domingo, 12 de agosto de 2018

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XXVIII

Quando, ao décimo segundo dia de férias, começas a ler o 4°livro*. 

* Serviço Público: um dos livros lidos foi "Não se pode morar nos olhos de um gato" da Ana Margarida de Carvalho e posso assegurar que é muito muito bom. Não podem perder.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Meu querido mês de agosto

Chegou o momento tão desejado: FÉRIAS!

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XXVII

Quando o teu filho mais velho já não quer aquele corte de cabelo pente 2 feito pelo pai e pede para ir à barbearia retro vintage chique e tal fazer um penteado diferente...

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Tiago dixit

"Sempre sonhei ir para o estrangeiro e agora que cá estou, vejo que é igual, que não é muito diferente de Portugal."

Tiago@Sevilha, a perceber o que é expetativa versus realidade, aos 10 anos.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Fim do ano letivo

1. Do Tiago
Entrou no 5°ano com receios, a choramingar que não conseguia passar as coisas todas do quadro, que era difícil, que não sabia gerir o tempo, que tinha muitos TPC e que não sabia estudar sozinho para os testes. Paralelamente estava fascinado com o liceu: os campos de futebol, as tardes livres, os menus que podia escolher no refeitório e até com os cacifos. 
Um dia, disse "preciso da tua ajuda que não consigo." Chorou muito.
Dei-lhe o apoio que achava que devia. Orientei e organizei-lhe as coisas. Fiz-lhe os resumos para o primeiro teste de HGP para que ele percebesse como se fazem. Eu que pensei que nunca ia fazer tal coisa e pumba... Sabia lá ele como estudar 50 páginas para um teste! 
A partir desse teste, organizou-se cada vez mais sozinho. No terceiro período, já fez quase tudo autonomamente.
Deixei de ver os TPC logo no início e nunca vi se tinha cadernos atualizados nem nunca lhe fiz ou verifiquei a mochila. A partir de janeiro, fez as suas tarefas na escola, durante a hora de almoço ou nas tardes livres. 
Aos poucos, aprendeu a viver e sobreviver ao 2°ciclo.
Sempre lhe disse que queria que ele desse o seu melhor, que as notas eram importantes qb porque só não queria negativas. Sempre o fez. Trabalhou e estudou muito. Demasiado talvez. Houve sábados em que esteve 4 horas seguidas a estudar matemática.  Esteve um sabado inteiro a estudar inglês. É de uma concentração e força de vontade que me espantam. 
Teve sempre boas notas. A nota mais baixa foi um 68% e ficou triste e com medo de poder chumbar! 

Foi um primeiro período difícil para todos. Andei ansiosa mas aprendi que não havia necessidade porque é um miúdo responsável e com boa cabeça.  No processo dele, escreveu-se no final do ano "Aluno muito simpático. Autónomo. Fez uma boa evolução."
Para o ano há mais! 

2.Do Pedro
O Pedro sempre me preocupou na escola. Anda sempre no mundo dele.  Não ouve metade do que se diz. Não gosta nem um pouco de andar lá. Adora apenas os intervalos onde só joga futebol. No final do primeiro ano, lia mal. No 2°ano, em novembro, agendei uma reunião com a professora. Continuava com problemas graves de leitura e de escrita. Ela ainda veio com a conversa do que precisa de tempo e que se calhar, a mãe fazia comparações com o mano... Naquele momento, não queria pseudo sofás freudianos, queria respostas.  Não as tive...Resolvi passar à ação!
Alterámos a rotina de leitura. À noite, lia ele a história. Que horror. Foi um frete! Demorava muito tempo e eu quase sempre cansada, a fazer um esforço para não ler as coisas por ele e estar atenta... No carro, andou sempre com livros de adivinhas e anedotas para as poder ler em voz alta. Houve algumas em que não percebíamos uma única palavra que lia...
Foi frustante. 
Um dia, escreveu "querienssa". Queria dizer "criança". Agendei imediatamente uma reunião. Não cheguei a tê-la, pois a professora sinalizou-o como um aluno com possível dislexia e /ou outras dificuldades de aprendizagem. Fui chamada à direção que me falou de testes, avaliações, psicólogos e NEE's. Falámos também no seu crescimento anormal quando era recém-nascido e nas possíveis lesões (que não tenho em consideração). Tudo foi considerado possível. 
O meu coração ficou pequeno, pequeno. 
Tem amanhã a última sessão / avaliação no psicólogo. Veremos o que acontece. 
Está sempre muito ansioso no que diz respeito à língua/escrita. Na véspera da prova de aferição de português, disse-me que tinha medo. Acordou de 3 em 3 horas a chorar e a dizer que não ia conseguir e que tinha medo de chumbar. Fez xixi na cama.
Foi um ano difícil. Gerir as emoções e expetativas revelou-se complicado mas houve o futsal a trazer-lhe as alegrias que a escola tentou camuflar. Abençoado futsal.

