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Um mês de dieta com 3 festas de anos pelo meio

Ainda não consigo entrar nas minhas calças 38, embora tenha perdido volume. [E como vou resistir à imperial, ao vinho e à sardinha no pão no próximo mês?]

Aquele momento em que sabes que estás a fazer alguma coisa de jeito

Três colegas do Pedro vieram ter comigo. Pensei que fosse para fazerem queixas porque começaram com aquela vozinha de menina bem "mãe do Peeeedro AAAAAA" , arrastando o nome dele. Ui, pensei, o que será agora? Contaram-me que o Pedro era o rapaz mais simpático da turma e que sabia perder. Era o rapaz que melhor sabia perder. Pára tudo. Preciso de fazer um ponto de situação para vos falar do meu Pedro. O meu rico filho tem imensas qualidades mas tem também alguns pontos menos positivos, vá. Por exemplo, como vive na bolha dele, não é particularmente simpático com os outros e DETESTA perder. O professor de Educação  Física do ano passado fazia questão de comentar comigo essa sua característica. "O teu filho tem muito mau feitio quando perde." ou "Ele amua e por vezes tem de ficar de castigo quando perde."  Cheguei a esconder-me ou a sair do refeitório quando o via nos dias em que tinha EF. True story.  Voltando às 3 meninas... Quando as ouvi dizer...

Como despachar o estudo dos nossos filhos?

Embora cada vez mais autónomo, o Tiago precisa nas vésperas dos testes que lhe faça perguntas. Cheia de vontade, not, de o ajudar, fiz-lhe uma pergunta cuja resposta era "a vulva". Foi incapaz de dizer a palavra, apenas se riu, envergonhado. "Oh pá, ó Tiago, a sério? Então vá, fala-me agora de ejaculação. " Ele, entre o embaraçado e o riso infantiloide, tira-me o manual da mão, dizendo-me "Não consigo. Esquece." E assim me estiquei no sofá durante uns bons 5 minutos. Obrigada programa de Ciências. 

Livro 17 - 2019

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O narrador é um padre, figura fascinante sem dúvida. É ele que relata a história da Rainha Ginga, mulher que tem fascinado desde sempre o imaginário feminino africano mas também alguns europeus da época. Confesso que nunca tinha ouvido falar dela. Mas na verdade a história centra-se mais no padre, em plena crise de fé e nos acontecimentos e conquistas de terras no Brasil e em África. E peca por isso. Gostava que a Ginga fosse o centro da história. Lê-se bem mas falta-lhe qualquer coisa.

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XXXV

Quando os teus filhos transforam o livro de Ciências Naturais do 6°ano na primeira Gina deles! (- Ahahah, mano, olha as maminhas!" - São gordinhas!)

A não perder: He named me Malala

Acabei de ver um documentário (com 3 turmas do 7ºano) sobre a história da jovem Malala e a sua luta pela educação das meninas no mundo: "He named me Malala". O filme está muito bem realizado e tem, nalguns momentos, uma certa ingenuidade - coisa que apreciei bastante.  Quando acabei de o ver, senti-me pequena perante pessoas que se agigantam, sem medos, pelo que acham certo. Quando crescer, quer ser um pouco como a Malala.  Ver trailler aqui.  Está disponível na Netflix mas também o encontram facilmente na Net. Vale muito a pena.  [Os meus alunos ficaram rendidos à Malala e claro, já a seguem no Instagram. Eu também.]

41 anos

Por mim, fazia 40 anos todos os anos e pronto, não se falava mais nisso.  Mas apesar de não poder parar o tempo, gosto de fazer anos. Envelheço, é certo, mas estou cá, rodeada da minha gente, a ver os meus filhos a crescerem (bem) e isso, comparado com as rugas, os cabelos brancos e tudo o que daí advém, é o melhor do mundo.  (41 anos, mas de acordo com a minha GO, uns ovários de 27 anos! A idade, tão relativa, certo?)  
Morreu hoje o filho mais novo da minha avó.  [Um homem sobre o qual talvez um dia escreva umas linhas. Um homem por quem não nutro / nutria qualquer tipo de afeto. Um homem a quem não falava há uma década. Um homem mau, na verdade. ] Hoje morreu o filho mais novo da minha querida avó e tenho muito medo da reação dela quando souber. Um coração de 93 anos resiste à morte de um filho, à carne da sua carne?  

Livro 16 - 2019

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Há uns anos, li o livro "Breviário das más inclinações" do mesmo autor [5 estrelas by the way] e gostei imenso da história e do ambiente rural, pobre e superciticioso dos anos 40 / 50 do século XX. Relata muito bem um Portugal que já foi. Fiquei desde então com o nome do autor na cabeça. Somente agora trouxe a "A Casa do Fim". São 10 contos cujas narrativas decorrem no mesmo ambiente rural e onde a morte está sempre a pairar. Não gosto de ler contos, por isso talvez não tenha gostado muito do livro. As histórias são interessantes mas acho sempre que sabem a pouco. 

