domingo, 14 de maio de 2017

39 anos

Hoje faço 39 anos.
A madeixa branca alarga-se e agora tende a deixar de ser madeixa porque os cabelos brancos resolveram espalhar-se um pouco por todo o lado  Continuo a viver com ela e a pensar que dá pinta, como da ao Cloney ou à Lagarde, e que é fixe assumi-los. As rugas em torno dos olhos também, embora, vá, não sejam ainda do outro mundo. Tento, através do desporto, que o corpo não se deixe arrastar pelo tempo que passa. Quero-o ágil e tonificado. Aí sim, quero enganar o tempo, correr para fugir dele. 
Este ano, ao contrário dos outros, não estou naquela coisa de "ah e tal, isso passa tão rápido, já é metade da minha vida e coiso". Sinto serenidade no ano antes dos -entas. 
Tenho 39 anos, dois filhos que me enchem muito, um pai cá de casa que está sempre ao meu lado e de quem me orgulho muito, dois gatos que me enchem tudo de pêlo mas que são parte da família, um mano e  uma sobrinha que assentaram, desde sempre, praça cá dentro, uns pais e uns sogros amigos que são avós importantes para os meus filhos, uma avó maravilhosa de 91 anos, por quem sinto um afeto cada vez mais forte e a Carolina, que não sendo família, o é. Ponto. Tenho amigos, poucos mas bons, com os quais rio, choro e converso. 
Sou uma felizarda. Tenho uma vida, que não sendo perfeita, com a graça do senhor, é fixe. La vie est un long fleuve tranquille. E isso, vale ouro, mesmo com 39 anos. Os números foram sempre demasiados valorizados, essa é que é essa. 
Venham outros 39 que cá estou para lhes mostrar que são um nada. 

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