3. Da Tella
Ainda me pergunto como sobrevivi à escola. Aos testes dos dois, aos problemas do Pedro e ao meu ano letivo, às minhas 8 turmas com 30/31 alunos, às minhas coordenações. Felizmente tive turmas maravilhosas e quando assim é, tudo é mais fácil. 

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XXVI

Quando o teu filho mais velho fica com o teu antigo telemóvel e cria logo vários grupos no Whatsapp.
(Tivemos direito a fazer parte de um grupo com ele...)

domingo, 27 de maio de 2018

40 anos

Tive direito a 7 bolos, 3 oferecidos pelas minhas turmas, e a 4 festas de anos.

Se isso não é entrar com tudo nos 40, então não sei. 

[Níveis de açúcar, de calorias e de álcool estão em cima e quase sem culpas.]

sábado, 26 de maio de 2018

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XXV

Quando o teu mais velho escolhe a roupa para ir para a escola, olha-se ao espelho, acrescenta uma camisa de ganga aberta ao outfit e afirma "estou sexy!". 

quarta-feira, 23 de maio de 2018

25 anos

Faz hoje 25 anos que deixámos a França.

Quando cá chegámos, fomos para a terra. O meu pai foi falar com os seus contactos para que eu pudesse frequentar a escola de lá com horário especial: assistir a todas as aulas de português, do 5° ao 9°ano, e às aulas de matemática do 9°. Objetivo: aprender a falar em português, que o meu era muito muito limitado, e ver se alguém dava a volta à minha matemática que ja era um X gigante. Tá bem, tá!
Os meus pais foram depois para Lisboa e deixaram-me sozinha com os meus avós. Levaram o meu mano porque era pequeno (7 anos) e porque não queriam que falássemos francês um com o outro. Havia uma nova língua a abraçar. Ponto final.
Comecei as aulas já na reta final do ano letivo e fiquei depois na terra até setembro.
Lembro-me de estar nervosa, de ir para a escola a pé, com a Sónia e a Carolina. (Lembras-te S.?). 
Lembro-me de ser a sensação do sítio, tipo freak show,  porque havia alguém novo. Durou pouco tempo, óbvio. Era uma pessoa pouco interessante, que dava pouco nas vistas e que falava pouco. Conheci mil pessoas em poucos dias e quase que não me lembro de ninguém. Sabem quantas vezes me pediram para falar em francês? Demasiadas. Toda eu revirava olhos interiormente quando ouvia "diz lá qualquer coisa em francês" ou melhor "em franciu". 
Lembro-me de uma aula com o 5°ano - tinha 15! - em que se lia um texto sobre o Zezinho ser do Benfica e a professora pedir-me para ler em voz alta. Lembro-me que a Tella adolescente, exposta e insegura, tremeu por dentro e ficou cheia de calores. 
Lembro -me de me baldar às aulas pela primeira vez na vida, mas sempre com medo de ser apanhada.
Lembro-me de perceber muito muito rapidamente que a Escola era uma balda comparativamente com o sistema francês, muito mais rígido e exigente e que ia ser canja.
Lembro-me que toda a gente falava da novela da altura: Pedra sobre Pedra. O meu avô via e eu sentava-me ao lado dele a ver sem perceber uma única palavra. O português do Brasil era incompreensível. Ao fim de algum tempo, já eu percebia quase tudo e já estava apaixonada pelo Jorge Tadeu.
Lembro-me de estar também apaixonada pelo L., com quem tinha curtido no verão anterior e que nem olhava para mim agora. Fez crescer ainda mais o patinho feio que havia em mim. Foi um sofrimento grande, que se juntou ao sofrimento de ter deixado os meus amigos, o meu namoradinho de lá, o meu pais e a minha língua. Lembro-me de ter chorado durante toda a travessia da França, desde a despedida dos meus amigos que foram a casa dizer adeus, todos de bicicleta para seguir o carro, qual cena de filme, até entrar em Espanha com um grito do pai a mandar-me calar. Chorei então em silêncio. Não era saudade, agora sei que nunca tive saudades da França - nunca tinha sido francesa -  era medo. A Tella dos 15 anos era muito insegura e a saída da sua zona de conforto foi uma coisa que deixou marcas, que a tornou ainda mais fechada e com receio de tudo. Também sei que o período em que estive na terra foi uma ajuda para gostar de Portugal - nunca tinha sido portuguesa - e para gostar muito da minha aldeia. Foi um tempo bom, que recordo com saudade e ternura. 
Foi nesse período, sozinha na terra, que a Carolina e eu seguimos um rapaz que passou por nós por trás da capela. Seguimo-lo porque era giro, porque  éramos tolas adolescentes de 15 anos e porque não sabíamos quem era. 
Sabem quem era?
O pai cá de casa. 

