Maria Velho da Costa não é a minha onda. 

sábado, 27 de junho de 2020

Livro 19 - 2020

"A Noite e a Madrugada" de Fernando Namora.

Nunca tinha lido nada deste autor. Há uns tempos, um escritor e crítico literário tinha escrito um texto sobre autores portugueses esquecidos que as novas gerações não liam. Fernando Namora era um deles. 
Encontrei o livro (em muito mau estado) numa estante da casa dos sogros.
O livro conta a história de uma comunidade miserável de camponeses e contrabandistas da Beira, focando-se sobretudo na família Parra. 
Gostei muito do livro, da história, das personagens e das suas vidas pobres, resignadas e infelizes. Gostei ainda mais da forma como está escrito, com cuidado, com propriedade vocabular, com mestria. 
Tenciono ler mais coisas deste autor, sem dúvida. 
4 estrelas e recomendo.

Pergunta que merece estar aqui para recordar mais tarde

Fomos à praia. Para evitar ajuntamentos, fomos para o fundo da praia aqui perto de casa. Resultado: poucas pessoas e quase todas nudistas.
Pergunta o Pedro "mãe,  isso é que é pornografia?" 

sábado, 20 de junho de 2020

Historia(s)

Estou a ler um livro cuja ação se desenrola num meio rural e pobre, com gente do campo, iletrada, acanhada, violenta e submissa a um Visconde qualquer, um Doutor vindo de Lisboa. Estou ainda no início mas este é o género de livro que me enche as medidas.
Bastou ler a frase "...quando os azedos da vida precisavam ser desafogados, surrava a mulher ..." para recordar as histórias sobre a minha família.
Do meu bisavô, soube desde sempre que tinha sido um dos melhores carpinteiro da zona e que era "terrível", de acordo com o meu pai. 
Era um dos homens mais temidos da aldeia. Baile onde chegava acabava sempre em briga feia.Tinha uma espécie de gangue, que rivalizava com outros de outras povoações. 
Violento, espancava a minha bisavó, chegando-lhe a partir um braço. Mais velha, corria abrigar-se na casa dos filhos se o marido chegasse da taberna bêbado ou com vontade de deitar fora as amarguras da vida pobre. Reza a história que filhos e noras lhe diziam que tinha de aguentar, que é a vida. Ouvi a minha avó muitas vezes referir-se a ela dizendo "a desgraçada" ou "a coitada". 
Reza a história também que o bisavô "tinha-se aproveitado" de uma rapariga "tonta", com deficiência, embora dissesse que era de mútuo acordo. Que ousadia desonrar uma mulher sobretudo quando era a filha do dono da fábrica. [Ainda há pouco tempo ouvi essa historia e alguém dizia que ele não a tinha violado, ela é que quis... Uma daquelas perspetivas masculinas que me irrita, adiante.]
Houve vingança. Apanharam-no e  deram-lhe não sei quantas facadas (quem conta a história diz sempre um número certo, tipo 30 facadas, 40, 50! ), deixando-o a morrer numa valeta (onde atualmente temos a nossa casa). Mas o homem sobreviveu. Era um velhaco e estes morrem de velhice. 
Eu gostava de saber mais histórias sobre este homem que o meu pai admira e desculpa qualquer comportamento. Fala do seu avô (e padrinho) com os olhos a brilharem e diz "era terrível mas boa pessoa". Dava-lhe tudo o que queria, entenda-se um naco de queijo da taberna, umas socas feitas por ele para não ir para a escola descalço ou um tinto ... aos 9 anos.

O meu gosto por livros desse género deve-se ao meu ADN, de certeza. 







quinta-feira, 18 de junho de 2020

A vida pós covid

Entre confinamentos, idas à terra e aulas à distância, a minha roupa "da escola", da vida dita normal, foi ficando esquecida no roupeiro.
Acontece que fui ontem à escola resolver uns assuntos e precisei da roupa dita normal. 
Ó senhores, abateu-se sobre mim um desgosto profundo, pois as minhas calças não me servem. Experimentei 3 e tive de levar as calcas largas, de verão, com a cinta elástica, compradas no chinês. Foi o melhor que consegui.
Claro que fui correr 5km depois mas o pai cá de casa fez pizza ao jantar e pronto, estava demasiado deliciosa para lhe virar as costas ou fechar a boca. Que chatice. Vivo num dilema que é ter vontade de fechar a boca e mexer-me mas ter vontade também de comer e não fazer nenhum. Entre les deux, mon coeur balance.

