sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Sobre o diário de um confinamento ou semi-confinamento ou o catano

Eu não sei às quantas ando no que diz respeito ao meu diário de confinamento ou semi confinamento. Compreendeis que não quero desiludir-vos, caros leitores, mas perdi-me. Eu, na vida, sou assim - não vos admirais - perco-me muito e nalguns momentos, vá lá,  consigo encontrar-me.

( Olhai para mim a perder o rumo ao post. Tendes reparado? Deixai-me retomar as rédeas à coisa enquanto tenho força.)

Queria eu dizer que há pessoas confinadas e há pessoas como eu, que estão semi confinadas. Significa que estamos confinadas no trabalho, - e bem que pensar em aulas online e nos meus filhos a ficarem mais burros em frente a um PC dá-me uns tremeliques que nem sabem - e depois confinados em casa. Como fico nessa coisa de escrever um diário? Pois, estão a ver, não faz sentido. É isso, estou perdida. 

Bem, mas já cá estou,  quero só deixar registado que hoje vou soltar a tuga que há em mim: beber um copo de vinho, ver o Fcp-Slb mas com muita classe, ou seja, com batom vermelho porque hoje, faz ainda mais sentido do que nos outros dias.

Beijinhos na vossa boca  também ela bem vermelhona porque já sabem, contra o machismo, marchar marchar.


domingo, 10 de janeiro de 2021

Dia 16

Os domingos de frio que coincidem em tarde de confinamento são dias de preguiça. Fazem lembrar os tempos em que eles eram mais novos e não havia compromissos com o futsal, nem com ninguém. Ficávamos em casa porque queríamo respeitar as rotinas deles. Era tudo calmo e igual mas aconchegante. Gostava porque eles eram pequenos e era bom ter tempo em família, tranquilo e em sossego (qb com dois bebés pequenos.).
Agora são inúteis. Não preenchem nada. Ficamos a jogar, a ver séries ou a ler (pouco, que nem sempre há vontade) mas é para passar o tempo e não porque sabe bem. Ficamos quase anestesiados e assim passa o tempo. 
(Ainda não me consigo controlar com a comida quando estou fechada em casa. Ainda não fui correr este ano.)

sábado, 9 de janeiro de 2021

Livro 2 - 2021

A pedido do Pedro, li "A Floresta" da Sophia. Ele gostou muito e quis partilhar comigo a história. 

O livro está muito bem escrito, cheio de detalhes e pormenores, mas com simplicidade. A história é para crianças e é deliciosa. Percebo por que razão o Pedro gostou tanto: há uma criança com 11 anos, um anão, um segredo, um tesouro enterrado, o valor da amizade e do dinheiro. A Sophia escreveu para os miúdos com respeito porque a sua escrita nunca os infantiliza. 
Dei 4 estrelas.

Dia 15

 Ai mulheres, que vem aí um novo confinamento mas acho - e espero - que as escolas continuem abertas. Pelo sim, pelo não,  já tenho um stock jeitoso de vinho. 

Fiz um almoço digno de festas: bacalhau assada com broa e batatas a murro, acompanhado de um tinto que ui, meninas, bem bom. Depois disso, obviamente, tive de estar confinada no sofá a ler e a ver séries. Mas não estejam aí a pensar que "ah e tal, a Tella outra vez naquele estado!". Nada disso, caros leitores. (Por quem me tomeis?! ) Pelo meio do confinamento confinado, orientei o estudo do mais novo para o teste de português: conjugação verbal, recursos expressivos e o diabo a quatro. Tudo ali sabidinho, ou quase, vá,  com a minha  ajuda. Ah pois! 

Vou agora continuar no meu sofá,  que já tem cova, a olhar para o quadrado. Vida simples a minha.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Livro 1 - 2021

"Pão De Açúcar " - Afonso Reis Cabral.

Comprei dois livros do autor depois de ver um dos episódio da série documental "Herdeiros de Saramago " na RTP. 
Este livro conta o trágico assassinato de um transexual por crianças de uma instituição no Porto, em 2006. Pouco me lembrava do caso que abalou Portugal. Vou ao encontro das notas finais onde o autor escreve " O Caso Gisberta motivou uma espécie de levantamento nacional que acabou por morrer sem grandes consequências, como quase tudo o que é português".
O livro é duro e triste. Tem uma linguagem crua. 
As crianças são más porque são reféns de uma vida sem amor, de uma vida vazia. São crianças condenadas à partida. A frase mais bonita e triste que diz muito sobre os miúdos será talvez esta: "Contudo, o nojo persistia como as tareias que se apanham na infância e nos deixam o corpo dorido para a vida." 
Dei-lhe 4 estrelas. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Ainda sobre 2020 - parte 2

O Pedro leu 17 livros em 2020.
 Começou com uma sugestao minha, uma imposição, quer dizer, uma ordem. 
Leu contrariado, até chegou a chorar, mas aos poucos, passou a fazer parte da rotina. Lia com gosto e emoção.  Pensei que os livros estavam no comando, enraizados, e desliguei um pouco. Foi quanto bastou para deixar de ler ou ler uma página por semana. O último lido foi em Setembro. 
Já retomei as rédeas da coisa e voltou a obrigatoriedade da leitura. Desta vez, sem moleza.

O Tiago leu 10 livros. Leu dois livros de leitura obrigatória que lhe tiraram anos de vida, segundo diz. Os outros foram todos da coleção da Cherub. Também ele passou pelas mesmas fases que o irmão e está novamente sujeito às novas medidas. 

