terça-feira, 19 de setembro de 2017

Sai um chá de camomila para a mãe do canto!

Sempre fomos uns sortudos: chegamos cedo a casa. Em média, às 17h15 ao mais tardar, estamos os três em casa. O pai cá de casa chega uma hora e pouco depois. 
As atividades deles eram às sextas, das 17h00 às 18h00. 
Sempre tivemos tempo para fazer muita coisa juntos, nem que seja não fazer nada sem culpa, mas juntos.

Agora de repente, estão a ter treinos quase à noite, às segundas, quartas, quintas e sextas, das 19h às 20h30. O horror! A preocupação, a angústia e o stress instalaram-se na minha cabeça tão frágil. Passámos o domingo a confecionar as refeições para a semana para que seja mais fácil mas ainda há muita coisa a stressar-me.
1) A hora do jantar que sempre foi às 19h30/19h45 no inverno passa a ser quase às 21h00. Simplesmente horrível porque não passámos tempo de família juntos após a refeição. Enquanto como, só penso que eles têm de ir para a cama e dou por mim a querer despachar o momento do jantar, que sempre foi feito de forma tranquila; 
2) Não temos um tempo para ver a nossa série em família após o jantar ou jogarmos às cartas ou... Não temos tempo para estarmos juntos, os 4;
3) O tempo de deitar sempre foi às 21h15 mas agora passa a ser mais tarde e ainda por cima agora, que acordam mais cedo do que nos anos anteriores; 
4) O Tiago no 5º ano requer mais foco nos estudo, mais tempo...que agora não tem. O que será do meu filho?
5) O Pedro, mais novo, acusa cansaço muito facilmente e fica sem apetite. Preciso de relembrar que ele é muito muito magro e que comer sempre foi a nossa saga?
6) Ir ao ginásio ou correr está difícil de encaixar agora.

Como fazem para não stressar com isto tudo? 
O desporto é essencial, eu própria não passo sem ele, mas será assim tão importante ao ponto de ficarmos todos doidos? (eu pelo menos eu, vá!)
Dicas senhoras, preciso de dicas! 



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XVII

Quando o teu filho começa hoje as aulas no 2º ciclo.
Ele estava ansioso. Informou-me há uns dias que ia chumbar o 5º ano porque ia ser muito difícil e ele não era muito bom na escola. O blábláblá da mãe reconfortou-o e sentiu-se hoje pronto para começar.
Foi feliz. 

Mãe que é mãe deixou recomendações: 
- senta-te na 1ª ou 2ª fila;
- não vás para o intervalo com a lancheira, apenas com o lanche;
- ouve os professores e colabora com todos;
- aprende muito que és o maior.

Filho que é filho entende as recomendações da mãe à sua maneira:
- no 1º intervalo, saiu com a lancheira;
 - sentou-se na última fila.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Adeus natação, olá futsal

Pedem-me para treinar num clube de futebol há anos. Por vários motivos, resisti até ontem. 
Hei, no entanto, de resistir para todo o sempre à ideia de me tornar uma soccer mom. Prometo.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XVI

Quando o teu filho mais velho deixa de dormir com o "meu cãozinho" - peluche oferecido pelos amigos dos sogros no dia em que nasceu e que lhe fez sempre companhia desde esse dia. 

domingo, 10 de setembro de 2017

Perguntas rápidas

Sou a única a ficar eufórica com as fotos no Instagram da Madonna? 

Sou a única a ficar eufórica com a remota possibilidade de andar por Lisboa e me cruzar com a Madonna?

Sou a única a ficar eufórica com a ideia do que posso estar a menos de 4/6 km da Madonna?

[A Madonna, senhoras, a Madonna, aquela cantora que faz parte da minha adolescência é que...que... ]

sábado, 9 de setembro de 2017

Das coisas que as pessoas nos deixam

Manda a tradição estabelecida pela minha avó que em dia de festas de anos ou no natal, ela deveria brindar sempre com vinho do porto. 
[Hoje fomos festejar os seus 92 anos e no fim, pediu à empregada um cálice de vinho do porto.]
Já lhe disse que dentro de muitos e muitos anos, quando ela já não estiver fisicamente entre nós, haveria de ficar no lugar dela e brindar em família só com vinho do porto. Ela riu-se.

