Desabafo
Há dias em que perdes o controlo da tua aula e de um aluno em particular. Hoje foi um desses dias. Terá sido, em 23 anos de docência, a primeira* situação grave que me ocorreu.
Não vou contar a história em si, porque não interessa, mas apenas o que fica durante e depois.
O coração que bate demasiado rápido, a voz que treme, a ausência de discernimento para saber o que fazer, a tua vulnerabilidade perante os outros alunos, a insegurança, sempre ela, que aparece com ainda mais força, a vontade de chorar e o pensamento constante "se calhar, não devia ter ido por aquele caminho" ou pior ainda "podia ter fingido não ter visto". A experiência vale de pouco, certo?
Não vou contar a história em si, porque não interessa, mas apenas o que fica durante e depois.
O coração que bate demasiado rápido, a voz que treme, a ausência de discernimento para saber o que fazer, a tua vulnerabilidade perante os outros alunos, a insegurança, sempre ela, que aparece com ainda mais força, a vontade de chorar e o pensamento constante "se calhar, não devia ter ido por aquele caminho" ou pior ainda "podia ter fingido não ter visto". A experiência vale de pouco, certo?
E depois do sucedido, tens de continuar a dar aula com a restante turma, como se nada fosse, numa espécie de "sorrir e acenar" e num ambiente crispado (e solidária comigo? Com o colega? ) ou de troça silenciosa perante a adulta que teve muitas dificuldades em lidar com a cena.
Estou aqui num furo a escrever este texto para ver se liberto o nervosismo nestas palavras, numa cena de autorregularão ou autoajuda ou o camandro.
E lá fora chove. E estamos ainda em janeiro.
Há dias difíceis.
*Pode não ter sido. Talvez eu me esqueça muita rapidamente das coisas más e apenas me foco nas coisas boas da vida...
Comentários