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Livro 20/2025

 "A Matéria das Estrelas" - Isabel Rio Novo Logo no início do livro, Jacinto sofre um acidente. A história dele é-nos revelado pelo Eduardo, amigo próximo da família, sogro da irmã dele, com avanços e recuos no tempo. Aqui e ali, é-nos dado uns indícios do que pode ter acontecido e do que acontece num quarto fechado.  É um livro triste, bem escrito onde a mãe é uma mulher cheia de força que me comoveu.  4 estrelas.  

Livro 19/2025

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 "Como animais" - Violaine Bérot Primeiro, foi a capa que me chamou a atenção.  Depois foram os destaques nas livrarias e, por fim, a recomendação do José Riço nas redes socais.  É um livro polifónico onde as vozes de várias personagens mostram, pouco a pouco, a trama e  apresentam a personagem principal, que tem uma vida simples com a mãe num local isolado e que é preso logo no início do livro. As vozes, que são ouvidas num interrogatório policial,  dão pareceres, deixam indícios e vão influenciando o leitor. À la tragédia grega, tem um coro de fadas que nada tem a ver com a narração.  Tem um desfecho brutal. Digo pouco, eu sei, mas se disser mais, estrago a surpresa a quem o for ler.  Vale muito a pena. 5 estrelas.  [Lido em francês.]

Livro 18/2025

 "O tempo entre costuras" de María Dueñas. Foi recomendado pela Vera, que me disse "é um livro leve, que se lê bem". Acrescentou ainda qualquer coisa como "nem tudo tem de ser profundo". Ou terá dito "intelectual"?  Sabia, portanto, ao que ia. Depois de ler "A Sibila", quis algo leve, fácil, um turn page .  Encontrei o que procurava.  É uma espécie de romance histórico, com a guerra civil espanhola e a 2a guerra mundial como pano de fundo, e uma espécie de livro de espionagem.  Uma mulher, só e abandonada por um homem, monta um atelier de haute couture e, às tantas, torna-se espia ao serviço da sua Majestade...  A leitura flui rápido, com uma linguagem fácil. Entretem,  apesar dos clichés, de coisas previsíveis e da personagem principal ser perfeitazinha, e sobretudo quando estamos de férias. 3 estrelas.

Livro 17/2025

 "A Sibila" - Agustina Bessa-Luís. É um romance difícil de ler. Precisei de calma, tempo e paciência.  Lê-se muito lentamente por causa da história que tem momentos contemplativos e por causa do vocabulário, dificil, muito rural, exigente, quase a fazer lembrar Aquilino Ribeiro.  O livro gira em torna da Quina, mulher forte,  como são as mulheres desse livro, e determinada, que administra bem a quinta da família.  De uma forma quase simples e quase a parecer uma conversa, várias personagens são apresentadas através de determinados episódios. Vamos contemplando a vida deles, percebendo toda as características humanas... Quis desistir do livro várias vezes. Comecei e acabei outros pelo meio, mas voltei sempre à Sibila porque quis saber o que mais iria acontecer, que evolução iria sofrer Quina e que desfecho para o Custódio...  Quando estava no 12°ano, este era um dos livros de leitura obrigatória.  Eu li "A Aparição" de Vergílio Ferreira, mas sempre com ...
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 A casa da minha avó Aida foi vendida. Fomos lá e cada um trouxe o que quis.  Trouxe duas caixas de documentos antigos, que queriam pôr no lixo! Ainda só abri uma e já encontrei a certidão de nascimento do meu bisavô de 1905. (Tinha encontrado a cópia online e tenho agora a original. Estou doida de felicidade e de excitação.). Nessa caixa também constam as duas escrituras da compra da casa que é agora vendida. Uma é de 1915 e foi comprada pelo avô da minha avó e a outra de 1959 comprada pelo meu avô aos herdeiros por 3105 escudos.  Há um documento anterior à implantação da República,  mas está muito danificado e não consigo, por enquanto, perceber nada. Os selos estão, no entanto, em bom estado. Incrível.   Que bela herança! Sinto que me saiu a sorte grande. 

Alea jacta est

O meu mais velho já está inscrito no ensino superior. Não deve entrar nas 4 primeiras opções. Diz ele que entra na 2a fase nessas.  Escolheu o que quis porque disse - e bem - " Não é o que tu queres. É o que eu quero! "

Coisas que os meus pais não fizeram e eu faço*

Quando me inscrevi no ensino superior, não pedi opinião aos meus pais. Sei que falava muito com as colegas da turma sobre o assunto. Os meus pais nem sabiam bem por que razão não queria ir trabalhar e ganhar dinheiro. A faculdade era para os filhos dos outros.  Escolhi sozinha. Entrei, fiz a licenciatura e trabalho há mais de 20 anos e, ainda hoje, os meus pais não sabem que licenciatura tirei nem em que faculdade. Neste momento, estou a imprimir planos de estudo, a ver médias, a ver taxas de empregabilidade, a ler comentários sobre licenciaturas  e quase, quase, quase a querer escolher o curso para o meu filho. De repente, depois de falar com várias pessoas e de ler muita coisa, acho que ele deveria ir para Gestão de Marketing.  Perguntas:  Os pais de hoje em dia nada têm a ver com os de outrora?  Eu é que sou completamente diferente dos meus pais?  Ou estaremos a criar uns filhos cada vez menos autónomos e totós? Pois.. * Roubado à MaryQA

Já tenho uma certa idade...

