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Novo visual

Mudei a imagem do blog, que já estava ultrapassada.  Percebi que também eu estou ultrapassada naquelas questões que têm  vocábulos associados à web,  às coisas de formatação e/ou programação de um blog. Mudei coisas sem saber o que estava a fazer. Aquele "do you want to save the doc?" em versão super hermético. Nunca dei parte fraca e fui clicando no "yes", "save" e outros que tais. Não andamos todos, em determinados momentos, a navegar em sítios difíceis e incompreensíveis? E ainda assim, avançamos sem saber qual o resultado final. Neste blog, também. Dito isso, entrem. Puxem uma cadeirinha,  que a idade não perdoa - por mim falo - e desfrutem de um blog que continuará igual a si própria. (Enfim, já me conhecem há muitos anos e sabem que melhor, é improvável. A tendência será talvez piorar. Por isso, desculpem se não está ao vosso gosto. Também não fiquei fã.)

Run Tella, run

 Não corro desde o dia 6 de maio. Embora todos os dias, todos, pense que devia correr, a verdade é que me faltam a vontade e o entusiasmo na hora H.  Há dias que o Pedro, atleta a sério,  quer ir correr. Não treina há muitos dias e não quer perder intensidade ou lá o que é, nas férias. Não lhe ligo nada, fingindo que não o oiço.  Ontem, pôs o relógio a despertar às 7h e foi acordar-me. Estava a sonhar e senti no meu sonho alguém a abanar-me. Era ele a acordar-me. Fiquei tão lixada por sair daquele sonho (já não me recordo dele, naturalmente) que me passei com o miúdo. "PEDRO, ESTÁS DOIDO. VAI PRA CAMA! JÁ!". Quando o fui acordar, horas depois, pedi-lhe desculpas.  Hoje de manhã,  o meu telemóvel tocou às 7h. O sacaninha pôs alarme no meu telemóvel para me acordar e irmos correr. Desliguei-o e voltei a dormir. Acordei às 9h e fui chamá-lo. "Vamos correr?". Fomos. Corremos 5km ao sol e ao calor, no sobe e desce das ruas da Graça e Alfama. Foi horrível, mas fo...

Diferenças

Ontem, à saída da praia, encontrei uns ex-alunos. Meteram conversa comigo. Às tantas, no meio do grupo, aparece uma outra aluna que está no mesmo ano que o meu mais novo. À noite, trocaram sms e o Pedro disse-me que ia estar na praia, com os colegas da escola, no dia seguinte. Assim fez. Passou a tarde toda de hoje com miúdos entre os 11 e 19 anos (um já está na faculdade). No total, era um grupo de 11/12 miúdos.  O que fez o meu mais velho a tarde toda?  Ficou com a mãe a jogar Uno e a dar toques sozinha na bola.  - Ó filho, vai ter com o teu irmão. Ele também não conhece (quase) ninguém, mas estão todos na mesma escola.  - Mãe,  tu sabes que o mano é popular lá no colégio, mas eu não.   [O Pedro é sempre uma surpresa!]

Livro 23 - "O Jogador"

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 "O Jogador" - Dostoievski Vim passar uns dias fora, mas só trouxe um livro. Que parvoíce! Ao segundo dia, já não tinha nada para ler. A  casa onde estamos tem uma estante peculiar. Tem muitos clássicos, mas nem sempre estamos com vontade de ler coisas densas, n'est-ce pas?  Fiz então "um dó li tá" e saiu-me um russo. Agarrei nele a pensar que ia desistir muito em breve. Na verdade, nada disso aconteceu. Gostei do livro e da forma como fiquei presa à trama.  A história decorre na Alemanha, em Rouletasburgo, e o jovem Alexsei conta-nos como sucumbiu à paixão compulsiva e irracional pelo jogo. O jovem é preceptor da família de um General russo decadente e mostra-nos com objetividade que há também outro tipo de jogo,  fora do casino: as pessoas mesquinhas que vivem as suas vidas em função do que conseguirão ganhar se ficarem com esta ou aquela pessoa. É uma análise atual da sociedade, feita com ironia e graça, sobretudo através da personagem da "avó ". 4 ...

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando estás na praia, decides tirar uma soneca e acordas com os braços completamente dormentes, sem conseguir mexer. [E pensei "Ai Tella, que decadência!]