(Para ajudar à promoção da leitura,  instalamos uma cena de controlo parental que lhes bloqueia o tik tok ao fim de 25 minutos de vídeos por dia... Ya,  a Tella dos 20 anos ficaria chocada com as medidas repressivas impostas cá em casa...)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Livro 1 do Pedro - 2021

"A Floresta" - Sophia de Mello Breyner Andresen

Tinha de ler um livro do PLN durante as férias de Natal. Dos livros que tínhamos em casa da dita lista, optou pelo que tinha menos páginas. É um critério como outro qualquer, sem dúvida. 
Gostou muito do livro. Gostou tanto que me pediu para o ler também. Não sou fã da Sophia mas é daquelas coisas que não se pode recusar. Começo amanhã. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Ainda de 2020

Se há coisas que me deixam assim tipo super convencidona, com o ego upa upa, são sapatos de salto alto, é verdade, mas também e muito este número: 31 364. 

E o que significa este número? Hein? 

Número da taluda? Era preciso que jogasse - diz a outra.

Valor de uma herança recebida de uma tia-avó desconhecida? Querias...

Litros de vinho ingeridos em 2020? Ó Tella, não vás por aí que és capaz de...vá...segue, segue! 

Não vou prolongar o suspense, que podem não gostar do género e porque ...vá...vou ser sincera, estou sem ideias! Quem dá o que tem, a mais não é obrigado, certo?

31364 é o número de pessoas que passaram por cá em 2020. Nada mau! Já o disse (muitas vezes) ao longo do ano anterior e volto a repetir: fico mesmo admirada com o número e sabe mesmo bem. 

(Não quero aqui sugerir nada, mas eu, se trabalhasse em marketing e cenas assim, não desdenhava de blogs pequenos que nada dizem como este... Just saying...)



domingo, 3 de janeiro de 2021

Dia 14

Pfff, estive o dia todo confinada. Saímos da cama às 13h30 e já sem poder sair de casa. Que neura.
Passei o resto do dia a  pensar que amanhã terei de acordar às 6h35. Outra neura.


Dia 13

Arrumar as nossas coisas e a casa, onde viemos somente os 4 passar 10 dias, e regressar à nossa, tendo desafiado o recolher obrigatório e a circulação entre concelhos. Aí mulheres, os nervos que apanhei por estar a transgredir, a prevaricar. Estava tão nervosa que embirrei com todos mil vezes. Felizmente eles gostam de mim e limitam-se também eles a acenar e sorrir. 

sábado, 2 de janeiro de 2021

Dia 12

Ando perdida nessa coisa de confinamento. Na verdade, tal como a MaryQA dizia, é difícil saber se hoje fechamo-nos às 13h, às 15h ou até se é dia de soltura. Adiante, não estão cá para ler coisas sobre isso. 
Hoje, dia 1 de janeiro, acordei sem ressaca, por isso tratei de mim e vesti-me. Por regra, no primeiro dia do ano,  não dispo o pijama, não almoço e fico a dormitar no sofá o dia todo. Triste, eu sei. 
Hoje, dizia eu, acordei muitas horas antes dos outros. Bebi café no jardim, a receber  raios de sol, e lá fiquei até sentir as primeiras gotas de chuva no rosto. Fui limpar os vestígios da nossa passagem de ano, a pensar que 2021 trazia também um mau augúrio: a morte do Carlos do Carmo. O que querem, a cena pessimista de 2020 não desaparece de um dia para o outro. 
Depois, ó meus caros leitores, o dia 1, com ou sem ressaca, com ou sem recolher obrigatório, será sempre um momento de preguiça absoluta: quatro lontras a devorar filmes uns atrás dos outros.  

domingo, 27 de dezembro de 2020

2020 revisto num só fôlego

2020 num post é coisa difícil mas vou tentar escrever tudo seguido sem pausas, ao sabor do teclado.

