Lembram-se disto ? Afinal não é um caso isolado. Ontem, uma aluna do 9°ano, na nossa última aula, confessou-me que fui também professora da mãe, no meu primeiro ano enquanto professora na escola, em setembro de 2003. Ela disse-me o nome da mãe, mas não cheguei la. Pedi-lhe para ver uma foto, mas a aluna é uma ave rara: não tem telemóvel (nem televisão). Acrescentei, um tom jocoso, qualquer coisa como "Descansa a mãe e diz-lhe que me tornei professora a sério e que estou muito melhor do que era no tempo dela". A miúda, uma aluna exemplar e muito querida, riu-se e assegurou-me que já tinha mencionado que era competente e fixe. Fiquei mais descansada. Não vamos para novas, certo?
Mensagens
Livro do mês de maio
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Pela primeira vez em anos, desde o tempo em que tive bebés e estava completamente absorvida por eles, chego ao fim do mês sem ter lido um livro. Zero. Nada. Quer dizer, eu comecei a ler um livro logo no início do maio e até estou a gostar bastante, mas nem a metade cheguei. Dizem que a culpa nao morre solteira. Acho que a culpa é da vida que se vai metendo e que, por vezes, pesa mais do que o kobo.
As piores cenas do ginásio
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Há muitos adolescentes, que andam em bando, meios desarticulados, meios tontinhos, a correrem de máquinas em máquinas... Há amigos dos meus filhos que são queridos e que me vêm dar beijinho. Please, estou suada. Há amigos dos meus filhos que me veem, mas que nem olham para mim. Seguem em frente, olhar fixo numa coisa mais interessante. Deve ser constrangimento, 'tá bem, tá, ou talvez uma certa dose de má educação... Em ambos os casos, bastava um aceno. Há antigos alunos, uns mais recentes e outros mais antigos ( "peço desculpa, é a professora Tella, não é? Sou o T. do 7°A de 2005/2006 !") E eu ali, toda suada, desgrenhada, com legins de 3a categora e t-shirt da Primark ou algo parecido... A dignidade vai-se um pouco embora, confesso. Tirando as pessoas, sempre elas a incomodarem, voltei a gostar muito de ir ao ginásio.
48 - parte 2
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Como sempre, no dia de hoje, sou mimada por muitos. Fazem-me sentir importante. Amanhã, serei só mais uma pessoa, mas hoje, pfff, hoje, putain, sou cool e importo para muita gente. Entre abraços sentidos de alunos, oferta de ramos de flores do meu 9°A do ano passado que se voltou a juntar, num intervalo, para me cantar os parabéns no pátio da escola e oferecer as ditas flores, mensagem do Canadá via Carolina - a primeira a dar-me os parabéns e a fazer-me rir, telefonemas do Ricardo, da Sílvia, dos pais, sogros ou da tia, sms da Mirita ou da Catalão e de tantos outros a dizer " és uma miuda com graça ", logo eu, que adoro o Graça, o abraço do Pedro, em frente à sala dos professores, porque acordou num dia não, como todos diga-se, e só se lembrou que eu fazia anos depois de escrever o primeiro sumário. " Mãe, desculpa, sabes que não funciono de manhã. Gosto de ti .", ao abraço do Tiago depoisdo treino com os putos dele, de mister feito, à conchinha do pai cá de ca...
O início do fim da linha?
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Estou no ginásio. Guardo as coisas no meu cacifo. Fecho o cacifo com o cadeado de combinação com três digitos. Vou treinar. Regresso. Fui então incacapz de ver os dígitos do cadeado. Estava tudo desfocada e a iluminação, diga-se, não ajudou. Tentei, tentei, mas nada vi e/ou consegui. Tive então de pedir a uma jovem de 20 anos para o abrir, dizendo-lhe, obviamente os números. Ela parecia este emoji 😅, com uma certa condescendência à mistura, e deve ter pensado "ao que chegamos com a idade!"
Oui, c'est moi!
