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Ainda sobre a marcha

Saí ontem com o pai cá de casa com a intenção de ir beber uma imperial ao arraial da Mouraria. Nada disso aconteceu. Não bebi cerveja, não jantei e só consegui comer uma torrada em casa à uma da manhã, bastante cansada. Querem saber? Acabei a noite a carregar arcos da Marcha em cima de uma carrinha da Junta, a descarregar os ditos arcos no Meo Arena, a assistir a Marcha no pavilhão, a carregar novamente os arcos na carrinha, mas já com a ajuda dos aguadeiros e finalmente a descarregar aquilo tudo na sede do clube. Que cansaço! Não perguntem como nem porquê... Houve um problema, o pai cá de casa teve de o resolver e eu achei que o devia ajudar. Estive por trás do palco, com não sei quantas marchas, num frenesim doido, cheio de cores e a carregar arcos!  Foi giro ver, mas meto-me em cada uma... Confirmo: as marchas são chatas, mas a minha marcha é linda. Estiveram muito bem, embora os marchantes estivessem super desmotivados depois da prestação deles. Como foi a primeira vez que vi a...
Hoje o meu mais novo teve o último jogo oficial com as cores do clube dele. Acabou o campeonato. No fim do jogo, vão sempre dar o grito final com a bancada. O  mister  resolveu dizer coisas bonitas e simpáticas, de certeza, mas eu não estava em condições de o ouvir por causa da comoção que tomou conta de mim. O Pedro chorava baba e ranho. Todo ele tremia. Como capitão, ele dá sempre o grito. Pensei que não o fosse fazer, por causa das lágrimas que lhe caíam copiosamente pela cara abaixo. Fê-lo, porque foi o seu último grito oficial. Capitão até ao fim.  Custou-me muito ver a tristeza do Pedro. O CDG é uma das suas paixões, mas é hora de partir... Veremos se consegue aguentar o ritmo da 1a divisão nacional. Quero acreditar que sim, mas não sei... (já me conhecem, sou mãe de baixas expetativas...) .  Custa-me também deixar aquele escalão. São pais com quem estou há 8 anos. Não são amigos, porque eu sou pouco de ter amigos, mas são pessoas que estimo, com quem já me div...

Rien de rien (um título que relembra a Piaf, mas que nada tem a ver com a Piaf)

 Abro esta página para escrever qualquer coisa e...nada. Um vazio.  Ocorre-me apenas que o nada não está somente aqui, no blog, e na minha cabeça. Está um pouco em todo o lado: na minha conta bancária quando o mês está a chegar ao fim, no olhar perdido de alguns alunos, nas respostas sistemáticas dos filhos quando lhes pergunto " Algo novo? Está a pensar em quê? Que cenas fixes fizeste hoje?" ou  "podes repetir o que disseste?" já num tom mais seco. Nesta última, o nada vem acompanhado de outro nada. Às vezes, anda a par, como se fosse um eco... Que estranho! E pronto, nada acrescento ao vosso dia com este post. Queria apenas partilhar convosco que entre o barulho louco do mundo, que engole quase tudo, e este nada que me assola, mon coeur balance.     A inconsistência continua a ser o meu nome do meio... Aqui e aqui . 

O mundo

Há ruído por todo o lado. Os discursos são muito musculdos. Berra-se demasiado. É uma barulheira insurcedora, um chinfrim dos diabos.  Fica-se por vezes sem discernimento.   Há que ler mais, olhar, ver e reparar nas coisas que importam, contrariar a tendência, rir com quem nos faz bem, recuperar o silêncio necessário para contemplar e relembrar o Manuel Alegre " mesmo na noite mais escura / em tempo de servidão / há sempre alguém que resiste / há sempre alguém que diz não " Sempre .

Sabem onde estou?

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 No ensaio da marcha. ... ... ... Ai Tella, nunca digas nunca!
46 ou 47? Já tenho de fazer contas para saber quantos anos faço. E como sou de Letras, fico na dúvida se não terei errado. Sem ninguém ver, conto pelos dedos, como quem faz a prova dos sete.  São 47, sim senhor. 

"Vai fazer uma coisa útil para a sociedade!"

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Na semana dos Santos Populares, o pai cá de casa estará no estrangeiro. Regressará no dia 13.  Fiquei logo aborrecida (mas não tanto como ele...) porque não terei date nesses dias. Os filhos já avisaram, claro, que não irão nenhum dia comigo... E não vou ficar em casa na noite do dia 12... Vai daí que pensei que podia ser útil. A Marcha do clube dos meus filhos descerá, como sempre, a avenida da Liberdade nessa noite e precisam de ajuda.  ( Nota : não acho piada nenhuma à marcha e até acho parolo, mas acho ainda menos piada a ficar em casa nesses dias. Há uns anos, precisavam de mulheres e convidaram-me. Declinei, dizendo que não achava piada à coisa e que nunca...blá blá blá). Precisam de um aguadeiro, mas desisti dessa ideia. O aguadeiro não tem apenas de dar águas, mas segurar nos arcos em determinados momentos e isso obriga a que vá aos ensaios (diários das 19h às 22h) e a fazer o pavilhão também. Ui, que seca! Nem pensar! Precisam de pessoas que saibam costurar para os a...

