sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

De 2016

Em 2016, os meus filhos cresceram muito. Estão cada vez mais prontos para voar. As suas asas estão mais ágeis: estão espertos, desenrascadas, ficam sozinhos em casa, vão as compras e viveram as suas primeiras aventuras nas férias, sem os pais por perto. Estão mais confiantes e seguros. Acreditam, e eu também, que podem e conseguem. O Tiago tornou-se num bom aluno. Gosta de aprender e gosta de saber e não estou forçosamente a falar da aprendizagem convencional da escola. Sabe montar e desmontar coisas elétricas, podar uma videira, limpar uma piscina. Conhece as civilizações Maias e egípcias, preocupa-se com os animais em vias de extinção, etc. O Pedro continua a viver no mundo dele, a isolar-se dos outros, quando lhe apetece ou quando não está para fretes. Tornou-se num rapaz curioso e criativo nas artes plásticas. Os desenhos, os recortes e as colagens são o mundo dele. Entrou para a primária e a professora fez-me um perfil um pouco diferente do filho cá de casa. É inseguro, chora nas aulas e diz que o mano é que sabe fazer e ele nem por isso. Estamos todos a trabalhar para que ele saia da sombra do irmão. Estou confiante que ele se liberte dessa ideia do que o mano é que é o maior. Em 2016, trabalhámos para isso. Está quase a perceber que são os dois os maiores!
Em 2016, tive, como sempre, um mês de agosto fantástico, rodeado das pessoas certas e que me fazem bem. As gargalhadas no mar quente com a Carolina, quando penso nelas, emocionam-me de tão genuínas e libertadoras que foram. Os "cá vai bomba" e gargalhadas dos miúdos também. E a água quente? Maravilha! E a festa da terra, os mergulhos na água fria! Que bom! 
Também deixei de fazer fretes e de estar com pessoas que coiso. Afastei-me de muita muita gente. Tornei-me mais fechada com os outros. Deixei de ter referências no meu local de trabalho. Deixei de me preocupar em agradar a todos. Deixei de ter pessoas com quem até se estava bem mas a quem faltava uma coisa ou com quem não conseguia construir uma ponte sólida. Mas depois, há aqueles sempre presentes que te bastam tanto.
Em 2016, corri muito, 874 km. Descobri que me estruturo, que me organizo e que me torno numa pessoa mais segura e também mais convencida quando corro. Fortaleci não só os gémeos e as coxas mas também a cabeça e o ego. Em 2016, participei em várias provas, de 10km, 15km, 21km e 28km. Retenho a corrida 1°de maio porque fui sozinha, sem a minha parceira, e cheia de energia e o trail dos 28 km que foram absolutamente desafiantes e difíceis. Veio comprovar do que nada é certo e que mesmo que se queira desistir, pois não, não se desiste. 
Em 2016, li 15 livros. Emocionei-me com uns e embirrei com outros. Pelo meio, descobri a best-seller italiana que me deixou sempre indecisa e que me fez oscilar de opinião ao longo de 4 volumes: é bom, é chato, parece uma novela, é um vício! 
Descobri a família Gallagher e fiquei fã deles todos. Apaixonei-me também pela série Narcos e pelas representações fantásticas de todas as personagens. Vi alguns filmes mas só recordo dois ou três e nem sei como se chamam. 
Em 2016 fui madrinha de casamento da minha prima e fui convidada para ser madrinha das duas filhas do meu primo. Fiquei orgulhosa. 
Fomos mais vezes à terra porque sinto que precisamos de raízes, de dizer "somos daqui". Sei que os meus filhos sentem a mesma coisa, uma certa pertença, quase uma vontade de dizer "isto é tudo nosso!".
O pai cá de casa fez 40 anos, o que me fez recordar que estou com ele há uma vida. Já percorremos um longo caminho, tropeçámos, chegámos mesmo a cair mas continuamos a seguir em frente, lado a lado, de mãos dadas, com os nossos filhos por perto. 
Fomos a Évora passar o Carnaval e o dia que passamos em Mourão é recordado com saudade porque foi perfeito e cheio de gargalhadas. O Pedro está sempre a dizer que quer lá voltar, ainda não sabe que não se volta aos lugares onde fomos muito felizes! 
Em 2016, a Elsa partiu e achei este mundo um lugar injusto e triste. E por falar num lugar triste, é incontornável dizer que 2016 foi um ano de horrores, ao qual não consegui fugir: as imagens que nos chegam da guerra da Síria são um exemplo entre outros igualmente chocantes. Mas foi também em 2016 que vi uma amiga deixar um lugar confortável num emprego bem remunerado e ir para a Grécia ajudar os refugiados. Ela é a prova que apesar das imagens e das palavras de ódio que encheram  2016, há sempre uma luz de esperança na humanidade.
Em 2016, fiz as pazes com o futebol graças à seleção. Tal como (quase) todos os portugueses, vibrei com a  vitória de Portugal no Europeu e vi, creio, todos os vídeos que havia na net sobre a seleção. O salto que dei para o colo do pai cá de casa, quando ganhámos, fica gravado na minha memória. Acho que foi mais do que uma vitória, foi sentir que éramos capazes e cresceu dentro de mim um sentimento do que era capaz também eu de conseguir seja o que for. Afinal, quando queremos muito, conseguimos.
Sim, 2016 foi isso tudo é mais, com certeza. 2016 rimou com determinação, esperança e confiança.


