domingo, 19 de março de 2017

Da saga "Run Tella, run"

Cheguei ao fim da prova. 
O Voltaren ao pequeno-almoço e o Brufen na partida não acalmaram as dores no pé. 
A partir do km 5, fiz uma pausa para ir à casa de banho e também para fazer uma quebra no meu ritmo. Estava a ir demasiado rápido e sabia que assim, não conseguiria chegar ao fim. 
Por causa do pé (esquerdo), comecei a fazer mais força na perna direita e ao km 10, comecei a sentir uma coisinha na coxa direita. Que merda. A partir do km 15, foi muito difícil e aí, decidi correr 1 km e andar 200 metros. 
O sol quente, a inexistência de pessoas a torcer por nós nas ruas, a paisagem fraquinha tornam a prova chata e difícil. Árida, como disse a Carolina. 
Ao km 18, a dor no pé e coxa, o cansaço, a música que a banda estava a tocar (e nem me recordo que música era), desatei a chorar. Não foi assim baba e ranho mas foi uma grande emoção, não sei explicar. 
Na reta final, na meta, oiço "Tella" "mamã" e nas bancadas, o meu mundo: os meus filhos e o pai cá de casa. Não aguentei e a emoção deu conta de mim. Nem me apercebi, por isso, que já tinha acabado a prova e continuei a correr. 
Mas depois disso tudo, a sensação de "feito" é maravilhosa, assim como a de superação. Mesmo. 
O meu tempo: 2h22 ( no meu relógio. O tempo oficial ainda não o tenho).

sexta-feira, 17 de março de 2017

Da saga Run Tella, run

Percebo que o que vá escrever não faça sentido para muita gente. Para mim, se calhar, há uns anos, também não faria.

A meia-maratona de Lisboa será no domingo. Estou inscrita há meses, desde novembro ou antes, não sei precisar. Treinei muito. Muitas vezes, depois de um dia difícil,em que fui buscar força não sei bem onde. Fizemos, a Carolina e eu, vários treinos longos ou semi-longos e até séries fizemos. Senti um músculo da coxa a rasgar depois de um arranque de uma série.
 Não é para meninos, não senhor. 
Li imensa coisas sobre meias-maratonas, desde alimentação à exercícios de fortalecimento muscular. Empenhei-me.
Um dia comentei com a Carolina que queria fazer a prova em menos de 2h30 mas ela, já batida nesta prova, reduziu o tempo para 2h15 e acreditei que sim, que era possível. Aos poucos, acalentei a esperança de correr os 21 km e poucos metros, em menos de 2h10. Acreditei que iria conseguir. Andava a quebrar records nos meus treinos, sentia-me super otimista e aquela sensação que a corrida nos dá, do "tu consegues, pois" ajudou à festa. Pelo sim, pelo não, não partilhei esta esperança com ninguém. Era o meu desafio e só meu. 
Mas depois, a dorzinha no pé passou a dor grande, que se tornou rapidamente lesão, deixou-me KO, o meu castelo de cartas ruiu completamente. E é tão frustrante, mas tão frustrante que nem consigo pôr por palavras o que aqui vai. O meu objetivo de repente passou a ser outro: cruzar a meta, nem que seja a última. Mas no fundo, no fundo, não sei se conseguirei. Não tenho feito nenhum exercício há 15 dias e  ainda sinto uma coisinha no pé. Vou tomar não sei quantos analgésicos antes da prova para ver se consigo. Passo, de repente, da maior que acredita em si, para a que não sabe se vai conseguir... Que frustrante!  
Ah! Sei que há mais provas e mias meias, please, não me digam isso, que eu sei, óbvio. Também sei que não é o fim do mundo e blá blá blá. Não deixa de ser frustrante ter investido tanto e agora estar assim, neste estado (físico, emocional e psicológico)!