A minha avó paga as cotas do santíssimo, seja isso o que for. Sei apenas que são 5 euros anuais. Não sei qual o objetivo nem nada e na verdade, nem me interessa. Já lhe prometi, no entanto, que dentro de muitos anos, quando ela não estiver fisicamente entre nós, ficaria eu a pagar as cotas do santíssimo por ela. Nesse dia, ela ganhou o dia!!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O piropo mais lindo que ouvi...

...foi na noite do nosso mega arraial. Um miúdo giro, com 18-22 anos, alentejano, voluntário no nosso Concelho, que me perguntou a idade. Quando lhe respondi 40*, disse que era impossível, pois tinha "as pernas de corredora, as pernas mais bonitas do arraial da senhora da guia".
Até lhe dei um abraço! 

[Nota: dei abraços a muita gente nessa noite, pois também foi uma festa de afetos.]

*Na verdade, tenho 39 anos mas arredondo para facilitar e sobre este tema, hei de escrever um post. 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XVI

Quando decidimos ver em família, antes de irem para cama, uma série para crescidos.

sábado, 26 de agosto de 2017

E a festa Tella, como foi?

Ainda não sei se consigo pôr em palavras a nossa aventura na festa da aldeia. Ainda estou muito emocionada.
4 semanas antes, Miguel e eu decidimos que devíamos fazer qualquer coisa na festa da aldeia. Não havia mordomos, uma das vítimas dos incêndios tinha-se chegado à frente para fazer qualquer coisa mas a sua morte deixou tudo ainda mais triste. Alguém tinha de a fazer e fomos nós.
Nunca acreditei que íamos ter tanto sucesso. Vendemos 1000 litros (sim, mil) de cerveja, fora tudo o resto: porco no espeto, 70kg de bifanas, caldo verde, sardinha, etc. Foi um arraial digno dos Santos de Lisboa. Inicialmente pensámos em juntar no máximo dos máximos 300 pessoas e isso até era quase um delírio. Pensamos agora que estiveram cá 2000 pessoas. Tivemos até a sorte de aparecerem pro bono uns senhores para tocarem concertinas e batucos. Foi o delírio de todos.
Demos o litro. Não vi nada, não me diverti nada. Só trabalhei e muito. Estive 48 horas sem ir à cama. Proporcionei aos outros uma grande festa, um momento feliz num cenário triste. Que orgulho. Como dizia o Vítor, colega que fez parte da organização, "temos uma história para contar. É a primeira vez que umas pessoas que não  são comissão de festas fazem uma coisa dessas e que coisa nós fizemos!". E chorei com as palavras dele.
O pai cá de casa foi o meu maior orgulho. Só espero que os meus filhos sejam como ele. Ele foi o motor, a cabeça pensante de tudo, o que nos puxava pra frente. Um Homem capaz de tudo. Foi o maior. Teve entretanto não sei quantos convites para organizar as próximas festas. Mas não, obrigada! Chegou ao limite do esgotamento físico e emocional. (Ainda hoje foi devolver mesas aos centros recreativos de concelhos e aldeias vizinhas).  Muito choro houve entre nós todos, os organizadores e ajudantes (sim, porque o nosso arraial ganhou tal dimensão que sem várias ajudas, nada teria sido feito).
Os meus filhos trabalharam como gente grande, desde à limpeza, à organização da quermesse, a servir imperiais ou servir nas mesas até as tantas da manhã. Foi mais uma experiência de vida.
Ontem dizia ao Pedro que quando tivesse a minha idade e estivesse também ele a organizar a festa da senhora da guia, ia contar aos filhos da sua primeira festa, que foi só um arraial de dois dias mas que foi brutal. E terá de lhes dizer que os avós é que tiveram a ideia de animar a malta, de juntar uns loucos como eles e fizeram o impossível no ano em que muitas pessoas morreram no nosso concelho por causa dos incêndios.
Ainda estamos todos muito emocionados com tudo.
Acabei a festa completamente esgotada, cansada, sem forças.  Dei uma semana de ferias à causa. Nao me arrependo nem um minuto. Acabei de coração cheio e muito orgulhosa.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XV

Quando os teus filhos vão sair à noite com os amigos e tu ficas à espera deles, cheia de sono, até a uma da manhã. 