Há quanto tempo é que uso a expressão para me desculpar de forma diplomática,  sem ferir susceptibilidades, e/ou para disfarçar inseguranças e desconhecimento ? São coisas assim do género: - Cafezinho às 16h?  - Não dá.  Já tenho uma certa idade e depois não durmo... - Queres ir beber uma imperial?  - Não dá. Já tenho uma certa idade, preciso de descansar... - Lanchar um bolo?  - Não dá. Já tenho uma certa idade e depois fico toda go...cheia. - Não queres usar essa saia, que te fica tão bem e que...?  - Já tenho uma certa idade, please!  - Vamos dançar a noite toda? - Não dá. Já tenho uma certa idade e acordo invariavelmente às 7h30 da manhã, independentemente da hora de deitar. -É sábado, "bora? - Não dá. Já tenho uma certa idade e quero ver o Markl e o Vasco na RTP.  - O que significa "Fomo"? É que tenho uma certa idade... - Posso dizer o que quero...Já tenho uma certa idade! - Como se liga a box com os canais descodificados através do sistema x...

Os pequenos prazeres de quem não vai para nova...

Fui a uma consulta de rotina.  Ao ver o meu eletrocardiograma, o médico exclamou: - O seu coração é uma máquina! Faz desporto, certo? Depois olhou para as minhas análises e acrescentou:  - Muito bem! Parece uma jovem de 35-40 anos! Preciso de pouco para ter um dia bom, com bandeira verde, como diz o Bruno Nogueira. 

Livro 16/2025

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 A Praça do Diamante  de Mercè Rodoreda A Sofia e a Raquel falaram-me bem deste livro, que aborda a vida de uma mulher simples, Natália, durante a guerra civil espanhola. Gostei muito, muito.  4 estrelas. "E entre dois goles de café ainda me disse que a história era muito melhor lê-la nos livros do que escrevê-la a toque de canhão ". 

Livro 15/2025

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 " As herdeiras" - Aixa de la Cruz  Quatro netas encontram-se na casa da avó seis meses depois desta se ter matado.  É um livro que aborda temas interessantes como a fronteira entre a sanidade e a loucura ou a solidão, mas há um momento em que fala de almas e cenas metafísicas e tem um fim que achei ...infeliz.  3 estrelas ou 2,5. 
O mundo acontece, segue e avança. As pessoas sorriem, contam coisas que não oiço. Parece que estamos em apneia, suspensas a uma coisa que não sei mencionar. Saíram os resultados dos exames do 12º ano e até eu que sou a mãe de expetativa baixa, fiquei sem chão. Ele já me tinha avisado que o exame de Matemática tinha corrido mal, que precisava de ir à 2ºa fase, mas achei que o mal fosse um 13. Não. Foi um 11,5. De repente, todo o trabalho (e foi muito) de 3 anos, mais o exame de Economia do 11º ano (teve 19,4) desaparecem. Aquele 11,5 engole-lhe a média e deixa-o à porta do curso para o qual se empenhou muito.  É um rapaz otimista, mas aquela nota, afixada entre dezenas de 19, 17 e 18's deixou-o ko. À volta, todos acenam, felizes e contentes, como ele terá feito no ano passado. Ele não reage. Eu também não. Ele não sabe o que fazer. Eu também não. Parecemos tontinhos. Ele chorou. Eu emparei as lágrimas dele. Tenho um nó na garganta, que só desatou com pessoas improváveis. Estamos der...

Livro 14/2025

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  Q uem tem medo dos Santos da casa , de Sara Duarte Brandão  O Nuno Duarte, autor de Pés de Barro , recomendou três livros numa entevista na Fnac: D.Quixote, O Retorno da Dulce Maria Cardoso e este, de Sara Duarte Brandão.   Como sabem, sou uma pessoa que se deixa influenciar por  bons escritores .  Podia agarrar o D.Quixote, mas ainda não chegou o momento dele... Neste Quem tem medo dos Santos da casa, a companhamos a vida de Maria Teresa, uma mulher que cresce numa vila junto ao rio, entre a austeridade de uma familia que a quer casada e a liberdade que encontra nos livros.  É uma narrativa simples, poética e introspetiva, com capítulos curtos, que nos mostram diferentes episódios da vida dela de forma anacŕónica.  3