Livro 11 / 2025

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 "Pés de Barro"- Nuno Duarte Este livro, vencedor do prémio Leya, prendeu-me logo no início.  Mergulhei num Portugal bolorento dos anos 60, com a miséria,  o analafabetismo, a guerra, deus pátria e família,  durante a construção da Ponte sobre o Tejo. Desde a linguagem, à forma como os discursos surgem, às personagens, sobretudo à personagem feminina, que pisca o olho de forme leve à Blimunda, à história,  a uma especie de neo-realismo, tudo tudo me agradou. Mentira, não apreciei muito o desenlace, mas não faz mal porque este é um livro MUITO BOM.  (Já vi, por causa do livro, um documentário dos anos 90 sobre a construção da ponte, de tão fascinada que ando com este livro...) Vale a pena ler. Muito. "...mas o Victor olhou e não viu nada, a sua vida nao tinha nada que valesse a pena ver, era mais um, só mais um, as vidas que passam a correr à frente dos olhos são as extraordinárias, as dos operários nada têm de extraordinário, não passam à frente dos olhos n...

Dia da mãe...

Vieram acordar-me às 8h40 para me pedir boleia. Iam ter com os miúdos que treinam para um jogo qualquer. Como chove muito, acharam por bem pedirem boleia em vez de irem a pé.  Levantei-me e arranjei-me em minutos. Tinham de lá estar às 9h. Saímos. Já no carro, levo com uma reposta super mega torta de um deles.  Porra. Nem no dia da mãe. Chamadas de atenção,  suspiros, revirar de olhos e pedido de desculpa.  Nem sempre é fixe ter filhos. Nem sempre é fixe ser mãe.  E apesar disso tudo, continuamos a amá-los incondicionalmente.  Ser mãe é do caraças. 

Dia do trabalhador

Foi depois de ler  Germinal de Emile Zola que dei verdadeiramente importância a este dia. ..  E foi só depois de ter lido o livro que passei a ir à manifestação organizada pela CGTP porque me apercebi, parafraseando José Mário Branco, o  que nós andamos para aqui chegar... Decidi que devia celebrar na rua os direitos que hoje temos graças à luta de muitos trabalhadores. Não tem valor político para mim, é o reconhecimento de um combate que se travou (e que se trava).  O livro é uma coisa espantosa. E se ainda não leram  Germinal , aconselho vivamente a fazê-lo. 

[Mais uma pessoa a falar do] Apagão

Estava no intervalo das aulas quando a luz se foi abaixo. Disseram-nos para estar atentos ao relógio porque não haveria toque de entrada. Às 11h45, vá, 11h48,  fui dar aulas sem luz até as 13h15, sem saber de nada.  (Na minha escola, os telemóveis são proibidos há pelo menos 23 anos...Verdade.) Achei no entanto estranho sentir o meu relógio a vibrar tantas vezes seguidas com chamadas do pai cá de casa. Pensei que se calhar tinha acontecido algo ao meu pai.  A aula acaba, regresso à sala de professores onde posso, aí, mexer no telemóvel e ligo para o pai cá de casa que me avisa da situação, mas sem saber grande coisa. Russos, chineses ou o c@&%@lho, como dizia a outra.  Dizia-me ele no fim "despeço-me de ti. Foi bom estarmos juntos!". Rimos.  Logo de seguida, fico sem telemóvel até as 23h00.  Suponho, e bem, que os miúdos estão a caminho de casa de autocarro.  Dou aulas até às 15h15, com apenas 13 alunos. Os outros foram para casa. Um pai apareceu à...

Sempre

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Ano após ano, o 25 de Abril continua a ser o dia mais bonito, mais alegre e mais importante do ano. 

