Ontem fui ao Fundo do Lugar ver a casa da minha avó, vendida há quase um ano. Contornei a casa, pelo lado dos campos outrora cultivados, pronta a galgar o murro baixo e o arame que o meu avô lá colocou há mais de 30 anos talvez. (Terá sido mesmo ele a colocar o arame?) Queria entrar no espaço. Foram as câmaras a apontar para o sítio onde estava - câmaras no Fundo do Lugar! - que me impediram in extremis de o fazer. Realmente teria sido parvo. Perguntava o pai cá de casa "querias soltar aquilo para quê?" Não sei. Se calhar, queria ceder a um impuslo primitivo, como um animal que marca território. Apoderar-me do espaço só mais uma vez. Num dos pátios interiores, um móvel da cozinha de cima desmanchado - consegui ver através de uma foto tirada com o meu telemóvel, erguendo-me ligeiramente junto ao portão de baixo. O portão principal ainda tem as inicias AR -1972 (Anibal Rodrigues, meu avô). A venda da casa despertou lágrimas e zangas na família. Eu não senti nada disso. C...