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Livros de Abril

Livro 8 - A malcriada , de Beatrice Salvioni. Este livro é a continuação de "A malnascida". Li um a seguir ao outro, porque gostei muito do anterior. Também gostei muito deste, mas achei o 1° volume melhor.  3,5.  Livro 9  - A canção do profeta , de Paul Lynch (O livro foi emprestado há muitos e muitos meses por uma colega que me disse "vais adorar". Demorei a pegar nele por não o poder ler no kobo. Que tonta, eu sei!)  Um dos sentimentos que mais gosto é quando estou a ler um livro (em abril, neste caso) e sei, de antemão, que será o melhor livro do ano. É uma distopia na Irlanda do Norte onde o governo retira liberdades e direitos à população e seguimos, oprimidos e de forma claustrofóbica, uma família onde o pai lá de casa é sindicalista.  É de leitura obrigatória, sobretudo nos tempos que correm. Constatamos, ao lê-lo, que a liberdade é mesmo uma coisa muito frágil e que quando a engrenagem para acabar com a Democracia está em marcha, nada podemos fazer pa...

25 de abril, sempre! [Editado]

 Hoje é o melhor dia do ano!  ( Mas hoje com um sabor diferente, pois o meu mais novo não descerá a avenida, porque tem um jogo contra o Sporting. Esteve indeciso. Falta ao jogo ou falta à descida na Avenida? Optou pelo jogo e irá depois ter com os amigos e talvez connosco ao Rossio. Saiu há pouco para o jogo comovido e, acho, arrependido da escolha ...) [Edit:  Encontrei o Miguel PC e falamos da Carolina  e fiquei de lágrimas nos olhos. Estava a ver que me desmanchava... O Pedro jogou. Dizem e diz ele que fez um jogaço. Marcou um golo. Esse meu guarda-redes é do catano! Chegou às 18h. Esteve connosco 30 minutos e foi ter com a grupeta dele.  Para o ano há mais. ]
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Ontem fui ao Fundo do Lugar ver a casa da minha avó, vendida há quase um ano. Contornei a casa, pelo lado dos campos outrora cultivados, pronta a galgar o murro baixo e o arame que o meu avô lá colocou há mais de 30 anos talvez. (Terá sido mesmo ele a colocar o arame?) Queria entrar no espaço. Foram as câmaras a apontar para o sítio onde estava - câmaras no Fundo do Lugar! - que me impediram in extremis de o fazer. Realmente teria sido parvo. Perguntava o pai cá de casa "querias soltar aquilo para quê?" Não sei. Se calhar,  queria ceder a um impuslo primitivo, como um animal que marca território. Apoderar-me do espaço só mais uma vez.  Num dos pátios interiores, um móvel da cozinha de cima desmanchado - consegui ver através de uma foto tirada com o meu telemóvel, erguendo-me ligeiramente junto ao portão de baixo.  O portão principal ainda tem as inicias AR -1972 (Anibal Rodrigues, meu avô). A venda da casa despertou lágrimas e zangas na família. Eu não senti nada disso. C...

Curtas

- Apercebi-me melhor do verdadeiro corpo da mulher, aquele que se move sem filtros e sem pudor no ginásio. (Só reparei agora porque passei a tomar lá banho). Tem ancas largas, tem estrias tatuadas que parecem rios. Tem a barriga apertada nas leggins, que sai um pouco de fora e tem mamas descaídas. Sinto que sorrio interiormente quando vejo, de soslaio, um corpo assim. Mulher como nós.   - O Pedro descobriu a música cigana. Passou a ser a nossa banda sonora de manhã até à escola. Não gosto nada. É horrível! Pelo meio, ouve Zeca. Sempre o Zeca.  - Falando dele ainda : ele assinou contrato de formação com o clube. Foi o único atleta de 2010 a fazê-lo. O meu hastag é  #quero ser a Dolores do futsal. (Já tinha dito que ele tinha assinado? Estou na dúvida...Oh pá,  ando chalupa.) - Já elegi o melhor livro lido em 2026: A Canção do Profeta . - Detesto arrumar a casa ou limpá-la, mas cada vez mais me agrada fazê-lo para ter tudo organizado e limpo. É um contrassens...

Sobrevivi!