[A única coisa boa desta lesão é perceber que há amigos que se preocupem comigo, que me trazem anti-inflamatórios XPTO, receitados aquando de uma lesão desportiva, suplementos alimentares com magnésio e não sei quê, links para curar lesões and so on. ]

sábado, 11 de março de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? VIII

Quando o teu mais novo decide, ao jantar, escrever frases no tablet sobre o próprio jantar...

quinta-feira, 9 de março de 2017

Coisas que me deixam triste e aborrecida

Estou há muito tempo (3/4 semanas?) com uma dor na planta do pé esquerdo. É uma dor tramada ao acordar, quando poiso o pé no chão ou quando recomeço a andar depois de estar algum tempo parada. Depois, a dor pára e volta assim quando quer...
Tenho continuado a correr mesmo assim porque estou inscrita há muito tempo para a meia-maratona e correr faz parte da minha vida neste momento. (Uau, menos Tella, menos). Mas na terça, depois de um treino de reforço muscular, a dor tornou-se insuportável. Ontem tive de tomar brufen e Voltaren. Estava coxa e muito deprimida por causa disso. Tive de cancelar uma corrida e tudo. Fiquei ainda mais depré. 
Hoje já tomei 3 brufens e ainda sinto qualquer coisa. 
Faltam 10 dias para a prova que considero de fogo e ando eu aqui meia coxa e sem treinar. 
Nunca pensei que uma coisa dessa me deixasse tão triste. Bolas...

Quando é que sabes que os teus filhos estão crescidos? - VII

Tu sabes que o tempo não pára. As estações sucedem-se a um ritmo louco e a figueira das nossas traseiras relembra-nos disso constantemente: carregada de figos, acastanhada, morta ou em flor;  carregada de figos, acastanhada, morta ou em flor; carregada de figos, acastanhada, morta ou em flor. Mas não é só a natureza que o faz: são os cabelos brancos que avançam de uma forma galopante, as rugas que marcam cada vez mais profundamente o meu rosto, a minha constante vontade de permanecer em casa às sextas ou sábados à noite, as ressacas que duram dias, etc, etc, etc. 
Tu sabes que o tempo avança, sempre. 
Mas hoje é que levei com uma espécie de murro no estômago. 
O meu primeiro filho já está matriculado no segundo ciclo. Parei para respirar fundo e foram quase 10 anos que caíram em cima de mim em segundos. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Tudo uma questão de fé.

O Benfica levou agora o quarto golo do Dortmund e faltam 3 minutos para o fim do jogo.
O Pedro diz "só têm de marcar três golos para empatar!".
E é isso.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A croma

Resolvi ver a cerimónia dos Oscares em direto, quase até ao fim. 
Digo quase porque quando os senhores disseram And the Oscar goes to "La La Land", pensei "pfff", desliguei a televisão e fui para a cama, mais morta do que viva. Já não havia paciência para discursos! 

De manhã, quando acordei e vejo no feed do meu FB que o Óscar tinha sido atribuído ao Moonlight (e bem atribuído, by the way!), o meu primeiro pensamento foi "meu deus, ando a perceber cada vez menos inglês e estou a ficar doida!".
E só depois é que percebi o que tinha acontecido e respirei de alívio!
Enfim, fiquei acordada até às tantas e não assisti à barraca ao vivo... e só eu sei o quanto gosto de uma barraca! 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Quando queres muito que os outros vejam o que estás a ver, quando não percebes as opções dos outros, quando pensas o pior de vários acontecimentos, quando achas que és a única a ver a cena, quando achas que só tu é que tens razão (pois, eu sei, parece coiso), quando tudo isso não te sai da cabeça, começas a pensar que afinal és apenas a rainha do drama e que menos Tella menos. Tentas então racionalizar as coisas, pôr de lado as impressões, sensações, crenças e feelings. Queres então acreditar que és too much e agarras-te a isso, como se fosse uma verdade absoluta. "Menos Tella, menos" está sempre a ecoar cá dentro, como quem diz "deves pensar que sabes tudo".
Andas assim a tapar o sol com a peneira, como quem diz enganada, ofuscada, a assobiar para o lado. Mas na verdade, lá bem no fundinho, sabes que o aperto no peito e a constante preocupação são os sinais que te continuam a fazer crer que algo não está bem, que há algo de podre no reino da Dinamarca.
E tu só queres desligar e não consegues. Que seca por vezes esta minha cabeça! 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

And the Oscar goes...

Embora não tivesse visto todos os filmes nomeados (falta-nos ver um, o Fences), a minha escolha vai para Manchester by the Sea. 
Mas please, Academia, tudo menos o La La Land. [Não percebo tanto alarido com o filme.] 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? VI

Quando a escola te envia um e-mail a informar dos prazos para as inscrições dos alunos que frequentarão o 5ºano no próximo ano letivo!

