Assim é que se fala!

Li este testamento no blog Arca dos Tesouros, num comentário escrito pela Papu que depois, claro, virou post.

"(...)Quanto ao quereres que ela durma a noite toda, também te entendo perfeitamente, ainda por cima se estás a trabalhar, é vital que ela te deixe dormir o mais possível. Mas, pessoalmente, acho que isso é mais uma evidência do pouco tempo que temos - que nos deixam ter - para os nossos filhos. O tempo deles não é o mesmo que o nosso, e o nosso é ditado por condições exteriores à nossa vontade e ao que é natural, infelizmente. Com sete meses é perfeitamente natural que ela não durma a noite toda, é até cedo demais para a gente fazer essa "exigência". É mais um sinal desta nossa pressa de que eles cresçam, desta nossa pressa para onde a vida nos empurra. Há coisas em que devíamos parar um pouco para pensar, e aceitar que eles ainda são demasiado pequeninos para conseguirem.

Infelizmente a vida nem sempre nos permite fazer estas pausas. Infelizmente a vida tantas vezes está contra a natureza. Mas também faz parte do nosso papel de pais reflectirmos sobre estas coisas, e mais do que reflectir, pensar em tentar que elas mudem. Elas não mudam de um dia para o outro, nem sequer de um ano para o outro. Mas se não partir de nós - das mães, dos pais - não vai partir de ninguém.

Há países em que a licença de parto é um ano, noutros até é mais. Para nós é uma coisa impensável, mas porquê? As coisas têm de partir de algum lado. E o lado melhor é a consciência dos pais.

Nós muitas vezes esquecemos a benção que temos em casa - a de ter filhos saudáveis, neste caso, emocionalmente. Acredita que é uma benção. Mas também faz parte dessa benção a gente querer "esticar" sempre mais um bocadinho. Não é grave. Mas também é importante dar-lhes tempo - respeitar o tempo deles. O ritmo deles. Que nunca é igual ao nosso, e muitas vezes puxa exactamente para o lado contrário."

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