Quando é que sabes que tens filhos crescidos? XXXIV

Acabei de matricular o Tiago no 7º ano; no 3º ciclo. Deixem-me ir agora beber um chá de camomila para acalmar um pouco. 

Dieta

Estou oficialmente de dieta há uma semana. Houve três gotas de água. A primeira foi ouvir o Tiago a sussurrar ao irmão "a mãe está gordinha"; a segunda foi ter de comprar calças 40 porque não entro nas minhas calças 38 e a última foi ter encontrado uma foto minha em biquini em frente ao espelho da casa de banho com um corpo todo seco e quase fit, datada de 2017.  Depois de ler muitas coisas, decidi fazer o seguinte: - Não comer hidratos ao lanche e jantar; - Aumentar ligeiramente a proteína; - Voltar a consumir Kefir ao PA; - Não comer processados e doces (aquela regra básica que segui e que deixei de seguir, sem saber a razão.  Buuuuuh para mim, eu sei!); - Usar à aplicação My FitnessPal, que conta as calorias e nutrientes; - Fazer exercício físico todos os dias, ou quase todos os dias; - Não comer queijo (o grande sacrifício, sem dúvida); - Não beber álcool (outro sacrifício...); - Pesar tudo o que como em casa. A ver se volto a entrar na minha roupa...

Livro 15 - 2019

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Num grupo feminista do FB, alguém comentou um caso de violência doméstica citando este livro. Fiquei curiosa.  O livro mostra de forma muito clara o que leva uma mulher a ficar anos ao lado de um homem que a espanca: a forma como se anula e é anulada, como se torna cúmplice do seu agressor ao encobrir que é mal tratada, como vive acorrentada ao medo que a incapacita de agir, como se acha culpada por desapertar ódio no marido, etc. Acho que toda a gente devia ler o livro para perceber o que se passa com estas mulheres, em vez de as julgar. Quem nunca ouviu ou leu coisas como "Está com ele porque quer." Eu já e muitas. Há momentos muito crus e violentos. As passagens com o filho cortaram-me o coração mas apesar disso tudo, o final torna-se inverossímil e estraga um pouco a coisa. É uma pena.  "...quando uma das suas mãos se fincou no meu braço. A dor permaneceu atrás quando a outra mão bateu na minha face (...). Rapidamente os seus braços fortes enlaçaram-...

Acordei às 5h20 e não consigo dormir: um post para passar o tempo.

Cá em casa, não se vê televisão. Durante a crise, deixámos de pagar para ter tvcabo e com apenas 4 canais, nem valia a pena ligá-la. Mas víamos, obviamente, séries sacadas ou ainda filmes. Aliás, no início eram mais filmes do que séries. Habituamo-nos a ter uma televisão na sala para ver filmes / séries em streaming e os jogos do Benfica e  Seleção e a da cozinha sempre desligada. Não temos box, aquela coisa que permite que vejas depois e pões para trás mas temos Netflix e HBO, este último somente durante um mês de experiência porque queria muito ver "A Amiga Genial". Já agora, recomendadíssima. A Netflix é um vício cá em casa. Andamos a ver séries umas atrás das outras. Temos de tudo: as minhas séries, as séries do pai cá de casa, as séries que vemos os dois, as séries do Tiago, os desenhos animados do Pedro, as séries que vemos a 4. E depois temos os filmes, embora se vejam poucos filmes aqui. E depois, claro, temos falta de tempo para ver o que queremos. Ou ...

"Isso dói tanto"

A Fifi morreu. Os miúdos ainda não sabem. Estão a dormir. Como é que lhes vou dizer? Se me fizerem perguntas sobre ela, digo a verdade ou minto e espero pelo fim do dia? Felizmente, nunca passaram pela experiência de perder alguém próximo. Vão vivenciar a coisa através da morte da nossa gata. Como é que se diz a um filho que um membro próximo morreu? Desculpem se vos ofendo referindo-me a ela como alguém próximo.  É que cá em casa, sem vergonha nenhuma, humanizamos os nossos animais. Dormem connosco, na cama. Descansam no sofá, como nós. Se necessário, comem ao nosso colo, à mesa. Na verdade só a Fifi é que o faz -que o fazia, perdão mas ainda não a sei escrever no passado. Gostamos dos nossos animais mais do que gostamos do vizinho do 6°andar, sem dúvida. O nosso amor não tem de ficar limitado aos humanos, só isso. Cá em casa somos 6 ou éramos 6. Todos com um espaço especial no coração uns dos outros.  Por isso, hoje, estivemos, os meus filhos e eu, no hospital com a n...

Depois da viagem, o anticlímax.

Mal abrimos a porta de casa, percebemos que a Fifi não estava bem. Estava prostrada, muito muito magra, sem forças para sair da cama, quase a desmaiar. Fomos logo para o Hospital veterinário onde ficou internada com 1,600 kg e com a temperatura a descer.  E toda a euforia de Londres desapareceu num ápice. 