(O liceu senhoras, o liceu! Deixem-me beber um chá de camomila para acalmar!)

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Workout@home

Quando comecei a correr na ilha, no saudoso verão de 2015, fazia também exercício. Depois de 2 (ou menos) km a morrer, ie, a correr, fazia flexões, agachamentos e afins. Lembro-me que no segundo dia, a virilha prendeu quando tentei dar um passo. Foi doloroso. 
Entretanto, fui melhorando a corrida e não aderi à ginástica. A Carolina lembrava-me sempre que tinha de fortalecer os músculos, "como na ilha", que a corrida precisa dessa aliada para evitar lesões e correr mais. A MaryQA também me incentivou, já que antes do baby3 nascer, fazia exercício em casa com o seu Shawn. 
Encontrei uns vídeos no YouTube de Workout for runners e uns vídeos PopSugar (a sério, é mesmo assim) e vou fazendo coisas em casa. É ainda coisa pouca, uma ou duas vezes por semana, mas faz-me sentir mais determinada. 

[O Pedro, com o seu físico de sempre, de menino sem percentil (ou percentil 0, vá), faz ou quer fazer algumas coisas comigo mas eu não deixo e mando-o  embora. O Tiago só me acompanhou no início, durante um minuto apenas e nitidamente para gozar comigo.]

[E sim, é treino puxado em alguns casos, deixando-me muitas vezes com dores musculares!]

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Hoje estou um caco

Depois de ter acordado às 6h30, de ter orientado as coisas em casa antes de sair, de ter trabalhado, de ter corrigido testes à hora de almoço, de ter recebido Encarregados de Educação à tarde, de ter feito o jantar antes das 18h, de ter corrido 14 km com a Carolina, de ter arrumado a cozinha, decidimos ver o Manchester by the Sea. 
E foi este filme senhoras, aquela realidade crua, aquela interpretação genial, aquela agitação constante, aquela dor permanente, aquela densidade emocional que deram cabo de mim. Hoje, ainda estou ko por causa disso e até acho que sonhei com o filme.
Brutal.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Aquele momento em que ....

... só me apetece dizer palavrões depois de ouvir um "olá, tudo bem e tal. Olha, quando é que pintas o cabelo?"
Pumba, que uma colega quando não fala contigo há meses, sente logo necessidade de te dizer coisas realmente importantes e simpáticas, sem dúvida. Só que não! 

Apre! Não entendo a fixação em torno dos meus (muitos) cabelos brancos. A sério.

Há mais do que a mãe em mim

Querem sempre saber histórias sobre nós na idade dele, mas nunca me perguntaram assim nada objetivo até que na semana passada, o Tiago quis saber o que queria ser quando era pequena, quais os meus sonhos na idade dele.

Pois bem, sonhos sonhos, não sei se tinha ou pelo menos não me lembro.
Queria ser Médica Sem Fronteira para ajudar os meninos na Etiópia, que apareciam esfomeados na nossa televisão. Depois, deixei-me de altruísmos e quis ser como o Indiana Jones, uma arqueóloga a viver mil aventuras e encontrar tesouros perdidos. Durante muito tempo acalentei este sonho...Ah, o Harrison Ford, quando eu era uma criança, tinha esse fascínio em mim! Mais tarde, enfim, se calhar mais crescida e menos sonhadora, quis ser professora de história, disciplina que sempre adorei (e adoro). 

Eles nem queriam acreditar que havia uma aventureira em mim, uma exploradora, uma heroína corajosa pronta a ajudar os outros num pais distantes. Aos olhos dos meus filhos, devo ser muita coisa, a mãe afetos que ama, brinca e provoca emoções boas, a mãe preocupada, a mãe que se passa [aka a mãe louca que berra muito] e claro, a mãe chata que repete as mesmas coisas "cuidado meninos", "vão lavar os dentes" ou "rápido,  rápido!". Entretanto, revelo-lhes coisas desse género, e eles percebem que houve (há?) uma criança intrépida como eles em mim e os olhos deles brilhavam a ouvir-me. Devem ter pensado "uau, a mãe foi mais do que a nossa mãe!"
Fiquei a pensar na nossa conversa. É bom desmistificar quem eles pensam que somos ou fomos. Desconstruir-nos e/ou voltarem a construir a imagem dos pais assente numa realidade e não numa perceção é importante. Torna-nos mais normais e também mais próximos.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Quando é que sabes que já tens filhos crescidos - V (e que tu já tiveste um espírito mais jovem)?