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Às vezes, quero fazer-me outra. De outro lugar, de outra raiz, de outra estrutura, de outra condição, de outro meio, de outro vernissage, de outra envergadura. Às vezes, consigo, mas grande parte das vezes, não consigo, por mais que tente. Há sempre qualquer coisa a desmascarar-me...Um gesto, uma palavra ou até um silêncio. Só os mais atentos é que me conseguem ver como sou ou sou muito óbvia? Há uma espécie de fio invisível que me prende à génese e que me baralha. Afinal, quem sou eu? (E é impossível não me lembrar da Carolina e da sua máxima "ninguém se conhece ate ao fim da sua morte".) - Tella, quem és tu, na verdade? Perguntaram-me isso há uns dias no trabalho. Não respondi. E como sempre, quando estou a ser entalada ou numa situação desconfortável, digo algo com graça (ou não...), aceno e sorrio. Lembrei-me então que sou, sem sombra de dúvidas, aquela que, ao parir o primeiro filho, saltou um "foda-se" bem alto. Não se consegue fugir...
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Ontem, fui beber um copo com uns conhecidos/amigos neste sítio . No meio de tanta cara conhecida, vejo de relance três antigos alunos, homens feitos de 30 e tal anos. Uma hora e tal depois de la estar, os três homens aproximam-se, meio envergonhados, e dizem "desculpe, queríamos dar um beijinho à professora Tella.". Conversámos muito, durante mais de 30 minutos, e ri-me ainda mais. Dizia um deles "bebi mais um copo de vinho para ganhar coragem e vir falar consigo!". Fui professora deles há 19 anos. Continuaram a tratar-me por stôra. Quando lhes pedi para me tratarem pelo meu nome, chamaram-me professora. Voltei para casa de coração cheio.
Livros de Abril
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Livro 8 - A malcriada , de Beatrice Salvioni. Este livro é a continuação de "A malnascida". Li um a seguir ao outro, porque gostei muito do anterior. Também gostei muito deste, mas achei o 1° volume melhor. 3,5. Livro 9 - A canção do profeta , de Paul Lynch (O livro foi emprestado há muitos e muitos meses por uma colega que me disse "vais adorar". Demorei a pegar nele por não o poder ler no kobo. Que tonta, eu sei!) Um dos sentimentos que mais gosto é quando estou a ler um livro (em abril, neste caso) e sei, de antemão, que será o melhor livro do ano. É uma distopia na Irlanda do Norte onde o governo retira liberdades e direitos à população e seguimos, oprimidos e de forma claustrofóbica, uma família onde o pai lá de casa é sindicalista. É de leitura obrigatória, sobretudo nos tempos que correm. Constatamos, ao lê-lo, que a liberdade é mesmo uma coisa muito frágil e que quando a engrenagem para acabar com a Democracia está em marcha, nada podemos fazer pa...
25 de abril, sempre! [Editado]
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Hoje é o melhor dia do ano! ( Mas hoje com um sabor diferente, pois o meu mais novo não descerá a avenida, porque tem um jogo contra o Sporting. Esteve indeciso. Falta ao jogo ou falta à descida na Avenida? Optou pelo jogo e irá depois ter com os amigos e talvez connosco ao Rossio. Saiu há pouco para o jogo comovido e, acho, arrependido da escolha ...) [Edit: Encontrei o Miguel PC e falamos da Carolina e fiquei de lágrimas nos olhos. Estava a ver que me desmanchava... O Pedro jogou. Dizem e diz ele que fez um jogaço. Marcou um golo. Esse meu guarda-redes é do catano! Chegou às 18h. Esteve connosco 30 minutos e foi ter com a grupeta dele. Para o ano há mais. ]
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Ontem fui ao Fundo do Lugar ver a casa da minha avó, vendida há quase um ano. Contornei a casa, pelo lado dos campos outrora cultivados, pronta a galgar o murro baixo e o arame que o meu avô lá colocou há mais de 30 anos talvez. (Terá sido mesmo ele a colocar o arame?) Queria entrar no espaço. Foram as câmaras a apontar para o sítio onde estava - câmaras no Fundo do Lugar! - que me impediram in extremis de o fazer. Realmente teria sido parvo. Perguntava o pai cá de casa "querias soltar aquilo para quê?" Não sei. Se calhar, queria ceder a um impuslo primitivo, como um animal que marca território. Apoderar-me do espaço só mais uma vez. Num dos pátios interiores, um móvel da cozinha de cima desmanchado - consegui ver através de uma foto tirada com o meu telemóvel, erguendo-me ligeiramente junto ao portão de baixo. O portão principal ainda tem as inicias AR -1972 (Anibal Rodrigues, meu avô). A venda da casa despertou lágrimas e zangas na família. Eu não senti nada disso. C...