sábado, 17 de abril de 2021

Insónia

Acordada desde as 5h25, já encomendei 2 vestidos, um colar e uma t-shirt. Já revi a minha tarde de ontem 3 ou 4 vezes.  Tenho a minha amiga sempre na cabeça e já fiz filmes sobre o que aí vem.  Também já fiz uma ficha de compreensão da oralidade com respetivos áudios para o meu 9ano. Voltei para a cama para tentar dormir porque estou com sono mas nada. A cabeça não me deixa. Estou a ficar com fome e já pensei em ir comer e correr mas sinto-me sem forças para sair da cama. A corrida levou-me à Carolina e lembrei-me da SMS dela:  mandei vir um suplemento de colágeno e ácido hialurónico. 
Ainda não são oito da manhã e já gastei algum dinheiro. Isto promete até porque vou agora aos sites de vinhos...

Nem tudo é mau: daqui a nada, vou ser vacinada. É um raio de luz, essa pfizer. 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Por cá

Ai mulheres, que não tenho contado coisas por cá. Padeço de uma preguiça gigante. Cá vai qualquer coisinha no entanto, que sei que estão que nem podem para me ler, na falta de outra coisa mais interessante: 

- a minha madeixa branca (e  reparem que eu não tenho cabelos brancos mas uma madeixa branca, ah pois, eu sei, não é para todas!) ficou amarela, aquele amarelo de desleixo que mete dó, estão a ver? Está a ser lenta e dispendiosamente recuperada.

- ao 3°dia, uma  turma minha foi toda recambiada para casa: 14 dias em isolamento profilático. Houve miúdos a chorar. Tempos estranhos estes em que choram porque querem ficar na escola;

- deixei de comer hidratos ao jantar mas não abdiquei do vinho. Falando em vinho,  o meu filho mais velho alterou a minha imagem na netflix. Sou agora o copo de vinho tinto. Enfim, cada um é para o que nasce;

- não corro desde que voltei ao regime presencial. O meu tempo é dividido entre a minha amiga doente, a escola e a casa. Ainda estou muitas vezes em negação, sem querer perceber o que aí vem;

- acabamos de ver as 6 temporadas do Lost. Achava que muita coisa tinha ficado por explicar mas não. Está tudo explicadinho. Tudo faz sentido, tudo se encaminha a partir de um certo momento para aquele fim. Gostei muito mais agora do que há uns anos. Ver uma série sem interrupções faz a diferença. Os miúdos adoraram. Da primeira vez, há 10 anos, era team Jack mas agora sou team Sawyer. O outro é um nhonho e  para nhonho, estou cá eu,  como sabem. Aquele  Sawyer, ai meninas, pfff, olhem... fazia! 
Pesquisei a palavra Lost no blog e tem imensas entradas, até no relato do parto do Tiago!

- As minhas colegas regressaram (quase) todas magras à escola. Uma perdeu 10kg e a outra 16kg. As outras perderam aqueles quilos chatos. Cabras! 

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Também há uma certa resistência quando...

... sabes que já leste 600 e tal páginas do teu livro mas ainda te faltam 500 e muitas para chegar ao fim e... continuas. 


Há aqui uma certa tendência...

... nas últimas compras para retardar os efeitos do tempo que passa. 
(Não tarda nada e estou a  levar umas injeções de ácido hialurónico...)

domingo, 4 de abril de 2021

Dia 73

Amanhã recomeço as aulas presenciais. Terei novamente de interagir com pessoas sem ser através de um écran. 
Espero que as escolas fiquem abertas até ao fim e que seja rapidamente vacinada. 

Foram 73 dias de confinamento. Uma pessoa fica estúpida ou como diz a Carolina, é um tempo em que não há tempo para a poesia. 

