Mensagens

A voz de Hind Rajab

Imagem
O filme saiu  em fevereiro, mas passou-me ao lado.  Vi-o somente ontem à noite.  É um filme tunisino que documenta de forma comovente, claustrofóbica e dolorosa, a chamada telefónica entre uma criança palestinana, presa num carro, num cenário de guerra na faixa de Gaza, e a Cruz Vermela lá do sítio. O objetivo é conseguirem uma linha verde para a irem resgatar em segurança.  O filme utiliza gravações reais da menina. Ficamos, também nós,  completamente perdidos naquele caos emocional e humano.  Ainda estou devastada com o que vi. É duro, mas é obrigatório ver. 

Livros de fevereiro

 3. Amor e Enganos , de Julia Quinn A Netflix estreou a quarta temporada da série Bridgerton. Vi tudo de seguida, que uma pessoa também gosta de ver coisas simples e que enche a vista, if you know what i mean. Disponibilizaram apenas 4 episódios. Não aguentei a espera e fui ler o livro para saber o que iria acontecer às personagens.. Li-o em dois ou três dias. São frases curtas com sujeito, verbo e complemento direto; sujeito, verbo e complemento direto... Tão básico que aborrece. Dei-lhe 2 estrelas e tive vergonha de o ter adicionado no meu Goodreads... 4. Um livro cujo nome desconheço, mas vou ver no meu kobo e já aqui escrevo...  Este nem o adicionei ao Goodreads por vergonha!  Crença , de Penélope Douglas Vou contextualizar. Uma colega do secundário, que não vejo desde 1997, publicou um post a falar de literatura smut e da importância que esta teve para que ela voltasse a ler. Sugeriu este livro. Fiquei curiosa e li-o sem saber ao que ia. Meu deus. É uma literatura po...

Desafio

A minha escola desafiou alunos e professores a escrever uma "Carta a um jovem leitor" acerca do nosso despertar para a leitura.  Escrever aqui, caras leitoras de blogs, é uma coisa. Escrever uma carta que será lida, apresentada e afixada na comunidade escolar é toda uma outra coisa... que me deixa muito insegura.  Carta feita e enviada. 

4.1

Estou a escrever o sumário no PC numa sala do 2°andar. Sinto uma vibração e penso: - Olha, o metro a passar.  [Não há metro num raio de 1/2 km.] Uma aluna diz: -Sentiram o terramoto? Sim, nem sempre percebo as coisas à primeira! 
Não sei se é do cansaço, do excesso de trabalho, de ter pouco tempo livre. Não sei se é da perimenopausa, das muitas turmas difíceis, da chuva, do céu cinzento. Não sei se é de não ir ao ginásio desde novembro, do mês de fevereiro que se parece com janeiro ou  da minha verdadeira natureza. Mas a verdade é que me tenho tornado numa pessoa mais azedo. Mais sisuda e seca. Dou por mim, por exemplo, a pensar "que mula!" depois de falar com muitas pessoas. [E no outro dia, a contar um episódio a uma colega, acabei a história dizendo "aquele X é mesmo mula!". A colega ficou a olhar para mim, rindo-se constrangida, como quem diz "menos, Tella" e o que é que eu pensei? Isso.] Não gosto da pessoa que ando a ser. Estes dias de descanso, intercalados com a correção dos testes, são capazes de me fazer bem.  Urge mudar o chip, Tella.

8 ou 80

Preciso de muito e de pouco.  Preciso de sol na cara, apesar de saber que faz rugas.  Preciso de uma casa em Lisboa com melhores condições no inverno, apesar de saber que não tenho dinheiro para ela. 

Medo

A proposito da música  Medo do Medo   de Capicua, fiquei a pensar nos meus próprios medos. Vi um rol deles: desde aqueles que despareceram, como os dois buracos das portadas de madeira do meu quarto que me faziam lembrar os olhos de um monstro e que me obrigavam a dormir com o rosto tapado pelo cobertor, ao mais recente: o medo de ver um filho fracassar porque decide não seguir o caminho esperado (ou normal?).  Sei que pode parecer um medo que assenta numa visão negativa desse filho, mas não creio. Nasce do desejo de proteger, de evitar a desilusão dele, ou pior, que se arrependa no futuro e que (me) diga "e não fizeste nada para me impedir?" Quando ele me diz que ser outra coisa, algo difícil de alcançar, e que pode fechar várias portas "normais" por querer ser outra coisa, eu entro em pânico. Não há caminhos certos para nada, eu sei, mas há trajetos que me parecem surreais e que podem levar a nulle part.  É escusado dizer aqueles clichés todos, do género " el...