terça-feira, 22 de maio de 2018

Coisas que digo desde que tenho efetivamente 40 anos

"Era o que mais faltava ter 40 anos e ter de fazer tal coisa!"

"Queres ver que agora que tenho 40 anos, vou ter de levar com isso! Nem pensar!"

" Preciso mesmo de dizer-te que..." [doa a quem doer]

ou ainda 

"Aos 40 anos, e sei que parecem 30, ..."

Aos 40 anos e poucos dias, já estou cheia de mim e de bazofia. Quem é que me vai suportar o resto da vida? 
Quem? Vocês, caros leitores anónimos que estão neste preciso momento a pensar "querias!" e a revirar os olhos? Pois, isso mesmo...

Nota to myself : Ah e tal, é tudo muito giro ter 40 e sentir-se a super bem com isso mas menos Tella, menos!




segunda-feira, 14 de maio de 2018

40 anos!

Estou super feliz! (Deve ser isso que as crianças sentem no dia de anos e que só descobri agora: uma excitação grande, um contentamento que partilho com todos, dando abraços a toda  a gente, no trabalho*, lol, e são só 8h23!)

Que seja uma década tranquila, rodeada de quem gosto. Que haja sempre saúde e, de uma forma ou outra, luz para me guiar, orientar e não deixar cair. 

( *e é agora que alguns colegas pensam mesmo que fritei!!!)

domingo, 13 de maio de 2018

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando ficas a ver a Eurovisão do primeiro ao último minuto; achas que sim, senhora, há músicas giras; gostas; falas, trocas opiniões e piadas nas redes sociais e....votas numa música*!

E ainda acrescentas "a música portuguesa não merecia o último lugar.  Fala de umas coisas tão bonitas e tão nossas: a avó e a saudade." 

[*E tive dificuldade em escolher porque estava indecisa entre 3! ]

sábado, 12 de maio de 2018

Continuação do post anterior

Faltam 2 dias para os 40!

Aos 10 anos, nao achava nada sobre ter 40. Devia olhar para os meus pais -  a minha mãe com 31 acabados de fazer e o pai quase a fazer 38 - e não pensar nada sobre a idade deles ou talvez que fossem velhos, não sei. A única coisa que queria saber era a idade que teria em 2000. Agarrava na máquina calculadora e digitava (digitava ou marcava?) 2000 -1978. Ficava sempre a olhar para o resultado - 22 anos, uau - como algo inverossímil. 
Aos 40, olho com ternura para a Tella de 10. O ano 2000 foi só mais um ano e parecia, nessa coisa do tempo, algo extraordinário.  

Aos 20, embora fosse uma pessoa completamente diferente do que sou hoje - vivia encolhida, com medo, na sombra de terceiros, resumidamente -  olhava para as mulheres de 40 anos e não as via como mulheres maduras mas como pessoas que pertenciam a um outro universo. Pessoas quase no fim da vida. A minha mãe com 41 anos e o meu pai com quase 48 eram pessoas distantes também por causa da idade. Eram seres de outro mundo, com uma idade que não queria ter e que achava que não ia ter. Achava que o tempo não ia passar por mim, que não ia fazer estragos e que ia sempre viver na minha zona de conforto. 
Aos 40, olha para a Tella de 20 com um um certo sorriso paternalista: pensava que sabia tudo e na verdade não sabia nada.