quarta-feira, 31 de março de 2021

Árvore Genealógica- III

Este é o ramo maior, do lado do meu avô paterno, através da sua mãe. Nos outros ramos, tenho menos uma geração. Estou à espera de alguns documentos do Centro de Arquivo de Leiria, caso não me tenha enganado nas datas e/ou pessoas. Conseguirei desbravar mais um ramo do meu avô paterno, mas agora através do deu pai. 
Entretanto,  fui procurando assentos de batizado de 1830 mas a caligrafia é difícil e desisti ao fim de uma hora. Olhei para a minha árvore e pensei que sabia muito pouco. Essa gente toda não passa de nomes escritos, com datas de nascimento. Posso supor mil coisas mas seriam sempre suposições e nunca vidas reais. Sei que elas foram domésticas e eles jornaleiros ou operários, que nenhum sabia ler, com exceção do meu avô. De repente , olhei para esta obsessão  (é viciante ir à procura de pessoas) e percebi que não faz muito sentido escrever nomes sem conseguir restituir vidas. São nomes sem histórias e a vida sem história vale de pouco, ou mesmo de nada.
Estava quase a desistir quando apareceu num post, uma leitora a questionar algo. Para lhe responder, voltei ao site da Torre do Tombo e voltei aos primeiros passos mas agora munida de mais nomes, de mais informação. Foi assim que descobri que um antepassado, ao pedir o passaporte para Santos,  Brasil, era um homem de 1,64cm, com rosto comprido, olhos pardos (como eu!), cabelos castanhos claros e boca e nariz regulares. A sua cor era natural. Os pedidos de passaportes de outrora não têm fotos,  mas uma descrição de "signaes característicos ". 
A descoberta de hoje não trouxe uma história mas trouxe uma espécie de rosto. 
Não terei nenhuma história para contar, mesmo que consiga chegar ao século XVII, creio. Tenho no entanto a certeza que os meus antepassados (sobre)viveram da melhor forma que conseguiram, que elas deram à luz em pé, agarradas a uma corda ou de cócoras, ficando 40 dias depois de cama a serem cuidadas pelas outras mulheres do seu entourage, que levaram pancada deles, brutos, talvez bêbedos. No fundo, as suas histórias passaram ao lado da  História. São anónimos a quem nem a vidinha sabemos para ser contada. 

terça-feira, 30 de março de 2021

Livro 4 - Pedro

"O Recruta" - Robert Muchamore

O Tiago é fã da saga Cherub. O Pedro nunca quer ser muito diferente do irmão e ganhou coragem para as 200 e tal páginas e leu-o. Adorou a história e o James, personagem principal. 
Já me veio pedir para comprar o segundo. 

segunda-feira, 29 de março de 2021

Dia 67

Sonhei em francês. Não me lembro quem éramos nem o que fazíamos.
Acordei com aquela tenue lembrança de qualquer coisa com não sei quem e que se esfumou no segundo em que achei que me lembrava. Ficou apenas a certeza que falávamos em francês. 

Soubemos há pouco que não teremos a nossa casa na ilha para a primeira quinzena de Agosto. Parece o fim de um ciclo. 

Há coisas realmente más a aconteceram a uma pessoa realmente boa e de quem gosto muito, muito. Numa dimensão paralela ou alternativa, vejo-a como a mana mais velha que me criou por causa da ausência de pais. Estive uma semana com essa amiga e recalquei a nhônhô que há em mim até mais não. Ficou fechada num canto recôndito. Não lhe dei o direito de aparecer durante uns dias mas ao 4, depois de mais uma notícia alarmante, ela tomou conta dos comandos durante um minuto, apenas um minuto. De resto, consegui entreter e rir-nos (talvez para não chorar) e ser nalguns momentos uma parede emocional.
A vida, às vezes, é uma merda. 


sexta-feira, 26 de março de 2021

Como sabes que não vais para nova?

Quando pedes (e trazes para casa) uma receita a uma amiga depois de provares a melhor tarte de amêndoa de sempre, embora saibas que há poucas probabilidades de a fazeres. 

A coisa piora: só te apercebes disso tudo quando o pai cá de casa se vira para os filhos e diz "ui, rapazes, alerta velha ativado. A mãe passou para aquele lado. Traz papéis com receitas para casa". Riem bué, os parvos. O Tiago acrescenta "está quase a mandar gift para vários grupos do whattapp com um unicórnio a dizer bom dia". Riem-se ainda mais.

Não achei graça a nada. Daqui a nada mando-lhes um pirete no nosso grupo, só para saber que coiso. Ya. 

quinta-feira, 25 de março de 2021

Desafio literário

Comecei a ler "Os Miseráveis ", versão original,  edição de bolso, letra Time New Roman, tamanho 10 ou 9, arma de arremesso de 3kg ou vá, de 2, que eu às vezes exagero. 

Que a Senhora da visão, dos pesos e dos clássicos esteja comigo e que me afaste da Nossa Senhora das desistências. 

segunda-feira, 22 de março de 2021

Livro 11 - 2021

"Torto Arado" - Itamar Vieira Junior.