Apontamento

Vi o documentário Orwell:2+2=5 .  Quando percebemos que vivemos praticamente na distopia que Orwell escreveu em 1948 e que as reflexões dele, nos diários, são o que sentimos hoje em 2026, não podemos deixar de pensar no génio que ele era e na sociedade que somos e seremos. Que murro no estômago! Ide ver, senhoras, ide ver. Imperdível. 

Livros de janeiro

 1. Gente ansiosa - Fredrik Backman O livro começa com um assalto risível e mal conseguido e uma situação de reféns,mas rapidamente nos apercebemos que o assalto é um ponto de partida para uma outra coisa. Vamos conhecendo vários reféns, as suas histórias, fragilidades e defeitos e tudo com humor.  Fui conquistada aos poucos pelo livro. 4 estrelas. [Comecei a ver a série sueca na Netflix, mas desisti depois de ver o 1° episódio.] 2. Somos o esquecimento que seremos - Héctor Abad Faciolince O escritor fala-nos do pai dele, figura incrível que dedicou a sua vida às causas sociais e à família. Decidi ler o livro por causa do título, que achei maravilhoso. 3 estrelas. 

Sub 17 [update]

Hoje começa a 2a parte do campeonato nacional. Das 16 equipas, somente 8 passaram. A equipa do meu Pedro está, para já, nas melhores 8 do país. Ele marcou 2 golos na 1a parte,  o que para um guarda-redes, nesta fase, é muito. Também impediu que muitas bolas entrassem. O colega dele também, verdade seja dita, mas aos meus olhos, o meu esteve melhor, claro.  Depois desta fase, só 4 permanecerão em jogo.  Seguirão para as meias-finais e a final que destacará o campeão nacional. Estou a torcer para que seja o meu filho, como calculam.  Jogará hoje contra o Braga, às 18h. Ao nosso lado, já cá está o selecionador nacional. Espero que o meu filho jogue pelo menos uma parte e que nada passe.  Ser mãe de guarda-redes é super difícil. Respira, Tella, respira. [Update: jogou o tempo todo, as duas partes, e ganharam.]
Imagem
Vi a serie documental de que toda a gente fala: 'Mário Soares a duas voltas", disponível na RtpPlay, sobre as eleições presidenciais de 86. Em 1986, vivia em França e tinha 8 anos. Foi por isso uma surpresa para mim conhecer os meandros do momento. Gostei dos pormenores, que nunca foram aborrecidos, as figuras,  as movimentações políticas, o dramatismo da 1a volta, as frases que marcaram alguns momentos e fiquei de boca aberta com a forte mobilização de Portugal. Era sempre um mar de gente a acompanhar Freitas e Soares. Incrível.  E aquele políticos, que classe e que eloquência. (Chegámos a pôr para trás para a ouvir uma segunda vez algumas deixas deles .) Vale muito a pena.

Desabafo

Há dias em que perdes o controlo da tua aula e de um aluno em particular. Hoje foi um desses dias. Terá sido, em 23 anos de docência, a primeira* situação grave que me ocorreu.  Não vou contar a história em si, porque não interessa, mas apenas o que fica durante e depois.  O coração que bate demasiado rápido, a voz que treme, a ausência de discernimento para saber o que fazer, a tua vulnerabilidade perante os outros alunos, a insegurança, sempre ela, que aparece com ainda mais força, a vontade de chorar e o pensamento constante "se calhar, não devia ter ido por aquele caminho" ou pior ainda "podia ter fingido não ter visto". A experiência vale de pouco, certo? E depois do sucedido, tens de continuar a dar aula com a restante turma, como se nada fosse, numa espécie de "sorrir e acenar" e num ambiente crispado (e solidária comigo? Com o colega? ) ou de troça silenciosa perante a adulta que teve muitas dificuldades em lidar com a cena. Estou aqui num furo a e...