Aos 30, tinha acabado de ser mãe pela primeira vez e as hormonas só me faziam olhar para o meu Tiago, o sol da minha vida. Olhava para as mulheres de 40 com a certeza de que não queria lá chegar porque queria apreciar cada segundo do meu filho e queria que cada segundo durasse dias para poder ter o tempo todo do mundo para ele e só para ele. Aos 31, fui mãe pela segunda vez e reiteirei ainda mais a certeza do que queria congelar o tempo. Queria ter 30 e poucos para sempre e ter os meus bebés para sempre perto de mim. As mulheres de 40's estavam quase sempre cansadas e eu não queria sentir esse peso. Agora percebo, chegar aos 40 é um trail lixado, com subidas penosas e descidas técnicas, logo essas com as quais não atino, n'est-ce pas Carolina?Aos 30 -31, o meu mundo, com dois recém-nascidos, era calmo e os 40's estavam longe e indesejáveis. Depois, chegaram os 33 e foi o que foi....Adiante, que já falei deles.
Aos 40, olho para a Tella dos 30 com pena: iludida pelas hormonas, achava que conseguia fazer tudo, que conseguia abraçar este mundo e o outro. 

Aos 40, olho para mim com otimismo. Tenho projetos para realizar [o mais importante é fazer dos meus filhos homens felizes que tenham a capacidade de fazer os outros também felizes], tenho sorrisos para distribuir e tenho a consciência que a vida é o que é. La vie est un long fleuve tranquille*. 

*Acabei de tomar uma decisão: vou tatuar esta frase. Se ainda conseguir hoje, era o ideal. 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Faltam 4 dias para os 40!

Dizem que os 40 são os novos 30. Ui, não quero. Been there e non, merci. 
Que os 40 sejam os 40, com a tal sabedoria e experiência, de forma a poder:
- comer de forma equibrada tendo consciência e orgulho nisso, olhando para as miúdas de 25/30 anos e pensar "se tu soubesses " ;
- dizer às miúdas de 25/30 anos "who run the world?". Ah pois é! 
- saber manter o corpo tonificado apesar do tempo que passa;
- entender o meu corpo: o que gosto e o que me dá mais prazer (sim, estou a falar disso!)
- dizer "fraldas,chupetas e afins", au revoir!  (Vou omitir a adolescência...)
- recusar um convite, um café , um encontro,sem peso na consciência, com quem nheca nheca: adeus pressão social, adeus fretes; 

Enfim, os 40's são um amanhecer suave e primaveril, num feriado calmo e sem fim, com uma luz luminosa que faz tudo brilhar. É um novo recomeço.


terça-feira, 8 de maio de 2018

Faltam 6 dias para os 40 anos

Hoje de manhã, olhei-me ao espelho, como sempre, mas hoje...

As rugas estão cada vez mais profundas 
e os cabelos cada vez mais cinzentos. 

...hoje, lembrei-me de ti, J, e do infortúnio de não teres feito 40 anos. 



domingo, 6 de maio de 2018

Faltam 8 dias para os 40

Os 40 anos são um marco. Ah e tal, os -entas. 
Vivo neles há um ano apesar de faltar 8 dias para os fazer. Na verdade, quis fechar simbolicamente um ciclo ao dizer que tinha 40 quando na verdade só tenho 39. Na minha cabeça, tinha fechado um ciclo difícil e passei para outra cena, outra década. 
Foi uma década confusa, intensa, louca e rápida, comigo sempre a mil, sempre ansiosa, à minha procura, à procura de não sei bem o quê, com mil perguntas sem respostas ou com mil respostas a ofuscarem-me.
Foi uma década de incertezas, pautada pela vontade de fugir, sair de casa, romper com tudo e com todos, até comigo, gritar "Basta". Foi uma década de loucura, do tempo que passa rápida, eu sempre aqui e ali, sempre em stress, mas na verdade em nenhum lugar. 
Os meus 33 anos, bolas, que horror. Ontem, revisitei os anos de 2011/2012 no blog e já nem me lembrava. Posts e posts sempre a dizer mal dos meus filhos, da minha vida, sem saber o que queria dela. Enfim, muito à nora. 
Caí muito fundo a determinado momento da década. A partir dos 35 / 36 anos, talvez, foi melhorando, muito devagar mas foi melhorando.
Agora, venham os 40 para fechar oficialmente uma período que me causou sofrimento, dúvida e nos causou, aos 4, instabilidade. 
Venham os 40 e a consciência que la vie est un long fleuve tranquille. 

sábado, 5 de maio de 2018

Dizem que amanhã é dia delas - mãe

Há uma fotografia em que ela está comigo ao colo. Devo ter dias. Ela está magra, muito magra e jovem, muito jovem. 19 anos acabadinhos de fazer.  Não parece feliz.
A foto faz-me lembrar uma cena de um filme mudo porque embora seja a cores, sempre me transmitiu silêncio. Sempre.

