Livros de Abril

Livro 8 - A malcriada, de Beatrice Salvioni.
Este livro é a continuação de "A malnascida". Li um a seguir ao outro, porque gostei muito do anterior. Também gostei muito deste, mas achei o 1° volume melhor. 
3,5. 

Livro 9 - A canção do profeta, de Paul Lynch

(O livro foi emprestado há muitos e muitos meses por uma colega que me disse "vais adorar". Demorei a pegar nele por não o poder ler no kobo. Que tonta, eu sei!) 

Um dos sentimentos que mais gosto é quando estou a ler um livro (em abril, neste caso) e sei, de antemão, que será o melhor livro do ano.
É uma distopia na Irlanda do Norte onde o governo retira liberdades e direitos à população e seguimos, oprimidos e de forma claustrofóbica, uma família onde o pai lá de casa é sindicalista. 
É de leitura obrigatória, sobretudo nos tempos que correm.
Constatamos, ao lê-lo, que a liberdade é mesmo uma coisa muito frágil e que quando a engrenagem para acabar com a Democracia está em marcha, nada podemos fazer para voltar atrás.
O final é como um murro no estômago.
5 estrelas.

Livro 10 - Como acabar de vez com Eddy Bellegueule, de Edouard Louis.

É um romance autobiográfico, onde o autor, homosexual, conta como foi viver numa pequena aldeia francesa, no seio de uma família pobre, ignorante, violenta, homofóbica, racista e alcoólica. Bingo completo. 

É um livro, nalgumas vezes, duro de ler. Há cenas de violência/de bullying difíceis. O que impressiona sobretudo é a frieza implacável com que o relato é feito. É uma analise minuciosa dos factos, do sofrimento pelo qual passou por ser diferente, sem sentimentalismos. Consegue escrever de forma simples e distante sobre a força masculina e violenta que se impõe a tudo e todos, aos comportamentos sociais da classe operária zangada, pouco instruída, que repete os mesmos padrões, geração após geração. (Houve momentos em que revi cenas de Germinal, de Zola, onde a mesma água do banho era para a família toda, onde as mulheres têm um papel de coscuvilheiras e onde há uma certa promiscuidade, como se não tivesse havido grande evolução entre a classe operária desde o século XIX até agora...)

(Nasci numa aldeia com muitas fábricas de tecelagem, no nordeste de França, idêntica à descrita. Conheci muitas famílias como as dele. Vivia na zona dos marroquinos, turcos, portugueses e de franceses à margem como aqueles. Yup...(Dá que pensar, certo?) Os meus vizinhos da frente, les Mullers, podiam ser os Bellegueule retratados no livro.)

Gostei. Dei-lhe 4 estrelas, mas acho que merece 4,5.


(Foi um mês de boas leituras.)


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