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Sobre o arranque do ano letivo

Conversa com o filho mais velho . -   Como correu o primeiro dia no 10° ano? Gostaste da turma? E os professores? Conta-me tudo. - Então foi assim... E falou do lugar onde está sentado, dos colegas que estão ao lado dele, dos nomes dos colegas novos, "e o coiso foi teu aluno, não foi? É um pouco parvo, não?", julgou pessoas, reproduziu as piadas dos professores, esmiuçou as características todas dos professores, elegeu o melhor professor do dia, falou dos sonetos que tinha de ler, do programa da disciplina de economia e continuou a falar de outros assuntos, mas tudo demasiado pormenorizado. Conversa com o filho mais novo.   -Como correu o primeiro dia no 7°ano? Gostaste da turma? E os professores? Conta-me tudo.  - Foi fixe. Marquei dois golos no intervalo.  - Só isso? Não há mais nada a dizer?  - Não. É tudo igual e não interessa.  

Livro 35 - "Vinte anos e um dia"

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 "Vinte anos e um dia" - Jorge Semprún Trouxe este livro da biblioteca porque tinha gostado muito do autor e de " A Longa Viagem ". Neste romance, uma família tradicional espanhola, ainda sob didatura franquista, decide realizar, pela última vez, a cerimónia em que se reproduze a execução do irmão mais novo às mãos dos camponeses revoltados durante a guerra civil.  Através das várias personagens da herdade e dos convidados, ouvimos as várias versões da história trágica que deu origem à cerimónia. Nestas revelações, está subjacente um ambiente erótico, violento e uma luta clandestina contra o  Generalíssimo . Não gostei muito do livro. Há momentos até confusos e menos interessantes sobre a luta clandestina comunista espanhola. Dei-lhe 2,5.

Livro 2 - Tiago

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 "Jogo Macabro" - Agatha Christie Obriguei-o também a ler um livro nas férias. Optou primeiro por um do Manuel Alegre, um livro de crónicas sobre o Europeu de 2004, mas ao fim de 20 páginas,  abandonou-o.  Aconselhei-o a ler este da Agatha Christie, que tinha sido prenda de anos dele. Gostou, mas achou algumas partes aborrecidas e até  confusas.  [Nestes adolescentes, os tik-toks e as partidas de FIFA serão talvez das poucas coisas que não os aborrecem e que fazem sem ser obrigados...]

Livro 5 do Pedro

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 A Odisseia de Homero - adaptação de Frederico Lourenço  Tinha de ler pelo menos um livro nas férias. Optou pelo livro de leitura obrigatória no 7°ano. Nunca tinha lido um livro tão extenso e, diz ele, "tão chato". Começou a ler em meados de Julho e acabou antes do regresso às aulas, ou seja, ontem.  O irmão disse quase a mesma coisa . 

20 anos

Tornei-me professora em Setembro de 2002, há 20 anos.  Comecei numa escola pública, no ano de estágio, com a Carolina e a Magda. Foi desafiante e lembro-me de querer desistir, mas de não poder fazê-lo porque tinha contas para pagar - quem nunca, certo? - e porque era preciso coragem para assumir que desistia logo à primeira.  No final do ano letivo, já percebendo que não ia ser colocada no ano seguinte - havia excesso de professores então - enviei centenas de CV para escolas privadas de Lisboa e Setúbal. Fui aos correios e paguei 4 contos  em selos (ainda pensava em escudos e foi essa a lembrança que me ficou). Apenas uma escola me contactou para ir à entrevista. Dois dias depois, na véspera do arranque letivo, fui contratada. Ainda estou nessa escola. Aprendi lá a ser professora, a gostar muito do que faço, a assentar a prática pedagógica nos afetos , a criar laços com os meus alunos, que me reconhecem e se lembram do meu nome quase 15 anos depois. Ainda este ano, em ple...

Quando é que sabes que não vais para nova?

Na reunião geral de professores, a nova colega de português, que se senta ao meu lado, é uma antiga aluna.  Numa esplanada, no spot 2 das férias, um antigo aluno reconhece-me, aproxima-se para me cumprimentar e tem um recém-nascido num sling. 