Fui durante muitos anos uma filha que olhava para a mãe com indiferença. Não tenho uma única lembrança dela a dar-me um beijo, a dizer "gosto de ti", a demonstrar efusivamente afeto. Na verdade, tenho poucas ou quase nenhumas lembranças da minha infância. Tenho na minha cabeça episódios e agora não sei se aconteceram ou se com o passar dos tempos os tenha inventado, deturpado ou efetivamente vividos.

[ Um deles está cá dentro em loop: ela e eu em casa e nenhuma se lembra que faço anos. Fui para a escola mas a meio caminho, lembrando-me que dia era, regressei para lhe dizer. Cheguei a casa e quando lhe disse que fazia anos, ela disse "pois é " ou "parabéns", não sei mas para mim soou a um "pois é ". Fui para a escola assim com um "pois é". No momento em que lhe digo que faço anos, ela está no cimo de um escadote a mexer no relógio que estava por cima da porta - relógio esse que lhe tinha oferecido por 60 francos no dia da mãe e que ainda sobrevive. 
Hoje em dia, não tenho a certeza se ela estava efetivamente no cimo do escadote ou se foi a minha cabeça que a colocou num patamar acima. Há momentos em que acho que inventei essa história. Foi mesmo assim? Duvido por  ezes das minhas lembranças. ]

Sempre houve uma ausência de afetos. Pelo menos, cresci a acreditar nisso. Houve mesmo?
Nunca duvidei que ela gostasse de mim. Ou duvidei? Pensei nalgum momento nisso? 

Na terapia, a mãe veio muito à baila. Nunca a (re)construí, nunca houve tempo para a aceitar como é. Pelo contrário, aquando da terapia, desenvolvi um certo rancor, uma perceção clara do mal que a falta de afetos (ou de falta de memória de momentos felizes) me fez. Durante todos esse tempo, procurei inconscientemente uma mãe nas várias mulheres mais velhas que me rodeavam. A minha sogra foi a que andou mais perto. Durante esse tempo, a presença da minha mãe
incomdava-me muito. Despertava dor, raiva até e um mal-estar que não sei explicar. Quase que consigo sentir esse sentimento quando me lembro desses momentos. 

Há uns tempos para cá, olho para ela de uma outra forma. Olho para ela com a incerteza das minhas memórias. Olho para ela percebendo que teve um vida lixada. Olho para ela acreditando que deu o seu melhor.
Foi uma jovem que até aos 18 anos viu o pai ter várias amantes em casa e tratar mal a mãe.
Foi uma jovem que casou com 18 anos e que foi mãe com 19. 
Era uma jovem francófona que casou com um emigrante português que não dizia uma única palavra em francês.  
Era um jovem mulher apaixonada pela leitura mas que ouviu muito cedo uma frase que eu também ouvi em miúda "não leias que te faz mal à cabeça."
Era um mulher que adorava ir ao cinema (e que sabia e sabe tudo sobre o cinema americanos dos anos 50 e 60) mas que só foi uma vez desde o dia do seu casamento.

[Uma vez, ainda longe de pensar em ter filhos mas ja casada com o pai cá de casa, comuniquei-lhe que tinha uma má notícia para lhe dar. Ela, sem ouvir o que tinha para lhe dizer,  saiu -se com "que horror! Estás grávida!"]

Nós que somos mães sabemos que os nossos filhos são os nossos tudo. Sei que também o fui para ela. Cada um, depois, gere as suas vivências, as suas experiencias e os seus afetos da melhor forma que sabe. Assim fez e assim faço também.  
Algures pelo meio, perdeu-se, viveu no seu mundo, como as personagens do João Tordo. Ou não e eu assento a minha mãe numa construção que a minha imaginação criou. 
É estranho.
De qualquer forma não interessa. Aprendi, agora, a aceitar a mãe que tenho. Vivo mais tranquila. Falta-me só poder abraçá-la tranquilamente, sem um je ne sais quoi e dizer-lhe "gosto muito de ti".




sexta-feira, 4 de maio de 2018

Faltam 10 dias para os 40

Sou uma mulher de listas, de post-it, de metas. "Levar o aluno X à Dra. Y", " telefonar ao coiso", "tenho de ler pelo menos 12 livros por ano", "correr x km por mês ", "comprar bacalhau, batatas...". Sou muito assim para não me perder na grande desorganização que habita em mim. 