Livro 22 - "A Noite Não é Eterna"

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 "A Noite Não é Eterna" - Ana Cristina Silva Mais um livro da Ana Cristina Silva... A qui, a ação decorre na Roménia,  durante a ditadura de Ceausescu. Uma mulher perde o filho por causa e para (d)o Estado. Seguimos então os passos dela para o reaver,  para ultrapassar o luto, a dor e a tristeza. Há referências aos orfanatos romenos, cujas imagens me deixaram angustiada aos 11 /12 anos, à fome que vitimou um povo, à "Mãe dos Romenos",  à polícia política e acaba com a revolução.    Lê-se mas não me acrescentou muito. 3 estrelas.  [O livro fez-me lembrar a minha passagem de ano de 89/90, em que antes de me sentar à mesa, vi na televisão parte do julgamento, as imagens dos dois tiranos mortos e a festa do povo romeno. Mais do que a queda do muro, foram as imagens da revolução de Bucareste que me marcaram e que me despertaram para um mundo fora das paredes da minha casa.]

Livro 21 - " Mil Sois Replandescentes"

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  "Mil Sois Replandescentes" - Khaled Hosseini (Devolvi hoje o livro à biblioteca sem tirar uma foto.) Trouxe este livro depois de ler uma review de uma amiga. É a história de duas mulheres afegãs, de gerações diferentes, cujas vidas ficam ligadas porque estão casadas com o mesmo homem.  Ao mesmo tempo que acompanhamos as vidas (tristes) das duas mulheres, percebemos as convulsões políticas e militares do país: os soviéticos, as guerrilhas entre fações religiosas, a tomada de poder e o terror dos talibãs e a chegada dos Norte-americanos.  É um livro que mostra as tradições culturais e a violência sobre as mulheres no Afeganistão, que nada tiveram (e nada têm agora novamente, que tristeza) e que nada podiam fazer, enclausuradas em casa, em burkas e num mundo atrofiado. Gostei do livro porque a história cativa-nos e perturba-nos, porque a realidade é  diferente da nossa e porque no meio da violência, a amizade entre as duas mulheres é comovente. Para mim, os livros tê...

Livro 20 - " As Fogueiras da Inquisição "

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 "As Fogueiras da Inquisição " - Ana Cristina Silva Requisitei o livro por causa da autora, que fiquei a conhecer graças à Carolina.  Este romance narra a história de uma família judaica portuguesa, durante os reinados de d.Manuel I e d.João III. A família  converte-se ao cristianismo, por uma questão de sobrevivência,  mas pratica a sua fé judaica às escondidas.  O livro fala-nos do medo, do subterfúgios para enganar a Inquisição, dos autos da fé, das denúncias, etc. As personagens existiram e às tantas, a  personagem da "Senhora" - Beatriz de Luna - também aparece. (Há muitos anos, li uma biografia romanceada da " Senhora " e fiquei absolutamente rendida a essa mulher destemida e louca qb.) ou Damião de Góis.  Gostei mais ou menos do livro, mas estava à espera de mais. Dei-lhe assim 3 estrelas. 

Livro 19 - "A Longa Viagem"

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 "A Longa Viagem" de Jorge Semprun Neste grande livro, o autor faz o relato da sua viagem, enquanto deportado, de França para um campo de concentração na Alemanha durante a segunda guerra mundial. Conta-nos como venceu a morte, como outros morreram naquele vagão frio. O livro começa assim :" Há neste amontoado de corpos no vagão, esta dor lancinante no joelho direito. Os dias, as noites. Num esforço tento contar os dias, tento contar as noites. Quatro dias, cinco noites." O relato é contado 16 anos depois de ocorrido e mistura-se com várias lembranças do autor: a sua chegada à França (é refugiado espanhol, "soldado vermelho"); momentos de sobrevivência dentro do campo de concentração; colegas na guerra e nos campos;  quando é preso pelos SS; o momento da libertação; os homens famintos aquando da libertação; o regresso à vida; momentos anos depois da libertação em que qualquer som o faz mergulhar novamente nos campos. E a viagem, a dura viagem durante a qua...

Relato do futsal - continuação do post anterior

AVISO: antes de ler este post, leia o post anterior. Algumas rectificações: - O torneio tinha 12 equipas e não 16; - Não foi a organização que não quis uma final Benfica vs. Benfica. Foi o Benfica B, que jogou a meia-final connosco, que se retirou do torneio e assim subimos automaticamente à final.  - Perdemos 7-0. Os adversários jogaram muito. Tínhamos como objetivo marcar pelo menos um golo. Para isso, arriscaram sempre muito  e o Pedro subiu muito lá acima, para a posição de guarda-redes avançado. Sofremos dois ou três golos de baliza aberta. Isso irritou muito o meu filho, que cumpria as indicações dos treinadores contrariado. Sentia-se culpado quando sofria assim um golo. Foi ele que menos gozou o jogo. Achava que podiam ganhar e claro, não sabe perder quando assim pensa. Está convencido ou é determinado? Fica assim a coisa no ar. [Que neura, senhores, que mau feitio! ] - Encerramos a época desportiva do Pedro.  - Na quinta-feira, vai o Tiago para um torneio lá para ...