Este post pode ter varios títulos*

 Fomos correr, os miúdos e eu, no spot 3 das férias, num sitio bastante desconhecido, mas percebendo logo de imediato que seria sempre a subir. Eles começaram a correr com tudo e eu avisei que não era nenhuma competição e que não teriam depois forças para tudo. "Ya, ya, mãe,  fala p'ra aí que não te ligo". Não o disseram,  aí deles, mas pensaram-no. Continuaram assim feito loucos e eu a ficar cada vez mais para trás. Às tantas, voltam ter comigo, como fazia a Carolina quando comecei a correr, e puxam por mim. Que nervos! Voltei a avisar, mas eles estavam a querer correr tudo. Estavam, na verdade, a competir um com o outro. É sempre uma questão de tamanho de pila, com os homens. Que chatos! Correr nos trilhos, onde estávamos,  é apreciar a paisagem, mas eles não viram nem o mar do nosso lado direito a contrastar com o azul do céu, nem a serra ali presente. Interessava sempre ir à frente.  Verdade seja dita, correram muito e aguentaram o ritmo.  O Pedro, quan...

Livro 34 - " Uma Educação "

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 "Uma Educação " - Tara Westover Lemos, neste livro, as memórias da autora, Tara Westover. É uma mulher que cresceu numa família mórmon e disfuncional, nos EUA, que entrou numa sala de aula pela primeira vez aos 17 anos e que teve depois disso um percurso académico brilhante. É uma história pautada por radicalismo religioso, violência e loucura. Há porém um renascimento no meio disso tudo. Tara tornar-se-á numa nova pessoa, mas como muitos partos, este também foi difícil para ela.  " Podíamos chamar muitas coisas a esta nova identidade. Transformação. Metamorfose. Falsidade. Traição.  Eu chamo-lhe Educação. " Fico agora a pensar se o livro merece 4 ou 5 estrelas. Há coisas contadas que parecem mentiras ou surreais, como as cenas dos acidentes, por exemplo. Terá sido mesmo assim? Nunca foram ao hospital, mesmo naquelas condições, e sobreviveram? Ah, e ela aprende matematica sozinha? E consegue? A naba dos números que há em mim acha estranho e desconfia... Depois,  ch...
Foi dia de ecografia mamária e mamografia. Detesto, todas nós detestamos, mas tem de ser.  Enquanto estou deitada à espera da médica,  não receio nada. Aguardo que ela chegue. Vou pensando em várias coisas. Quando faço esse géneros de exames, a minha cabeça divaga.  Começa. Por causa do gel e da sonda, os meus mamilos endurecem tanto que chegam a doer. "Será assim com todas as mulheres?". Olho para o pequeno ecran e vejo tudo cinzento e branco. "Serão as glândulas mamárias?". Penso na fase em que amamentei os meus filhos. Para mim, a amamentação será sempre recordada com ternura e saudade. Um elo. Nada me preocupa. Estou a fazer exames de rotina. Tento perceber o olhar da médica. Foco-me apenas nos olhos, até porque a máscara esconde o resto. Não a conheço,  logo não tenho como a interpretar. Tento perceber a sua idade, mas rapidamente me farto. Olho novamente para o ecran. Tira medidas às coisas que vê e pergunta-me se tenho familiares com cancro da mama. Nego. Uma...

Meu querido mês de Agosto

Este Agosto foi ilha, praia, pele morena e manchada no rosto (mas que se lixe, que nada me dá tanto prazer do que mergulhar no mar e ficar a secar ao sol), pôr-do-sol, pele salgada, voleibol mal jogado, risos, leituras, silêncios interrompidos pelo Tiago ao fim de 5 segundos, conversas, sardinhas, melão e melancia, fechar a praia, não ter horários,  caipirinhas e mojitos, bolo de Olhão, conquilha, festa da aldeia, família,  tradições, poço corga, amor (a encaixar com vários  verbos), imperiais, os meus filhos, o pai cá de casa e a Carolina, sempre presente. Que privilégio poder ter um mês assim, só para nós.  (Conseguem ler o título sem trautear a música do Dino Meira? Eu não sou capaz..)

Livro 33- "A Breve Vida das Flores"

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 "A Breve Vida das Flores" - Valérie Perrin Comprei o livro naquela ida despropositada ao centro comercial. Tinha lido, há uns tempos, um artigo francês sobre um livro da autora, intitulado "Trois", mas que ainda não foi traduzido cá. De repente, oiço falar da autora por cá também. Parece que toda a gente tinha lido ou estava a ler "A Breve Vida ..." (cujo título em português nada tem a ver com o título francês "Changer l'eau des fleurs" - a saber Mudar a água das flores,  como quem diz manter a esperança e a vontade para que uma flor (ou pessoa) não morra. Quer dizer, interpretei assim a coisa depois de ler o livro, claro, e vale o que vale. ) O romance fala de Violette, uma mulher que trabalha num cemitério. Acompanhamos a vida dos mortos, dos vivos que visitam os mortos e a própria história da Violette. Mas todo livro fala sempre sobre a vida e o renascer. É uma ode à esperança, quase. A Violette é uma personagem que nos marca porque aguen...