No museu do Aljube...

IDE visitar o museu da Resistência que é muito muito bom. Quisemos deixar a nossa mensagem. 
(Adoro a do Pedro.)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Quando é que sabes que o pai cá de casa não quer mais nenhum filho? - continuação do post anterior

Quando comentas com ele que giro que é estarmos com um bebé na cozinha e ele responde "sim,sobretudo porque sei que os pais o vêm buscar logo à noite",sem qualquer vontade de fazer uma gracinha mas porque sente mesmo o que diz. 

Ou

Quando lhe dizes com a afilhada ao colo,  "olha nós com uma menina, que giro" e ele reponde "eu com um bebé aos 40 e transformar o escritório num ginásio. Era bonito mas não, seria apenas a crise dos 40!"
E para rematar, saca do trunfo "e foste correr hoje? Ias correr com um bebé todos os dias, não é?" E não o disse mas li nos olhos dele um "I rest my case".

4

Ontem, fiquei o dia toda com as minhas primas/afilhadas. Uma tem 4 anos e a outra tem 9 meses. Pediram-me para ficar com elas e nem hesitei, que estamos cá para ajudar os nossos.
Mas estava nervosa com a mais pequena, com receio de fazer as coisas mal, de já não ter pedalada ou mesmo de já não ter jeito. 
 E depois, relembrei-me do que me tinha esquecido:
- com um bebé em casa, não consegues fazer mais nada sem ser tratar dele; 
- ter um bebé em casa que come bem é uma benção e meio caminho andado;
- adormecer um bebé com sono pode ser deseperante, sobretudo à noite;
- deitar-se ao lado de um bebé é maravilhoso; 
- mudar a fralda a um bebé gorducho dá-te uma vontade grande e quase irracional de dar beijos nas pregas das coxas.
- ter um bebé numa espreguiçadeira, no meio da cozinha, é coisa para te deixar com um sorriso no rosto;
- quando se está sozinha em casa com crianças, tens de as levar à rua, como se faz com os cães, para apanhar ar e oxigenar o cérbero!

Senti o olhar de admiração de algumas pessoas, como quem diz "uau, tem 4 filhos" e o olhar de julgamento "louca, 4 filhos!". Mesmo. Houve uma senhora de idade que me disse "que corajosa"! Eu aceitei o elogio e calei-me (até porque fui corajosa ao sair com 4 miúdos tão pequenos sozinha!)! 

domingo, 25 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 24

Procurem na árvore.

(Na oliveira do jardim, tinham as três atividades e tinham também a primeira pista para uma caça ao tesouro cujo prémio final era um vídeo personalizado do pai natal. Ver a cara deles a ouvir o pai natal a falar deles é maravilhoso e emocionante. Emocionante e cómico foram as duas atividades feitas depois do jantar...)

sábado, 24 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 23

Tirar uma foto nas máquinas de foto tipo passe.

[Muito bom]

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Quando é que sabes que tens filhos crescidos III

Quando ficam sozinhos em casa, três dias seguidos, enquanto vamos trabalhar. 