Livro 13/2025

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" As três mortes de Lucas Andrade " de Henrique Raposo. Muito elogiado pela Filipa e pelo Luís,  resolvi dar uma chance a este livro, apesar do autor... Conta a história de um jovem que vive num subúrbio de Lisboa e da violência a que estão sujietos os seus habitantes,  nos anos 80/90, mas aborda também a pobreza e a violência nas aldeias, sobretudo contra as mulheres. A linguagem é sempre crua, sem artifícios. Fala da eterna luta entre o Bem e o Mal e como cada um de nós pode escolher que caminho trilhar, apesar do mundo que nos rodeia. Houve partes que achei repetitivas e demasiado longas,  sobretudo no início, mas outras que me prenderam bastante. Tem a cadência certa para nos prender e levar aos sítios mais tristes dos subúrbios e da alma humana.  " Talvez seja o maior espetáculo do mundo: ver gente normal a tentar ser decente no Inferno; ver pessoas a dar a resposta certa à pergunta fundamental- como é que se pode ser bom no meio da lama?" 4 estrelas. 
No r/c do meu prédio,  mora(m) uma (ou talvez duas) família(s) indiana(s). Quando me cruzo com eles ou com qualquer outro vizinho na verdade, cumprimento-os. Regra de boa educação oblige .  Há umas semanas, meti conversa com uma das mulheres que lá vive, grávida de 8 meses. Num inglês pouco confiante de ambas, disse-lhe que se precisasse de alguma coisa, que podia ir lá a casa. Ela sorriu. Na sexta, vi-a no terraço e perguntei se estava bem. Não me pareceu por causa da barriga grande, quase a rebentar a bolha, e do calor excessivo.  Hoje, vieram cá dar-nos doces porque somos sempre "simpáticos" com eles. Fiquei comovida.  Ser decente e bem educada com (todas, todas, todas) as pessoas é encarado como algo extraordinário, parece. Tempos estranhos os que vivemos...

Manuel Monteiro (1931-2025)

Regresso ao trabalho e à rotina depois de ter enterrado o meu último avô.   Já falei dele aqui . Era um homem com muita luz e muita escuridão.  Somos todos assim, mas a frase faz mais sentido nele. Nascido numa aldeia paupérrima do concelho de Vila Real, junto ao Douro, filho e neto de sarreiros (pessoas que trabalhavam à jorna retirando o sarro das pipas de vinho) -  sendo essa a alcunha da família - o meu avô parecia estar condenado a ser mais um miserável e a aceitar a vida que todos os seus antepassados tinham tido. Ainda criança, os pais mudam de região e vão trabalhar para Riba D'Ave (Braga).  Aluno exemplar na escola, passa o exame da 4a classe com distinção. O professor dele tenta convencer o pai a deixá-lo estudar ou a ir para o seminário.  Declina. Precisam de dinheiro e tem de trabalhar. O professor arranja-lhe um emprego diferente no Porto: trabalhar numa livraria. Com 10 anos torna-se homem: vive e trabalha numa livraria. Dizia-me ele que nunca...

Quando até a IA te diz quem és...

Submeti ao chat GPT os resultados clínicos de três sinais que removi na semana passada: " Trata-se de uma lesão benigna da pele, comum especialmente em pessoas de meia-idade ou idosas." O que vale é que a boa notícia supera a má, certo? 

Quando é que sabes que os teus filhos não são assim tão crescidos?

Quando, no dia do exame de Matemática A do 12°ano, o meu mais velho, ansioso com a prova, me diz que vai vestir a camisola da sorte... E sim, tambem eu pensei "mas ele tem uma camisola da sorte?"... (O exame não lhe correu propriamente bem. Conta ter entre 13,5 e 14,5/14,7, mas veremos.)

As mentiras que eles contam (e eu finjo acreditar)

" Mãe, aprendi a lição e não volto a beber álcool".
Estive em contacto, este fim de semana, com uma realidade diferente da minha. Lidei com miúdos de 17 e 18 anos, que deveriam estar no 12°ano, mas que estão no 9°ano,  incapazes de articular uma ideia ou uma frase sem nenhum palavrão e de uma forma gratuita, com discursos musculados ( "parto-os todos" ou "dou cabo dele"), perdendo a cabeça em segundos e recorrendo à violência, pois é a única forma que conhecem para resolver qualquer situação... São miúdos a quem a escola nada diz.  "Preciso da escola para quê? Não preciso da escola para nada, caralho. "  São miúdos, digo eu do alto da minha arrogância de quem vive numa bolha com mais sorte, sem grandes perspetivas de futuro. Ao lidar com eles, só me ocorriam três coisas. Primeiro, reconheci a  sorte que tenho por ter filhos como os meus, que longe de serem perfeitos, sabem estar. Tudo na vida é relativo...  De seguida, também reconheci a sorte que tenho em ser professora num contexto privilegiado, onde os ...