Torto Arado ganhou o prémio Leya e alguns prémios no Brasil e na França mas eu nunca tinha ouvido falar dele até à semana passada em que vi um crítico literário falar dele no FB e até um amigo meu o recomendar bastante. 

É um livro que conta a história de uma família negra, numa fazenda do Brasil, algumas décadas depois da abolição da escravatura. É uma história sobre sofrimento, muito no feminino, e resiliência. O livro conta a história desse povo através da família de Donana, avó que nasceu 20 anos depois da abolição, da sua nora e das suas netas, mulheres fortes:  "... filha de gente forte que atravessou um oceano, que foi separada da sua terra, que deixou para trás sonhos e forjou no desterro uma vida nova e iluminada. Gente que atravessou tudo suportando a crueldade que lhes foi imposta". 


"Quando deram liberdade aos negros, nosso abandono continuou. O povo vagou de terra em terra pedindo abrigo, passando fome, se sujeitando a trabalhar por morada. A mesma escravidão de antes fantasiada de liberdade". 

É um livro genial. Recomendo e dou 5 estrelas. 

quinta-feira, 18 de março de 2021

Dia 56

Fosca-se! Nem o vinho ajuda, nem o camandro.  Que neura! Não paro de trabalhar! Estou horas, das 8h15 às 16h a dar aulas non stop com intervalos de 10 minutos, pá, fosca-se e depois são os 57 mil mails ou o camandro e os mil telefonemas ou a poça da avaliação e as mil grelhas ou fichas, ficha-se também para elas, raios, até às 20h00, quase todos os dias. Ou as reuniões...Ui as belas das reuniões que nem chegavam a ser um mail de duas frases, catano pá também para elas. Irra, estou farta.
....
....
Nada a fazer. Não consegui acalmar a neura ao escrever estas linhas. Não foi libertador como costuma ser quando escrevo no blog.
Vou tentar num estilo diferente, mais cru e sem filtros. Vamos ver se resulta: 
foda-se, estou fartinha desta merda! Caralho pá, da-ssssse.

 Sim, muito melhor.

terça-feira, 16 de março de 2021

Livro 10 - 2021


"A cor púrpura " - Alice Walker

É a história de duas irmãs -  negras, pobres e vítimas de abuso sexual, de agressões físicas e verbais - numa América ainda segregacionista. Em jeito de diário para Deus, uma das irmãs (Celie)  relata-nos a sua triste vivência enquanto que a outra irmã, que se torna missionária em África, escreve cartas onde conta a forma como a colonização acaba com um povo. O diário da Celie está cheio de erros ortográficos porque é muito pouco instruída enquanto que as cartas da irmã vão ficando cada vez melhor. Estudou e tornou-se uma pessoa que viu mundo. A Celie não saiu do sítio onde nasceu mas cresceu. Descobriu o prazer, o amor e uma voz. Fez-se ouvir. 
É-nos dado a conhecer muitas mulheres fortes, que evoluem muito. Acho que é um dos aspetos que mais gostei no livro. Elas são as vozes caladas das mulheres negras do início do século XX que muito sofreram nas mãos dos homens que são retratados como anti-herois, até que se faça luz também para eles...
Dei-lhe 4 estrelas.

sexta-feira, 12 de março de 2021

Árvore genealógica- parte 2

Encontrei por mero acaso uma Maria da Piedade, nome da minha bisavó paterna, nascida no lugar da Sapateira, filha de José Henriques. Pensei: é ela. Olhei para árvore de uma família Henriques, tambem da Sapateira, 4 irmãos que foram  para o Brasil matar formigas e pensei "o meu feeling estava certo". Tinha nomes de avós paternos e maternos, coisas a chegar a 1850. Estava doida. Foram horas da minha vida a ler assentos de batismo e de pedidos de passaportes. Ainda estou com os olhos em bico...
De repente, o meu pai manda-me um whattapp a dizer "olha o que eu encontrei nos meus papéis ". Era uma cópia da certidão de nascimento da minha avó, com o nome dos pais, datas de nascimento e nomes dos avós.  Constatei então que tinha seguido um rumo errado. Que desalento. Tinha lido centenas e centenas de assentos em vão... Aquela Maria da Piedade não era a minha Maria da Piedade. Continuo à procura do assento de batismo dela e não encontro. Já li os assentos entre 1883 e 1887. São milhares  deles. Cada "Maria da Piedade" da Sapateira batizada e eu fico com o coração aos pulos mas depois os pais não correspondem à certidão que o meu pai me enviou. Os nomes repetem-se, credo. Já encontrei um irmão da Maria da Piedade. Os pais são os que estão na minha certidão. Através dos avós dele, consigo perceber que aqueles 4 irmãos são tios e se não me enganei, o pai da minha bisavó foi para o Brasil em 1909 e 1916, com filhos diferentes em cada viagem: Domingos com 13 anos e João de 9. 
Haja paciência e olhos para decifrar caligrafias do século XIX. Por vezes, o meu Cérbero dá um nó e tenho de reler os meus apontamentos que estão caóticos...