Acho que não se fala suficientemente do Corte Inglês de Lisboa, certo? Chegou então a hora de pôr os pontos nos -is.  A primeira vez que fui ao supracitado local, saí ao fim de 5-10 minutos. Não gostei do conceito. Os sítios fechados e amplos atrofiam-me.  Fiquei anos sem lá pôr os pés. Regressei com o pai cá de casa, que estacionou no parque, uma espécie de escorrega em espiral  enlouquecido , até ao piso -2 ou -3. Que descida infernal. Fui com o intuito de comprar uma caixa de Legos. Não a comprei por causa do preço elevado: sim, sou forreta.  Regressei hoje, pela quarta vez.  Fui sozinha de carro. Estacionei naquele local infernal, que enrola, enrola, enrola. Pensei "Ah Tella, fecha os olhos!". Não os fechei, acho. Não posso jurar. Sim, sou má condutora. Estacionei e perdi-me imediatamente. Não encontrava a porta de entrada e não decorei o caminho até ao carro. Estava a pensar no jantar, no trabalho, na vida e ainda com o coração nas mãos por causa do estacio...

O que faz falta?*

Conversas sem telemóvel na mão, tempo sem pressa, " mais comunicação e menos interpretação **", contas mais leves no supermercado, menos ruído e mais intenção, mais atitudes dignas de seres humanos pensantes e, claro, " animar a malta". * * O Pedro estava no quarto a ouvir o Zeca e fiquei a divagar... ** Frase da Tânia Graça no podcast " Voz de Cama" . 

Ordem

Há meses que pensava que tinha de arrumar a casa . Aquela lista de blogs ( "Por lá ") aqui ao lado, cheia de nomes parados, alguns  há 5, 6 ou 7 anos. Estão ali no fim da lista à espera de não sei quê.  Foram blogs com vida, mas que acabaram.  Há que aceitar, eliminá-los e seguir em frente, até porque no substack, há tantos blogs giros e interessantes... (Há pouca coisa a relatar de momento, eu sei...)

Livros de março

 6. O Lugar da Incerteza - Patrícia Reis Li o livro no meio de mil afazeres - Março foi um mês com demasiado trabalho e muitas coisas a acontecerem. Arrastei a leitura ao longo de três semanas. Quando assim é, não consigo ter um olhar tão positivo quanto, se calhar, o livro merecia.  Resumo: é a história de um psiquiatra, de um padre e de uma arquitecta, pacientes do psiquiatra, e das relações que tecem uns com os outros e sobretudo com os seus familiares, revelando muitas fragilidades.  3 estrelas.  7. A Malnascida   - Beatrice Salvioni A irmã de uma amiga recomendou o livro no Instagram. Gostei dos tópicos que abordou no seu post e decidi ler. É uma história de amizade entre duas meninas, na Itália fascista dos anos 30. Fala sobretudo sobre a condição feminina da época e s ororidade. Gostei muito.   " A tua tarefa é estar calada. E esperar. É isso que faz uma boa rapariga ." Os haters dirão que tem muitas semelhanças com A Amiga Genial da ...

Hot!

Afogueada, em brasa, caliente , a escaldar,  ruborizada, de todo.  Podia ser paixão, uma cena com uma bolinha vermelha no canto, mas não.  É só a perimenopausa a dar a sua graça de madrugada, sem pedir licença.  Que mula! 

Un peu partout

Ao acordar, o sonho dissipou-se em microsegundos. Parecia tão próximo e foi-se, deixando apenas uma expressão : "un peu partout".  Quem a disse? Em que contexto? Terá sido mesmo isso? Ainda sonho em francês?  Para quando uma máquina capaz de gravar os nossos sonhos? Não? 

