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Sobre o chorar

 Se há coisa que me custa muito fazer é não chorar perante os meus filhos.  Não estou a dizer que não choro na presença deles. Já me viram chorar mil vezes e em várias circunstâncias.  Referi-me a chorar com eles, quando eles também estão a chorar.  O meu mais novo anda triste e zangado. Quando chora, só me apetece abraçá-lo e chorar também. Não o faço, no entanto, porque acho que é o meu dever mostrar-lhe que sou um rochedo, mas que ele pode fazê-lo, pois eu estarei ali, de pé, a dar-lhes mimos, a ouvi-lo, a dar conselhos.  Tento conter as lágrimas deles, talvez.  O meu mais velho acabou um teste de matemática lavado em lágrimas. Veio ter comigo como raramente o vi, creio. Tinha estudado muito, mas o teste correu-lhe mal porque só se apercebeu a 10 minutos do fim que tinha a calculadora programada em graus (ou lá o que é). Ali, ele a chorar compulsivamente e eu a aguentar as minhas lágrimas porque a pena dele passou a ser minha também, mas a aguentar-me po...

Desafio

O novo desafio da maternidade começou devagar há umas semanas. Se calhar, os sinais já vinham de muito antes: os tiques que, de vez em quando, apareciam nos momentos com mais stress e que se iam embora passado algum tempo, por exemplo. Ou a insegurança em miúdo, talvez. Agora, a coisa é mais séria: o meu filho está com dores na alma. Sente-se "triste e irritado", "Incompreendido e pressionado" e "sozinho". É duro ouvir alguns desabafos do meu filho. Quando os meus  filhos têm dores de cabeça, opto pelo Benuron.  Quando os meus filhos estão com febre, opto pelo Brufen. Quando lhe dói a alma, o que se faz?

Árvore geneálogica - o regresso

- O que andas a fazer, Tella ? - perguntam vocês.  Voltei a uma das coisas que mais gosto de fazer: ir à procura de pessoas perdidas na linha do tempo. Regressei à minha árvore genealógica. Na última entrada deste blog sobre o tema,  em 2021, escrevi " [...] São nomes sem histórias e a vida sem história vale de pouco, ou mesmo de nada. No fundo, as suas histórias passaram ao lado da  História. São anónimos a quem nem a vidinha sabemos para ser contada". Sim, estava um pouco em baixo e pessimista. Não conseguia avançar à distância nas minhas investigações. Estava bloqueada com vários nomes e a tentar controlar o vício. Nas véspera, tinha ficado até as 4h00 da manhã a ler assentos de casamento e batismo. Acordei daí a nada para dar aulas às 8h00. É um vício, uma espécie de obsessão.  O vício voltou ao descobrir um grupo no FB de genealogia francês. O algoritmo está sempre a mostrar-me coisas do antigamente... Que fascínio! Os franceses estão muito à frente na digitaliz...

Do Pedro

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Anda numa fase complicada, mas são sms deste género que não me fazem desanimar.  ( Post para recordar nos dias mais difíceis. ) 

Livro 45: "+ Vida, + Saúde, + Tempo"

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"+Vida, + Saúde,+ Tempo" - Manuel Pinto Coelho O autor, médico polémico que põe em causa algumas práticas medicinais e bastante convencido, explica como conseguir chegar aos 120 anos. Não sei se quero chegar lá sem os meus ao meu redor, mas pelo sim, pelo não, fui lendo (devagarinho) algumas coisas. Nao li tudo. Não li as partes cientificas, tipo o adn mitocondrial, cromossomas, núcleo das células,  etc, etc, etc. Não tenho qualquer tipo de interesse nisso e dá-me sono. Prefiro passar diretamente às dicas. Interessa-me mais saber o que comer, beber ou fazer para ter mais zinco ou magnésio ou blablabla do que perceber o funcionamento do meu corpo tintim por tintim . ( Fui googlar e deixo o link para os curiosos. De nada, malta!) 3 estrelas. 

O Pereira

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No outro dia, lembrei-me do " Afirma Pereira ". Prestei-lhe homenagem, pedindo uma limonada. Ide ler para perceber...  

Livro 44 -"O Lugar das árvores tristes"

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 "O Lugar das Árvores Tristes " - Lena Rufino Depois de ouvir a autora no podcast "Vale a Pena", decidi ler o livro porque a achei simpática, porque quero ler mais mulheres portuguesas e porque mencionou que a personagem principal gosta de andar em cemitérios. Pois, eu também gosto de deambular pelos cemitérios a ler os nomes dos desconhecidos defuntos, de olhar para as suas fotos e de fazer contas aos anos que tinham quando morreram. Gosto de ler as mensagens das viúvas. Há dizeres muito bonitos. Há mais vida para além da "eterna saudade". Gosto dos jazigos e das campas rasas. Quanto mais antigo, melhor.  No Alto de Sao João,  há jazigos tao velhos que deixam a descoberto o caixão. Sinto um certo frisson em olhar lá para dentro, algo entre a apreensão em ser apanhada a ser voyeuse e o medo recalcado pelo vídeo do Mickael Jackson. A sério.  No Castelo de Sesimbra, há um cemitério muito pequeno e humilde onde me perdi a ler tudo. Há muitas crianças sepulta...