Livro 32 - "Os da Minha Rua"

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 "Os da Minha Rua" - Ondjaki Na minha primeira pausa de férias,  para além de uma ida despropositada a um centro comercial, fui trocar livros à biblioteca. Como tinha gostado muito do "Livro do Deslembramento ", resolvi trazer outro do mesmo autor. Este livro é um livro de contos. Quem me lê e presta atenção ao que escrevo, sabe que não gosto particularmente desse género literário. Aqui, no entanto, é diferente. O autor volta à sua infância,  às personagens que já conhecia do outro livro, à cidade de Luanda, às traquinices dos meninos da rua, que brincavam juntos. Nestes contos, eu emocionei-me bastante pela poesia que é dita em prosa. É um livro íntimo também. Emocionei-me no fim, chorando baba e ranho e relendo os últimos 5 parágrafos 3 vezes para captar tudo.  Quando um livro me sensibiliza tanto e me faz querer comprá-lo já depois de o ter lido, só pode ter 5 estrelas. 

Livro 31 - "Madalena"

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 "Madalena" - Isabel Rio Novo Trouxe este livro da biblioteca por causa deste , que me ficou na cabeça.  "Madalena" conta duas histórias: a da narradora, professora de história, a fazer sessões de quimio e radioterapia e a história da sua bisavó Madalena, personagem misteriosa e de fama duvidosa e do seu bisavô. As duas histórias estão entrelaçadas e na reta final, de alguma forma, convergem.  As passagens sobre a dor física e emocional de quem trava uma luta contra um cancro foram difíceis de ler e houve momentos em que parecia estar a ver a minha amiga Ana ou só agora perceber algumas coisas sobre o seu sofrimento final.  A história de amor, traição e drama dos bisavós, por ser contada a partir de cartas antigas e notas num caderno azul, prendeu-me de imediato. Que personagens! Hei de ler mais coisas desta autora, até porque tenho cada vez mais vontade de conhecer escritoras portuguesas.  Recomendo muito a leitura deste livro. Dei-lhe 4,5.

Outra pausa nas férias

Rumo ao terceiro e último spot das férias, com nova paragem em casa para tratar da roupa, mas, desta vez, sem passar pela balança, claro. 

Livro 30 - "Homens Bons"

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 "Homens Bons " - Arturo Pérez-Reverte  No ano passado ou há mais tempo, já nao sei, li um artigo no Observador sobre este livro e lembro-me de pensar que tinha de o ler. Nunca o trouxe da biblioteca porque é um calhamaço. Quando os livros ultrapassam as 500 páginas,  prefiro trazê-los para as férias. Assim o fiz. Este livro conta a história de dois homens, no século XVIII, membros da Real Academia Espanhola, que têm como missão trazer de Paris os 28 volumes da Encyclopédie de Diderot. Seguimos assim as aventuras deles, numa Paris pré-revolucionária e iluminista onde a Razão tenta derrubar ideias obscuras e ultrapassadas.  Gostei muito do livro, cheio de peripécias e de enquadramentos históricos e filosóficos sobre as Luzes. Para além disso, as personagens são deliciosas e foi fácil gostar delas.  Dei-lhe 4 estrelas e recomendo o livro, sobretudo para as férias. 

Pausa entre as férias

Regressámos ontem todos muito contrariados do Algarve. Na verdade, estávamos também irritados. Foram 15 dias que passaram rapidamente, apesar do nosso Algarve ser sem pressas e confusões. Não bastava isso para me irritar, não. Ainda há mais.  Quis pesar-me porque  tinha quase a certeza que tinha perdido um quilo ou mais. Afinal de contas, uma pessoa só andou a pé numa média de 10-12 km por dia, não comeu nenhuma bola de Berlim e ainda correu 32 km em 15 dias. Só que uma pessoa também comeu muito folar de Olhão e bebeu muitas caipirinhas, é verdade, mas, ainda assim...  E pumba, o raio da balança disse-me que tinha ganho um quilo e meio.  Não bastavam estas duas coisas para me irritar, não. Ainda há mais. Os 3 outros cá de casa, que não correram nem um quilómetro e que comeram bolos, perderam peso. Que injustiça! Esperem, que há mais. Fui desfazer malas do Algarve para voltar a fazê-las para outro destino, onde as noites podem ser frias e onde há necessidade de roupa ...