[Já tivemos direito, logo no 2 ° dia, a um "mamã, dá-me 5 euros que vamos ali ao café comer um gelado com os nossos amigos. ]

domingo, 30 de julho de 2017

Ainda sobre a nossa loucura

As coisas estão a ganhar proporções cada vez maior. Começou por ser um encontro, um convívio para que a tradição não morresse e tornou-se num arraial. O nosso trabalho, obviamente, é pro bono mas toda a gente está a dar tudo, desde as sardinhas pelo primo pescador, ao DJ que sempre fez a festa, às batatas e cebolas para o caldo verde, ao assador do porco, à gráfica que nós fez cartazes e senhas, às t-shirts estampadas, incrível. A parti do momento em que decidimos avançar, a comunidade juntou-se a nós e quis ajudar. Ninguém nos diz que não. Antes de pedir, já dizem que sim.
Já conseguimos vender 200 porta-chaves e tivemos doações de dinheiro, sem o pedir. 
Por tudo isso, a nossa loucura já valeu a pena, embora já tenhamos dito mil vezes "metemo-nos em cada uma..."

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando te despedes de dois amigos que vão para terra dizendo "façam boa viagem e vão devagar". Sinto que falta pouco para o "e quando chegarem, dêem um toque"!

sábado, 29 de julho de 2017

Férias

[Música para os meus ouvidos!]

terça-feira, 25 de julho de 2017

Momento louco

Quando decidimos, o pai cá de casa e eu, avançar com a organização da festa da nossa aldeia quando só faltam 3 semanas para ela acontecer. Falámos com 4 amigos, tão loucos como nós e siga. Era isso ou este seria o primeiro ano desde sempre que não tínhamos festa. Impensável e muito menos agora, que nosso concelho precisa de #renascer.
Os miúdos estão super super felizes. O Pedro já nos pedia há meses para fazer a festa. Eles adoram vender rifas, vender imperiais e sentirem-se, sobretudo, como membros da terra. 
Dia 19 de agosto, nos Lugarinhos - Castanheira de Pêra. A não perder. 



segunda-feira, 24 de julho de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XIV

Quando o teu mais velho toma as rédeas à coisa e ensina o mais novo a andar de bicicleta. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XIII

Quando andas com as Havaianas do teu filho mais velho, uma vez que já calçamos o mesmo número. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

As mães, os ginásios e a culpa (sempre presente na vida de uma mãe)

Em março, depois da meia-maratona, o meu pé obrigou-me a uma pausa longa. Comecei a descompensar, a comer muito e sobretudo a pensar que ia ficar sem vontade de correr ou de fazer desporto. Uma verdadeira neurótica. 
No dia 17 de abril, pesei-me, tirei uma foto em soutien em frente ao espelho da casa de banho e fui inscrever-me no ginásio. 
No início, senti-me intimidada pelas pessoas que, aparentemente, se conheciam bem; pelos músculos XXL, pelos corpos fit's das miúdas mais novas e sobretudo pelos valores dos pesos que levantava versus os pesos levantados pelos outros. Mas a vontade de reforçar a massa muscular para prevenir futuras lesões na corrida falou mais alto que a vergonha e não me deixei afetar por essa neura. 
Fui todos os dias ao ginásio menos no dia da criança e ontem (uma espécie de ressaca dos anos do pai cá de casa). Acreditem que não foi fácil. Inicialmente, sentia-me egoísta por estar a usufruir de uma hora por dia só para mim, deixando os meus filhos em casa. Estava no ginásio a pensar que tinha de despachar tudo super rápido para ir ter com eles, coitadinhos, abandonados sem o meu carinho, sem a minha presença. Estava no gym quase sempre em sofrimento. Que neura! Sabia também que se não fosse, ia ficar lixada comigo, com eles e que o pai cá de casa ia apanhar por tabela. Outra neura, está visto. 
Aos poucos, ou talvez depois da Carolina ter dito que era um falso peso na consciência, que era a sociedade a martelar que uma mãe não podia ter tempo para ela, fui deixando essa ideia de lado e passei a ir sem culpa, sem complexos e com maior prazer. Efetivamente não sou nem pior nem melhor por ir ao ginásio e usufruir de uma hora só para mim. Não é essa hora que me determina enquanto mãe. Sei - e isso é extremamente importante -  que sou mais fácil de aturar quando vou e tenho mais paciência também para os aturar quando regresso. Deixa de haver tantas neuras portanto. Maravilha. 