Um blog

Ainda há blogs que sobrevivem, que são muito bons e que são escritos com muita regularidade. O da Maria do Rosário Pedreira é i mperdível porque nos apresenta livros diferentes, que fogem da moda.  Fica a dica para quem continua a movimentar-se nas águas calmas da blogoesfera. 

Livro 43 - " As Pequenas Memórias"

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 "As pequenas Memórias" - José Saramago Livro recomendado por uma colega, que tem os mesmos gostos literários que eu.  É a voz do Saramago que nos conduz pelas suas memórias ou como ele próprio diz "as pequenas memórias de quando fui pequeno, simplesmente ". Entre a Azinhaga e Lisboa (e numa zona de Lisboa onde moro, ainda por cima!), entre os 2 e 16 anos, ouvimos o Saramago a contar-nos histórias engraçadas e emotivas.  Li, talvez, a melhor descrição que alguma vez alguém fez sobre um avô. Li, talvez, uma das melhores passagens sobre uma avó (...e disseste, com a serenidade dos teus 90 anos e o fogo de uma adolescente nunca perdida: 《 O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.》Assim mesmo. Eu estava lá".)  É um Saramago diferente, mas sempre excelente. O mestre. 5 estrelas. 

Livro 2 do Pedro

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Tinha de ler um livro nas férias. Não lhe dei o livro de leitura obrigatória do 8°ano porque sei que esse terá de o ler.  Leu "O Mundo em que vivi" da Ilse Llosa e não gostou nada. Não sentiu nenhuma empatia pelas personagens, nem na morte do avô ou do pai. Diz ele que só no fim, quando aparecem os nazis, é que ficou mais interessante. 

2023/2024

Estou pronta para começar. Já tenho o meu horário (e tenho vontade de chorar quando o vejo...) e as primeiras aulas já estão preparadas. Tenho um novo desafio: dar português ao 2º ciclo, para além do francês e da Cidadania ao 3º ciclo, claro. Quem  tem três disciplinas, quatro níveis e mil horas que se junte a mim e reze à nossa senhora das storas a pedir paciência e força!   O Pedro não está com vontade de começar. Tudo normal até aqui. Teve um ataque de choro na semana passada a dizer que não queria ir e que nem ia gostar da escola porque não tem amigos (ele que é super popular na escola por causa do desporto...). Prevejo um ano complicado para ele porque está no 8º ano e porque está naquela fase do armário. Quem tem um filho difícil naquela fase do armário que se junte a mim e reze à nossa senhora da paciência de mãe a pedir coragem! O Tiago também não está com vontade de começar. Ainda tem metade de "Os Maias" para ler...Este ano é muito importante porque fará exame ...

Livro 42 - "Caderno de Memórias Coloniais"

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"Caderno de Memórias Coloniais" - Isabela Figueiredo A autora retrata aquilo que viu e sentiu quando vivia em Lourenço Marques, Moçambique. São memórias cruas, sem nenhum romantismo colonialista. É a sua verdade e, convenhamos, a Verdade. Lemos aquilo que os colonos, personalizados aqui no papel do seu pai, fizeram aos negros e em África. É muito muito bom. A ler, senhoras e senhores leitoras e leitores deste modesto blog. A sério. 5 estrelas, claro.  [A última edição deste livro tem uma introdução da moçamibicana Paulina Chiziane, que aconselho a ler somente depois.]

Quando é que sabes que não vais para nova?

Quando vários colegas novos não conseguem tratar-me por tu, apesar da insistência. Quando esta colega está de licença de maternidade. 

Livro 41 - "Onde Crescem os Limoeiros"

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 "Onde Crescem os Limoeiros " - Zoulfa Katouch Escolhi este livro pela capa. É linda, em tons de azuis (eu sei que a p/b, não dá para ver bem, mas é.) Pela capa, intuí que era uma história que tinha a ver com o Médio Oriente.  Não me enganei quanto a isso. É uma história que tem como pano de fundo a Síria. Há muito sofrimento e muitas mortes. É a história completamente previsível de uma miúda de 18 anos, no meio das atrocidades da revolução, que trabalha num hospital,  que se apaixona e que decide atravessar o Mediterrâneo. É chato porque relata, de forma lenta e repetitiva, factos. Ora eu quero mais do que isso...  Nem consegui sentir empatia pelas personagens ou pelas vítimas.  Zero. Parecia um romance de cordel, um filme mau de sábado à tarde. Ou um livro para miúdas, ou talvez nem isso porque a realidade do Médio Oriente é demasiado diferente da nossa. As adolescentes querem a Colleen Hoover... Confesso que passei assim umas páginas porque não dava.  A ...