Livro 10/2025

 " Nem todas as árvores morrem de pé " - Luísa Sobral É um livro que nos conta a história de mãe e filha na RDA e dos caminhos que trilharam para alcançar a liberdade.  Gostei, mas não achei nada de extraordinário. Há um conjunto de clichés e de personagens pouco desenvolvidas, mas a narrativa é fluída e prende-nos.  3,5

Livro 9/2025

"A conspiração contra a América" - Philip Roth E se Roosevelt não tivesse ganho as eleições nos EUA em 1940? E se um presidente pró-Hitler estivesse na Casa Branca em vez dele? Qual seria a sorte da conunidade judaica nos EUA?  O livro conta-nos como o jovem judeu Philip Roth e a sua família veem a subida do antissemitismo e  reagem ao medo.  Há passagens do livro que nos remetem imediatamente para a situação atual. É incrível a semelhança entre muitas partes dessa distopia e a realidade... Há passagens que gostei muito e há outras mais aborrecidas, sobretudo aquelas que dizem respeito ao sistema político americano.  Recomendo a leitura. 4 estrelas. 
Às vezes, penso em vir cá para escrever um post. " Olha, tenho de escrever sobr e isto ", " eh pá,  tenho de digerir esta cena no blog" ou ainda "tenho de  registar no blog para reler dentro de 10 anos" . E nada sucede, porque a vida vai acontecendo, segue o seu caminho e outras coisas vão ocupando a minha mente. A ideia ou a coisa pensada, que nunca é assombrosa, ja sabem, foge-me e fica o vazio. Não me refiro ao vazio existencial ou àquela  linha do electrocardiógrafo. Também não é o vazio da escrita, porque, convenhamos, não sou nenhuma escritora. É apenas o momento em que nada sobra para relatar.  Não sei se é bom ou se é mau.  Por exemplo, quis escrever sobre o meu mais novo, um ataque de fúria e a minha incapacidade em gerir as emoções dele. Depois passou, porque fiquei a saber que o meu mais velho tem uma namorada e que sou a única a supostamente não saber. O mano sabe. O pai sabe. O tio sabe. A avó sabe. Os meus colegas sabem. Eu supostamente não s...

2 anos

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Acabei de ler o post da Carolina sobre os seus mortos, talvez por isso é que escrevo este.  A minha Aida morreu há dois anos. Às vezes parece que foi ontem, mas na maior parte das vezes, parece que foi há mais tempo.  O tempo psicológico tem muito que se lhe diga. Pena eu nao saber o que dizer sobre ele.  A minha avó, com quem sonhei apenas duas vezes, que me lembre, faz-me falta, mas falo dela, pelo menos, todas as semanas. 

Livro 8/2025

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"Inventário de Sonhos" - Chimamanda Ngozi Adichie É a história de 4 mulheres africanas com sonhos, expetativas, medos e arrependimentos e sobre as escolhas que fazem(os) e as que lhes (nos ?) são impostas.  Gostei bastante. 4 estrelas.

Lista brutalmente honesta sobre a maternidade

Uma colega foi mãe há pouco tempo. Perguntava-me quais os maiores desafios da maternidade. Fui muito genérica, sem mentir: é difícil, vais sempre sentir culpa e  as preocupações não têm fim. Na verdade, não gostei muito do que respondi e decidi elaborar uma lista brutalmente honesta num só take : Esquece: não vão pensar como nós e nem sempre vamos gostar das mesmas coisas; Vamos repetir todas as frases que os nossos pais nos diziam e que nos enervavam (No meu caso : "Quando manda aqui sou eu!" ou "na minha casa, mando eu");  O amor incondicional  inclui também muitas vezes uma vontade gigantesca de fugir deles e estar sozinha; As mães perfeitas não existem e se dizem que são zen ou cool , que os filhos fazem isto e aquilo, estão a mentir (nem que seja a elas mesmo); Quando eles começam a crescer e fazer as coisas sozinhos, podes eventualmente, num dia ou outro, teres saudades deles em pequeno, mas nada que te deixe a lacrimejar; Há um momento em que deixam de ser...

Fui novamente atropolada pelo tempo...

Fui inscrever o meu mais novo, o meu eterno pequeno, no secundário. Sem grandes certezas, escolheu a área de Economia.

Desfoque

Aos 46 anos, os meus olhos decidiram rebelar-se. Não avisaram, não negociaram nada. Começaram simplesmente a desfocar todas as letras pequenas como se fossem segredos que eu jamais poderia decifrar.  Antes, dizia com um certo orgulho "Não oiço nada, mas vejo super bem!" E era assim mesmo. A minha vista alcançava aquilo que outros nem sonhavam. Agora, pfff...Se o texto não for com letras XL, é ver-me a afastar...aproximar...afastar...e franzir o sobreolho e aí, jesus, é ver aquela ruga na testa a ficar cada vez mais vincada.   Para tentar manter um pouco a compostura e dar um ar de pessoa jovem e moderna, em vez de PDI, escreverei então: É aging, certo?  (Suspiros) Há solução, claro que há, é só comprar uns óculos, mas a questão não é esta, como sabem. A questão é aquela coisa do tempo que passa...  Enfim, haja fontes tamanho 14 para todos!