Quando vejo as imagens do mundo parado em março e abril, emociono-me porque me lembro do medo que senti. Não senti receio da doença em si mas das consequências que poderiam brotar da doença: desemprego, vandalismo, criminalidade, violência, enfim, tudo cenários apocalípticos... Acho que o tempo foi acalmando o medo, assim como o facto de estarmos sempre os 4 juntos. Houve momentos aborrecidos, em que já não nos podíamos ver à frente, em que me cansei de ser mãe do Pedro e do Tiago e esposa do pai cá de casa (e vice-versa) mas, no global, os laços familiares ficaram fortalecidos. Tivemos sorte com o momento de confinamento e a idade deles: nem muito pequenos nem demasiados adolescentes. Foi o ponto certo.
O calor suave da primavera levou-nos a desconfinar fora de Lisboa e das paredes do apartamento. Foi um bálsamo e um luxo. Entre a Serra da Lousã e depois a Fonte da Telha, onde estivemos até meados de Setembro, a nossa vida foi-se adaptando ao "novo normal" de uma forma serena e calma. Ainda há pouco comentava com os nossos filhos que devíamos estar gratos pela nossa sorte, pelo desemprego do pai cá de casa ter sido tão rápido e por estarmos juntos e bem. Reviraram os olhos, a pensar que me tinha transformado na D.Clotide e sem perceber que são efetivamente uns privilegiados. Ao chegar a 2021, ainda há medo em mim ao pensar no futuro e na crise que aí vem. Precisaremos de anos para equilibrar as coisas. Mas não vou por aí,  que este post é sobre 2020.
Há duas ou três imagens de 2020 que me marcaram: o senhor com a nossa bandeira a descer a avenida da Liberdade no 25 de Abril, o papa deitado no chão a celebrar a Páscoa num Vaticano deserto e os camiões militares a retirarem corpos dos hospitais na Itália. 
2020 foi o ano em que bebi mais vinho. O álcool ajudou a passar o tempo e tornou-o mais suportável. Houve um dia em que pensei "Há quantos dias é que só bebo vinho?" Não soube responder. Nesse dia, bebi água às refeições para conseguir ter uma resposta. Nos dias em que me lembro da estupefacção da pergunta, bebo água.
Embora 2020 tenha sido um ano em que ficamos muitas vezes fechados, não foi aquele em que li mais. Fiquei-me pelos 37 livros. No início do confinamento, não encontrava vontade nem concentração para a leitura. Havia demasiadas vozes em mim. Dos 37 lidos, tenho um top 3: "Seara do Vento" de Manuel Fonseca, "Terra Americana" de Jeanine Cummins e "Apneia" de Tânia Ganho. Logo de seguida, alargando o meu top 3 a 5, acrescento "A Vida Sonhada das Boas Esposas" do Possidónio Cachapa e "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão " de Martha Batalha. Reli com o Pedro "A História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar". Foi uma partilha intimista e muito emocional, um momento especial que nos uniu mais.
2020 foi o ano em em que corri 747 km. Houve meses em que corri 0 e outros em que ultrapassei a barreira dos 100. Inconstância foi e sempre será o meu nome do meio.
2020 foi o mês em que tatuei mais estrias no corpo. Aumentei muito o peso e perdi-o também em dois ou três meses. Cheguei a ver 69 kg na balança  (Mas depois ela despareceu e deixei de me pesar) e quando disse "basta", vi, numa outra balanca, 59. Estou outra vez numa fase ascendente: 61. Faço jus ao meu nome do meio. Nisso sou consistente.
2020 foi um ano difícil em termos de trabalho. Dar aulas online, das 8 às 16h, foi de uma brutalidade enorme. Saí da caixa, dei o meu melhor e não fiz má figura, creio. Foi também o ano em que estive a um passo de me demitir. Não o fiz por duas razões, uma mais importante que a outra, mas nenhuma tinha a ver com o receio de ficar no desemprego. No balanço do ano anterior, sei que também escrevi que estive quase a despedir-me. O trabalho continua a ser tóxico, ano após ano. O recomeço do ano letivo 2020/2021 foi intenso. Trabalhei muito, preocupei-me ainda mais e sempre senti que havia coisas a falhar. O trabalho deixou-me ansiosa. Houve dias em que tinha de respirar fundo antes de entrar no espaço físico da escola para tentar controlar o aperto no peito. Às vezes, brinco dizendo que quase me tornei expert em isolamento profiláticas, em papéis, esclarecimentos, declarações provisórias, testes covid, etc. Houve momentos em que senti que tive pouco tempo para ser efetivamente professora. 
2020 foi o ano em que a minha avó foi colocada numa casa de repouso. Há dias, muitos, em que penso que ela ainda está no seu sofá na casa dos meus pais. Depois, lembro-me que está morta, estando viva, numa prisão chamada "lar". Que ironia. Os meus filhos foram vê-la uma só vez e pediram -me para nunca mais a ir ver. O Covid obriga-nos a estar demasiado longe dela e separados por um acrílico. Ela não vê por causa das cataratas e não ouve por causa do distanciamento. Está ali e diz apenas "sim, sim", "não sei" ou fica num silêncio ensurdecedor. Fiz a vontade aos meus filhos. Eu vou, ou melhor ia, que agora, já não há "visitas". Quando saía de lá,  sempre em lágrimas,  só desejava que ela adormecesse para sempre daí a nada. Continua a ser o meu desejo e percebo quem não me perceba.
2020 foi o mês em não há nenhuma recordação de janeiro e fevereiro. Parece que sempre vivemos em pandemia, que tivemos apenas uma pausa para irmos de férias para a ilha, para a na nossa bolha a 5 e no meio de risos, leituras, conversas e silêncios, esquecemo-nos mesmo de tudo. 
2020 foi o ano em que chegamos à conclusão que o calendário do Advento já não faz sentido. A magia do Advento,  tal como o conhecíamos,  foi-se. Faz parte de um tempo em que eles eram mais pequenos. Assumimos os 4 que este era o último ano, mas o pai cá de casa ainda disse que para o ano, podíamos só escrever um desejo por dia e guardá-los num pote para relê-los mais tarde. Custa a todos ver os filhos crescerem. 
2020 foi o ano em que o meu Pedro entrou no 2° ciclo,  ainda muito imaturo e abebezado mas já muito (demasiado ) desenvolvido hormonalmente. Ele não consegue perceber aquele corpo coberto de pêlo, o suor constante e as borbulhas que irrompem da sua pele e que o enojam. Continua a viver numa bolha onde poucos querem entrar. O Tiago entrou para o 8°ano e se a professora que há em mim passa a vida a dizer que para dar aulas aos oitavos anos, é preciso paciência e estaleca; ser mãe de um rapaz que frequenta o oitavo é duro. Embora seja um doce, bem- humorado e empático, nisso sai ao pai, não se cala um segundo. Fala, fala, grita ao falar, não se cala, cansa, não ouve, embirra com o irmão e qualquer chamada  de atenção nossa é interrompida por um "mas". Não consegue conter aquela explosão, aquela euforia, aquela "coisa", nem sei, que mora dentro dele.
Deixou-me de chamar sempre mãe. Grande parte das vezes, chama-me por Tella ou Tellita. O pai cá de casa já o chamou à atenção mas eu tive de o desautorizar, pois gosto que ele me trate assim. 
Em 2020, escrevi muitos posts no blog. Continuo a olhar para o meu blog com afeto. Gosto dele e tenho muito prazer em escrever cá. Nem sempre tenho noção da recetividade do que escrevo mas não me importo muito porque, meus caros leitores, não me levem a mal, escrevo muito para mim. Em 2020, reli o blog quase todo. Tive vergonha de algumas coisas escritas, tive saudades da onda de amor que me atingiu quando nasceram, aborreci-me com os relatos das rotinas deles aos 12, 15 e 18 meses, ri-me com alguns episódios e também me emocionei com outros. Não me lembrava de ter escrito tanta coisa e apesar de ter sentido coisas contraditórias,  vi a Tella de 2008 e a Tella de 2020 e bolas, até houve uma evolução! 
Que 2021 seja um ano normal, de reencontros e de abraços.(e de vinho,  claro)



quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Mensagem natalícia

Caros leitores,  

Que haja muitos sorrisos hoje à noite e amanhã ao almoço, que haja aquele quentinho cá dentro de sabermos que estamos com os nossos e que haja vinho bom. 
Bom Natal.

Livro 38 - 2020

"Os livros que devoraram o meu pai" - Afonso Cruz.

A amiga "especial" do meu mais velho ofereceu-lhe este livro (que faz parte do PNL para o 7°ano) no Natal mas eu resolvi ler antes dele. (Ainda está a ler o livro que ela lhe ofereceu nos anos: um do Dan Brown. Quem nunca, certo?)

É um livro que fala dos livros e da literatura. Elias, jovem narrador, perde-se nas leituras dos romances, fala com as personagens, cruza mundos literários, chega a atravessar a Sibéria num clássico russo, e isso tudo para encontrar o seu pai que se perdeu na leitura. 

"Os livros encostados uns aos outros,  numa prateleira, são universos paralelos!". 

O livro vem reafirmar aquilo que já sabemos: é uma porta aberta para qualquer outra realidade, outro mundo construído pelo autor e interpretado individualmente pelo leitor.
O livro tem toques de  humor, mas também o seu quê de triste. É o livro perfeito para sonhar.
[O Afonso Cruz escreve tão bem. Que delicioso!]
4 estrelas

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

O blog internacionalizou-se

Nas últimas 24 horas, chegaram aqui pessoas de todo o lado, ou quase, vá. 
Olhem, eu, que tinha tido 4200 pessoas no mês de abril a passarem por cá por causa do confinamento e do meu pseudo diário, fico super coiso a pensar que há pessoas em vários locais do mundo que continuam a passar por cá.  Na minha cabeça, a pergunta mantém-se: o que leva as pessoas a lerem um blog que diz pouco e que interessa ainda menos?
De qualquer maneira, obrigada. 

Livro 37 - 2020

"Quem é Amado Nunca Morre" - Victória Hislop.

O livro foi-me oferecido pela sua tradutora. Acho que nunca o teria lido se assim não fosse porque 1) nunca tinha ouvido falar da autora (grega); 2) a capa remete para um livro "ligeiro"  e 3) o título é do mais foleiro possível e remete mais uma vez para algo demasiado light. É eu sou muito preconceituosa com a literatura dita Light. Tenho a mania...enfim, cada um com os seus defeitos.*

O livro conta-nos a história de uma jovem ateniense - Themis - e das suas aventuras ao longo de 7 décadas.  Paralelamente, acompanhamos a História da Grécia, desde a ocupação nazi até à última crise económica de 2010. Eu não sabia nada sobre a Grécia moderna e descobri que houve uma guerra civil entre os colaboracionistas nazis e os comunistas, uma perseguição feroz a estes últimos, campos de concentração em ilhas-prisão com torturas inenarráveis para o exército comunista e ditadura dos "coronéis"  nos anos 60 e 70. Vivemos de forma crua as divisões que se criam na sua família por causa da política. 
Gostei do livro mas acho que ficou um pouco a patinar no final, devia ter acabado mais cedo. 
Não é uma grande obra da literatura mundial, é certo, mas é um livro que nos mostra outra realidade, outras vivências, que me ensinou muita coisa e que se lê muito bem. Dei-lhe 4 estrelas por isso. 

* [O título do livro é um verso de um dos poetas mais conhecidos da Grécia. Durante uma greve de trabalhadores, em 1936, vários homens foram mortos. O poeta ao ver a fotografia de uma mãe agarrada ao corpo do filho morto, sentiu -se inspirado em escrever o poema com o verso. Alguns meses depois, durante a ditadura,  milhares de exemplares do poema foram queimados. 
Isso tudo para vos dizer que nunca devemos julgar um livro pela capa ou pelo título!]

PS: Excelente tradução! 

domingo, 20 de dezembro de 2020

Dia 11

Hoje foi daqueles dias que passam e nada acrescentam. Quer dizer, a tarde é que foi assim, pois o sol da manhã de inverno foi bom.
À tarde, completamente fechada na sala sombria como se estivesse num bunker ou numa gruta. Não levantei o rabo do sofá, até  ficou com cova. Talvez me tenha babado. Uma apatia que benzadeus. Estes dias confinados, às vezes, fazem-nos ter pena de nós próprios.

