Mensagens

O que faz falta?*

Conversas sem telemóvel na mão, tempo sem pressa, " mais comunicação e menos interpretação **", contas mais leves no supermercado, menos ruído e mais intenção, mais atitudes dignas de seres humanos pensantes e, claro, " animar a malta". * * O Pedro estava no quarto a ouvir o Zeca e fiquei a divagar... ** Frase da Tânia Graça no podcast " Voz de Cama" . 

Ordem

Há meses que pensava que tinha de arrumar a casa . Aquela lista de blogs ( "Por lá ") aqui ao lado, cheia de nomes parados, alguns  há 5, 6 ou 7 anos. Estão ali no fim da lista à espera de não sei quê.  Foram blogs com vida, mas que acabaram.  Há que aceitar, eliminá-los e seguir em frente, até porque no substack, há tantos blogs giros e interessantes... (Há pouca coisa a relatar de momento, eu sei...)

Livros de março

 6. O Lugar da Incerteza - Patrícia Reis Li o livro no meio de mil afazeres - Março foi um mês com demasiado trabalho e muitas coisas a acontecerem. Arrastei a leitura ao longo de três semanas. Quando assim é, não consigo ter um olhar tão positivo quanto, se calhar, o livro merecia.  Resumo: é a história de um psiquiatra, de um padre e de uma arquitecta, pacientes do psiquiatra, e das relações que tecem uns com os outros e sobretudo com os seus familiares, revelando muitas fragilidades.  3 estrelas.  7. A Malnascida   - Beatrice Salvioni A irmã de uma amiga recomendou o livro no Instagram. Gostei dos tópicos que abordou no seu post e decidi ler. É uma história de amizade entre duas meninas, na Itália fascista dos anos 30. Fala sobretudo sobre a condição feminina da época e s ororidade. Gostei muito.   " A tua tarefa é estar calada. E esperar. É isso que faz uma boa rapariga ." Os haters dirão que tem muitas semelhanças com A Amiga Genial da ...

Hot!

Afogueada, em brasa, caliente , a escaldar,  ruborizada, de todo.  Podia ser paixão, uma cena com uma bolinha vermelha no canto, mas não.  É só a perimenopausa a dar a sua graça de madrugada, sem pedir licença.  Que mula! 

Un peu partout

Ao acordar, o sonho dissipou-se em microsegundos. Parecia tão próximo e foi-se, deixando apenas uma expressão : "un peu partout".  Quem a disse? Em que contexto? Terá sido mesmo isso? Ainda sonho em francês?  Para quando uma máquina capaz de gravar os nossos sonhos? Não? 

Outras curtas

-  No largo, o tema desta semana é "cartas postais ".  Lembrei-me então que há 3 anos dei a minha morada a uma turma incrível e pedi-lhe, sem nenhuma imposição ou obrigatoriedade, que me enviassem um postal de férias escrito em francês. Quando regressei de férias, em finais de agosto, tinha, na minha caixa de correio, postais de França,  Itália,  Espanha, Portugal e Japão. Eu, que mando tudo para o lixo,  guardei-os todos numa caixinha e tive o postal do Japão exposto numa prateleira durante uns meses. Fiquei comovida. Achei que ninguém se ia lembrar de mim.  - Fomos, esta semana, a uma reunião do clube do meu mais novo. Querem assinar um contrato com ele para a próxima época e pagar-lhe mensalmente uma quantia simbólica. A diva não sabe se quer ficar. Ficamos de pensar. Diz ela que quer ir para um clube grande.  Menos, filho, menos.  Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar , não? - Estou chocada ao verificar que estamos a ceder, milímetro ...

Curtas

- Quando olho para as minhas unhas, revejo as do meu avô do Norte. Quando olho para a curvatura do Pedro, vejo o meu tio João. Deve ser isso a força do gene. Um cliché à sexta: carregamos outros dentro de nós.  - Ando a ler uma crónica do Lobo Antunes por dia. Que delicioso.  - Os meus alunos escreveram "As coisas que mais prazer me dão". Ri-me e emocionei-me com muitos. Moi, la nhónhó, como sempre.  - O Tiago anda a protelar as aulas de código. Inscrito há quase 2 ou 3 meses na escola de condução, só foi a 2 ou 3 aulas. Só o quero com carta de condução para agilizar as idas aos treinos... - Uma aluna disse-me que não tinha tempo para aprender, apenas para decorar. Andamos todos num frenesim, uns a fingirem que ensinam e outros a fingirem que aprendem.  - Fui à consulta anual de ginecologia. Não ia, afinal, desde outubro 2022...Andamos mesmo num frenesim louco e eu à deriva, não? - O Pedro disse que tinha saudades do pai enquanto treinador de GR. Dizia-me ele "com o ...