Calendário do Advento - dia 22

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Antecipámos a consoada!


Jantámos hoje na casa dos meus pais. Comeu-se polvo assado com batatas a murro e hortaliça, claro. Bebeu-se muito vinho e vinho do Porto* especial de corrida, de 1977, e  claro, comeu-se bolo-rei.   Recebemos prendas e tirámos fotos. Estreitámos ainda mais os afetos.

*A minha avó, em momentos de festa, bebe um cálice de vinho de Porto. Hoje não fugiu à tradição, já que festejámos o Natal. Sim, hoje, foi noite de Natal na casa dos meus pais. Não estaremos juntos no dia 24 ou no dia 25, mas não faz mal. Afinal de contas, o Natal é quando uma família quer e quisemos que fosse hoje! Tão bom!

Calendário do Advento - dia 21

Colocar um apontamento de Natal na entrada do prédio.

 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 20

Cada um faz um boneco de neve. (O pequeno é o do Pedro e o maior é do Tiago!)

Calendário do Advento - dia 19

Dar um abraço às pessoas que gostamos. 

domingo, 18 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 18

Ver as iluminações da cidade.

Calendário do advento - dia 17

Dormir numa cama gigante perto da árvore de natal.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Bilhete do Tiago

Tivemos reunião da primária e encontrei este bilhete do meu filho entre duas fichas. 
Que bom!

Calendário do advento - dia 16

Cantar músicas de Natal ao pequeno-almoço.

[Com direito a tudo: viola, vozes (des)afinadas e dança.]

(E adivinhem quem chegou atrasado à escola? Mas enfim, vá, no último dia de escola, who cares?! )

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 15

Há pessoas que têm pouco. Vamos ajudá-las a passar um Natal melhor.

(Recolha de alimentos para o bairro 6 de maio organizada pela escola deles).

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 14

Ouvir músicas de Natal ao jantar. 

[Invariavelmente, acabou connosco a dançar e pular, no meio da cozinha, a nossa música oficial de Natal: All I Want for Christmas da Mariah Carey. Adoro a ideia de dançar sempre com eles quando ouvimos essa música.]

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 13

Enviar um vídeo de natal a alguém especial.
(Quiseram enviar ao pai, quando estávamos a regressar da escola.)

Da minha ingenuidade

Durante o jogo Benfica-Sporting, a câmara filma JJ que nesse preciso momento está a dizer um valente palavrão. 
O Tiago vira-se para o pai e diz "disse foda-se" como quem comenta o tempo frio que se sente. O pai pedagogo que consegue ter dentro dele durante um derby repreende o filho, blá blá blá, que isso não se diz, blá blá blá, que temos de saber que há linguagem que não ... and só on.
E tu Tella Marie, o que disseste ou fizeste? 
Nada, não fiz nem disse nada.
Estava apenas em estado de choque com a palavra proferida. 
Juro, juro mesmo, que tinha a certeza que o meu filho não conhecia tal palavra.
 Juro, juro mesmo, que pensava que ele nunca a tinha ouvido. 
Juro, juro mesmo, que pensava que mesmo que eventualmente a conhecesse, jamais a diria num tom super normal, como quem diz "o Sporting, coitado, está sempre a perder!"
Juro, juro mesmo, que continuo a pensar que ele não sabe, por vezes, o que diz.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 12

Jantar à luz das velas. 
[E ano após ano, continua a ser um dos jantares mais serenos ]

domingo, 11 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 12

Ver um filme de Natal e comer pizza na sala!


(Só que o calendário do Advento não sabia que hoje era dia do benficaXsporting -realmente, dirão alguns. Decidiu-se então manter a pizza e substituir o filme pelo jogo.)

sábado, 10 de dezembro de 2016

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? II

Quando vamos os quatro, num sábado à noite, ver um concerto dos Deolinda, ficar na primeira fila, encostados à grade, e curtir à brava. 

 

Calendário do Advento - dia 10

Escrever ao pai natal.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 9

Andar num carrossel.


(E houve uma louca aos gritos, a ter uma espécie de ataque de ansiedade, na roda gigante porque tem medo das alturas!)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 8

Fazer bolachas alusivas ao Natal e oferecer algumas aos vizinhos do 4° andar.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 6

Deixa uma mensagem de Natal nas portas dos vizinhos. 