Relato de futsal

O meu mais novo está há 4 dias num torneio de futsal no Norte. O meu mais velho e eu, viemos ter com ele (e com o pai cá de casa, que por acaso é treinador dele), na sexta ao final do dia. São 16 equipas a disputar o torneio. Ontem, os nossos jogaram contra o Benfica B na meia-final. Foi um jogo intenso. Eu estava tão nervosa que considerei sair do pavilhão a meio.  Os nossos miúdos estavam super cansados e ansiosos. O Pedro sofreu um golo ao minuto 5 e desatou a chorar. Quis ser substituído, mas o colega dele, mais inseguro e nervoso, não queria entrar nem o mister o queria tirar. Pausa no jogo pedido pela nossa equipa técnica. Dizem que nesse minuto de desconto, o mister-pai cá de casa fez um discurso moralizador. Voltaram a entrar e wow, que transformação! E que nervos! Avisei o meu filho mais velho que ia dizer palavrões. Aguenta filho, que foi esta a mãe que te calhou.  O torneio passa-se num super pavilhão com 4 jogos a decorrer sempre ao mesmo tempo e de repente te...

Depois das aulas

 Pela primeira vez, inscrevemos os nossos filhos em atividades de verão. Nunca senti necessidade de o fazer porque havia sempre uma casa junto à praia com piscina e a presença dos avós. De repente, a casa foi-se e eu comecei a pensar que eles não podiam ficar os dias todos em casa agarrados aos telemóveis e à PS.  O meu mais novo está numas férias desportivas cujo objetivo é fomentar a ideia do que podem ir onde querem de bicicleta.  Sabem onde foram hoje?  Foram à Costa da Caparica. Foram do centro de Lisboa para a praia da Costa (tendo atravessado o Tejo de barco, com a bicicleta). Incrível,  não acham? Demoraram uma hora e meia para lá chegar. Deram uns mergulhos,  secaram, foram fazer paintball em São João e depois regressaram. Tudo de bicicleta.  Estou fã. Ele também. 

Livro 18 - "A Deusa Sentada"

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 "A Deusa Sentada" - Helena Marques Há muitos anos, 17-18 talvez,  li "O Último Cais" da autora. Gostei muito do livro, que fala sobre as mulheres de uma família do século XIX, na Madeira, mulheres duplamente presas: nos casamentos e na ilha... Na quarta-feira, quando fui à biblioteca, vi um livro da Helena Marques e resolvi trazer porque sim. Este  fala de duas primas que vão passar uma semana para Malta para tentar descobrir a história de um antepassado que saiu da ilha de Malta para ir viver para a Madeira. Podia ser um bom livro,  mas não o é.  É péssimo e cheio de clichés e frases feitas.  É um tédio. A única coisa positiva é a descoberta de Malta e dei por mim a ir googlar imagens, restaurantes, comidas e preços de voos para a capital.  Duas estrelas.  [Que saudades de ler um livro daqueles que nos cativa , que nos prende, que nos transporta... ]

Livro 17 - " A Casa Grande de Romarigães"

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 "A Casa Grande de Romarigães" - Aquilino Ribeiro Sempre ouvi falar de Aquilino Ribeiro,  mas nunca tinha lido nada dele. Já tinha pensado que devia lê-lo, que não fazia muito sentido ler autores estrangeiros sem conhecer os nossos. Assim, numa ida à biblioteca da escola, trouxe este.  É a história da Casa Grande, solar situado num Minho rural e analfabeto, crente e supersticioso e das várias gerações de fidalgos que por lá passam. Há momentos engraçados, mas não fiquei fã.  Deste romance, há a reter uma coisa sobretudo: é um livro escrito num excelente português. Tão excelente, que tive dificuldades em ler. Tropecei em muitas palavras cujo significado desconhecia e nem pelo contexto chegava lá.De duas em duas frases, quase. Uma canseira. Usei muito (mas mesmo muito) o Priberam. Isso tirou encanto à leitura. Ainda por cima, nem sei se retive na cabeça 5% das palavras consultadas...  Dei-lhe 3 estrelas, mas recomendo a leitura, sobretudo para perceberem como o Aq...

