Em véspera de ir de férias, um texto sobre o trabalho
Há pessoas cujas vidas se resumem ao trabalho. Trabalham 10/11/12 horas por dia. Quando não estão a trabalhar, estão a pensar no trabalho ou a receber uma chamada ou a consultar um email ou a ler uma mensagem. A cabeça não descansa. O telemóvel e/ou o relógio inteligente nao deixam.
Há frases que repetem . "Tenho muita coisa para fazer". E têm. De certeza que têm.
As conversas com essas pessoas, por vezes, limitam-se aos temas relacionados com a vida laboral. Com o tempo, pergunto-me se só saberão falar sobre isso.
Vivem tensas, irritadiças e veem o lazer, ou o não fazer nada, como uma coisa que só pode ser para os outros, quase um luxo. O trabalho pode ocupar todo o espaço como aquela espuma expansiva das obras, poli qualquer coisa, porque haverá sempre mais uma coisa a fazer. Por isso, temos de resistir a tentação de pensar que conseguiremos deixar tudo em dia, porque nunca estará.
[Sei que há pessoas que trabalham 12 horas porque a vida é difícil, não é uma escolha, mas uma questão de sobreviver aos preços loucos dos supermercados, das rendas, de tudo . Não falo delas, obviamente.]
Dito isso, o trabalho é uma coisa importante da vida, mas não deve ser a única vida que temos.
Este texto é um lembrete da pessoa que quase fui no segundo período. Quando caí em mim, travei a fundo. Regressei às leituras, ao ginásio, às conversas na hora de almoço (pois até aí trabalhava), às series e ao estar sentada sem fazer nada.
Quero ir para a minha ilha, fazer delete a isso tudo, regressar e reler este texto sempre que o trabalho for too much e eu achar que tenho de o fazer já todo hoje.
Mantra: o trabalho não me identifica.
Agora sim, venham as férias!
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