Acho piada também ao facto de estar a ler nomes de famílias lá da aldeia que conheço: Bebianos, Pires, Thomas, Diniz, Correia, Simões, etc 

sábado, 6 de março de 2021

Livro 9 - 2021

"Campo de Sangue" - Dulce Maria Cardoso

A história gira em torno de 1 homem e das 4 mulheres que lidam com ele mas que não o conhecem verdadeiramente. Há um mistério por revelar também e através da escrita crua e absolutamente genial, vamos conhecendo as relações entre ele e cada mulher. 
O livro prende por causa da escrita mas não o achei genial. A escrita da Dulce Maria Cardoso é que me prendeu, mais do que a história. É quase hipnótica. 
Dei-lhe 4 estrelas


Árvore genealógica

Tenho um fascínio pelos meus antepassados. Como se chamam? O que fizeram? De onde vieram? Aqueles olhos verdes da minha avó vêm de onde? De fora? A leitura do livro "Emigrantes" fez-me ir à procura daquele bisavó que nunca regressou...

Fui resgatar a minha conta no site myheritage. Não ia lá desde 2007. Atualizei a minha descendência com o Pedro, que ainda não existia. 
A leitura de Coisas dos Loucos despertou também a minha vontade de ir à procura de pessoas, de ressuscitar sobretudo as mulheres da minha família,  mulheres que, coitadas, nada tiveram, suponho.
A partir do site do tombo, encontrei os arquivos digitalizados de 1600 e tal até 1911 da paróquia de Castanheira de Pêra. Liguei ao meu pai e à minha tia para ter mais informações, nomes, ligações familiares... Depois dos meus olhos se habituaram à caligrafia do padre, à estrutura do livro de assento de casamento cuja organização faculta a pesquisa, encontrei o casamento da mãe da minha bisavó paterna. Casaram em fevereiro de 1896. Ele tinha 26 anos, jornaleiro. Ela tinha 16 anos e doméstica. Liguei à tia para partilhar com ela as minhas descobertas. Disse-me que a minha avó contava que se dizia  que essa mulher, avó do meu avô, tinha casado ainda criança. Terão forjado a idade para emcabotar o que nos chamamos hoje pedofilia? Ou já para a época casar aos 16 com um homem de 26 era mal visto... Consegui o nome dos pais dessa gente e vou agora à procura deles... Nota: o padre escreveu que nenhum dos presentes sabia escrever e assinou por todos.
Foi mero acaso. Comecei a ler os assentos em 1890 e fui recuando no tempo. Assim encontrei antepassados do pai cá de casa. Liguei à tia dele que sabia os nomes dos seus avós. Match! Eram operários. Casaram também em 1896.
Vasculhei os pedidos de passaportes e encontrei uma família de jovens Henriques do lugar onde nasceu a minha avó,  também ela Henriques. Pediram os 4 passaporte para Santos em 1912.  Acho que um desses irmãos é tio da minha avó ou assim qualquer coisa mas do lado dela, a que me interessa mais, não tenho ainda nada...Nenhuma prova. Só feeling.
A partir de 1922, o registo Civil de Leiria deixou de preencher os documentos com a naturalidade. É impossível saber dados a partir daí. Fiquei pasmada com a quantidade de pessoas que foram para o Brasil na minha aldeia entre 1890 e 1920. 
Nos assentos de batismo, muito difíceis de ler, quando os filhos são "filhos naturais de pais incógnitos",  o padre escreve " o duplicado da certidão não terá sello . A mãe é pobre e miserável ". Nos (muuuuitos) assentos lidos, os nomes são sempre os mesmos: Maria Rosa ou Rosa Maria, Maria da Piedade e Maria da Conceição. Os nomes das mulheres nunca têm direito a apelido. 
O palavreado do assento de casamento é sempre o mesmo. Já o sei de cor, quase. 