Rotinas, preciso urgentemente das minhas velhas rotinas. 

terça-feira, 16 de junho de 2020

Livro 18 - 2020

"Lendas e Narrativas" - Alexandre Herculano.

Ah, os clássicos! 
Ah, o Herculano e a sua linguagem quase hermética, sombria, austera e difícil!
Ah, o Herculano que me obrigou a consultar o priberam demasiadas vezes para perceber alguns parágrafos importantes.
Ah, o Herculano e aquele rigor histórico, onde a mulher é vista como um ser diabólico e a rainha Lenonor sempre aquela adúltera espanhola...
Ah Herculano, toma lá duas estrelas que não gostei nem um pouco de te ler. 
(e não foi só uma estrela porque pronto, sempre é um clássico e o respeitinho é muito bonito.)


quinta-feira, 11 de junho de 2020

Livro 17 - 2020

"História da Bela-Fria" - Teresa Veiga.
Encontrei este livro cá por casa, na aldeia. Gostei do título e resolvi ler, até porque nunca tinha ouvido falar da autora (que ao que parece ganhou prémios com este livro e outros...)
São contos, alguns divertidos, outros banais, que abordam episódios ocorridos na província. São contos onde se aprende o amor, as separações e os encontros.
Nem aquece nem arrefece. Não acrescenta nada (mas eu sempre embirrei com contos).
2,5 estrelas. 

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Ainda sobre o diário...

Estão recordados do meu diário do Covid? No dia 31, falei dos memes e pronto, chegou a minha vez.
Soube pelo meu filho, que não foi poupado por causa da sua rica mãe, que também já tenho um e que não sendo dos piores também não é muito simpático. Diz ele que já o apagou (e vou fingir que sim para resistir a tentação de ir vasculhar o telemóvel dele) e nada mais disse sobre o assunto. Não me revelou o autor, nem sob ameaça nem sob chantagem emocional digna de um Óscar.
Sacana(s).

quinta-feira, 4 de junho de 2020

A minha Aida

A minha avó Aida foi para o lar da nossa aldeia. Estava em lista de espera há uns tempos e foi chamada no início de Abril. 
Poderia entrar depois do fim do estado de emergência e depois de fazer um teste ao Covid. Entrou há uma semana.

Desde que soube que ela iria em breve sair da casa dos meus pais, quis que ela se deitasse e não acordasse mais. Numa atitude pueril, acreditei piamente que isso fosse acontecer mas claro, não aconteceu. Então quis crer que ela estava à espera que fossemos lá para lhe dar um abraço. Uma despedida, vá.  E ela acordou no dia seguinte, claro. Pensei então que só estava à espera que o seu filho mais velho - o meu pai - fizesse 70 anos. Obviamente que nada disso sucedeu: a vida não segue nenhum dos meus desígnios.
Não a quero ver no lar, na antecâmara da morte. Teria sido uma velhice sempre junto dos dela e seria bonito. Detesto imaginá-la lá. Detesto. 
Vou vê-la apenas durante 10 minutos através da porta de vidro, entreaberta o suficiente para algum som passar. Esse covid mantém os velhos em cativeiro, isolados do mundo. Que horror. Nunca me tinha apercebido disso. 
Há monossílabos por vezes. Noutras há frases soltas "filha, estou mais para morrer do que para viver agora" e eu, pela primeira vez, não lhe disse "Ó Aida, tu chegas aos 100" como sempre sempre foi hábito entre nós. Custa não poder tocar nela. Abençoado abraço este que lhe dei antes de vir para cá.  Ainda bem que não liguei ao distanciamento.  Estaria super arrependida se não o tivesse feito. 
Numa das despedidas, no lar, fiz força para abrir mais a porta enquanto sentia a funcionária, coitada, a fazer força para a manter mais fechada.  Queria que ela ouvisse bem e percebesse bem a minha mensagem "Aida, gosto muito de ti". Ela riu-se incomodada porque não está habituada a ouvir afetos e nunca sabe o que fazer com isso. É de um outro tempo. Por ventura não entenderá que só tem de guardar isso tudo dentro dela e saborear o que lhe dou, tal como guardo dentro de mim tudo o que ela me deu e continua a dar. 
Viro-lhe costas sempre em lágrimas e sussurro uma ladainha "podes ir avó, podes ir em paz. Já nos deste muito". 