Saber lidar com a culpa é coisa que me faz ver que estou a crescer...

[Nota: se eu fosse uma blogger da moda, punha a foto do antes (17/4) e depois (hoje) para sacar montes de propaganda desportiva da Prozis, myprotein, Nike e afins por causa do transformação do meu corpo.De facto, é incrível como é que ele se modificou tanto. Como sou a Tella, não ponho foto nenhuma, que os azulejos da minha casa de banho são horríveis e não quero que vejam!]

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Fácil chegar, difícil partir

Cheguei à Castanheira.
Não há imagens na televisão que nos preparem para este cenário desolador. Nao encontro palavras para descrever a desolação. Dói a alma. 
A estrada nacional que liga Figueiró à Castanheira é terrível. É impossível não se emocionar perante tamanha tragédia.
As pessoas sentem necessidade de falar do medo que sentiram, das pessoas que perderam, do caos que viveram. No fim das conversas, há sempre qualquer coisa como "as pessaos têm de vir para cá para tentarmos seguir com a nossa vida".
O inferno existe e andou por cá. 

sábado, 1 de julho de 2017

Sabem qual foi o meu anticlímax de ontem?

Sair da festa da primária, com o meu "finalista" que se emocionou ao despedir-se do 1°ciclo (e cujas lágrimas vieram emocionar-nos também muito) e ver o nosso carro em cima de um reboque, pronto para ser transportado para um parque de EMEL. 

dasssssse, eu sei. Também o disse várias vezes. 

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XII

Quando o teu filho mais velho se despede da primária.

[Foi ontem]

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tão fácil chegar, tão difícil partir

Quem circula na EN 236-1, lê, à saída do Concelho de Castanheira de Pêra, a seguinte mensagem: "Tão fácil chegar, tão difícil partir". Esta é a mais pura das verdades, que o diga o meu Pedro que chora quando saímos de lá. Da estrada EN 236-1, basta saber isso. Basta recordar isso e mais nada. 
O meu pai e os meus sogros nasceram em pequenas aldeias no Concelho de Castanheira de Pêra. Toda a minha vida passei lá férias. O pai cá de casa também. Os meus filhos passam lá as férias desde que nasceram, claro. Não tendo nascido em Castanheira, somos de lá. É, sem sombra de dúvidas, a nossa terra e com muito orgulho, diga-se. Sinto-a. Não sei explicar. O meu ADN castanheirense fala mais alto do que outro qualquer! O ADN do pai então nem se fala. Conhece toda a gente, toda. Cumprimenta toda a gente. Toda. 

Como é do conhecimento de todos, a nossa terra ardeu. Quem lá está diz que está um caos: cenário cinzento, ainda com fumo, sem luz ou comunicações e que viveram dias horríveis. 
Assistimos no fim de semana ao inferno, de longe, agarrados aos telemóveis, através dos grupos do FB do pessoal da terra. Tentámos saber pelos nossos, num momento em que não havia comunicações, excepto com a tia, que por milagre dos milagres, tinha telefone fixo em casa. O horror era relatado por ela, assustada mas que não quis ser evacuada. "ó tia, vá para a vila, saia da sua casa!". Não foi. Ficou em casa. 
Ler o desespero dos amigos e conhecidos a perguntar pela avó de 90 anos, pelo tio de 70 ou pelos pais. As casas não interessavam, queríamos saber das pessoas. No nosso caso , o primo direito do pai cá de casa. "O Pedro? Ninguém viu o Pedro?" (só soubemos que o Pedro estava bem às 3h00 da manhã de domingo para segunda). 
Vivemos momentos de aflição, sem saber de nada. A televisão prestou um péssimo serviço, pois nunca mas nunca mencionou onde estava o incêndio, que aldeias estavam a ser evacuadas, quando foram evacuadas ou quando deixaram de ser evacuadas por causa de um outro incêndio. A estrada EN 236-1 e os carros destruídos passavam em loop no nosso ecrã, assim como as palavras "incêndio de Pedrogão" quando o incêndio já nem lavrava nesse Concelho mas sim no de Figueiró dos Vinhos e de Castanheira de Pêra.  
Nem imagino o inferno vivido pelas pessoas que lá estiveram, que perderam tudo, inclusivamente a vida.
A Castanheira ficou sozinha e isolada, mas isso já são outros 31.  

