terça-feira, 12 de julho de 2016

CAMPEÕES! (Ainda sobre o Euro 2016)

Já toda a gente disse o que tinha a dizer sobre o Euro 2016, mas ainda assim e correndo o risco de ser repetitiva e cair nos vários clichés, também eu quer dizer o que sinto sobre o tema.

O futebol, para mim, assenta em crenças irracionais, completamente primitivas, superstições do arco da velha: a camisola n.10 tem de ser vestida; a sogra não pode sentar-se no sofá porque os adversários aproximam-se sempre, nessa hora, da nossa baliza; se eu fizer dois agachamentos seguidos agora mesmo, o perigo foge; se agarrar no meu Pedro e disser que vão marcar, eles marcam, porque uma vez resultou...and so on...
Domingo, às 20h00, depois de um arrepiante hino em que tivemos todos de pôr a mão no peito, em que ensinámos aos filhos que assim é que se fazia, senti que íamos ganhar. Porquê? Pela Elsa! A Elsa adorava, delirava, respirava futebol. E por ela, com ela, por causa dela, íamos ganhar, uma forma de repor um pouco de justiça com ela, de escrever um pouco mais certo por linhas hiper tortas. Partilho quase esta certeza com o meu grupo de amigas. Três dizem exatamente a mesma coisa, também elas pensaram a mesma coisa. Não há coincidências, não há. Uma crença irracional, mas quase palpável. 
O jogo é o que sabemos. Arranjaram forma de lixar o Cristiano e aí já era muita coincidência, Portugal vai ganhar pela Elsa e pelo nosso CR7. A borboleta (sim, aquilo não é uma traça, não me lixem!) é mais um símbolo. 
Foram vários gritos, várias caralhadas, vários agachamentos e o golo do Eder, que para mim, era gajo que não corria nada porque só o conhecia do último Mundial...
E que golo*, pá, o momento de gritos, de abraços, de lágrimas e de um salto meu para o colo do pai cá de casa como nunca houve. Os minutos seguintes vividos da mesma forma que os restantes portugueses...mas com agachamentos (não fosse o diabo tecê-las e ter de ir a penaltis...). Apito final. Campeões. Campeões. Campeões. 
Ronaldo levanta a taça e as lágrimas caem-me. Pela Elsa, por Portugal, pelo meu pai que foi trabalhar cabisbaixo depois da meia final contra a França em 1984, pelos milhares de imigrantes que chegaram à França nos anos 50/60 a viver nos bairros de lata onde o meu avô também viveu e que, cabisbaixos, foram trabalhar nos empregos que os franceses não queriam (nem querem agora), pelos imigrantes que são da segunda e terceira geração, que não sabem sequer falar a língua de Camões, apenas a de Voltaire, mas que se embrulham numa bandeira Lusa e que gritam "às armas, às armas" e pelo meu Pedro, a quem agarrei e disse "tens 6 anos mas vais lembrar-te sempre do dia em que viste a tua mãe e o teu pai loucos, aos gritos, felizes, o dia em que Portugal foi campeão", por todos nós que passamos a acreditar que sim, podemos.

E depois fomos para a rua que tamanho feito tem de ser partilhado, comentado e festejado em grupo. E relatado aqui.

*Quando o Eder recebe a bola, estava a fazer o meu segundo agachamento...True story

3 comentários:

manue disse...

agachamentos? lol

manue disse...

agachamentos?? eh eh

Raquel Ribeiro disse...

Oh pá! Isso é que é ter superstições!! Aqui em casa tava tudo doido...mas sem agachamentos!! Lol

Beijocas