domingo, 31 de maio de 2020

Livro 16 - 2020

"Terra Americana" de Jeanine Cummins é um livro de leitura obrigatória.
Já tinha ouvido falar do livro no Instagram e no Goodreadas mas decidi comprá-lo (e eu raramente compro livros) depois de ler a entrevista da autora na Revista do Expresso de há 15 dias ou 3 semanas. 
O livro fala dos migantres sul-americanos, da violência que grassa nesse continente e que obriga as pessoas a passarem pelas maiores provações para chegarem ao Norte. 
É um livro com uma história tocante e bem  escrita. Embora estejamos só em maio, posso afirmar que é o melhor livro que li em 2020.

É um livro que nos faz pensar que podíamos ser nós em cima da "besta"* [comboio de mercadorias utilizado pelos migrantes para se deslocarem pelo México]  ou a atravessar o deserto porque somos todos iguais: queremos apenas viver (ou sobreviver) sem medo (dos outros, da fome, da pobreza ou da guerra).

Recomendo vivamente a sua leitura. É daqueles livros que devíamos todos ler para sentir empatia pelo próximo, seja ele hondurenho, mexicano, sírio, árabe, judeu, negro ou branco. 
Leiam-no porque é 5 estrelas.

[*Ando agora a ver mil vídeos sobre "la biesta" ou como também é conhecido "el tren de la muerte".]



sábado, 30 de maio de 2020

Run Tella, run

Hoje fui correr 5 míseros km às 10h da manhã, debaixo de um sol tórrido. Custou horrores. Custou tanto que algumas subidas foram feitas a andar. Aqui, na aldeia, a 500 m de altitude, as subidas matam. 
Fui consultar há pouco o meu relatório de corridas e a modos que só me apetece dizer #fuckcovid. 


sexta-feira, 29 de maio de 2020

Destes dias...

- Acabaram-se as obras em casa. Estarmos confinados num apartamento sem varanda e com a casa em obras foi dose. Nem sei como não colapsei com tanto caos. O pai cá de casa é o melhor empreiteiro que conheço porque não derrapou no orçamento, respeitou o prazo da obra, fez um trabalho fantástico, super perfeito, altamente profissional e tem um extra que nenhum terá: tinha sempre o almoço pronto para todos às 13h15, fim das aulas da manhã. Ainda pensámos remodelar  a casa de banho grande mas felizmente o pai cá de casa foi contratado para começar a trabalhar dia 1 de junho. A casa de banho fica portanto sem efeito e é pena, mas pronto, é mais dinheiro ao fim do mês e menos caos. Parece-me bem.

- Ando completamente fã de Friends.

- Depois das obras, decidimos vir desconfinar uns dias na aldeia e os meus filhos voltaram a correr ao fim de dois meses e tal sem sair de casa: foi a coisa mais contra-natura que lhes aconteceu até hoje. Ser criança e não poder correr. 

sábado, 23 de maio de 2020

Desconfinando- 7

Este será o último porque andamos a desconfinar à bruta. 

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Livro 8 - Tiago

Mais um livro  da Cherub (com péssima foto). 

Há uns tempos, a professora de português do Tiago do 5°ano disse-me que tinha lido o 1°volume da coleção para saber o que andavam os alunos dela a ler. Ficou admirada pela escrita e história. Disse  que tinha qualidade. 
O meu filho recomenda e a professora do 5º ano dele também. Isso vale o que vale até porque o prof do 7º não o recomenda ( mas acabou por aceitar o trabalho sobre o livro.)