No próximo fim de semana, tínhamos combinado lá ir. Mas como ir a um sítio que está de luto? Como estar num sítio com tamanha dor?

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Não sei que título dar a este post

Tenho um problema sério com a pílula: esqueço-me de a tomar. 
O esquecimento, por vezes, ultrapassa os três ou mesmo quatro dias, como no mês passado. 
Quando o esquecimento coincide com épocas mais festivaleiras (if you know how I mean), a coisa agrava-se. 
A coisa ganha proporções gigantescas quando a menstruação decide atrasar-se 2-3-4 dias, 8-9-10 dias. 
O pêlo que nasceu debaixo do umbigo quando engravidei do Tiago e do Pedro e que é uma espécie de teste de gravidez apareceu mas de forma diferente. Nos dois outros casos, eram grossos, pretos e compridos. Este é pequeno, fininho e claro. Sim? Não? Será pêlo de menina? Tudo me passou pela cabeça, confesso. Tudo.
Oscilo entre a ansiedade e uma espécie de alegria contida e penso "as hormonas estão baralhadas. Estou mesmo grávida" e fico novamente mais ansiosa e com uma esperança disfarçada de negação. E medo também mas sem saber bem de quê...

O pai cá de casa, que sempre disse que não queria mais filhos, vai perguntando, meio a brincar e meio a sério, onde vamos colocar o berço. Chega mesmo a perguntar aos filhos se gostavam de ter mais um mano ou mana. E até dois nomes são escolhidos pelos miúdos: Maria ou Afonso. 

O teste é adiado um dia, dois dias, consciente ou inconscientemente, não sei.

É negativo e de repente nem sei se fico contente, aliviada ou triste ou se fico isso tudo ao mesmo tempo. Sinto um aperto cá dentro que contrabalancei com "uff, vou poder correr", "bem, já não tenho de pensar como vou pagar três mensalidades de colégio", "uff, não vou ter de voltar a acordar de duas em duas horas", "na volta, era mais um rapaz e eu queria mesmo uma menina". 

Nessa tarde, estive com os meus primos e respetivos filhos, todos eles pequenos e a mistura de sentimentos continuou: "ahahah, estou aqui a beber um copo de vinho super tranquila que os meus filhos já estão autónomos e não chateiam nada"  e "óooo a Sofia, com o seu laço cor de rosa, a dar os primeiros passos, que bom".

[A menstruação ainda não veio. Estou à espera há 52 dias.]

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XI

Quando o teu filho mais novo acaba de ler sozinho, da primeira palavra à última, o seu primeiro livro. 

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando na única mercearia da terra, onde toda a gente conhece toda a gente, um senhor diz:
"Ó Rui, avie primeiro a dona!"

[até olhei para trás porque pensei que se estava a referir a uma outra pessoa!]

[saiu-me "trate-me por menina, para que o fim de semana me corra bem!"  Pffff]

Quando é que sabes que os teus filhos estão crescidos? X

Quando um deles vai dormir à casa de um colega. 


Run Tella, run

Neste fim de semana, fui para a terra e corri.
Correr na terra é talvez o melhor sítio para se correr: é fresco, a paisagem é maravilhosa e as subidas lixadas intercalam com boas descidas. 
Ponto importante: corri sem dores sem nada no pé. Sei que o pé não está a 100%, estará a 95% mas desta vez, nicles de dores, nada, rien de rien. Maravilhoso! 

Já vos tinha dito que achava que nunca mais ia correr em toda a minha vida, nem para apanhar o autocarro? 
Ah Tella, menos, pá, menos! 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Aquele momento em que percebes que se fala muito de treinos e de alimentação cá em casa

Os miúdos tiveram hoje o primeiro treino de futebol e chegaram à casa cheios de fome.
Qual foi a preocupação dos dois, qual foi?
- Mãe, depois do desporto, temos de comer proteína - dizia o Pedro. O que é que tem proteína?
- O que comemos? Pode ser um ovo mexido? - perguntava o Tiago. 

Enquanto comiam um iogurte natural com aveia e pêssego, o Tiago insistia em saber:
- É comida saudável e boa para depois do treino, não é?