Dia 8 de Março

A minha Aida dizia-me muitas vezes " quem me dera ter 20 anos, saber o que sei hoje e viver agora neste mundo".   Sempre gostei de ouvir as histórias que tinha para contar. Ela contava muitas. Num baile da festa, um homem "mau" (ela dizia o nome dele e com quem tinha casado e acrescentava depois "o filho da mãe"), pediu para dançar com ela. Recusou. Explicava-me sempre que era uma vergonha para o homem uma mulher recusar. Ela recusou. Então, quando ela ia a passar, ele fez-lhe uma rasteira e ela caiu de cara no chão. "Era assim". Ria-se a contar a história.  Quando me casei, veio ter comigo ao meu quarto. Eu estava com a minha tia. Disse: -Tella, na vida e na cama, vais sempre ficar por baixo.  Ele fala e tu calas-te.  " Só tínhamos um carapau para comer. Dei um lombo ao teu pai, o outro à tia. Dei a cabeça ao avô. Eu comia só a sopa com um pouco de broa. O avô chegou, viu que só tinha a cabeça.  Ficou irritado. Agarrou então no prato dele e...

As coisas que mais prazer me deram na vida - António Lobo Antunes

Uma colega partilhou esta maravilhosa crónica do Lobo Antunes : "As coisas que mais prazer me deram na vida". Eis a minha versão, o meu pastiche: Ouvir os sinos da capela da senhora da Guia, mergulhar nas águas geladas do Corga, o cheiro da ilha, subir a correr ao Coentral, o coração descompassado quando via o Gaetan, passar a mão no musgo, passear com a avó Monteira e a cadela Dor e apanhar paus, ouvir as histórias dela sobre a família de Portugal, jogar às orelhas com o avô Monteiro, ouvir a Aida dizer "mãos frias, coração quente", sentir os meus filhos dentro de mim, cuidar do meu irmão, em tempos, como se eu fosse mãe dele, recordar o Pedro a dizer amo-te-te,  ouvir as músicas com a minha madrinha num gira-discos no quarto dela, deixar a areia fina escorregar dos dedos, dar um mergulho no mar e deitar-me ao sol, o meu pai a dizer-me, apenas uma vez, "amo-te", correr com a Carolina, a minha mãe a dizer "ó minha filha" quando me atende o telemó...

(Meno)pausa na forma de estar?

Há uns dias, alguém fez uma cena infeliz. Não vale a pena estar aqui a explicar, mas foi foleiro e não gostei nada. O meu olhar de desdém foi revelador. Não ia dizer nada. A vida segue. A pessoa é parva, coitada, e eu sigo a minha vida. Não há necessidade de drama.  No dia seguinte, veio ter comigo para falar o sucedido, a querer explicar o porquê da cena.  Quis falar comigo sobre o assunto em pé, na sala dos professores. Ela começou "bla bla bla" e lá explicou algo sem sentido. Interrompi-a, já estava em loop, para lhe dizer "não gostei nada da tua atitude. Foste infeliz e, na verdade, já que puxas o assunto, tu é que tiveste mal porque bla bla bla". Juro-vos que acho que foi a primeira vez que disse, no trabalho, a alguém que não tinha gostado da atitude dela para comigo. Sou de comer e calar e, se necessário, cortar para sempre a pessoa, à la ressabiada, admito.  Entretanto, apercebi-me que as conversas dos restantes colegas começaram a ficar suspensas para ouvir...

A voz de Hind Rajab

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O filme saiu  em fevereiro, mas passou-me ao lado.  Vi-o somente ontem à noite.  É um filme tunisino que documenta de forma comovente, claustrofóbica e dolorosa, a chamada telefónica entre uma criança palestinana, presa num carro, num cenário de guerra na faixa de Gaza, e a Cruz Vermela lá do sítio. O objetivo é conseguirem uma linha verde para a irem resgatar em segurança.  O filme utiliza gravações reais da menina. Ficamos, também nós,  completamente perdidos naquele caos emocional e humano.  Ainda estou devastada com o que vi. É duro, mas é obrigatório ver.