Notas soltas (e longas)
A Carolina falou-me em registar os sonhos num caderno logo ao acordar. Já tenho o caderno na minha mesa de cabeceira, mas não coloquei lá caneta ou lápis. Hoje, acordei a pensar "ai, que sonho tão bom": Metia a Inês P. e mais duas pessoas a fazer não sei quê. Lá está, já não sei do que se tratava... A ver se me organizo mais e melhor - é pôr um lápis lá, Tella! - para conseguir perceber o que sonho.
Recebi, este ano letivo, o melhor horário de sempre. É a primeira vez, desde sempre, que tenho três tardes livres. A maravilha das maravilhas!
Desde que regressámos de férias, o pai cá de casa e eu temos passado todos os fins de semana fora e sem os filhos. Que maravilha! Não ter filhos atrelados é uma nova etapa nas nossas vidas. Para além da privacidade e intimidade recuperadas, sem medo de ser interrompidos/apanhados /you know it, recuperámos também conversas à mesa, com todo o tempo do mundo. Senti um pouco que era quase como estar na ilha. As conversas continuam muito a ser sobre os filhos também. Serão sempre o cerne das nossas vidas (pff, que peso esta frase, credo!). Bom, têm sido fins de semana bons! Os miúdos adoram também ficar sozinhos em casa. Sozinhos? Mentira! Há sempre muita gente a ficar até de madrugada ou a dormir cá...
Tudo se encaminha para que goste de todas as minhas turmas. Se calhar estou a deitar foguetes demasiado cedo, mas depois dos últimos9°anos, tudo me parece melhor...
Ando descontente com a equipa técnica e a coordenação do clube do mais novo. Não se pode dizer nada, porque o menino tem medo de nao ser convocado. Pfff. Também me parece que o Pedro está a perder aquela garra, aquela loucura necessária para varrer uma bola. Já me vi mais perto de ser a dolores do futsal.
Partilho aqui SMS trocadas entre o meu mais velho e eu:
Eu: Vou precisar de ir a baixa logo à tarde. Vamos de Gira. Posso usar as tuas credenciais?
Eu: Se não tiveres de usar a Gira para ir para fac, diz-me quais são
Ele: Tu não sabes andar de gira
Ele: É melhor não ires
Ele: Vai de metro
Ele: Nem sabes como funciona. Depois não sabes onde são os postos e vão estar cheios
Ele acha mesmo que sou uma atada de 1a espécie.
(Enviou-me as credenciais, mas resolvi ir de metro, porque a minha colega, com quem ia, não quis ir de bicicleta.)
Fui ver a exposição imersiva sobre o antigo Egipto com oculos virtuais com umas colegas. Enfim, tivemos várias peripécias e eu mais do que elas. O sistema passou-se e deixámos de ver o que os óculos nos mostravam, mas o som estava aos gritos nos meus ouvidos e eu, em vez de tirar aquela tralha toda, só gritava, dizem elas, "Susana, não oiço nada do que me dizes. Não estou a ouvir nada!". Veio uma pessoa falar comigo. Pôs a mão no meu ombro e eu gritei: "sou surda, não oiço nada". Ela baixou o som, tirou o capacete e perguntou "o aparelho auditiva interfere, é?". Ela riram muito, claro.
Houve um momento em que vi os avatares delas a passarem por uma parede. Eu não tinha a porta que elas dizem que tinham, mas avancei pela parede adentro. "Do outro lado", estava um chão com buracos, que mostravam um vazio. Tive, naquele momento, um ataque qualquer. Senti vertigens até mais não. Comecei a tremer e pareiAté me vieram lágrimas nos olhos. Veio alguém ter comigo. Chamei pela Raquel, que me levou pelo braço o resto da visita, qual d.Clotide, e me dizia, "Tella, isto é tudo plano". Olhem, não gostei nada daquilo, até porque não aprendi nada de novo. Fiquei com dores de cabeça e enjoada durante algum tempo.
Eu, na vida, sou sempre assim...
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