A foto é do assento de casamento de Vicente José e Maria Rosa, pais da minha bisavó Arminda (2a foto).

quinta-feira, 4 de março de 2021

Dia 42

Não durmo como dever ser há semanas. Acordo por volta das 3h00 e a minha cabeça liga-se logo ao trabalho, às avaliações, aos emails que tenho de responder, às aulas que tenho de preparar, aos telefonemas que me faltam fazer e à minha amiga que está mal, sobretudo a ela. Que abalo cá dentro.

Influenciada por umas amigas que percebem imenso de cremes e estética, apostei em vários cremes, coisas chamadas hydroBoost, tónicos, sérum com vitamina C e ácidos hioaurologcia_coiso. Não sei o nome. Podia googlar mas não me apetece. Se calhar, vocês fazem os passos todos para ter uma pela cuidada e não sei quê. Eu não. Começou então a operação "nunca ninguém há de saber a tua idade Tella Marie". 

Todas as minhas aulas começam com a mesma pergunta. Diz-me lá, ó coiso, uma coisa boa que te tenha acontecido desde a última aula. As crianças estão tão presas no mesmo dia que têm dificuldade em responder. Depois, há um que responde "nasceu o meu irmão". Espontaneamente, batemos todos palmas. Foi assim uma alegria coletiva: algo diferente e bom. Uma esperança. Uma aluna, nhonho, como eu, confessou que estava comovida. Eu também não não o confessei. 

Como sabem, estamos a rever o Lost com as nossas crianças. Na semana passada, decidimos jogar o Euromilhões (que raramente jogamos) com os número do Hugo, aqueles que salvam o mundo. Não ganhámos, claro mas foi um momento alto. Ya, um momento alto, aquela adrenalina tipo "uau, podemos ficar ricos, que fixe e com os números da série, tipo ninguém nunca se lembrou e ahaha, que fixe e espertos que somos."

Como diz a MaryQA, já não falta tudo. Até lá, cabe-nos olhar para o copo e vê-lo meio cheio, dar valor às pequenas coisas, relativizar as coisas que nos lixam a cabeça e pôr a vida em perspetiva. 

(Sim, este post está cheio de clichés. Não tenho cabeça para mais.) 



terça-feira, 2 de março de 2021

Dia 40

Bolas, 40 dias!
Apre, que já se vomita o confinamento e o camandro!



sábado, 27 de fevereiro de 2021

Dia 37

Em tempo de confinamento nunca serei magra. 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Livro 3 - Pedro

"Crime Na Escola "

Quis ler o livro quando lhe disse que a ação da história decorre numa escola muito muito parecida com a nossa, que algumas personagens são baseadas nas pessoas da escola, que eu também sou uma personagem figurante (tão secundária que ele não me reconheceu) e que tenho uma dedicátoria no livro...

Gostou e ao chegar ao fim do livro, disse "está empolgante". 

 

Livro 2 - Tiago

Demorou meses a ler o livro anterior e apenas uma semana com este "Robin Hood" do Robert Muchamore, o autor dos livros da Cherub que ele adora.
Quando eles gostam do livro, eles devoram-no. 

Dia 34

Frases muitas vezes ouvidas neste segundo confinamento.
[lista feita sem pensar, numa fração de segundo]
"Não estão numa pensão!"
"Vão ler."
"Não estão fartos dos telemóveis?"
"Larguem os telemóveis!"
"Faz-me uma massagem nos pés!"
"Aprenderam coisas fixes hoje?"
"Vai tomar banho!"
"Isto não É UMA PENSÃO!"
"Estão a gozar comigo, só pode!"
"Mãe, somos 'miiigas"
"Mãe, tu mandas ganda rabo, ya"
"Eh pá, porque sim!"
"Mas..."
"Rabo bom"
"Sem mas! Ouviste? Quem manda sou eu!"
"ISTO NÃO É UMA PENSÃO!"
"Aprende que "mais é menos", ok?"
"Calados ou ficam sem telemóveis !"
"ó mãe..."

"Passa aí o vinho!"

Por aí, há frases repetidas mil vezes por dia?


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Livro 8

"Coisas de Loucos  - o que eles deixaram no manicónio " - Catarina Gomes. 

