Não sei se é do cansaço, do excesso de trabalho, de ter pouco tempo livre. Não sei se é da perimenopausa, das muitas turmas difíceis, da chuva, do céu cinzento. Não sei se é de não ir ao ginásio desde novembro, do mês de fevereiro que se parece com janeiro ou da minha verdadeira natureza. Mas a verdade é que me tenho tornado numa pessoa mais azedo. Mais sisuda e seca. Dou por mim, por exemplo, a pensar "que mula!" depois de falar com muitas pessoas. [E no outro dia, a contar um episódio a uma colega, acabei a história dizendo "aquele X é mesmo mula!". A colega ficou a olhar para mim, rindo-se constrangida, como quem diz "menos, Tella" e o que é que eu pensei? Isso.] Não gosto da pessoa que ando a ser. Estes dias de descanso, intercalados com a correção dos testes, são capazes de me fazer bem. Urge mudar o chip, Tella.
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Medo
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A proposito da música Medo do Medo de Capicua, fiquei a pensar nos meus próprios medos. Vi um rol deles: desde aqueles que despareceram, como os dois buracos das portadas de madeira do meu quarto que me faziam lembrar os olhos de um monstro e que me obrigavam a dormir com o rosto tapado pelo cobertor, ao mais recente: o medo de ver um filho fracassar porque decide não seguir o caminho esperado (ou normal?). Sei que pode parecer um medo que assenta numa visão negativa desse filho, mas não creio. Nasce do desejo de proteger, de evitar a desilusão dele, ou pior, que se arrependa no futuro e que (me) diga "e não fizeste nada para me impedir?" Quando ele me diz que ser outra coisa, algo difícil de alcançar, e que pode fechar várias portas "normais" por querer ser outra coisa, eu entro em pânico. Não há caminhos certos para nada, eu sei, mas há trajetos que me parecem surreais e que podem levar a nulle part. É escusado dizer aqueles clichés todos, do género " el...
Apontamento
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Vi o documentário Orwell:2+2=5 . Quando percebemos que vivemos praticamente na distopia que Orwell escreveu em 1948 e que as reflexões dele, nos diários, são o que sentimos hoje em 2026, não podemos deixar de pensar no génio que ele era e na sociedade que somos e seremos. Que murro no estômago! Ide ver, senhoras, ide ver. Imperdível.
Livros de janeiro
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1. Gente ansiosa - Fredrik Backman O livro começa com um assalto risível e mal conseguido e uma situação de reféns,mas rapidamente nos apercebemos que o assalto é um ponto de partida para uma outra coisa. Vamos conhecendo vários reféns, as suas histórias, fragilidades e defeitos e tudo com humor. Fui conquistada aos poucos pelo livro. 4 estrelas. [Comecei a ver a série sueca na Netflix, mas desisti depois de ver o 1° episódio.] 2. Somos o esquecimento que seremos - Héctor Abad Faciolince O escritor fala-nos do pai dele, figura incrível que dedicou a sua vida às causas sociais e à família. Decidi ler o livro por causa do título, que achei maravilhoso. 3 estrelas.
Sub 17 [update]
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Hoje começa a 2a parte do campeonato nacional. Das 16 equipas, somente 8 passaram. A equipa do meu Pedro está, para já, nas melhores 8 do país. Ele marcou 2 golos na 1a parte, o que para um guarda-redes, nesta fase, é muito. Também impediu que muitas bolas entrassem. O colega dele também, verdade seja dita, mas aos meus olhos, o meu esteve melhor, claro. Depois desta fase, só 4 permanecerão em jogo. Seguirão para as meias-finais e a final que destacará o campeão nacional. Estou a torcer para que seja o meu filho, como calculam. Jogará hoje contra o Braga, às 18h. Ao nosso lado, já cá está o selecionador nacional. Espero que o meu filho jogue pelo menos uma parte e que nada passe. Ser mãe de guarda-redes é super difícil. Respira, Tella, respira. [Update: jogou o tempo todo, as duas partes, e ganharam.]
