Livros de junho
Achava, em Abril, que tinha encontrado o melhor livro lido em 2026. Sou tão precipitada, benzadeus...
Livro 11 - A península das casas vazias, de David Uclés
Li, no Público, que este livro era imperdível e que estava a ser um sucesso em Espanha. Fui-me a ele, juntamente com 2 colegas, um em Lisboa e outro em Madrid.
Demorei um mês e picos para chegar ao fim do livro que nos conta a história da Guerra Civil espanhola através da personagem de Odisto e da sua família.
O romance tem um toque de Gabriel Garcia Marquéz por causa do realismo mágico. Nem toda a gente gosta, reconheço. O narrador tem um toque de Saramago. Tem uma voz irónica, mordaz, humana e, por vezes, doutoral. Fala connosco. Conta pormenores da Guerra, detalhes sobre os quais fui pesquisar para ver se era mesmo verdade. Dá-nos sugestões de visitas a certos locais. Sugere-nos música para acompanhar cenas violentas. É uma voz espetacular!
Sempre tive muita curiosidade sobre a Guerra Civil dos nossos hermanos, mas acho que somente agora é que me apercebi da sua verdadeira violência e crueldade.
Foi uma epopeia ler as quase setecentas páginas, pois não é uma leitura fácil. É quase uma obra de arte.
5 estrelas. Um livro incrível.
Livro 12 - A correspondante, de Virginia Evans
Depois de ler algo tão denso comono Ucles, quis algo mais leve. Primeiro, li neste blog uma review fixe do livro. Depois, a Mariana Alvim falou bem dele no podcast "Vale a Pena" e vi uma publicação da Pipoca a dizer que era um livro fofinho. Achei adequado para o momento.
Através de cartas e emails que uma septugenária, que foge ao estereótipo de mulher idosa sem vontade ou sem passado, ficamos a conhecer a sua história e as suas manias. Gostei bastante. Gosto do género epistolar porque sou um pouco voyeuse, admito. (O livro comoveu-me e fez-ne sorrir também.)
4 estrelas
Livro 13 - Eu que não conheci os homens, de Jacqueline Harpman
Não sei como o livro me chegou às mãos. Não sabia nada sobre ele ou sobre a autora. Comecei a ler e a estranhar. Parei. Fui ler a sinopse. Continuei a ler sem parar, complemente presa à voz da personagem principal.
Foi inicialmente claustrofóbico e desconcertante.
40 mulheres estão presas numa jaula subterrânea. A narradora é a mais jovem e nunca conheceu o mundo exterior. Quando a jaula é aberta misteriosamente, todas saem e explorem o que têm.
É um livro que nos faz pensar sobre relações, solidão e quem somos sem história ou sem laços. Não é filosofia, mas podia ser. Há muitas perguntas. Nem sempre há respostas, mas eu continuo à procura delas... O livro não me sai da cabeça. Gostei muito. Perturbou-me.
E recomendo fortemente.
5 estrelas.
Comentários