A partir de objetos encontrados no hospital Miguel Bombarda, a jornalista Catarina Gomes vai à procura dos donos, que foram internados no hospital psiquiátrico nas décadas 20 e 30 do século XX. São pessoas que ouviram vozes, que foram dadas como loucas, "tolas", com transtornos psiquiátricos, que foram internadas e que acabaram por lá ficarem décadas...
A jornalista vai à procura dos detalhes das suas vidas, quase como se fosse um policial. Há todo um trabalho de investigação que está muito bem escrito e que nos prende. Queremos sempre saber mais e mais sobre essas pessoas que passam a ter um nome, um rosto e pertences.
O livro é comovente. Recupera a vida completamente abandonada e esquecida dos doentes. É muito emocionante.
Gostei muito das histórias retratadas e a introdução ao livro, só por si, vale logo 5 estrelas. O livro vale 10!

Recomendo muitíssimo. (Se tivesse de oferecer um livro aos meus amigos, seria este.)

Nota: A editora Tinta da China tem portes gratuitos e tem edições muito bonitas. Just Saying... (Tella, a que gostava de ser a vossa influencer ao nível da leitura...)

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Dia 30

Uma insónia, umas vozes a apoquentarem-me por causa dos quizziz, forms e o camandro, um livro viciante sobre loucos a ouvirem vozes  e um pequeno ataque de ansiedade entram neste bar no dia 30 e fazem com que este dia seja singular. Tudo isso só durante a manhã...

Choveu o dia todo e o melhor a fazer foi acender a lareira, ler e ver o Lost. 


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Dia 28

 O sol apareceu no fim de semana. Fui jogar à bola com os miúdos para a rua. Eu detesto jogar à bola e nem sei jogar, diga-se, mas tinha de fazer qualquer coisa na rua com eles. Ficamos em t-shirt e calção e soube muito bem. 

Fomos depois ao mercado comprar peixe e assá-lo na brasa. Houve vinho bom a condizer com o belo repasto e bolo oferecido por uma vizinha. A outra vizinha veio oferecer-me uma dúzia de ovos caseiros "para os meninos". 

Deitei-me ao sol e fechei os olhos. Senti aquela sensação de ficar com o corpo quente e por uns largos minutos, estava tudo bem. Esqueci-me do confinamento; do covid e do medo que ele chegue ao meu pai sobretudo; das embirrações deles que andam ao rubro e me fazem passar completamente, com vontade de lhes dar estaladas até mais não (há um lado violento em mim que reprimo, eu sei);  das aulas online e do desinteresse geral dos alunos, também eles fartos de tudo; do sedentarismo que só nos faz mal; de quase tudo. 

Foi um dia como antes. Tinha saudades dele. 

(Nunca duvidem do poder sol. )

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Livro 7

"A Cidade de Vapor " - Carlos Ruiz Zafón

Ofereceram-me o livro no Natal. Agradeci muito mas pensei "ui, um livro de contos, vou mazé trocar". Mas entre confinamento aos fins de semana e covidados em todo o lado, pensei que ia fazer a troca lá mais para a frente. Pumba,  livrarias fechadas e não tive outro remédio sem ser ficar com ele. 
Devia ter ido trocado. "Tella, tu segue as tuas primeiras ideias. Os contos não são a tua cena". Os contos sabem-me sempre a pouco quando gosto da história ou a demasiado quando não entro no enredo e foi o caso de três. 
Há histórias bonitas mas demasiadas curtas e outras aborrecidas, como tudo na vida. Não recomendo (apesar de ser muito bem cotado e falado, mas acho que avaliam o autor e não esta obra...digo eu, que tenho mau feitio e não gosto de não chegar ao cerne da coisa.)
Dei-lhe 3 em 5. 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Das séries

Cada um vê a sua série na sua bolha, mas ao fim do dia, vemos sempre, desde sempre quase, uma série em família. 

Depois de ver a série super politicamente incorreta, cheia de nonsense, um pouco hard core e com muita piada "O Último a Sair", vimos o "How to Get Away with a Murdered". O Pedro gostou tanto que já descobriu o que quer ser mais tarde: advogado.

E agora, sabem o que andamos a (re)ver com eles? Aquela série com 20 anos mas que continua boa como tudo: Lost. 

(Ai meninas, as saudades que tinha do Jack e do Sawyer!)