Desconfinando - 6

O primeiro passeio  a 4 desde que tudo isso começou. 

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Desconfinando - 5

Digamos que já não existe nenhuma semelhança entre a Frida Kahlo e eu.
Felizmente. 

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Desconfinando - 4

Voltei a usar relógio depois da Mary escrever nos comentários para não o usar.
Voltei portanto a contar passos: ontem, atingi 75% dos passos estipulados. É um início. 

terça-feira, 19 de maio de 2020

Desconfinando - 3

Acabaram-se os saltinhos de contentamento. Acabou-se a liberdade.
Voltei a usar soutien. 

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Desconfinando - 2

No almoço de sábado, não beijámos ninguém e apenas abraçámos a minha avó.
Não tínhamos intenção de o fazer mas ela pediu, apesar de lhe falar da doença. "Ó Tella, dá-me um abraço."
Foi um abraço bom, daqueles que nos fazem pensar que se ela morrer do Covid (que não morre porque há-de chegar aos 100 anos), morre feliz com os nossos abraços. 

Desconfinando - 1


É ir almoçar à casa dos pais e à despedida, ouvir o meu pai dizer com o olhar embaciado: 
"Estou muito feliz por terem vindo. Prefiro morrer da doença do que ficar maluco da cabeça sem ver ninguém, sem falar convosco".

Quase que poderia ser uma das muitas definições da saudade.

sábado, 16 de maio de 2020

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XLI

Quando chega aquele fase em que se olha para um deles e só se vê buço. Apenas buço. 

(Vou hoje comprar creme depilatório, que ainda não estou preparada para vê-lo com uma gilete no rosto. É que não consigo assimilar as duas coisas ao mesmo tempo.)

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Dos 42

Com a minha idade, já devia saber que nem descafeinado posso beber ao jantar. Resultado: estou acordada às 4h e tal da manhã. Não tenho emenda.

Os meus colega ofereceram-me o jantar que foi entregue às 20h00.  O pai cá de casa já sabia de tudo e eu até estava a stressar porque eram 19h e tal e nada de o ver tratar da refeição e do bolo. Pensei já com ar meio chateado  "vamos jantar tardíssimo". Foi uma refeição vegetariana para os 4 do "The Green  Affair". Delicioso. O vinho também foi oferecido mas eu já tinha decidido que ia beber este: um vinho que se trinca. 
Apesar das sobremesas recebidas, tive direito a mais um bolo.  A minha comadre/prima fez-me um red velvet maravilhoso. O pai cá de casa tratou de tudo e numa suposta ida não sei onde, foi buscá-lo à casa dela. Trouxe ainda uma pulseira e um desenho feitos pelas minha afilhadas.
O pai cá de casa ofereceu-me ainda os meus primeiros New Balance cor de rosa e o Pedro um desenho com uma mensagem que me me fez rir imenso. 
Uma antiga aluna cujo irmão mais novo é meu aluno este ano pediu autorização para aparecer no final da aula online, já quando todos os outros tinham saído. Para além de me dar os parabéns, fez uma vídeo-chamada do seu telemóvel para outros antigos alunos meus. Foi bonito. No meu ecran, vi através do ecran dela, outros miúdos que quiseram estar comigo. De uma forma ou de outra, vou deixando qualquer coisa neles e fico muito grata. 

O resto foi a vidinha a acontecer: as aulas através do PC, episódios do Friend a serem devorados, as obras em casa a decorrerem e claro o caos à solta ao nosso redor e invariavelmente o chão sujo. Tudo normal portanto.