Outras curtas

-  No largo, o tema desta semana é "cartas postais ".  Lembrei-me então que há 3 anos dei a minha morada a uma turma incrível e pedi-lhe, sem nenhuma imposição ou obrigatoriedade, que me enviassem um postal de férias escrito em francês. Quando regressei de férias, em finais de agosto, tinha, na minha caixa de correio, postais de França,  Itália,  Espanha, Portugal e Japão. Eu, que mando tudo para o lixo,  guardei-os todos numa caixinha e tive o postal do Japão exposto numa prateleira durante uns meses. Fiquei comovida. Achei que ninguém se ia lembrar de mim.  - Fomos, esta semana, a uma reunião do clube do meu mais novo. Querem assinar um contrato com ele para a próxima época e pagar-lhe mensalmente uma quantia simbólica. A diva não sabe se quer ficar. Ficamos de pensar. Diz ela que quer ir para um clube grande.  Menos, filho, menos.  Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar , não? - Estou chocada ao verificar que estamos a ceder, milímetro ...

Curtas

- Quando olho para as minhas unhas, revejo as do meu avô do Norte. Quando olho para a curvatura do Pedro, vejo o meu tio João. Deve ser isso a força do gene. Um cliché à sexta: carregamos outros dentro de nós.  - Ando a ler uma crónica do Lobo Antunes por dia. Que delicioso.  - Os meus alunos escreveram "As coisas que mais prazer me dão". Ri-me e emocionei-me com muitos. Moi, la nhónhó, como sempre.  - O Tiago anda a protelar as aulas de código. Inscrito há quase 2 ou 3 meses na escola de condução, só foi a 2 ou 3 aulas. Só o quero com carta de condução para agilizar as idas aos treinos... - Uma aluna disse-me que não tinha tempo para aprender, apenas para decorar. Andamos todos num frenesim, uns a fingirem que ensinam e outros a fingirem que aprendem.  - Fui à consulta anual de ginecologia. Não ia, afinal, desde outubro 2022...Andamos mesmo num frenesim louco e eu à deriva, não? - O Pedro disse que tinha saudades do pai enquanto treinador de GR. Dizia-me ele "com o ...

Dia 8 de Março

A minha Aida dizia-me muitas vezes " quem me dera ter 20 anos, saber o que sei hoje e viver agora neste mundo".   Sempre gostei de ouvir as histórias que tinha para contar. Ela contava muitas. Num baile da festa, um homem "mau" (ela dizia o nome dele e com quem tinha casado e acrescentava depois "o filho da mãe"), pediu para dançar com ela. Recusou. Explicava-me sempre que era uma vergonha para o homem uma mulher recusar. Ela recusou. Então, quando ela ia a passar, ele fez-lhe uma rasteira e ela caiu de cara no chão. "Era assim". Ria-se a contar a história.  Quando me casei, veio ter comigo ao meu quarto. Eu estava com a minha tia. Disse: -Tella, na vida e na cama, vais sempre ficar por baixo.  Ele fala e tu calas-te.  " Só tínhamos um carapau para comer. Dei um lombo ao teu pai, o outro à tia. Dei a cabeça ao avô. Eu comia só a sopa com um pouco de broa. O avô chegou, viu que só tinha a cabeça.  Ficou irritado. Agarrou então no prato dele e...

As coisas que mais prazer me deram na vida - António Lobo Antunes

Uma colega partilhou esta maravilhosa crónica do Lobo Antunes : "As coisas que mais prazer me deram na vida". Eis a minha versão, o meu pastiche: Ouvir os sinos da capela da senhora da Guia, mergulhar nas águas geladas do Corga, o cheiro da ilha, subir a correr ao Coentral, o coração descompassado quando via o Gaetan, passar a mão no musgo, passear com a avó Monteira e a cadela Dor e apanhar paus, ouvir as histórias dela sobre a família de Portugal, jogar às orelhas com o avô Monteiro, ouvir a Aida dizer "mãos frias, coração quente", sentir os meus filhos dentro de mim, cuidar do meu irmão, em tempos, como se eu fosse mãe dele, recordar o Pedro a dizer amo-te-te,  ouvir as músicas com a minha madrinha num gira-discos no quarto dela, deixar a areia fina escorregar dos dedos, dar um mergulho no mar e deitar-me ao sol, o meu pai a dizer-me, apenas uma vez, "amo-te", correr com a Carolina, a minha mãe a dizer "ó minha filha" quando me atende o telemó...

(Meno)pausa na forma de estar?