[Meus ricos filhos]



terça-feira, 6 de junho de 2017

Eu, a eterna estagiária

No meu primeiro ano enquanto professora, ainda estagiária, emocionei-me na última aula com os meus alunos do 8°ano. Eram apenas 11 miúdos. Ainda me lembro da cara deles mas só o nome de alguns: do André, que disse "merda" numa aula, da Xana que percebeu comigo o que era o passé composé, da Andreia e de pouco mais.
Lembro-me de me terem dito que essa coisa das lágrimas ao despedir-me de uma turma só acontecia no início da carreira. Também achei que sim, até porque nunca nenhum professor tinha chorado à minha frente. Ficou claro na minha cabeça que só podia ser " coisa de estagiária". 
Os anos passaram-se e a "coisa de estagiária" continuou. No último dia de aula, fico com um nó na garganta. Por vezes aguento, sobretudo quando são turmas pouco dadas ou com quem não consegui criar grande empatia, outras vezes, não. Basta uma palavra, um agradecimento, um abraço, uma doença filha da mãe ou simplesmente a  despedida em si, minutos antes do toque. Todos os anos, todos eles desde 2002, eu emociono-me com os meus alunos. Dizer adeus sempre foi tramado. Dizer adeus às pessoas com quem efetivamente estamos é ainda pior. 
Ontem, com uma turma do 9°, aguentei, aguentei e depois, vieram 4 miúdas ter comigo, já depois do toque, a pedir um abraço e a dizerem coisas que me aqueceram e eu, pronto, já sabem. Isso mesmo. 
Mas hoje, hoje foi especial. A minha turma do coração, que foi minha do 7° ao 9° ano, que coordenei durante dois anos, teve a última aula comigo. Acordei de madrugada a pensar que me ia despedir deles e que me ia custar muito. 
E custou senhores. Muito. Chorei eu e choraram todos eles. Não tentei conter as lágrimas, pois temos uma relação muito boa, que assenta no respeito, e, como lhes disse, não tenho vergonha do que sinto. Foi bonito. Foi bom. 
Com eles aprendi sobretudo a ouvir os adolescentes com mais atenção e tive a certeza, embora já o soubesse há mais tempo, que dar aulas é muito mais do que transmitir conhecimento, atingir metas e coisas assim decretadas num papel por pessoas fechadas em gabinetes. Ser professora, sobretudo daquela turma, é envolver-me, repensar cada tarefa, pensar nos que têm mais dificuldades, fazê-los pensar sobre coisas que nada têm a ver com a matéria mas que têm de ser pensadas, saber quando o pai de um regressa de África, perguntar pelo pai doente de outro, saber da história da separação dos pais, dizer-lhe "és uma força, acredita", contar-lhes a minha cena com a corrida como metáfora para chegar às metas, ao que desejamos; lembrar-me do texto que uma aluna escreveu sobre a avó no 7°, da piada dita no 8°, and so on. Podia ficar aqui a escrever e escrever.
Espero que dentro de alguns anos se lembrem de mim e que digam "bem, eu tive uma professora de francês que foi muito importante para mim" porque eles foram verdadeiramente importantes para mim. Dei sermões, ralhei, castiguei, chamei encarregados de educação, passei-me mas também ri muito, desabafei, ouvi, conversei e plantei sementes que hão de germinar de uma forma saudável.
Vi-os crescer e foi um prazer. 

[Há pouco, encontrei nem sei bem como um texto de uma aluna da dita turma no FB. A miúda sai da escola e escreve muita coisa, fala de muita gente e fala de mim. Fiquei então com a certeza que sim, que deixei lá qualquer coisa e que fiz, pelo menos, uma coisa certa. ]

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Momento em família

Assisitir às segundas-feiras ao Ministério do Tempo, na RTP1.
Ultrapassado o primeiro episódio que é chato e longo, a série portuguesa vai agarrando, quer pela historia da História, quer pelos diálogos ou quer pelas personagens.
Com o Ministério do Tempo, os meus filhos tornaram-se fãs do Camões e do Pessoa, do episódio do milagre das Rosas e de outras batalhas de cavaleiros e do Reino que os deixam ligados à História. Adoro ver-nos sentados os 4 em torno de um programa, de uma série. 
As segundas-feiras são muito melhores. 
Quando penso numa "porta do tempo", penso logo ir vivenciar o "25 de Abril". Eles respondem qualquer coisa como "quando tu o o pai eram crianças! Ver o que faziam". 
Aquele momento em que a história do pai e mãe é maior do que tudo. Tão bom. 