Quando numa sexta-feira à noite, vais para a cama às 22h00 e deixas o pai cá de casa e os filhos na sala a jogarem FIFA 2017...

Sonhar

Sonhei a noite toda que estava não sei onde e que estava a fumar cigarro atrás de cigarro. E sabiam bem, muito bem. No sonho, pensava para mim "não voltei a fumar, é só hoje"! Tento enganar-me a mim mesmo nos sonhos...até nos sonhos! 


Uma vez fumadora, fumadora para sempre. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Estudar com os nossos filhos

O meu filho mais velho está mais autónomo nessa coisa da escola. Faz os TPC sempre de forma responsável e nunca tenho de lhe dizer que tem de os fazer. Um descanso este 4° ano no que diz respeito aos TPC, que são sempre poucos, com a graça da senhora professora.
No entanto, nas épocas de testes, quer a minha ajuda. E eu ajudo-o, pois claro. E faço com um certo prazer. Gosto de estudar português, de ler textos, de perceber que ele o percebeu, de escrever textos a meias com ele, de lhe fazer perguntas de gramática (e o meu rapaz sai-se tão bem na gramática). Aprecio estudar inglês porque tentamos falar só inglês um com o outro e é muito giro. Também gosto de Estudo do Meio, que este ano é sobretudo história, disciplina que sempre adorei. 
E depois temos a matemática. Pfff, disciplina que é quase venerada na nossa escola mas que eu pfff, coiso.
Não sei precisar exatamente em que fase da minha vida em que a matemática passou a ser um enorme X, uma incógnita absoluta e nem as explicações no 8° ano me fizeram apanhar o comboio dos números. Eu, Tella Marie, assumo aqui perante vós, caras e caros leitores, sou uma nulidade no que diz respeito ao raciocínio matemático! Algoritmos, frações (simples), perímetros , áreas e pouco mais. O básico do básico, estão a ver?
Mas voltando ao meu Tiago e ao seu estudo... Estudar matemática com ele complica-me o sistema. Ele pergunta-me qualquer coisa e oiço-me dizer que sim, quando nem sei se sim, se não, se o camandro! Há qualquer coisa em mim, quando se fala dessa disciplina, que desliga, que complica. Os números toldam-me o discernimento. Ao fim de alguns momentos, digo-lhe "o pai trata disso contigo", desculpando-me com o jantar, os meus testes para corrigir ou até limpar a areia dos gatos! Sim, sempre saídas airosas! Sim, qualquer coisa para fugir das medidas de comprimento, das situações problemáticas, das leituras de classes dos números e afins. 

[Espero que nenhum deles seja como eu, que às vezes receio que essa incompatibilidade com os números seja genética!]

[E aqueles problemas que metiam comboios que saiam às X horas da estação A e que se cruzavam com o comboio Y às tais horas? Sinto a pulsação a acelerar quando me lembro deles.]

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Quando este blog ainda tem muito de um babyblog...

O meu Pedro continua a fazer xixi na cama. Não são todas as noites, felizmente, que esta coisa de mudar os lençóis da cama desgasta-me! Esta semana, foram duas vezes. Na semana passada, uma,  and so on. 

Já passámos por várias fases:
- faz xixi porque ainda é pequeno (enfim, já tem 7 anos...);
- faz xixi porque todo ele é pequeno, logo a bexigo deve ser pequena também (eh pá, mas não é minúscula e isso são meras especulações de mãe...);
- tem aquele problema nos testículos / bexiga / rim (já foi operado há 3 semanas...);
- faz xixi porque está sujeito a uma pressão qualquer (mãe, pai, colega da escola que o assusta, professora, la rentrée, etc.).

A verdade é que já não sei o que fazer. Ralhar não ralho porque ele sente-se mal por isso acontecer, mas bolas, esta noite, passei-me porque ele estava a dormir comigo, colado a mim e pronto, imaginem como acordei... pois,  isso mesmo, ensopada. Irra, é difícil ter calma às 3h15 da manhã nessas condições. 

