quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Livro 1 - 2019

Não é nada de especial, até chega a ser aborrecido em determinados momentos, mas aprendi muitos factos históricos e tive curiosidade em googlar o nome de vários ministros da Rainha.
 Fui ler também muita coisa sobre a história do Brasil, desde o grito de Ipiranga até à instauração da República e sobre a Rainha Vitória de Inglaterra. 
Gosto mesmo de História e tenho mesmo uma coisa com as Rainhas e Reis deste e doutros reinos. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

A pergunta que incomoda...

Estamos há 6 anos na mesma casa e como nunca tivemos tanto tempo numa, decidimos procurar outra. Uma rápida pesquisa na Internet veio confirmar-nos o que já sabíamos: Lisboa não é para a nossa carteira.  Alugar por alugar, ficamos aqui, apesar das várias coisas que me chateiam.
De repente, uma ideia surge e verbaliza-se uma pergunta: e se voltássemos para a nossa casa na margem sul? Os miúdos já estão crescidos e já podem andar de transportes públicos e temos uma casa que ainda nos encanta...
O Pedro, que não tem recordação nenhuma da nossa casa, diz que quer voltar, até porque, passo a citar "foi a casa onde eu nasci". O Tiago recorda-se do espaço verde nas traseiras da casa e diz que quer ir jogar futebol para a rua.
E de repente, eu que já disse, cheia de certezas (ya, right!), que não voltava nunca mais para os subúrbios, dou por mim a pensar nessa hipótese de noite e de dia e até a fazer listas de prós e contras.  
Na balança, o que importa: estar perto do local de trabalho e demorar de carro 10 minutos  ou estar numa casa grande, com muita coisa que não tenho nesta, mas ter de andar de transportes públicos e demorar pelo menos 40 minutos?

Dúvidas pá! 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Por cá, estamos assim...

Ando agora cabisbaixa, mais introspetiva, sem energias e cinzenta por dentro (e por fora também). Há uma certa melancolia, um sentimento que brota de je ne sais où e que quer je ne sais quoi. Não é insatisfação, mas também não sei bem o que é. É uma inércia que me impede de fazer coisas, até as que mais gosto, tais como correr, ir ao ginásio ou ainda conversar com as pessoas.  
Sei de antemão que há de passar, que não se pode ser sempre feliz ou triste, que tem de haver noite e dia,  yin-yang, preto e branco and so on. 

Fico por vezes de boca aberta com determinadas pessoas que estão sempre eufóricas, sempre a fazer coisas, a combinar mil coisas, aqui e ali e aparentemente de sorriso na cara. Se calhar, estou simplesmente a ficar velha. Não digo que não mas prefiro pensar que estou cada vez mais em sintonia com os ciclos da Terra. No inverno, devíamos todos fazer como a Natureza: hibernar, dormir mais, estar voltados mais para dentro, fazer uma pausa nesta vida louca para ganhar folego para as próximas estações. 
Mas se calhar pensar assim também é de alguém que está a ficar velha... 





segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

9 anos

Já tentei escrever este post 4 ou 5 vezes. Não me sai anda. 
Melhor, saem umas linhas, umas frases que já escrevi sobre ele nalgum momento específico mas que não chegam a dizer quem é o Pedro e o que ele significa.

O Pedro é aquela pessoa que chegou há 9 anos para me desconcertar, para virar o meu mundo ao contrário, para me pôr em causa, para me questionar, para me baralhar, para me fazer perder a cabeça em menos de um segundo, para me amar, para me abraçar como mais ninguém o faz, para se rir comigo ou para partilhar silêncios.

[Entretanto já escrevi mil frases, que apaguei. Não consigo pôr em palavras o Pedro. Ele tem de ser vivido e sentido para se perceber, para se entender.]

O Pedro ainda é o meu bebé por ser o mais novo, apesar dos seus 9 anos, da sua autonomia, da sua força, da sua teimosia.
É um dos amores da minha vida. 