Bem, vou tentar dormir umas 3 horas, que já sou pessoa que precisa de descansar bastante para ter um ar mais ou menos jovial aos 42. 

quinta-feira, 14 de maio de 2020

42 anos

É tão bom fazer anos e vê-los passar, ano após ano. É mesmo!
Mas na verdade já são 42 anos, pffff. Tantos pá!

terça-feira, 12 de maio de 2020

Dia "não sei quantos " que já me perdi

Hoje a minha mãe faz anos. 
Farei anos na quinta. 
Estamos a pensar almoçar juntos no sábado.
Viver a vida no limite agora é decidir se almoçamos com os nossos ou não. Suponho que num almoço de família não se consiga respeitar o distanciamento exigido mas faz sentido não estarmos juntos durante meses ou anos (sim, que essa coisa do covid vai continuar ad eternum)? 

sábado, 9 de maio de 2020

Desistência de 2020 - livro 1

Ao chegar à página 52, encostei o "Dr. Jivago" do Pasternak. Os clássicos russos ficam para outro momento da minha vida.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Dia 53 - editado

Continuo a contar os dias porque a vida de desconfiamento é igualzinha à vida de confinamento. 
Continuamos a trabalhar em casa e sem sair ou passeios higiénicos. 
Dito isso:
1) Comprei online os meus dois primeiros fatos de banho.
As gorduras localizadas, as estrias e a idade ditaram o início desse novo ciclo. Achei que era mais fácil esconder isso tudo do que fechar a boca. Não me consigo controlar. 
2) Voltei a usar relógio (são 12:42 e dei 740 passos - 0,5% dos passos que devo dar. Não tarda nada, vai recambiado para a gaveta.)

terça-feira, 5 de maio de 2020

Livro 15

" O Tatuador de Auschwitz" tinha tudo para ser um grande livro mas não é. É uma pena porque a história cativa e prende mas merecia que fosse um escritor melhor a contá-la. 
As personagens são pouco desenvolvidas, todas elas. Não conhecemos os  seus sentimentos. Há uma falta de profundidade em termos de caracterização: todas muitas planas.
 A ação é descrita de forma linear. "Ele chegou e fez e olhou e coiso". Não há figuras de estilo para embelezar a história. Não há nenhuma propriedade vocabular. Em termos estéticos, é fraquinho, fraquinho. Não está mal escrito, é apenas uma consequência de acontecimentos sem beleza. 

Espero sinceramente que alguém agarre nesta história e faça um bom filme porque a história vale a pena.
3,5.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Dia 50

O meu quinquagésimo dia de isolamento coincide com o primeiro dia de desconfiamento. 50 é o número certo para abrir a porta à normalidade mas também para pôr um fim o meu diário. Este será o último* #diariodocovid. 

(Re)lendo os 50 diários mais uns quantos "coisas boas do isolamento social" e tendo em conta que o objetivo inicial era ver a minha evolução, percebo que chamar evolução ao que me aconteceu é capaz ser um exagero. Senão vejamos: 
1) a inconsistência é o meu nome do meio,
2) demorei um certo tempo a relativizar as questões do trabalho/ensino à distância;
3) panico em demasia; 
4) se não fui ao hospital por causa do Covid, ainda posso lá bater com os costados por causa de uma cirrose;
5) passei de "isso não há de ser nada" para "isso é o fim do mundo" num ápice (o tal panicanço); 
6) continuo sem respostas para o mistério que envolve o meu chão constantemente sujo; 
7) olhei mais para dentro de mim e descobri que tenho várias Tellas;
8) serei umas das primeiras a cair em combate, em tempo de guerra real e cruel;
9) redescobri um certo prazer em dar aulas apesar da loucura inicial;
10) gosto de andar com as maminhas ao léu;
11) gosto de escrever coisas que me fazem rir porque rir será sempre uma coisa maravilhosa;
12) aguentamos sempre mais um pouco ou como diz o Stromae "quand il n'y a plus, b'en il y en a encore".
13) sou péssima jogadora da sueca. 

 Diverti-me bastante a escrever estes posts, uns mais do que outros. Escrever ajudou-me a panicar menos também e, cá entre nós que ninguém nos ouve, comecei também a pensar que  escrever parvoíces atrás de parvoíce podia ajudar quem está do outro lado do ecran a panicar menos. Durante o mês de Abril, passaram por cá 4200 pessoas. Eu, Tella Marie, fico assim tipo emocionada a olhar para estes números. Devem significar que foi tão bom para vocês como foi para mim. Ou não e é na boa! 

* Continuará a haver updates destes tempos mas não serão diários e haverá outros post para além do Covid.