Alguém conhece uma forma de poder ajudá-lo?

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Tribo ou o regresso da tão desejada saga "Run Tella, Run"

Hoje, numa reunião de pais, um encarregado de educação inicia a sua conversa dizendo "já vi que é atleta" . Perante a minha reação (tipo hein?), o senhor aponta para o meu relógio, levanta a sua camisa e mostrar-me o seu Garmin vermelho. Rimos. Trocámos umas palavras sobre o aluno e despedimo-nos com a conversa de sempre" prazer e tal, até à próxima" e claro, "boas corridas"! 

domingo, 22 de janeiro de 2017

A estreia

Trouxemos avós e netos pela primeira vez ao estádio da Luz. 
Foi uma alegria! 

(Na foto, festejo do segundo golo do Benfica. )

sábado, 21 de janeiro de 2017

7 anos de ti, Pedro

Até custa escrever 7 anos. Fogo, és o meu mais novo, o meu bebé, aquele que não consigo ver crescer, aquele a quem ainda dou muito colo, a quem ainda dou comida à boca quando o desespero cresce de ver a comida há séculos no prato. E no entanto já tens 7 anos.
Ao longo dos 7 anos, aprendi muito. Percebi muito cedo que vieste a este mundo para virar o meu ao contrário. Contigo, chorei muito. Por ti chorei muito também. Mas contigo, sorri e sorrio mais ainda. 
7 anos...A sério? 
És tanta coisa. És o miúdo que acorda com mau feitio, que grunha monossílabos incompreensíveis até começar a comer a torrada. És o miúdo que quer dormir de manhã, que precisa do seu tempo para se reencontrar, só isso.
És o miúdo que me puxa o cabelo,em várias situações, desde dos tempos em que adormecias na minha mama. Ficou-te esse hábito. 
És o miúdo que se emociona com declarações de amor da avó ou dos pais, mas que aguenta as lágrimas. Abraças com força nesses momentos e puxas-nos o cabelo. Ao teu irmão, disseste -lhe que o amavas porque é o teu melhor amigo e porque adoras brincar com ele. O meu coração de mãe agitou-se com o vosso abraço depois disso. Está gravado cá dentro e dentro de ti, eu sei.
Só choraste uma vez durante um desenho animado; foi com a separação da Heidi e do avô. Nos momentos mais dramáticos de outros filmes, olhas sempre para mim e eu sei que estás a fazer muita força para não chorar e queres que eu vejo que não choras mas não entendo a razão. Mas aceito e nunca comento. Digo por ti "que triste" e siga. 
Passas horas a brincar sozinho, no teu canto, com os legos ou a brincar com os teus peluches, o teu ursinho. Adoras desenhar e recortar papéis. Ficas horas nisso também. 
Ainda não sabes ler mas está quase. A escola diz-te pouco. Para ti, filho do meu coração, a escola é um lugar aborrecido onde só contam os intervalos. Arrastas os TPC e a vontade de aprender  também.
Nem sempre te acho simpático com os outros. Não usas máscaras e não estás para fretes. Falta-te muitas vezes um filtro e parece que ainda não interiorizaste as regras da sociedade.  Alheias-te do mundo demasiadas vezes e há momentos em que me preocupo com isso.
És o filho que mais me diz "amo-te", que mais mostra dependência de mim. Ainda olhas para mim com esse olhar de amor supremo e absoluto. Ficas triste quando o pai vai para fora mas passa logo porque sabes que dormirás comigo nessas noites. Dás-me beijos repenicados mas limpas a tua face quando alguém te dá um beijo. Andas sempre à procura de uma namorada, sempre. És um d.juan. Se vês alguém na televisão a dar um beijo, viras a cara. Se vês os teus pais a beijarem-se, tapas os olhos.
 Quando estamos os três na sala ou na cozinha, vens ter connosco e dizes sempre "chegou o mais bonito!". Sim, és o meu filho mais bonito mas és muito pouco fotogénico. Em 100 fotos, aproveita-se duas ou três! 
És chato também. Consegues repetir uma coisa n vezes, queres vencer-nos pelo cansaço. O teu irmão perde logo  a cabeça contigo quando entras nesses esquemas. Eu também. 
Andas doido pela bola e pelo Benfica. Gostas de cantar com o pai mas ficas envergonhado. És muito tímido, até com ele. Acho que tens medo de falhar. Detestas falhar ou perder. És inseguro, tu que tens tanta força dentro de ti; tu, que és, sem sombra de dúvidas, uma força da natureza. 