sábado, 19 de dezembro de 2020

Dia 10

Saí de manhã para dar um jeito ao cabelo e a cabeleireira faz aquele reparo "ôcê quê arranjá a sobrancelha pa ficar bonitinho?". Aí meninas, onde é que me fui meter! Foi com linha, m'lheres, com linha! Descobri o limite da dor porque a menina aqui nunca tinha feito nada com linha, sem ser coser um ou outro botão ou nem isso se calhar. 
Porra pá, que dor. [ Uma gaja mete-se em cada uma em nome de merdas estéticas, que demostram claramamente que andamos mazé todas doidas. ]
O resto do confinamento foi uma antítese, porque foi a trabalhar a tarde toda em regime presencial, das 15h às 20h. Eu confino desconfinando. Acho que a ideia (ou piada) não resulta mas vou deixá-la aqui na mesma porque sim. Reforça a palavra antítese. [ Pas mal, hein?] 
À caminho de casa, já tarde, fui encostada, salvo seja que nem feticho com fardas, por um polícia só para saber por que razão estava a circular na via. "Ah, senhor guarda, vou agora isolar-me, que hoje foi claramente um dia em que devia ter ficado em casa, longe das pessoas que elas são cada vez mais insuportáveis e fazem fazer, dizer ou pensar coisas parvas". Mentira, claro. Gaguejei, mostrei o papel para circular e segui para o meu isolamento tão desejado. 

sábado, 12 de dezembro de 2020

O supostamente dia 10

Vim ontem à tarde para a aldeia, que fica num concelho de risco moderado,  ou seja, onde não há recolher obrigatório, os restaurantes fecham às 23h e o comércio às 20h.
Uau, parece que estamos numa dimensão paralela, free covid, mas eu, obviamente, estava na cama às 23h00 para manter a tradição e ser solidária com os meus amigos e colegas que ficaram em Lisboa. 

Lamentavelmente não haverá report a fazer sobre um semi-confinamento porque ele não vai existir. Eu sei, estão tristes, mas vá, aguentem, há coisas também relativamente engraçadas na net. Se continuam por cá é porque os vossos níveis não são assim upa upa, não me venham com coisas agora do género "Tella, Tella, como aguentar o confinamento sem as tuas reflexões e os teus relatos que nada dizem, pouco interessem e que nos fazem ver que afinal estamos juntas nessa vidinha que passa é que se vai vivendo ao sabor dos dias?". 
São fortes e aguentem. Eu acredito. Volto para a semana se estiver  num semi-confinamento. Vá,  deixem -me ir agora.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Livro 36

"Um Castelo em Ipanema" - Martha Batalha 

O meu livro 35 também foi desta autora, que descobri somente agora e de quem fiquei rendida. 
O romance começa com Estela, deitada na cama a chorar e conta-nos por que razão está assim. A narradora vai atrás no tempo e no espaço e começa a contar-nos a história da família há 100 anos em Estocolmo. É uma saga familiar muito bem contada, divertida e com as palavras bem escolhidas, carregadas do ritmo brasileiro, que torna tudo delicioso. Transportou-me para Ipanema, para o Rio dos anos 60 que não conheço mas que senti cheio de ritmo e vida.
Recomendo bastante. 4,5. 

Dia 9

Ó meninas, achava eu, ontem, que hoje não estaria confinada e que não teria de atualizar o diário de um semi confinamento. De duas, uma: ou o modo chalupa está ativado ou então...
 - Com que sonhas tu, porco?
- Com a bolota!

Vá, em modo rápido que amanhã acordo cedo e temos todas coisas mais importantes e urgentes a fazer. É. Isso mesmo.

Acordei, corrigi testes, fiz a segunda chamada dos testes do 7, 8 e 9°anos,
corri,  comi, bebi

(Também sentem que há sempre muito álcool nos meus post em confinamento ? Haverá aqui um padrão qualquer que poderá indicar qualquer coisa? Não nego nem confirmo. Deixo a coisa em aberto.)

ajudei os miúdos a pendurarem os postais nas portas dos vizinhos, fiz perguntas para o teste de português, joguei Apalavrados e vi televisão.

Grosso modo, foi isso.
Nada de especial. 

Embora farta de confinar, porque parece que os dias se repetem e que estamos presos no mesmo dia, como aquele filme cujo título desconheço, neste momento pensar em voltar amanhã para o trabalho parece-me ainda pior.
Vá, beijinhos fofos e abraços. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Dia 8

Apesar do confinamento e do encerramento das atividades letivas, abri o email oficial do trabalho. "Ai Tella, estar fechada em casa só te dá para fazer coisas parvas" diz a outra Tella que há em mim, mais sábia e mais cautelosa, mas que feliz ou infelizmente não tem as rédeas de mim. Ela só analisa e acena a cabeça como quem diz "ah, se eu mandasse, ela andava por melhores caminhos". Dizia eu, a Tella que tão bem conheceis, que abri o e-mail e foi o horror, toneladas de e-mails. Coisa sem grande importância mas que mereciam respostas. No entanto, houve um que me deixou preocupada e um pouco ansiosa (sim, ó meninas, se soubessem o stress que tenho a conta do trabalho! A outra Tella, a sabichona, diria que eu stresso com tudo e que tenho de aceitar que não posso resolver todos os problemas e que a culpa não é minha mas eu não lhe ligo...). Consegui contaminar o ambiente com uma certa carga negativa. O almoço foi pesado porque estive sempre meia sombria, meia cabisbaixa, a pensar na melhor forma de resolver o problema. O trabalho consegue ser mesmo tóxico. Quando verbalizei o meu estado de espírito aos meus partenaires de isolamento, parece que fiquei mais leve. E sim, já me conhecem caros leitores, o vinho também aligeirou o ambiente: nada melhor que o vinho para pôr a vida em perspetiva. "O Sócrates, o político, também dizia isso e olha, vê o que lhe  sucedeu" diz a Tella espertinha e cautelosa. Ya, men, ela chega a ser uma seca, eu sei, vivo com ela.