Livro 29 - "O Livro do Deslembramento"

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 "O Livro do Deslembramento"  - Ondjaki Há muito tempo que queria ler este autor angolano,mas nunca me lembrei até agora de o requisitar. (Na biblioteca do bairro, os autores africanos e brasileiros estão afastados dos portugueses e dos outros todos...). É um livro que nos leva a Luanda, nos anos 90. É a voz de uma criança que nos conduz pelas ruas de capital angolana, pelos encontros familiares, pela rotina da casa e pela escola. É um olhar aparentemente ingénuo e muito ternurento, mas que consegue perceber as diferentes camadas das pessoas e da vida. Tudo é contado com um ritmo oral, com palavras inventadas, acho eu. Está escrito como se fala. As observações da criança são genuínas e muito cómicas. Dei várias gargalhadas, coisa rara quando leio. Na maior parte das vezes, esboço um sorriso. Aqui nao, é delicioso e mesmo muito divertido. Mas as observações da criança também são bonitas e encantadoras. O livro acaba com o início,  novamente, da guerra civil e até esse mome...

Livro 28-"Retrato a Sépia"

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 "Retrato a Sépia " - Isabel Allende Trouxe este livro porque é sempre bom contar com uma escritora como a Allende nas férias: escreve histórias que prendem, com mulheres fortes e paisagens chilenas que me apaixonam sempre. E são livros que se lêem rapidamente porque exigem pouco de nós, leitores. Este segue a linha. Não me falhou.  Quando comecei a ler este livro, reconheci as personagens e até achei por momentos que já o tinha lido. Não sabia que este era uma espécie de continuação da " Filha da Fortuna ", uma vez que a protagonista é neta da personagem principal deste último. Fiquei depois a saber que a " Casa dos Espíritos " é o terceiro volume da saga familiar (embora os 3 possam ser lidos individualmente).  Dei-lhe 4 estrelas porque estive completamente entretida com a trama e fui sonhando, através do livro, numa viagem ao Chile...

Livro 27 - "Samarcanda"

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 "Samarcanda" - Amin Maalouf Este livro pertencia à minha amiga Ana e por isso o trouxe para as férias.  Este livro fala de um manuscrito com poemas de um grande poeta persa do século X e XI. Na primeira parte, descobrimos a vida deste poeta, junto dos vizires, dos xás, da sua amada e afins em várias cidades do Oriente. Fui incapaz de me localizar no espaço, pois não conheço grande coisa por aquelas bandas. Samarcanda é uma cidade que fica no Uzbequistão e onde o poeta escreveu esse tal manuscrito.  Na segunda parte, estamos no início do século XX. O Ocidente descobre o Oriente e esse poeta em particular. Seguimos então uma personagem - encantadora, diga-se - pelo Oriente e pelas mil cidades para mim quase todas desconhecidas, à procura do livro. Pelo meio, temos conhecimento da evolução política e social da Pérsia, que é dominada pelos vários Impérios europeus. Tédio! Achei tudo aborrecido. Não gosto particularmente da cultura das arábias, talvez por não a conhecer. Daí ...

Livro 26 - "Fahrenheit 451"

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 "Fahrenheit 451" - Ray Bradbury Ouvi falar deste livro quando li este romance do Afonso Cruz. Algum tempo depois, a irmã da Mary escreveu uma ótima review, que me despertou a curiosidade.  É um romance distópico escrito em 1953, onde os bombeiros não apagam incêndios. Em vez disso, queimam livros porque são proibidos. Os leitores sao mortos. Um dos bombeiros - Guy Montag - começa a questionar a sua vivência e a sociedade onde está, cheia de tecnologia, com um ritmo acelerado onde não há espaço para ler, logo não há tempo para questionar, saber, ponderar ou refletir. Os ecrãs estão em todo o lado, com imagens rápidas, sons repetitivos e de forma a que todos estejam felizes ( ao jeito das redes sociais.). Mas a personagem principal perceberá que os livros e o conhecimento abrirão portas e mundos novos.  É um livro que foi escrito em 1953 e parece-me que está mais atual agora. Não que haja uma coisa assim, de queimar livros. Parece que não se dá valor ao que um livro nos m...