(Foi uma excitação muito grande para o Pedro descer as escadas do prédio pé ante pé para ninguém nos ouvir!)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 5

Abre a porta e debaixo do tapete está...

 

(Uau, que loucura encontrar um livro! Nem se questionaram de onde vem, como se tudo o que fosse ligado ao Advento fosse mágico! Nem lhes passa pela cabeça como somos nós!!!)

Calendário do Advento - dia 4

Tirar fotos em frente à árvore de Natal. 

sábado, 3 de dezembro de 2016

Quando é que sabes que tens filhos crescidos?

Quando, num sábado chuvoso, ficas no sofá a ver um filme para "crescidos", como diz o Pedro.
Vimos "Race", um filme que não é do outro mundo, mas que fala de jogos olímpicos, nazismo, corridas, coragem e determinação. 
Tivemos apenas de contextualizar as coisas (o que é o nazismo, o que é a segregação racial e quem é aquele gajo baixo de bigode) e responder às várias perguntas  (Mas porquê? Mas mataram os judeus? Mas o que são judeus? Nao gostavam de pretos?  Porquê? Etc.)

O Tiago adorou e qui dar 10 estrelas naquela coisa de votação online e tenho agora o Pedro a soltar no meio do corredor, como o Jesse fez no filme (e na realidade). 

Calendário do Advento - dia 3

Fazer um enfeite para a porta de casa

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Calendário do Advento -dia 2

Fazer um piquenique junto da árvore de Natal!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Calendário do Advento - dia 1

Fazer a árvore de Natal

A mãe que há na professora e a professora que há na mãe

Uma das  (muitas) coisas difíceis que tenho de saber gerir é essa coisa da escola, que bem sabem, é muito mais complexa do que a amamentação!
Tenho sempre muito de mãe nos meus alunos:  percebo as suas zangas quando um funcionário ou até um professor lhes diz, num momento mais infeliz, num momento de maior desgaste, qualquer coisa menos simpática, sinto o cansaço deles depois de umas rondas desgastantes de testes e a frustração de terem dado muito do seu esforço para, por vezes, terem resultados aquém do investimento ou da expectativa. Sou a primeiro a dizer-lhes que não são apenas números nos testes, que têm um mundo dentro deles que é tão mais importante que um número num teste, que são a soma de várias vivências, experiências e aprendizagens e não, felizmente, apenas a média de dois testes. Acabo sempre por dizer-lhes que não somos, felizmente, uma tabela do Excel. É preciso lembrar-lhes, pois a minha escola, como muitas que por cá andam, pauta-se pela exigência e os miúdos mais sensíveis, menos focados, podem rapidamente perderem-se e perder a motivação pelo ensino.

Tenho sempre muito de professora nos meus filhos. Tive uma reunião com a professora do meu filho e comecei a dizer "acho que o Tiago é um aluno...". A professora, e bem, corrigiu-me "é um menino".
Exigo-lhe boas notas. Não quero, e é quase regra de ouro, que tenha notas abaixo do Bom, como se ele fosse apenas uma nota ou uma classificação, esquecendo-me de tudo o que digo e acredito. Quero que dê o seu melhor, achando que o seu melhor é aquele Bom. Hoje, saiu da escola em lágrimas porque o teste de português foi horrível. Não o acabou, não teve tempo de passar a composição do rascunho para a folha de teste, nem uma linha.  Sei que  tem um ritmo mais lento e em vez de arranjar soluções para o ajudar a ultrapassar este handicap, em vez de lhe dizer que na próxima, faz o teste com um relógio ao lado, que ainda há muitos testes pela frente, que passamos e a escrever textos juntos, com temporizador como se fosse uma bomba, que ele tem um mundo cheio de histórias para contar, saio-me com uma pérola "andas sempre a olhar pro dia de ontem, por isso não acabaste o texto!". Arrependi-me logo e pedi de imediato desculpas mas ele, sensível como é, ficou ainda mais triste. Que infeliz, I know. Digo uma coisa num sítio e atuo de forma diferente num outro, apesar de achar que tenho razão em ambos os casos (ou não, ou não).

A questão aqui é: como é que tenho menos de professora na mãe que há mim e menos mãe na professora que há em mim?