Há uns dias, alguém fez uma cena infeliz. Não vale a pena estar aqui a explicar, mas foi foleiro e não gostei nada. O meu olhar de desdém foi revelador. Não ia dizer nada. A vida segue. A pessoa é parva, coitada, e eu sigo a minha vida. Não há necessidade de drama.  No dia seguinte, veio ter comigo para falar o sucedido, a querer explicar o porquê da cena.  Quis falar comigo sobre o assunto em pé, na sala dos professores. Ela começou "bla bla bla" e lá explicou algo sem sentido. Interrompi-a, já estava em loop, para lhe dizer "não gostei nada da tua atitude. Foste infeliz e, na verdade, já que puxas o assunto, tu é que tiveste mal porque bla bla bla". Juro-vos que acho que foi a primeira vez que disse, no trabalho, a alguém que não tinha gostado da atitude dela para comigo. Sou de comer e calar e, se necessário, cortar para sempre a pessoa, à la ressabiada, admito.  Entretanto, apercebi-me que as conversas dos restantes colegas começaram a ficar suspensas para ouvir...

A voz de Hind Rajab

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O filme saiu  em fevereiro, mas passou-me ao lado.  Vi-o somente ontem à noite.  É um filme tunisino que documenta de forma comovente, claustrofóbica e dolorosa, a chamada telefónica entre uma criança palestinana, presa num carro, num cenário de guerra na faixa de Gaza, e a Cruz Vermela lá do sítio. O objetivo é conseguirem uma linha verde para a irem resgatar em segurança.  O filme utiliza gravações reais da menina. Ficamos, também nós,  completamente perdidos naquele caos emocional e humano.  Ainda estou devastada com o que vi. É duro, mas é obrigatório ver. 

Livros de fevereiro

 3. Amor e Enganos , de Julia Quinn A Netflix estreou a quarta temporada da série Bridgerton. Vi tudo de seguida, que uma pessoa também gosta de ver coisas simples e que enche a vista, if you know what i mean. Disponibilizaram apenas 4 episódios. Não aguentei a espera e fui ler o livro para saber o que iria acontecer às personagens.. Li-o em dois ou três dias. São frases curtas com sujeito, verbo e complemento direto; sujeito, verbo e complemento direto... Tão básico que aborrece. Dei-lhe 2 estrelas e tive vergonha de o ter adicionado no meu Goodreads... 4. Um livro cujo nome desconheço, mas vou ver no meu kobo e já aqui escrevo...  Este nem o adicionei ao Goodreads por vergonha!  Crença , de Penélope Douglas Vou contextualizar. Uma colega do secundário, que não vejo desde 1997, publicou um post a falar de literatura smut e da importância que esta teve para que ela voltasse a ler. Sugeriu este livro. Fiquei curiosa e li-o sem saber ao que ia. Meu deus. É uma literatura po...

Desafio

A minha escola desafiou alunos e professores a escrever uma "Carta a um jovem leitor" acerca do nosso despertar para a leitura.  Escrever aqui, caras leitoras de blogs, é uma coisa. Escrever uma carta que será lida, apresentada e afixada na comunidade escolar é toda uma outra coisa... que me deixa muito insegura.  Carta feita e enviada. 

4.1

Estou a escrever o sumário no PC numa sala do 2°andar. Sinto uma vibração e penso: - Olha, o metro a passar.  [Não há metro num raio de 1/2 km.] Uma aluna diz: -Sentiram o terramoto? Sim, nem sempre percebo as coisas à primeira! 
Não sei se é do cansaço, do excesso de trabalho, de ter pouco tempo livre. Não sei se é da perimenopausa, das muitas turmas difíceis, da chuva, do céu cinzento. Não sei se é de não ir ao ginásio desde novembro, do mês de fevereiro que se parece com janeiro ou  da minha verdadeira natureza. Mas a verdade é que me tenho tornado numa pessoa mais azedo. Mais sisuda e seca. Dou por mim, por exemplo, a pensar "que mula!" depois de falar com muitas pessoas. [E no outro dia, a contar um episódio a uma colega, acabei a história dizendo "aquele X é mesmo mula!". A colega ficou a olhar para mim, rindo-se constrangida, como quem diz "menos, Tella" e o que é que eu pensei? Isso.] Não gosto da pessoa que ando a ser. Estes dias de descanso, intercalados com a correção dos testes, são capazes de me fazer bem.  Urge mudar o chip, Tella.