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Livro 1 do Tiago -2021

"O Símbolo Perdido"  - Dan Brown

Tinha de ler o livro até dia 10 de fevereiro. Não respeitou o prazo. Acabou-o no dia seguinte sem consequências ou castigo porque sempre são 570 páginas...Desta vez, passou. 
Foi o seu primeiro calhamaço. Diz que gostou mas não me recomenda a leitura porque não é o meu estilo. Rico filho, que me conhece tão bem.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Os meus filhos descobriram o blog!

Viram uma página aberta do blog. Reconheceram os livros, viram o nome do blog, as palavras Pedro, o Tiago, Tella e perceberam que tinha um blog e que falava também deles. 

O Tiago perguntou-me hoje, num intervalo da escola, quem era a Marí_kia. Não reconheci a pessoa, até pensei que fosse um escritor! "Não sabes? Está sempre a comentar o blog!". Eras tu, MaryQA! Não sei se está a ler as últimas postagens ou começou do início. Com tanta coisa interessante para ler, escolhe este blog, pfff. Meu deus, terei de apagar aqueles posts onde digo que coiso e tal e afins. A partir de agora, a minha escrita está condicionada, acho eu. 

(tenho, no entanto, a esperança que se fartem, até porque blogs, pfff, é coisa de gente mais antiga ...)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Livro 6

"O Meu Irmão " - Afonso Reis Cabral

O narrador fala-nos da história que tem com o Miguel, irmão com síndrome de Down. A história oscila entre o presente, onde os dois manos estão numa aldeia perdida do Norte, e o passado onde temos acesso às recordações do narrador, da sua família, do irmão deficiente, da vida do Miguel e da instituição que o acolhe, das personagens da instituição, da história  do Miguel e da Luciana, da decisão de cuidar do irmão deficiente depois da morte dos pais e das sensações do narrador, que são muitas vezes escritas num tipo de letra diferente. Como se o narrador tivesse duas vozes em determinados momentos. Reconheci-me naquela escrita. 

Podia ter sido eu a escrever algumas frases assim.

Li o livro sem saber se estava a gostar porque há momentos lentos, parados quase, como na aldeia onde estão. As coisas parecem não fluir. As últimas 90 páginas foram, no entanto, deconcertantes e as coisas aceleraram até chegar ao auge e a um desenlace incrível. As últimas páginas levaram-me  para um sítio onde fiquei com o coração acelerado, oprimido. Não estava à espera do que li. 

O livro fala da deficiência sem nenhuma ponta de lirismo ou floreado. É tudo muito seco e duro. Incomodou por vezes um pouco. 
Dei 4,5 ao livro. 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Cronograma capilar

Como sabem (porque são leitores fiéis e atentos ao que escrevo, certo?), tenho muita queda de cabelo, estando já com o couro cabeludo à mostra nalgumas zonas. É dramático.
Gastei (e contino a gastar) rios de dinheiro em suplementos, gotas,  champô e afins. Descobri um grupo de tratamentos para cabelos no FB e juntamente com ele descobri uma coisa chamada cronograma capilar (ide googlar). É um mundo de produtos de máscaras hidratantes, nutritivas e reparadoras; de gotas, de serum , de spray, de condicionadores secos, em pó e em coiso, de low poo cujo significado ainda não entendi. Fico sempre de boca aberta em descobrir que existe mundos que me passaram ao lado, tipo toda a gente faz isso menos eu. Que totó, não admira que esteja assim.... Para mim, sempre me bastaram o champô e condicionador pantene e já era a loucura! Como estou a panicar com o pouco cabelo que tenho, aderi a esse movimento e tb eu fico agora horas a tratar do cabelo, com apontamentos na minha agenda para não me enganar na máscara a usar em tal dia, um para dar força ou brilho e impedir a queda, outro para reconstruir para não cair, etc.
Se vejo resultados? Por incrível que pareça, não, mas sou ando nisso há um mês e meio. É aguardar mais umas semanas...

Dia 19

Queria escrever qualquer coisa mas não me ocorre nada. Um vazio, um desinteresse, uma falta de inspiração. Olhando para o primeiro confinamento, pergunto-me como consegui escrever todos os dias no blog. 
Embora haja muitos dias iguais, não há dois confinamentos iguais e este, senhoras, está a custar horrores. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Livro 2 do Pedro

Continuo a obrigar os miúdos a lerem. Tínhamos combinado que tinham de ler um livro até dia 10 de fevereiro. 

