sábado, 12 de maio de 2018

Faltam 2 dias para os 40!

Aos 10 anos, nao achava nada sobre ter 40. Devia olhar para os meus pais -  a minha mãe com 31 acabados de fazer e o pai quase a fazer 38 - e não pensar nada sobre a idade deles ou talvez que fossem velhos, não sei. A única coisa que queria saber era a idade que teria em 2000. Agarrava na máquina calculadora e digitava (digitava ou marcava?) 2000 -1978. Ficava sempre a olhar para o resultado - 22 anos, uau - como algo inverossímil. 
Aos 40, olho com ternura para a Tella de 10. O ano 2000 foi só mais um ano e parecia, nessa coisa do tempo, algo extraordinário.  

Aos 20, embora fosse uma pessoa completamente diferente do que sou hoje - vivia encolhida, com medo, na sombra de terceiros, resumidamente -  olhava para as mulheres de 40 anos e não as via como mulheres maduras mas como pessoas que pertenciam a um outro universo. Pessoas quase no fim da vida. A minha mãe com 41 anos e o meu pai com quase 48 eram pessoas distantes também por causa da idade. Eram seres de outro mundo, com uma idade que não queria ter e que achava que não ia ter. Achava que o tempo não ia passar por mim, que não ia fazer estragos e que ia sempre viver na minha zona de conforto. 
Aos 40, olha para a Tella de 20 com um um certo sorriso paternalista: pensava que sabia tudo e na verdade não sabia nada.

Aos 30, tinha acabado de ser mãe pela primeira vez e as hormonas só me faziam olhar para o meu Tiago, o sol da minha vida. Olhava para as mulheres de 40 com a certeza de que não queria lá chegar porque queria apreciar cada segundo do meu filho e queria que cada segundo durasse dias para poder ter o tempo todo do mundo para ele e só para ele. Aos 31, fui mãe pela segunda vez e reiteirei ainda mais a certeza do que queria congelar o tempo. Queria ter 30 e poucos para sempre e ter os meus bebés para sempre perto de mim. As mulheres de 40's estavam quase sempre cansadas e eu não queria sentir esse peso. Agora percebo, chegar aos 40 é um trail lixado, com subidas penosas e descidas técnicas, logo essas com as quais não atino, n'est-ce pas Carolina?Aos 30 -31, o meu mundo, com dois recém-nascidos, era calmo e os 40's estavam longe e indesejáveis. Depois, chegaram os 33 e foi o que foi....Adiante, que já falei deles.
Aos 40, olho para a Tella dos 30 com pena: iludida pelas hormonas, achava que conseguia fazer tudo, que conseguia abraçar este mundo e o outro. 

Aos 40, olho para mim com otimismo. Tenho projetos para realizar [o mais importante é fazer dos meus filhos homens felizes que tenham a capacidade de fazer os outros também felizes], tenho sorrisos para distribuir e tenho a consciência que a vida é o que é. La vie est un long fleuve tranquille*. 

*Acabei de tomar uma decisão: vou tatuar esta frase. Se ainda conseguir hoje, era o ideal. 

1 comentário:

Mary QA disse...

Tão bom este post! E lê-lo a dias de completar 40 faz com que ganhe um outro significado! E não acredito na forma como acaba, e no post que se lhe segue! Eh valente!

A mãe de uma amiga disse-me há uns tempos (não me disse a mim, disse alto para todos ouvirem numa festa, mas se calhar ninguém a ouviu, só eu!) que os 40 são um desafio. São mesmo um desafio, em que tudo o que acreditamos é posto em causa, em que de repente somos mesmo confrontados com a nossa mortalidade, com o tempo que nos resta, com os projectos que não realizamos e que não vamos, de facto, realizar. Nós iremos confrontar-nos com a adolescência dos nossos filhos, quando esta era dourada em que o pior que acontece são as birras acabar, vamos deixar mesmo de ter controlo sobre tudo o que se passa na vida deles.
Mas tal como tu sinto-me positiva e cheia de força para enfrentar os desafios! Sinto que dou 10 a 0 à Mary dos 30 (e 20 a 0 à dos 33, oh idade difícil, senhores!).
Bora lá fazer um post ainda mais bonito que este aos 50!