Ai, se eu também pudesse decretar recolheres obrigatórios, confinamentos e isolamentos, decretaria que as burocracias iam de viela durante 40 dias. Não poderiam sair do sítio delas sem nenhum pretexto. Acrescentaria mais uma alínea ou outra onde se poderia ler que os EE que não lessem as informações enviadas até ao fim estariam também elas fechadas em casa e sem acesso aos emails e telefones e que os colegas que não conseguissem tratar dos problemas criados, tinham de ficar longe de mim e dos outros, para refletirem sobre as ***** que fazem. " Ai, és tão infantil. Deves pensar que os teus caros leitores te vão acompanhar muito mais tempo assim", diz a outra, mas eu deixo-a ali, no canto, e continuo com o meu diário de um semi confinamento com a mesma ligeireza de sempre. 

Os miúdos estão a cumprir a tarefa do Advento: fazer bolachas de Natal. Vai sobrar para mim, que devem ter a cozinha toda suja de farinha mas pronto, deixaram-me em paz e eu só quer paz e sossego. E uma empregada de limpeza, já agora. E comer muito sem engordar. Sim, sobretudo isso: it's the dream.

Então vá pessoas, ficamos por aqui. Não sei se o recolher obrigatório acabou ou se ainda há nos próximos fins de semana. Se houver, encontrar-me-ão aqui, neste registo ...  - não sei que adjetivo usar mas deixo ao vosso critério. Se não houver, mas duvido, o blog continuará ativo, como sempre, a fazer-me companhia, que eu nem imagino a minha vida sem ele.

Vá, cuidem-se e ponham a vida em perspetiva!

(...)

("A sério que acabas assim? Não tarda nada, há uma pessoa, quiçá um hater, que te diz qualquer coisa como "conheces os AA? Devias lá ir, não?" Ó Tella sabe-tudo e prudente , ´ta calada, porra! Desaparece e deixa-me em paz!)

 


domingo, 6 de dezembro de 2020

Dia 7

Mais uma voltinha, mais umas horas fechados em casa, não é? A gostar? 
Aqui, olhem, cá vamos andando. 
Há dias em que só me apetece ficar em casa e pronto, foi isso que sucedeu. Sei que não estou a dar nenhuma novidade mas há posts assim, simples e sem grande profundidade. Como continuam a andar por cá, suponho que não se importam, não é? Não andam aqui à procura de grandes vôos, já vos conheço meus caros leitores.
[Amanhã poderá haver coisas mais interessantes mas vá, ide sem grandes expetativas, que andamos a viver num mundo sem certezas. ?]

sábado, 5 de dezembro de 2020

Dia 6

Acordei às 7h00 no sofá. Adormeci ontem antes das 23h, claro. Dizem, mas eu não acredito, que sou super antipática quando  me querem acordar para ir para cama. O Tiago disse que lhe dei uma estalada, o Pedro disse que sou má e o pai cá de casa revirou olhos dizendo "há anos que me deixei de te acordar!". Pelo vistos,  ninguém me agarra quando estou numa espécie de transe.

Acordei com a boca seca. Nada a ver com o vinho de ontem, pensei, deve ser do AC. Acordei agarrada às cruzes, que custa dormir no sofá. Depois, agarrei-me aos (poucos) cabelos: "que horror: nem o telemóvel me carregaram, pá!". Por segundos, fiquei nervosa. O mundo a acontecer, mesmo confinados, e eu não o acompanho. 

Quis agarrar-me aos ténis para ir correr mas o meu olhar cruzou-se com as 9 turmas para corrigir e agarrei-me estoicamente ao trabalho. Foi assim, certos e errados, até ao almoço. 

À tarde, continuei a ver testes mas debaixo da mantinha e em frente da lareira: o sono agarrou-me e eu deixei-me ir. Adormeci com o pai cá de casa a tocar. 

A atividade do advento de hoje ditou-nos "fazer um jantar de ensaio de Natal a 4". Teve direito a tudo: serviço fino, copos de cristais, entrada, prato e sobremesa,  vinho bom e banda sonora a acompanhar a conversa. Fomos agarrados por uma espécie de melancolia, mas em bom: um jantar calmo, longo mas também silencioso porque nem sempre temos de falar. No fim do jantar, lembrei-me que estávamos confinados. Não o senti em nenhum momento. Estive sempre tão agarrada a isto e aquilo, que nem me lembrei. 


Dia 5

O confinamento do dia 5 é de apenas uma hora. A partir das 23h, casa!
Ó senhores, deixem-me dizer-vos que esse xixi/cama a partir das 23h00 já  é prática corrente, cá em casa, às sextas desde ...puffff...desde há uma vida quase.
Ai, não sei o que é pior: este confinamento de sexta ou as minhas sextas-feiras à noite, tour court.  

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Calendário do Advento - edição 2020 - dia 1

Começou hoje com a atividade óbvia: montar a árvore de Natal.

O Pedro perguntou-me se éramos nós a colocar os papéis no calendário.  Menti. "Pedro, é a magia do Natal". Ele sorriu sem saber se sim, se não ou se nada...

Dia 4

Irritei-me tanto com eles por causa da escola, do estudo, da dependência dos ecrãs que até eu já não me consigo ouvir. "Tiago, vai estudar", "não, não podes jogar PS2", "desliga o telemóvel ", "não mexes no telemóvel  sem a minha autorização ", "Meninos, no final do período é que acertamos contas", "Tiago, tens 3 testes em 3 dias. Vai ESTUDAR." 

Ficaram cansados? Eu também. Eles mais ainda. Mas como se consegue estar confinado umas horas e estar desligado muito tempo dos tik tok e do fortnite? Em casa, desde o isolamento de março que os miúdos ficaram completamente viciados nisso e eu não consigo encontrar nada que os faça estar o mesmo número de horas agarrado a tudo isso e entusiasmados. Nem no estudo, obviamente. 

