Oui, c'est moi!
Às vezes, quero fazer-me outra. De outro lugar, de outra raiz, de outra estrutura, de outra condição, de outro meio, de outro vernissage, de outra envergadura.
Às vezes, consigo, mas grande parte das vezes, não consigo, por mais que tente. Há sempre qualquer coisa a desmascarar-me...Um gesto, uma palavra ou até um silêncio.
Só os mais atentos é que me conseguem ver como sou ou sou muito óbvia?
Há uma espécie de fio invisível que me prende à génese e que me baralha.
Afinal, quem sou eu? (E é impossível não me lembrar da Carolina e da sua máxima "ninguém se conhece ate ao fim da sua morte".)
- Tella, quem és tu, na verdade?
Perguntaram-me isso há uns dias no trabalho. Não respondi. E como sempre, quando estou a ser entalada ou numa situação desconfortável, digo algo com graça (ou não...), aceno e sorrio. Lembrei-me então que sou, sem sombra de dúvidas, aquela que, ao parir o primeiro filho, saltou um "foda-se" bem alto.
Não se consegue fugir de quem somos.
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