És um diamante em bruto. É preciso paciência e tempo para te lapidar. És constantemente uma fonte de surpresas. És por isso mesmo o amor da minha vida também. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Eu, quase 40, a parecer 25! Oh yeah!

Há uns tempos, fui fazer exames a tudo e mais alguma coisa. A médica, quando soube que não comia carne, quis ver se estava tudo bem quanto aos valores de proteína, B12, sódio, magnésio, cálcio e afins. Quis também verificar vários órgãos, desde o coração, ao fígado, aos pulmões e afins.
Estava nervosa porque desde a Joana, tenho sempre receio que me digam que tenho uma doença qualquer ou que estou com um déficit nutricional que me pode levar a uma doença grave. É um receio constante que me acompanha. Uma chatice.
No fim da consulta, a médica disse que os meus exames estavam "verdadeiramente fabulosos" e que tinha um corpo , por dentro, entenda-se, de quase 25 anos! 
Respirei de alívio! A hipocondríaca que há em mim está mais calma mas pelo sim, pelo não, vai continuar a beber em jejum um copo de água com spirulina, mesmo que saiba muito mal, porque está cheio de coisas boas e livra-nos das coisas más. Amém.

Aquele momento em que colocas a última peça do puzzle de mil peças...

...e verificas que afinal ainda te falta uma mas sabes de antemão que já a perdeste;
...e pensas no bom que foi fazê-lo enquanto bebes um chá quente;
...e pensas que não tarda nada, estás a fazer crochet.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? IV

Quando tens de comprar desodorizante para o mais velho...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

De 2017

O meu mais novo está, neste momento, numa sala de cirurgia. Está a ser operado a um testículo. 
Esteve sempre animado mas mesmo assim, deixaram-me entrar com ele para o bloco operatório até a anestesia fazer efeito, supostamente para não se assustar. Pois, mas assusta e muito a mãe. Nem sei como me aguentei, que ver enfermeiros e médicos à volta do meu filho, com tubos e coisas, é coisa para me causar uma ansiedade brutal é um ataque de choro descontrolado.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Quando é que sabes que afinal não estás assim tão crescida quanto isso? Pffff

Quando, na passagem de ano, vislumbras Bagdad ao longe (ou ao perto, vá) e agarras-te antes da meia-noite à sanita. 

Nota a ter em conta para sempre: gin, nunca mais. 

Quando é que sabes que estás crescida?

Quando decides passar a passagem de ano com o mano, pais e avó. 

E foi tão bom! 
(E até a avó dançou!)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

