segunda-feira, 9 de março de 2015

Sobre o dia da Mulher

Já passei por várias fases no que diz respeito a esse dia.
Já o achei ultrapassado porque afinal de contas a cena de queimar soutiens em praça pública já tinha sido há décadas e achava que já havia igualdade entre homens e mulheres. Vivia nessa altura, está visto, no meu pequeno mundo.
Depois, passei pela indignação: dia da mulher? Então mas por que razão há de haver um dia da mulher se não há um dia do homem. Somos gente ou não somos?
Passei pela fase "dia da mulher é quando uma mulher quer"...Estar aqui a inventar coisas...pffff.
Passei pela indiferença e depois  pela indiferença de quem sabe o que quer mas não lhe apetece meter-se ao  barulho, ter de dar uma justificação. Enfim, assobiar pró lado.
Este ano, dois acontecimentos mostraram-me uma perspectiva diferente:
1. A minha avó, que não sabe ler nem escrever porque não foi à escola ao contrário do seu irmão (pois),perguntava-me no sábado se o dia da mulher era no dia seguinte. "Agora há dias para tudo...mas olha, quando eu era moça, as mulheres só tinham porrada e filhos". E fez-se silêncio.
2. O meu mano esteve comigo num evento familiar. Estava com a filha porque a minha  cunhada estava a trabalhar. Obviamente, esteve sempre com a filha.Deu-lhe comida, muito colo, adormeceu-a, mudou fraldas,etc.
Era ver e ouvir os comentários dos homens da família "eh pá ...a mulher não está cá e estás de castigo!" ou o melhor "deixa a miúda com a tua irmã. É mulher,percebe mais disso". E risos de escárnio. Que nervos.

Percebi então que no dia da mulher, não se celebra nada. Nem se deve celebrar nada. Deve-se apenas perceber e lembrar que já andámos muito mas que o caminho a percorrer ainda é muito longo.

1 comentário:

Isa disse...

Bem verdade! Ainda para mais quando se continua a ver nos noticiários tamanha injustiça e crueldade perante tantas muheres por esse mundo fora!