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Vi a serie documental de que toda a gente fala: 'Mário Soares a duas voltas", disponível na RtpPlay, sobre as eleições presidenciais de 86. Em 1986, vivia em França e tinha 8 anos. Foi por isso uma surpresa para mim conhecer os meandros do momento. Gostei dos pormenores, que nunca foram aborrecidos, as figuras, as movimentações políticas, o dramatismo da 1a volta, as frases que marcaram alguns momentos e fiquei de boca aberta com a forte mobilização de Portugal. Era sempre um mar de gente a acompanhar Freitas e Soares. Incrível. E aquele políticos, que classe e que eloquência. (Chegámos a pôr para trás para a ouvir uma segunda vez algumas deixas deles .) Vale muito a pena.
Desabafo
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Há dias em que perdes o controlo da tua aula e de um aluno em particular. Hoje foi um desses dias. Terá sido, em 23 anos de docência, a primeira* situação grave que me ocorreu. Não vou contar a história em si, porque não interessa, mas apenas o que fica durante e depois. O coração que bate demasiado rápido, a voz que treme, a ausência de discernimento para saber o que fazer, a tua vulnerabilidade perante os outros alunos, a insegurança, sempre ela, que aparece com ainda mais força, a vontade de chorar e o pensamento constante "se calhar, não devia ter ido por aquele caminho" ou pior ainda "podia ter fingido não ter visto". A experiência vale de pouco, certo? E depois do sucedido, tens de continuar a dar aula com a restante turma, como se nada fosse, numa espécie de "sorrir e acenar" e num ambiente crispado (e solidária comigo? Com o colega? ) ou de troça silenciosa perante a adulta que teve muitas dificuldades em lidar com a cena. Estou aqui num furo a e...
O Pedro faz 16 anos
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Há uns anos, neste dia, uma colega disse-me "Que interessante, o número dele é o 7", com aquele ar que as pessoas têm quando falam de coisas místicas. Como não desenvolvi conversa, não sei o que significa. Relato o episódio aqui para ser uma espécie de introdução, porque pouca coisa tenho a dizer. Tudo, ou quase tudo, já foi dito sobre esse miúdo que nos surpreende sempre. Para mim, o Pedro é um infinitude de coisas e, hoje, está de parabéns. Não receberá a prenda desejada, a motorizada, porque, convenhamos, está...parvo, mas receberá abraços sentidos e longos que o farão revirar olhos e dizer "mãe, vá, chega". Adoro esse meu filho!
Outra pequena nota
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Hoje, fui ao Castelo de São Jorge, numa visita de estudo com um 9ºano. Ao descer as ruelas, já no regresso para o autocarro que esperava por nós em Alfama, entre casinhas pequenas de AL ou wines bar, o Tejo aparecia cinzento , como só janeiro sabe ser. Havia algo de triste: o frio, a chuva, a calçada escorregadia, o céu também ele cinzento ou, vá, plúmbeo, como dizem os escritores a sério quando descrevem nuvens. E nem a ideia de ser sexta-feira nem o riso dos alunos conseguiu aligeirar o ambiente. Hoje, não tive dúvidas: Janeiro pede recolhimento. Eu, como sempre (2019 ou 2022 ), só quero hibernar.
Pequenas notas sobre janeiro (que nunca mais chega ao fim)
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O pai cá de casa foi operado, uma coisa aparatosa, de difícil recuperação. (E eu que nunca tive vocação para enfermeira, com exceção dos tempos em que os miúdos eram pequenos e o colo era meio consolo para ambas as partes...) Acabámos de rever em família a série Guerra dos Tronos, eles pela segunda vez e nós, o pai de casa e eu, pela terceira. É uma série que continua a surpreender. Comprei o 1° volume porque o Pedro disse que os queria ler. Espero que sim, que esse miúdo não me lê nada e passa horas agarrado ao telemóvel ou à PlayStation. (E eu que ando tão preocupada pela forma como eles falam, com pouco vocabulário ou com expressões parvas, que ouvem nas redes sociais e que repetem até à exaustão. Estupidificação em massa loading ✅ ) Vi o filme "Batalha atrás de batalha". Inicialmente, achei que ia ver um daqueles filmes norte-americanos, com perseguições e tiros, e que ia detestar. Afinal vi um filme norte-americano, com perseguições e tiros, e muito bom! A ...