Jorge Palma

Será talvez o artista que mais vi ao vivo. Há pouco, contei 8 concertos, mas depois lembrei-me de mais um no Campo Pequeno, logo a seguir ao desconfinamento. 9. Deve haver mais, de certeza. A minha memória já não é a mesma. Fui até ver um programa ao vivo do Herman 98 (ou 99) para o ver a tocar uma música. 

Vi-o no ano passado nos claustros da Graça, depois de um longo internamento. Cantou com a ajuda dos filhos. Já não era o Palma de outrora. Disse que não conseguia cantar "Frágil", mas cantou e emocionou todos com o "Estrela do mar". Senti que seria o último concerto que iria ver. Não me enganei. 

O Jorge Palma é também a banda sonora da minha vida e da relação com o pai cá de casa. Em 2000 ou antes ou depois, fomos acampar para o Gerês, percorremos o Norte de carro, com um único CD: . Ouvimos em loop. Ouvimos em loop muitos outros, mas o representa aquelas férias loucas, sem rumo, só nós e a certeza que vivíamos um amor sem fim. Cantávamos tudo aos gritos no nosso carocha vermelho descapotável. 

O pai cá de casa está no Porto há dois dias. Hoje só o queria cá para chorar nos braços dele a morte do nosso cantor. 

Estou destroçada. 

(Este post-num escrito num só take, sem grande reflexão, tem como banda sonora "Jeremias, o fora da lei", "o lado errado da noite" e "Onde estás tu, mamã? e é impossível não lacrimejar...)

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