A nossa viagem

Foi absolutamente fantástico. Londres é tudo aquilo que se diz, vezes 100. É cosmopolita, vibrante, multicultural, organizada, divertida, prática, bonita, etc. E ainda por cima ensolarada! Sim, apanhámos temperaturas entre os 24 e 28 graus.  Fizemos tudo o que era cliché: Wetminster, Buckingham Palace, Covent Garden, mercado dos punk, Tower Bridg e, Museu da Ciência, Museu de História Natural, que nos deixou de boca aberta logo na entrada, o National Gallery onde os meus filhos viram o seu primeiro Van Gogh e o seu primeiro Da Vinci! Enfim, seguimos um roteiro turístico mas também passeámos pelos inúmeros jardins da cidade onde almoçámos sempre. Fizemos piqueniques, tal como as centenas de londrinos que quiseram aproveitar o sol. Tive inveja da relação deles com os jardins. Que pena não termos a mesma coisa por cá.  Acabámos sempre o dia nos pubs a beber cerveja. Aí, jogávamos coisas improvisadas. Foi tão divertido que o Pedro riu-se tanto que caiu da cadeira e que nos ...

Livro 14 - 2019

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Não é o melhor livro do GGM mas é escrito com mestria.  Há todo um fio condutor que nos leva aos cantos mais insólitos da viagem/leitura. Vamos lá bem fundo e regressámos a um outro cruzamento , para seguirmos outro trilho. E nunca nos perdemos porque ele sabe conduzir-nos pela narrativa. Pelo caminho, mostra-nos coisas bonitas e fala-nos do amor e do envelhecimento. "...se tivessem sabido a tempo que era mais fácil ultrapassar as grandes catástrofes matrimoniais que as misérias minúsculas do dia-a-dia. Mas se alguma coisa tinham aprendido juntos era que a sabedoria só nos chega quando já não nos serve para nada." "Era ainda demasiado jovem para saber que a memória do coração elimina as más recordações e exalta as boas e que, graças a esse artifício, conseguimos suportar o passado."

Então, panicaste?

O pai cá de casa olhou para mim e sussurrou "não grites".  Fechei os olhos, agarrei na mão do Pedro que me disse baixinho "ah Tella, não paniques" e consegui controlar-me respirando como alguém que está a ter um ataque de asma,  durante alguns minutos.  Acalmei-me cada vez mais e fui sentindo-me relaxada.  Nunca saberei se a coisa correu bem porque 1)  tinha uns pais de uns alunos atrás de mim e há toda uma postura a manter;  2) Nossa Senhora do Chilique intercedeu por mim, abençoada seja;  3) os calmantes deram-me uma agradável sensação, bastante parecida àquela que se tem quando se bebe 3 imperiais quase de seguida num dia de verão.  Os desígnios das crises de ansiedade são insondáveis. [Entretanto o Pedro comunicou-nos, quase no embarque, que já não tinha medo de morrer porque não havia pessoas estranhas que iam controlar o avião...]

"Tu vais panicar"*

Há uns anos para cá, tenho tido ataques de ansiedade provocados sobretudo por alturas (a última foi em novembro na torre dos Clérigos), descidas acentuadas (a ultima foi ao tentar atravessar uma estrada de burros no meio da Lousã, com o sogro e miúdos em frente ao carro a limpar a estrada de árvores e pedregulhos), ravinas (houve uma aproximação de ataque, foi só um ligeiro panicanço, quando fomos fazer o trail de Montejunto), de AVC súbitos que me dão  (um dia conto...) e é por isso que sei que vou panicar* amanhã no avião (e só a ideia fez com que o coração ficasse mais oprimido). [Entretanto, o Pedro apareceu no quarto a chorar a dizer que tem medo de morrer no avião. Devia ter percebido que algo o inquietava porque recomeçou com os tiques há 3 dias.]  Os miúdos já me viram chorar, ter dificuldade em respirar, falar alto, aos gritos "não consigo, não consigo", arfar, ficar descontrolada. Panicar* a sério, vá. Já me avisaram que ia ter medo, de certeza e qu...

Constatação dolorosa

Olho para o Tiago e não vejo um único traço de bebé ou até mesmo de criança que foi. Os olhos são a única coisa que não mudaram. Tudo o resto está diariamente em mutação.  Está grande, cheio de força, de vitalidade e com um apetite insaciável. Não consegue estar sossegado. Precisa constantemente de se mexer, de gesticular ou de falar. Vejo crescer dentro dele uma grande ebulição, um turbilhão de hormonas. Se por um lado me agrada vê-lo crescer, tornar-se num adolescente simpatico, correto, divertido qb e giro; por outro assusta-me a adolescência. Sei que o vou perder para os amigas/os e namoradas/os, isso não me assusta. Assustam-me as palavras: aquilo que poderá ser dito ou feito nos momentos de zanga e que poderão minar durante décadas as nossas relações. Assuta-me não conseguir ajudar a equilibrar as emoções: as nossas e as dele, deixando de ver claramente o que realmente interessa. Assusta-me a ideia de deixar de haver momentos de cumplicidade e afeto.  Já me disseram...