L'école est finie

Mães e pais deste blogue, brindai ao último dia do ano letivo! Sobrevivemos, pá! (Se ainda tendes os filhos na primária,  aguentai mais uns dias! Coragem! )

Fazer amigos

Temos saído nesta época festiva lisboeta com várias pessoas. Encontramo-nos na praça, junto à barraca do clube de futsal do miúdo mais novo.  Não temos muitos amigos por minha causa. Sou uma pessoa anti-social e introvertida por natureza. Para além disso, às vezes, as pessoas aborrecem-me e eu também acho que aborreço os demais. Mas, de repente,  gosto de estar com alguns daqueles pais, cujos filhos andam no futsal com o Pedro, em tudo diferente de nós, mas todos com sentido de humor. Vejamos: Há a família conservadora e católica, profundamente generosa e interessante. E quase queque também. Sou fã deles.  Há a família liberal, super instruída e positiva, com gostos semelhantes aos meus no que diz respeito à leitura. Há a família comunista, militante a séria,  que nos perguntou já se tínhamos comprado a nossa EP e que consegue encaixar a palavra "coletivo" ou "coletividade" em várias ocasiões.  Há a família tipicamente lisboeta, nascida e criada nos bairros típi...

Livro 16 - "Crónicas do Mal de Amor "

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"Crónicas do Mal de Amor" - Elena Ferrante Ofereceram-me o livro há 3 ou 4 anos. São 3 pequenos romances (de 100 páginas), que já foram publicados separadamente, mas que agora estão reunidos neste livro. Quando o recebi, comecei logo a ler, mas nada me cativou e encostei-o à prateleira.  Há pouco tempo, uma conhecida estava a acabar o livro e a comentar comigo que não tinha gostado nada da primeira história, mas que as duas seguintes eram muito boas. Depois disso, enviou-me uma sms a falar do livro e não resisti. Retomei a leitura.  A primeira é má.  Não gostei  A segunda história ou romance chama-se "Os Dias do Abamdono". Conta a história de uma mulher, com dois filhos, que é abandonada pelo marido. É uma leitura perturbadora, claustrofóbica e forte. A mulher fica à deriva. Cai num abismo grande. Perdeu a sua identidade, ao perder aquele homem. Quem era sem ele? Era igual a ele? Não consegue viver sem ele? Nunca foi ela?  Nunca teve voz sem ele? Os temas subjac...

Fim do 3°ciclo

O meu mais velho acabou o 3°ciclo e sobreviveu. É uma etapa difícil e exigente: muitos professores, muitas disciplinas, muitos testes e muitos trabalhos. Num momento en que as suas cabeças começam a dispersar, o 3° ciclo não consegue contê-los, mantê-los focados. Ajuda a dispersar mais ainda com tanta coisa.  Acho que os confinamentos, momentos onde a escola foi muito mais light e menos rígida, ajudaram a que as notas se mantivessem mais altas do que merecia. Foi sempre um aluno de 4 a tudo, do 7° ao 9° ano, com exceção de E.F e Cidadania. Aqui, chegou ao 5's.  Durante 3 anos, teve sempre as mesmas notas. Foi e é um aluno regular.  Vai para Economia, embora sempre tenha dito que queria ir para Ciências. Acho que se vai arrepender mas veremos como será. Eu estou um pouco ansiosa com a sua escolha, mas há um momento em que temos de sair de cena e deixá-los fazer o que querem  Este é um deles, parece-me.

Quando é que sabes que tens filhos crescidos?

Quando vais para a cama cedo e acordas as 2h15 da manhã para ir buscar o teu mais velho às 3h00!

Livro 1 -Tiago

Dizia-lhe que era uma vergonha não ter lido nenhum livro este ano. Ele lá se desculpou com os testes, os treinos, mas nem ele acreditou nas suas palavras. "Mãe, é uma seca ler. Prefiro ver netflix ou estar no telemóvel." Com aquele ar tão característico dos miúdos de 14 anos, ouviu o meu discurso de mãe chata sobre a importância da leitura. De repente, interrompe-me para me dizer "Mãe,  li um livro: O Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente. E foi muito fixe." Se não for a escola a impor a leitura, eu não consigo fazê-lo. Já não consigo obrigá-lo. Pode ser que volte dentro de alguns anos ao prazer da leitura.