Das férias

As férias, as verdadeiras, aquelas que me dão energia para um ano de trabalho, acabaram no dia em que deixámos a ilha, no dia 12. Foi tudo o que sempre é. Momentos verdadeiramente bons que gravei na memória e que o tempo baralhará, de certeza. "Foi antes do covid ou depois, perguntarei, que  jogámos ao zeroinho ou um". Deitada ao sol, com protetor solar, mas nem sempre de chapéu e sentindo que o sol está a marcar mais uns vincos no meu rosto. Serão no futuro um grande arrependimento, mas no momento, há um desligamento tão grande com a vida fora dali, que nem isso me ocorre. As manchas crescem, as rugas provocadas pelo sol também, mas são uma tatuagem de tempos absolutamente únicos. A ilha é pacifista com tudo. O tempo pausa e tu respiras à margem de tudo e de todos. Cada um faz o que quer, menos os meus filhos quando os obriguei a ler diariamente, claro. Os outros dias foram divididos em vários sítios, ora a 4, ora a 4-1, que o Pedro já tem mais do que fazer de que estar semp...

Livro 40 - "As primas"

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 " As primas" - Aurora Venturini Livro com boa cotação e bastante aclamado, mas eu não o apreciei muito.  É um livro com mulheres abandonadas, violentadas, alheadas e deficientes e onde os poucos homens que aparecem são quase sempre predadores.  A voz da Yuna narra a sua história e simultaneamente a da irmã e a das primas. A voz dela, sempre presente, sempre a falar, por vezes a repetir-se, sem pausas cansou-me. Por vezes também me aborreceu. Ficou muito aquém da expetativa.    3 estrelas. 

Livro.39 - "Amor Estragado"

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 "Amor Estragado" - Ana Bárbara Pedrosa Tenho lido críticas muito boas sobre o livro e quis ver se tinham razão. E têm.  Este livro trata de uma história dramática de uma família de 4 irmãos, em Vizela. A história é contada por dois deles. É um livro duro, com uma linguagem também ela dura e crua, mas fluida. Nesse livro, temos os sentimentos que unem e separam as famílias: desgostos, inveja, amor, proteção, amparo, vergonha... O livro tem por base violência doméstica (aliás o livro começa com "matei a minha mulher" , um pouco ao género da "Canção Doce" da Leila Slimani) e alcoolismo.  Houve momentos em que tive de desviar os olhos e pousar o kobo para respirar, tanto aquilo me afligiu, mas continuei sempre a leitura sem parar porque o livro é muito muito bom. Lê-se de uma só vez. 5 estrelas e altamente recomendado. 

Quando é que sabes que tens filhos crescidos?

Quando estamos todos na mesma praia, mas um deles está muito longe de nós, para poder estar com a namorada... Quando estás na festa da aldeia e te apercebes que os teus dois filhos estão a beber álcool às escondidas, atrás da capela, com a grupeta toda...

Livro 38 - "Olhai os Lírios do Campo"

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 "Olhai os Lírios do Campo" - Érico Veríssimo Quando estava a ler "O Continente ", um pai de um ex-aluno viu-me a sair do colégio com o livro na mão. Abordou-me para falar do Veríssimo e aconselhou-me este "Olhai os Lírios do Campo". É a história de um jovem humilde, que consegue formar-se em medicina e que casa com uma mulher rica para ter a posição social que sempre ambicionou.  Dito assim, soa a cliché e parece pouco interessante, mas não, é um livro muito bom. O autor consegue revelar o que vai dentro da alma das personagens. Identificamo-nos nalguns momentos com elas : o bem, o mal, a cobardia, o sonho desejado, a humilhação, as decisões tomadas, o "e se eu tivesse feito outras escolhas?"  O livro é sobre aquilo que realmente importa: a felicidade que está nas pequenas coisas e no bem que se faz. Gostei muito e dou-lhe 5 estrelas porque sou fã do escritor, mas sei que é um 4,5. 

Aida em tempos de Festa

Quando alguém próximo da família ficava doente ao ponto de ser internada, a Aida dizia sempre "só espero que não morra para não nos estragar a Festa." Há uns anos, antes do covid, foi internada. Disse-me "só espero morrer depois da Festa". A Festa da aldeia, em honra da Santa cá do sítio, é um acontecimento. Para ela, era mais importante que o Natal.  Em miúda, era quando o meu avô matava o borrego para a chanfana. Era quando via o meu pai muito feliz por regressar a Portugal para a Festa. Era quando o meu avô dava a cada neto 100 escudos (aquela nota do Pessoa) para comprar rifas depois da procissão. Era quando se comia pão de ló com queijo em família às tantas da madrugada, depois de ouvir o concerto de Marco Paulo ou Clemente. Era quando a minha avó fazia broa no forno e fazia uma pequena para comermos ainda quente com manteiga. Era quando a Aida, cansada por ter a casa cheia, ficava feliz. "Só espero que ninguém morra para não nos estragar a festa". No...