Amor de manos

O Tiago recebe desde do dia de anos uma semanada. Com esse dinheiro, resolveu comprar uma prenda de anos para o irmão no valor de 30 euros. "Quero que o mano saiba que tenho muito carinho por ele". Ainda tentei dissuadi-lo, que não são necessárias prendas para dizer às pessoas o quanto gostamos delas, mas ele insistiu até porque "tu, mãe, nunca ofereces prendas a ninguém e custa imenso não receber nada e não quero que o mano sinta isso!" 
[Pumba mãe!]

Hoje de manhã, naquele abraço de parabéns e de agradecimento pela dita prenda, sentimos tanto amor e tanta ternura entre os dois, que ficámos, o pai cá de casa e eu, com o coração cheio. 

Alguma coisa estamos a fazer bem pá. 

domingo, 20 de janeiro de 2019

A terapia do Pedro

O meu Pedro foi convocado para defender as balizas do seu clube contra o SLB, no escalão acima do dele. 
Já tinha sido convidado para treinar com os miúdos mais velhos. Foi sempre orgulhoso, feliz e sem medo da bola. A dedicação trouxe-lhe um prémio: a convocatória de hoje. 
Fui com ele ao jogo e durante todo o caminho o alertei que podia ficar no banco o jogo todo. Quis baixar a expetativa. 
Fez o aquecimento muito concentrado mas sempre com sorriso nos lábios. Jogou 10 minutos da segunda parte. Fez 2 boas defesas mas sofreu 4 golos. O sorriso manteve-se sempre no rosto. 
Depois do jogo, cujo resultado é obsceno, perguntei-lhe como se sentia. O meu rapaz, sempre de poucas palavras nessas coisas de falar das suas emoções, disse-me que estava normal e que já só pensava em melhorar para ser chamado outra vez para o escalão dos Benjamins. 

Quem me dera que ele tivesse a mesma atitude com a escola...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Uma das minhas histórias de 2018 - relato

Acho que nunca o mencionei aqui, mas a minha família materna é de Riba de Ave / Famalicão.
Na minha infância, era muito próxima dela. Aos 12 anos, os meus avós deixaram a França e depois disso só passava uns dias com eles nas férias até aos meus 15 anos. Depois, a distância, a adolescência e o facto de não ter amigos por lá, afastou-me cada vez mais. Era mais team Castanheira de Pêra. Assim, fui deixando o Norte.

Em França, dormia todos os fins de semana na casa dos meus avós. Criaram-me a mim e ao meu irmão. A minha avó contava-me histórias sobre a família que estava lá longe, em Portugal. Contava-me coisas que eu nem entendia na altura, coisas como "o tio Zé fez mal à tia Gina e tiveram de casar" ou " um homem aproveitou-se da Zeza e ninguém quis ficar com ela".  Falou-me da experiencia de aprender a ler já adulta, da morte dos seus 4 filhos, uns já crescidos com 8 ou 9 anos e dos gêmeos que morreram com poucos dias de vida. Falava-me do pai dela, que era da guarda republicana e da avó dela, professora da primária.  Adorava ouvi-la contar aquilo tudo. Pedia-lhe mais, sempre mais. Aos fins de semana, íamos as duas dar grandes passeios, a apanhar lenha e flores. A Dor, a cadela rafeira branca e castanha, acompanhava-nos sempre. Recebi sempre muito amor da minha avó. Muito mesmo. 
O meu avô era....complicado. Era um homem que lia muito banda-desenhado, que me cozinhava uma coisa chamada "Pastelão", que eu adorava e que só comia com ele. Quando estava em casa, sentava-se à lareira e via filmes atrás de filmes. Adorava os westerns. Ainda tentara ver um ou outro clássico com ele mas nunca gostei, até porque sabia que os índios eram os bons e que os americanos eram os maus. 
Nunca me contava histórias até porque raramente estava em casa. Tinha uma amante, a Duponcelle e é estranho como a nossa cabeça não apaga determinados nomes. Essa senhora vivia em frente à minha casa e o meu avô passava lá horas e dias da sua vida e juntamente com o marido dela. Cresci a ouvir o meu pai sussurrar à minha mãe "o teu pai já ali está".
A minha mãe passava por vezes por eles os dois e não dizia nada. Olhava para o chão, mas se ele estivesse na casa dele, com a minha avó, falava-lhe bem. Acho que nunca lhe pediu satisfações, nunca se virou para o pai a dizer "Mas que merda chega a ser essa?". Nunca disse à minha avó, creio, "anda para casa que o pai não vale nada!" 
Aos fins de semana, ele regressava à casa apenas para dormir e fazer uma ou outra refeição. Se vinha em dia não, embirrava com todos, menos comigo. Ficava sempre feliz ao vê-lo. Adorava-o, apesar de tudo o que ouvia acerca dele. A minha avó contava-me "Ele está com aquela puta", assim, com todas as letras. "Ele gasta o dinheiro todo com a puta". Era verdade, porque o meu pai muitas vezes enchia a despensa da minha avó. "Ele só gosta da puta". Era mentira. Gostava de mim também, mas não a contrariava. 