Felizmente encontramos  uma série curtíssima que nos agarrou aos quatro e que limitou a ps, o telemóvel ou o PC: a série portuguesa "O atentado", disponível na RtpPlay. Conta a história do atentado ao Salazar em 1937. Ficamos todos agarrados à narrativa tão bem contada e interpretada e àqueles pides a torturar os prisioneiros. "Era mesmo assim?" perguntou o Pedro. "Ah filho, era pior". E ficamos em silêncio. 

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Dia 3

Hoje, enquanto pude claro, que sou uma pessoa que acho tudo isso exagerado [e ao escrever isso, estou a apontar para toda a situação atual] mas que cumpre, fui ter com uma amiga. Deu-me um livro traduzido por ela. Não o confessei mas fiquei super contente. Primeiro porque receber um livro alegra-me só por si e depois porque é um livro que lhe pertence também, que não pariu mas que ajudou a crescer. Partilhou comigo, assim toma lá, dá cá a sua marca.  Entusiasmo-me com pouco ou alegro-me com muito, depende da perspetiva das pessoas. Vamos deixar assim a coisa, a fluir, com cada um a pensar nesta última ideia, hein? É coisa pouca que também não vos vai ocupar muito tempo, certo? 
18h45, ui, a conversa está boa mas chegou a hora dum drink, que nem tudo pode ser reflexões sérias ou ainda  sociedade recoletoras, agropastoris, celtas e o diabo a quatro. Sim, o estudo de hgp continuou, ******-se! 


Dia 2

Dediquei-me à leitura. Li mais hoje do que nas últimas semanas. Novembro tem sido um mês mau. Estive a ler, sentada no sofá,  em frente à lareira e fui transportada para o Brasil. Embrulha confinamento!

Pelo meio, houve estudo "a sério" com o miúdo e 4 perguntas: o que te deixa realmente feliz? O que te entristece? O que te assusta verdadeiramente?  O que te surpreende mesmo ?

Estar em casa com as portas fechadas mesmo que só umas horas, obriga-nos a abrir umas ou outras janelas. Hoje abri a janela da língua, com o seu ritmo próprio e variações com o açougue, o doniestela, o "te disse que tem", e a janela das emoções. 

Nem sempre temos de abrir uma garrafa. 

Mentira, temos também de o fazer.




domingo, 29 de novembro de 2020

Dia 1

O confinamento a partir das 13h já começou há duas semanas mas só ontem é que senti a cena. Achei então que devia retomar o meu #diariodocovid, mudando-lhe o nome, atualizando-o, tornando-o mais jovens e desempoeirado. Vai daí, surgiu a ideia do diario de um semi confinamento. Nada de especial, eu sei, mas já nos conhecemos há uns tempos, e entre nós, a expetativa é baixa, reciprocamente falando, claro, que não estou aqui para ofender ninguém.

O que aconteceu ontem, no dia 1? Um vinho branco francês Chardonnay, oh lá lá mes chers , que me caiu para lá de Paris, ah oui, oui e que me obrigou, le malandro, a uma paragem no sofá para pôr a vida em perspetiva, claro. Tive também de sacrificar a tarde de estudo com o meu mai'novo que estava todo lançado com o clima temperado mediterrâneo,continental e o diabo a quatro. Ele agradeceu e olhou-me com aqueles olhos ainda tão inocentes a dizer-me "Obrigada mãe. Prometo que amanhã estudamos a sério e muito".  

Quis sair. Ir para qualquer lugar ao volante do meu carro. Conduzir sem saber para onde até chegar a um sítio qualquer e pensar "é aqui". Nunca me apeteceu fazer isso mas ontem, logo ontem que era proibido circular, tive essa vontade.

Tudo estranho, não é? Mas já sabem, o que bate bem nestes dias?  

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Fim do isolamento

Aguentou 4 dias a almoçar/jantar sozinho no quarto, isolado mesmo de todos nós. 

Ao fim da 4a noite, veio de máscara para a sala ver a nossa série mas ao 3° dia, já me tinha pedido um abraço, que teve, obviamente. Na noite seguinte, jantou connosco numa mesa à parte. 

 Ao 6°dia, estava na sala sem máscara e nem sempre com o distanciamento correto

Ao 7°dia fez o exame ao Covid e ao 8° dia, deu negativo. 

Ao 10° dia, estava farto das aulas online e do ecrã do PC.

Ao 13° dia, eu já só o queria isolado de mim umas horas, de tão chato, irrequieto e impaciente que estava. 

Ao 14° dia voltou à escola, feliz e contente. Regressou a dizer que tinha sido muito fixe e que tinha tido saudades da sala de aula.

Ai daquele que diga que as escolas têm de fechar. Não podem, que os miúdos ficam doidos (e nós também)!