[ A 1a temporada está disponível na RTP play.]

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Da saga Run Tella, run

Hoje corri dois quilómetros, depois de dois meses de paragem obrigatória. Dois quilómetros hoje, dois meses depois dos vinte e dois quilómetros na meia-maratona. Dois quilómetros sem dor ou ardor no pé.
Uma alegria tão grande, tão grande que nem dá para explicar. Eufórica como se tivesse ganho sei lá o quê!
Eu que cheguei a pensar não voltar a correr nunca mais. O drama senhoras, o drama, sempre a acompanhar-me!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando comentas que vais estudar com o teu filho matemática e essa pessoa te pergunta se o teu filho está em Ciências ou Artes, se tem matemática A ou B. 

Quando no ginásio, um miúdo com 18 anos, mais coisa menos coisa, te aborda e te diz "peço desculpa minha senhora, estas chaves são suas?"
[morri um pouco com o "minha senhora"]
 

domingo, 14 de maio de 2017

39 anos

Hoje faço 39 anos.
A madeixa branca alarga-se e agora tende a deixar de ser madeixa porque os cabelos brancos resolveram espalhar-se um pouco por todo o lado  Continuo a viver com ela e a pensar que dá pinta, como da ao Cloney ou à Lagarde, e que é fixe assumi-los. As rugas em torno dos olhos também, embora, vá, não sejam ainda do outro mundo. Tento, através do desporto, que o corpo não se deixe arrastar pelo tempo que passa. Quero-o ágil e tonificado. Aí sim, quero enganar o tempo, correr para fugir dele. 
Este ano, ao contrário dos outros, não estou naquela coisa de "ah e tal, isso passa tão rápido, já é metade da minha vida e coiso". Sinto serenidade no ano antes dos -entas. 
Tenho 39 anos, dois filhos que me enchem muito, um pai cá de casa que está sempre ao meu lado e de quem me orgulho muito, dois gatos que me enchem tudo de pêlo mas que são parte da família, um mano e  uma sobrinha que assentaram, desde sempre, praça cá dentro, uns pais e uns sogros amigos que são avós importantes para os meus filhos, uma avó maravilhosa de 91 anos, por quem sinto um afeto cada vez mais forte e a Carolina, que não sendo família, o é. Ponto. Tenho amigos, poucos mas bons, com os quais rio, choro e converso. 
Sou uma felizarda. Tenho uma vida, que não sendo perfeita, com a graça do senhor, é fixe. La vie est un long fleuve tranquille. E isso, vale ouro, mesmo com 39 anos. Os números foram sempre demasiados valorizados, essa é que é essa. 
Venham outros 39 que cá estou para lhes mostrar que são um nada. 

sábado, 6 de maio de 2017

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando o teu pai, quando lhe dizes a idade que vais fazer (!), te responde de volta, com toda a seriedade: "Estás velhota filha! Já não és nenhuma jovem!"

sábado, 29 de abril de 2017

Quem não corre, vai pro ginásio do bairro

Na verdade, este post podia ter vários títulos. Ei-los aqui:

[Quem não quer perder o bichinho do desporto, vai pró ginásio do bairro.]
[Quem se sente a descompensar, vai pró ginásio do bairro.]
[Quem engordou 2,8 kg num mês, vai pró ginásio do bairro.]
[Quem tem receio de perder a capacidade de correr o que corria, vai pró ginásio do bairro.]
[Quem sonha com uma barriga lisinha lisinha, vai pró ginásio do bairro.] 
[Quem quer ser fit e saudável, vai pró ginásio do bairro.]
[Quem quer ter 40 anos mas parecer 30, vai pró ginásio do bairro.]
[Quem tem uma fascite plantar (filha da mãe), vai pró ginásio do bairro mas não faz passadeira.]

Qualquer título serve, é só escolher.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? IX

Quando o teu mais velho recusa tomar banho contigo porque tem vergonha!
 [da mãe, vergonha da mãe! Pfffff!]