De 2016

Em 2016, os meus filhos cresceram muito. Estão cada vez mais prontos para voar. As suas asas estão mais ágeis: estão espertos, desenrascadas, ficam sozinhos em casa, vão as compras e viveram as suas primeiras aventuras nas férias, sem os pais por perto. Estão mais confiantes e seguros. Acreditam, e eu também, que podem e conseguem. O Tiago tornou-se num bom aluno. Gosta de aprender e gosta de saber e não estou forçosamente a falar da aprendizagem convencional da escola. Sabe montar e desmontar coisas elétricas, podar uma videira, limpar uma piscina. Conhece as civilizações Maias e egípcias, preocupa-se com os animais em vias de extinção, etc. O Pedro continua a viver no mundo dele, a isolar-se dos outros, quando lhe apetece ou quando não está para fretes. Tornou-se num rapaz curioso e criativo nas artes plásticas. Os desenhos, os recortes e as colagens são o mundo dele. Entrou para a primária e a professora fez-me um perfil um pouco diferente do filho cá de casa. É inseguro, chora nas aulas e diz que o mano é que sabe fazer e ele nem por isso. Estamos todos a trabalhar para que ele saia da sombra do irmão. Estou confiante que ele se liberte dessa ideia do que o mano é que é o maior. Em 2016, trabalhámos para isso. Está quase a perceber que são os dois os maiores!
Em 2016, tive, como sempre, um mês de agosto fantástico, rodeado das pessoas certas e que me fazem bem. As gargalhadas no mar quente com a Carolina, quando penso nelas, emocionam-me de tão genuínas e libertadoras que foram. Os "cá vai bomba" e gargalhadas dos miúdos também. E a água quente? Maravilha! E a festa da terra, os mergulhos na água fria! Que bom! 
Também deixei de fazer fretes e de estar com pessoas que coiso. Afastei-me de muita muita gente. Tornei-me mais fechada com os outros. Deixei de ter referências no meu local de trabalho. Deixei de me preocupar em agradar a todos. Deixei de ter pessoas com quem até se estava bem mas a quem faltava uma coisa ou com quem não conseguia construir uma ponte sólida. Mas depois, há aqueles sempre presentes que te bastam tanto.
Em 2016, corri muito, 874 km. Descobri que me estruturo, que me organizo e que me torno numa pessoa mais segura e também mais convencida quando corro. Fortaleci não só os gémeos e as coxas mas também a cabeça e o ego. Em 2016, participei em várias provas, de 10km, 15km, 21km e 28km. Retenho a corrida 1°de maio porque fui sozinha, sem a minha parceira, e cheia de energia e o trail dos 28 km que foram absolutamente desafiantes e difíceis. Veio comprovar do que nada é certo e que mesmo que se queira desistir, pois não, não se desiste. 
Em 2016, li 15 livros. Emocionei-me com uns e embirrei com outros. Pelo meio, descobri a best-seller italiana que me deixou sempre indecisa e que me fez oscilar de opinião ao longo de 4 volumes: é bom, é chato, parece uma novela, é um vício! 
Descobri a família Gallagher e fiquei fã deles todos. Apaixonei-me também pela série Narcos e pelas representações fantásticas de todas as personagens. Vi alguns filmes mas só recordo dois ou três e nem sei como se chamam. 
Em 2016 fui madrinha de casamento da minha prima e fui convidada para ser madrinha das duas filhas do meu primo. Fiquei orgulhosa. 
Fomos mais vezes à terra porque sinto que precisamos de raízes, de dizer "somos daqui". Sei que os meus filhos sentem a mesma coisa, uma certa pertença, quase uma vontade de dizer "isto é tudo nosso!".
O pai cá de casa fez 40 anos, o que me fez recordar que estou com ele há uma vida. Já percorremos um longo caminho, tropeçámos, chegámos mesmo a cair mas continuamos a seguir em frente, lado a lado, de mãos dadas, com os nossos filhos por perto. 
Fomos a Évora passar o Carnaval e o dia que passamos em Mourão é recordado com saudade porque foi perfeito e cheio de gargalhadas. O Pedro está sempre a dizer que quer lá voltar, ainda não sabe que não se volta aos lugares onde fomos muito felizes! 
Em 2016, a Elsa partiu e achei este mundo um lugar injusto e triste. E por falar num lugar triste, é incontornável dizer que 2016 foi um ano de horrores, ao qual não consegui fugir: as imagens que nos chegam da guerra da Síria são um exemplo entre outros igualmente chocantes. Mas foi também em 2016 que vi uma amiga deixar um lugar confortável num emprego bem remunerado e ir para a Grécia ajudar os refugiados. Ela é a prova que apesar das imagens e das palavras de ódio que encheram  2016, há sempre uma luz de esperança na humanidade.
Em 2016, fiz as pazes com o futebol graças à seleção. Tal como (quase) todos os portugueses, vibrei com a  vitória de Portugal no Europeu e vi, creio, todos os vídeos que havia na net sobre a seleção. O salto que dei para o colo do pai cá de casa, quando ganhámos, fica gravado na minha memória. Acho que foi mais do que uma vitória, foi sentir que éramos capazes e cresceu dentro de mim um sentimento do que era capaz também eu de conseguir seja o que for. Afinal, quando queremos muito, conseguimos.
Sim, 2016 foi isso tudo é mais, com certeza. 2016 rimou com determinação, esperança e confiança.


No museu do Aljube...

IDE visitar o museu da Resistência que é muito muito bom. Quisemos deixar a nossa mensagem. 
(Adoro a do Pedro.)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Quando é que sabes que o pai cá de casa não quer mais nenhum filho? - continuação do post anterior

Quando comentas com ele que giro que é estarmos com um bebé na cozinha e ele responde "sim,sobretudo porque sei que os pais o vêm buscar logo à noite",sem qualquer vontade de fazer uma gracinha mas porque sente mesmo o que diz. 