À beira dos 40, que representam, mais ano menos ano, metade da minha vida, eis a lista* que gostava de fazer até aos 80, mais ano menos ano.

Mudar de vida; mudar de cidade; correr uma maratona; aprender a nadar a sério para poder fazer um triatlo; viver na terra; comer o que semeio; ir 15 dias para o estrangeiro, fazer de conta que sou Vanessa e viver a vida de uma Vanessa; realizar fantasias (sim, essas!); ter um carro elétrico; ir à Compostela a pé com a Carolina, MJ e Cati; fazer mais uma ou duas festas da Senhora da Guia; tirar leite de uma vaca (sei que há um verbo específico para essa ação mas de momento não me ocorre); ter um cão; correr a meia maratona de Paris com a Carolina e fazer o trail dos Açores; ir passar férias só com amigas; mandar pro caralho algumas pessoas, assim "ide pro caralho", tau; voltar ao sítio onde cresci; fumar uma ganza em Amesterdão com o pai cá de casa; viajar; correr pelo menos 5km em cada continente de planeta; organizar coisas em prol da comunidade; participar ativamente por uma causa; ir a uma manifestação de mulheres como as de Espanha; ter uma vaca de estimação; fazer a diferença; ter uma mini pegada ecológica; dizer o que sinto a todas as pessoas que são minhas pessoas antes que seja tarde de mais; fazer uma tatuagem dedicada aos meus filhos; fazer um curso ou uma coisa qualquer que me permitisse saber muita coisa sobre ervas e plantas; abraçar a minha mãe sem sentir um certo desconforto; fazer uma road trip com os meus filhos adolescentes; dizer a minha mãe que gosto dela; plantar uma árvore; ir à Disneyland com os meus filhos e ir à NY em dezembro, nas vésperas do Natal com eles crescidos. 

*lista feita num ápice, sem grande reflexão.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Mundial 2018

A febre dos cromos do mundial já chegou. 
O freak da organização, das tabelas e do Excel,  aka pai cá de casa, já fez uma tabela para os cromos que faltam.


domingo, 15 de abril de 2018

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XXIV

Quando o teu filho mais velho te conta, com sorriso maroto de orelha a orelha, que está a gostar das aulas de CN. "Estamos a dar a reprodução sexual!". E ri-se. Muito. 

[E o mais novo pergunta: "O quê? O quê?"]

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando começas a tratar, de um dia para o outro, colegas mais velhos por tu quando sempre utilizaste a 3a pessoa do singular ao falar com eles. 

La Casa de Papel

Acabei a maratona agora mesmo. 
Uma série que cumpre o objetivo: entreter do primeiro ao ultimo segundo. Wow. Muito bom. 
#bellaciao 

domingo, 25 de março de 2018

As coisas simples que me fazem sorrir e que enchem os meus sábados à noite

Dar a conhecer aos meus filhos as comédias francesas da década de 60 que eu vi com a minha mãe, mais ou menos com a idade deles e que fazem parte da minha infância. 
Ri muito (outra vez e sempre) e eles também. 
Hoje foi dia de "La grande vadrouille".  (A grande paródia)

quinta-feira, 22 de março de 2018

Portugueses no mundo

O programa que me faz sintonizar diariamente a rádio às 7h40 na Antena 1 dá -me vontade de partir, ir, deixar esta vidinha e começar outra, seja ela qual for, num sítio qualquer, mas longe daqui. 
Os meus filhos também gostam do programa mas não querem ir porque a ideia de ir para uma outra escola e deixar os amigos "mete medo".
 O Pedro respondeu -me o mais óbvio "mas eu já sou um português no mundo.  Não preciso de ir para outro sítio."!