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Mood

Não sei se é da estação do ano, período de hibernação, do trabalho em roda viva com 13 turmas e 4 direções de turma, do acréscimo de trabalho devido ao covid em que me sinto também uma coisa entre um delegado de saúde e um funcionário público, do covid, das máscaras, da surdez por causa das máscaras, do afastamento social em que só há casa-trabalho e trabalho-casa com muita muita comida ou do camandro mas estou em baixo, muito em baixo, sem ler, correr ou ver séries. Zero. Rien de rien. Gostava de ter uma relação normal e saudável com a comida mas não consigo. 
Há dias em que me vou deitar às 21h30 para ver se chego rapidamente ao dia de amanhã e vejo esta merda toda passada.
Nada me motiva. Os meus filhos andam na bolha deles e eu nem quero saber. Estão horas no Fortnite ou no tik tok. Digo que é mau mas não faço nada. Deixo andar. Vou arrepender-me, eu sei mas não consigo agora. Acordo antes das 6h00 e começo logo com a cabeça a mil: os e-mails por responder, os testes, as fichas, as faltas, as reuniões com 120 EE, as medidas blablabla, marcar as aulas com aqueles que estão em casa, os tempos de isolamento do João, José e Maria, os colegas que me....deixem-me estar calada mazé ou começo a contar histórias e mais histórias e não me calo. Ando farta de pessoas. As pessoas também devem andar fartas de mim. 
Estou cansada. Fartinha. A ver as coisas a acontecerem e eu, zero, safoda.
Para além disso tudo, sempre que tomo banho, dá-me uma espécie de ansiedade.  Só vejo cabelo a cair. Já tive de respirar fundo no poliban para me acalmar.
Hoje uma colega disse-me que andava com ar se gabinete de baixo, aliás que andava assim há semanas. Não perceberão o que significa mas quer dizer que estou mesmo merdosa.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Tentei ter "a" conversa sobre...

....sexo!

Tentando resguardar a sua privacidade - eu sei que não faz muito sentido dizer uma coisa dessas num blog aberto -  quero só aqui dizer que ele não foi capaz de me encarar, tendo virado as costas e fechado os olhos o tempo todo.

[Quis apenas abrir a porta à temática para que ele percebesse que estou aqui sempre, para o ouvir, aconselhar ou tirar dúvidas, mesmo quando ele acha que sou um empecilho. Também sugeri que víssemos o "Sex Education" juntos mas ele recusou terminantemente!]

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Chegou a nossa vez

O Tiago está em isolamento profilático ou quarentena, sei lá, que estes termos andam à deriva e eu ainda não sei bem usá-los. 
Está isolado no quarto, com horários desfasados dos nossos para comer. Ainda contente por ter espaço mas não lhe dou 2 dias para pedir para estar connosco, na sala, de máscara na boca. 


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Livro 10 - Tiago

Começou a ler o livro "Histórias da Terra e do Mar", livro de leitura obrigatória para a disciplina de português, em agosto, na ilha. A cada página lida ou melhor, a cada parágrafo lido, era ouvi-lo dizer "oh pá,  que seca!" e ouvir a Carolina a sussurrar "coitada, ele tem razão." 
Acabou-o há 15 dias. Foi uma luta difícil.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Ainda dos 13 anos do meu mais velho

A festa de anos do meu mais velho meteu almoço com 4 amigos, sendo que uma é amiga "especial".
A minha única cena era não o envergonhar, sem querer. É que eu, às vezes, enfim, descaio assim facilmente para momentos que geram um certo embaraço... Felizmente, recebi da Carolina dois grandes conselhos: "na dúvida, não digas nada" e "não dês nas vistas". Podem também anotá-los num sítio qualquer, just in case. 
Bem, segui à risca o que ela me disse mas mesmo assim, ao que parece, e de acordo com o meu adolescente, falei num tom ríspido ao dizer-lhes para guardarem os telemóveis porque era o momento do bolo... Os julgamentos dos filhos são um exagero mas enfim [reviranço de olhos], há que relativizar, sorrir e acenar!

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Friday night

Comprámos os bilhetes para ver o Jorge Palma há umas semanas.
A vontade de ir é nula e nada tem a ver com o Covid.  É que só me apetece tomar banho, vestir o pijama, sentar-me no sofá, com os meus, debaixo da mantinha e ver uma série até adormecer em frente à televisão.
 
( Já há muito tempo que não há glamour às sexta à noite, apenas aquela vidinha básica que, enfim,  me reconforta. )

Não vou para nova, eu sei.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Fogo, o meu filho fez 13 anos!

A sério, 13 anos! Como é que aquele rapaz já coube nos meus braços? Pensava nisso hoje ao tentar dar-lhe colinho.
O meu Tiago numa historia: para uma aula de Cidadania, teve de levar um objeto afetivo que poderia dar a uma pessoa em dificuldade para o ajudar a ultrapassar esse momento. Escolheu uma foto da nossa gata Fifi. Desatou a chorar durante o discurso racionalmente preprado na véspera porque a emoção leva sempre a melhor nele. É sensível o meu rapaz, apesar dos 13 anos e da idade parva que daí advém. Será talvez essa uma das duas melhores qualidades que tem. 
[A outro é acordar feliz, com sorriso nos lábios, o que chega a irritar o irmão que lhe disse há semanas ao pequeno-almoço: "Estás sempre alegre ao acordar. É enervante tanta felicidade."]

sábado, 17 de outubro de 2020

Da escola

O mais velho está autónomo nessa coisa de estudo mas ainda sente necessidade de "mãe, já estudei tudo. Agora faz perguntas." Pensei que isso já não fosse necessário mas ainda há uma criança pequena dentro dele. 
O mais novo, no 5°ano, não sabe estudar sozinho. Precisa, tal como o irmão no 5°ano, de suporte. "Mãe,  vamos estudar?". 
Ao segundo filho, a paciência para as funções do solo, o solo argiloso ou franco, as comparações, as onomatopeias, os verbos no modo indicativo e o camandro é nula. 

As pessoas não falam disso quando estamos grávidas ou quando pensamos engravidar do segundo ou terceiro filho e é uma falha. Só se fala de amamentação e das dificuldades e dores que daí advém mas isso, a Escola em si, é que custa horrores.
Bem, deixem-me ir, que ele quer rever a cena da impermeabilidade dos solos...Interessante, I know! 
Desconfinada ou confinada, o meu hastag para me manter mais ou menos normal mantém-se: #hajavinho