Eu sempre me habituei a ver o Renault 12 azul do meu avô estacionado ao lado da minha casa e vê-lo no jardim da outra. Aprendi também a não cumprimentá-lo quando ele lá estava. Que estranho que é agora revisitar esse tempo. Se me lembrar, um dia, hei de falar disso tudo com a minha mãe. 

Entretanto, numa viravolta que não sei explicar, os meus avós rumaram definitivamente a Portugal e a vida da minha avó apaziguou-se, talvez. 

Em novembro, fomos ao norte e fui ver os meus avós. Não estava com eles há dois anos. Que vergonha. 
Os meus filhos não queriam ir, que era uma seca, que da última vez que lá estiveram não gostaram de muita coisa and so on. Percebi-os porque tinha sentido o mesmo. Mas fomos na mesma.
Quando a minha avó me abriu a porta (e não sabia que ia lá), disse-me "Tella, caralho, estás bonita!, que a minha avó é genuinamente do Norte, não haja dúvidas! Foi um abraço tão bom, tão quente. O meu avó, já muito debilitado, não me reconheceu e nem quando lhe disse quem era. Aí as lágrimas caíram bastante. Ao fim de algum tempo, lá se fez luz e pediu desculpas. 
Depois, sentamo-nos à mesa. Foram buscar fotografias minhas, nossas. Falámos de muita coisa e até dos pastelões de bacalhau que ele me fazia em miúda! Um dia desses, volto a fazer essa iguaria, a ver se funciona como a madalena do Proust. Estivemos lá muito tempo. Os miúdos gostaram de lá estar também e de ouvir algumas histórias. Despedimo-nos e a minha avó disse-me que já não me ia ver mais, que era uma despedida definitiva.
Saí de coração quente. 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Foi talvez a melhor passagem de ano de sempre.

Começou com um aperitivo com uns amigos que vivem em Leiria e que iam para a Sertã mas que fizeram questão de passar pela terra para bebermos uns copos na tasca mais tasca que possam imaginar. Foi comovente pensar que só passaram por lá para nos darem um abraço. Esta gente, que fez a festa comigo há dois anos e com quem fiz a festa em 2018, é do coração. Mesmo.

Jantámos os 4 em frente à lareira e foi um jantar muito emocionante. Houve muitas lágrimas, minhas e do pai cá de casa. Fizemos declarações de amor uns aos outros e falámos do que realmente queríamos para 2019. Houve um momento em que o Pedro me disse "Aguenta Tella, aguenta e não chora!". Foi um jantar bem regado também... Aproveitámos e fizemos vídeo-chamadas com as pessoas especiais: os meus pais, os meus sogros, o meu irmão, os meus primos e a Carolina recebeu um vídeo que eu já estava cansada de tanta choradeira, mas uma choradeira alegre... Já vos disse que o jantar foi bem regado? Pois... Houve também cantoria e danças a 4. Tão mas tão bom e divertido!

Antes da meia-noite, fomos os 4 para o adro da igreja. Levamos bebidas e a coluna de som. Entrámos em 2019 ao som das 12 badaladas da capela e da Daniela Mercury... (Don't ask!). 

E depois fomos para a vila onde foi a loucura, com as tascas todas abertas e com concerto de rua. Os miúdos regressaram mais cedo, tipo 2h00,  mas nos ficámos lá até tarde, muito tarde. Não me perguntem até que hora, que não me lembro da última parte da noite...