O Pedro acabou o dele ontem mas o irmão continua a procrastinar. Ainda lhe faltam 60 ou 70 páginas. Se não tiver lido o livro até dia 10, que castigo hei de inventar? Meto-me em cada situação...pfff. 

Bem, mas o Pedro leu o livro dele e não gostou muito. Achou-o  complicado e lento. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Dia 14

Ando sempre à espera de alguma coisa, do dia seguinte talvez, o que é parvo, uma vez que será redondamente igual ao anterior, mas diferente. Tento contrariar a tendência em não fazer nada porque neste confinamento, tenho menos paciência para os dias que se sucedem. Estou mais atenta às horas que passam em frente ao PC, ao tempo que estamos em silêncio, juntos, mas isolados nos nossos mundos. Às vezes, aflige-me ver que estamos em ilhas diferentes. Noutras, acho importante que tenhamos uma bolha para onde irmos, para ouvir silêncio. Estar calado é o melhor remédio, dizia o meu pai. Corro, leio e vou fazer passeios higiénicos com os miúdos. 

Deito-me sabendo que amanhã será igual mas diferente ou vice-versa, diferente mas igual. Falta-me apurar esta última frase. 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Livro 5


"Os Vivos e os Outros" - José Eduardo Agualusa

Comecei a ler este livro em dezembro. Foi uma leitura lenta e pouco prazerosa. Não gostei do livro. Gosto muito do Agualusa, daí o esforço para chegar ao fim. Se fosse outro autor, tinha posto de lado, de certeza.

O livro conta a história de um encontro de escritores africanos numa ilha moçambicana. Por causa de uma tempestade, ficam isolado do mundo: não há telefone, não há Internet e não se consegue voltar ao continente pela única estrada possível. 

Os escritores interagem, há retórica literária, as personagens dos livros aparecem, mas tudo se arrasta e nada me prendeu. Dei-lhe duas estrelas. 


domingo, 31 de janeiro de 2021

Livro 4

"Emigrantes" - Ferreira de Castro 

Conheci este autor há talvez 20 anos, com a obra "A Selva". Voltei novamente a ele com este livro absolutamente notável. Há autores portugueses pouco lidos e poucos reconhecidos e é uma pena.

"Emigrantes" conta -nos a história de Manuel da Bouça, homem pobre, analfabeto do inicio do século XX, que acredita, como todos, que se tornará rico se for trabalhar 4 ou 5 anos para o Brasil. Ele, que nunca fora a Lisboa, que se sentia sempre amedrontada em falar com os senhores da vila, decide ir para o outro lado do Atlântico aos 40 anos. No Brasil, rapidamente percebe que um pobre é e será sempre pobre em qualquer canto do mundo. 
O livro acompanha a partida da sua terra até ao Brasil e mostra-nos os seus medos, as agustias da partida e da chegada, a sua ingenuidade, as suas derrotas, as suas decisões, as suas aventuras e as dores da saudade. 

O livro é simplesmente genial, apesar de muito triste. 
Em tempos tão sombrios,  em que se põe em causa o outro, o que vem de fora, é sempre bom ler este género de livros e perceber que já fomos o outro e quisemos ser aceite e feliz. Ser emigrante é um tema intemporal...
Recomendo muito. "Emigrantes" entra diretamente para aquela lista dos melhores livros lidos até hoje. 

[O livro tocou-me também porque 1) aos 40 anos, o meu avô paterno deu o salto, sozinho, para França,  deixando cá a sua família, vivendo em bairros de lata para ganhar algum dinheiro e enviar aos seus; 2) o meu avô materno deu o salto com o irmão para França, deixando cá também a sua família e passando por privações que nunca quis narrar;  3) o meu bisavô, do lado paterno, fez como a personagem do livro, mais ou menos por volta dos anos 30.  Pediu emprestado dinheiro para poder comprar um bilhete para o Brasil, deixando a mulher com 4 filhos. A minha avó tinha 4 anos. Nunca mais regressou. Ainda enviou uma carta com dinheiro para selar parte da dívida  e depois disso, o silêncio.  Quem foi com ele regressou e contou uma vez numa taberna, bêbado,  que foi assassinado por um patrício lá da terra mas sem certezas. Eu acho que ele fez como os milhares de portugueses que foram e por lá ficaram: teve vergonha de regressar pobre.]