Ou

Quando lhe dizes com a afilhada ao colo,  "olha nós com uma menina, que giro" e ele reponde "eu com um bebé aos 40 e transformar o escritório num ginásio. Era bonito mas não, seria apenas a crise dos 40!"
E para rematar, saca do trunfo "e foste correr hoje? Ias correr com um bebé todos os dias, não é?" E não o disse mas li nos olhos dele um "I rest my case".

4

Ontem, fiquei o dia toda com as minhas primas/afilhadas. Uma tem 4 anos e a outra tem 9 meses. Pediram-me para ficar com elas e nem hesitei, que estamos cá para ajudar os nossos.
Mas estava nervosa com a mais pequena, com receio de fazer as coisas mal, de já não ter pedalada ou mesmo de já não ter jeito. 
 E depois, relembrei-me do que me tinha esquecido:
- com um bebé em casa, não consegues fazer mais nada sem ser tratar dele; 
- ter um bebé em casa que come bem é uma benção e meio caminho andado;
- adormecer um bebé com sono pode ser deseperante, sobretudo à noite;
- deitar-se ao lado de um bebé é maravilhoso; 
- mudar a fralda a um bebé gorducho dá-te uma vontade grande e quase irracional de dar beijos nas pregas das coxas.
- ter um bebé numa espreguiçadeira, no meio da cozinha, é coisa para te deixar com um sorriso no rosto;
- quando se está sozinha em casa com crianças, tens de as levar à rua, como se faz com os cães, para apanhar ar e oxigenar o cérbero!

Senti o olhar de admiração de algumas pessoas, como quem diz "uau, tem 4 filhos" e o olhar de julgamento "louca, 4 filhos!". Mesmo. Houve uma senhora de idade que me disse "que corajosa"! Eu aceitei o elogio e calei-me (até porque fui corajosa ao sair com 4 miúdos tão pequenos sozinha!)! 

domingo, 25 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 24

Procurem na árvore.

(Na oliveira do jardim, tinham as três atividades e tinham também a primeira pista para uma caça ao tesouro cujo prémio final era um vídeo personalizado do pai natal. Ver a cara deles a ouvir o pai natal a falar deles é maravilhoso e emocionante. Emocionante e cómico foram as duas atividades feitas depois do jantar...)

sábado, 24 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 23

Tirar uma foto nas máquinas de foto tipo passe.

[Muito bom]

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Quando é que sabes que tens filhos crescidos III

Quando ficam sozinhos em casa, três dias seguidos, enquanto vamos trabalhar. 

Calendário do Advento - dia 22

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Antecipámos a consoada!


Jantámos hoje na casa dos meus pais. Comeu-se polvo assado com batatas a murro e hortaliça, claro. Bebeu-se muito vinho e vinho do Porto* especial de corrida, de 1977, e  claro, comeu-se bolo-rei.   Recebemos prendas e tirámos fotos. Estreitámos ainda mais os afetos.

*A minha avó, em momentos de festa, bebe um cálice de vinho de Porto. Hoje não fugiu à tradição, já que festejámos o Natal. Sim, hoje, foi noite de Natal na casa dos meus pais. Não estaremos juntos no dia 24 ou no dia 25, mas não faz mal. Afinal de contas, o Natal é quando uma família quer e quisemos que fosse hoje! Tão bom!

Calendário do Advento - dia 21

Colocar um apontamento de Natal na entrada do prédio.

 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 20

Cada um faz um boneco de neve. (O pequeno é o do Pedro e o maior é do Tiago!)

Calendário do Advento - dia 19

Dar um abraço às pessoas que gostamos. 

domingo, 18 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 18

Ver as iluminações da cidade.

Calendário do advento - dia 17

Dormir numa cama gigante perto da árvore de natal.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Bilhete do Tiago

Tivemos reunião da primária e encontrei este bilhete do meu filho entre duas fichas. 
Que bom!

Calendário do advento - dia 16

Cantar músicas de Natal ao pequeno-almoço.

[Com direito a tudo: viola, vozes (des)afinadas e dança.]

(E adivinhem quem chegou atrasado à escola? Mas enfim, vá, no último dia de escola, who cares?! )