E sei que me projeto neles quando desejo muito que eles o sejam, que vivem fora e dentro, lá e cá, com este, esse e aquele e que crescem muito abraçando o maior número de culturas. 

segunda-feira, 19 de março de 2018

Do dia do pai

Não ligo nada a isso. 
O pai cá de casa também não. 
Ele não é o melhor pai do mundo, até porque isso nao existe e porque também ele é um homem com defeitos e qualidades.
O pai cá de casa vive a vida sabendo que nao é o melhor pai do mundo. Por isso, pede desculpas e tenta corrigir quando falha. 
O pai ca de casa é um pai que ama, cuida, ajuda, brinca, ralha, GRITA, passa-se, ri, diverte -se, zanga-se, protege e mima os filhos. Mas ele é sobretudo o que mostra como se vive a vida, fazendo, dando o exemplo. Ele partilha as tarefas: ele cozinha, passa a ferro, arruma, estende roupa, leva a roupa à lavandaria, lava a loiça, aspira e limpa o que for. Dialoga. Ouve. Conserta tudo o que não funciona. Encontra soluções para os problemas e o melhor de tudo : olha para as coisas de um ponto de vista otimista. Encara a vida positivamente.  
Ele é, de facto, o melhor pai que consegue ser.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Amanhã é novamente teste de matemática do mais velho

É sobretudo geometria e é ele que explica as coisas,dizendo-me "estás à nora mamã , certo?" ou "eu explico-te".
Tiago, 15 points.



sábado, 10 de março de 2018

Quando é que sabes que estás crescida?

Quando és a primeira a chegar à lavandaria da rua para secar toneladas de roupa, ainda antes das 8h00, num sábado chuvoso.  

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Programa de sábado à noite.

Foram os 3 jogar à bola e jantar com a malta da bola.
Fiquei em casa. 
Sozinha e em silêncio. 
...
...
Devia ser super fixe mas não o é assim tanto.  Não fosse a companhia do Peixoto e seria um fracasso absoluto.

Não há dúvidas, não sei viver sozinha. 


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Quando tu pensas que és uma naba a matemática...

...o teu filho pede-te ajuda para o teste de educação musical e aí, jesuzzz, zero, nada de nada. A matematica até parece mais fácil! 
Para ser franca, nem as perguntas percebo e passo a vida a dizer-lhe "sabes tanta coisa."

Pelo menos, sempre dá para rir! 
[Aprender é que nem por isso.]

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Saga "Run Tella run"

Gostava de conseguir pôr em palavras o que senti hoje na minha corrida [ cá na terra]. 
Subi, subi e depois, claro, foi só descer e descer. 
A estrada, a vegetação, o frio, o rio, o sol, o azul do céu, o verde claro, o inverno, eu a ouvir-me, eu a fazer contas comigo. 
Senti em mim uma lufada de ar fresco, de felicidade, de contentamento, de euforia, de alegria, como se estivesse nas nuvens. Foi tudo isso e mais. 
Foi quase orgásmico. 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Sobre o futsal (ainda)

Já o disse aqui duas ou três  vezes: não sou nada soccer mum. Não vou aos treinos dos putos e assisto a poucos jogos. 
Já falei do ambiente dos jogos do Tiago mas nunca dos do Pedro.
Os jogos do Pedro são uma festa, dizem, que só  fui a dois. Há  tambores, claques e afins mas há sobretudo uma equipa técnica fantástica.  São 4 treinadores bons, sendo que mister "mor" é um gajo que diz "hades" mas que faz um excelente trabalho com o meu filho. 
O Pedro, miúdo que vive no mundo dele, na sombra do irmão, que acha que nem sempre consegue fazer bem as coisas e que nem interesse tem pelas coisas, brilha nos treinos. E muito. Recebeu no ultimo treino o prémio de melhor evolução.  Foi com um sorriso rasgado que mo contou. 
Para além disso, é uma coisa em que ele sabe (e todos nós sabemos) que é melhor que o irmão e isso, na eterna questão masculina do "quem tem pila maior?", ganha. 

Para além do bem que lhe faz ao ego, o futsal é também uma aprendizagem. 
Habituados sempre a ganhar, sofreram uma derrota  e foi ótimo, porque foi encarada como um novo desafio, uma aprendizagem do que nada é certo e adquirido e que temos de dar sempre volta à coisa. Foi uma derrota com sabor a Vitória.

Obrigada futsal. Estás a ser quase terapêutico com o Pedro como a corrida o é para mim. 


domingo, 4 de fevereiro de 2018

Coisas que me fazem rir

A tratar da roupa de Carnaval para o Pedro, alguém diz "Olha, a mamã disfarçada de velhinha."
#mulherdeprata