Livros de agosto - 2026

Li muito em agosto, porque agosto é tempo da ilha e lá, há tempo para tudo.. É um post longo e chato, mas já sabem, é o que é! Vejam os títulos e leiam, pelo menos, o parágrafo sobre o último livro, porque sim. 

19/2026
Imperatriz - A história da última mulher que governou a China, de Pearl S. Buck

Na minha ideia, tinha tudo para gostar: autora premiado com o Nobel da Literatura, romance histórico, mulher forte como personagem prinicipal. Estava errada. Foi uma seca, com demasaidos pormenores sobre os corredores do poder, os enuncos e as descrições longas e pouco conseguidas. Um tédio. 2 estrelas. 

20/2026
Sótão, de Madalena Sá Fernandes

Vi um vídeo do Markl sobre o livro e fiquei curiosa. O sótão como espaço interior e exterior, aquele sítio que nos pode salvar. Uma leitura que nos agarra imediatamente. 
4 estrelas.

21/2026
Atos de desobediência, de Helena Magalhães 

Num post qualquer no Instagram, falava-se em livros feministas. Ao lado de vários nomes sonantes, estava este. Com algumas reticências, movidas pela ignorância e preconceito, pois pensava que era literatura light e má, agarrei no livro. 
Narra a história de uma escritora que anda um pouco aos tombos, em busca de inspiração, de uma vida estável, de um relacionamento sólido. Aborda as relações entre mulheres sobretudo e entreajuda entre elas. Os homens, aqui, são todos maus e acho que isso é too much. (Há uma frase que diz algo como "os homens só querem foder as mulheres". Não foi assim, mas a ideia e o verbo utilizado foi esse.). Tirando isso, gostei. 4 estrelas. 

22/2026
A sombra das árvores no inverno, de Carla Pais

Trouxe-o comigo porque é o Prémio Leya.
É um livre triste, muito triste, bem escrito, mas onde há demasiadas desgraças. São três histórias que se cruzam e onde temas como o racismo, o abandono e o terrorismo são abordados. Foi um livro que me fez lacrimejar na parte final. 
4 estrelas. 

23/2026
Terra, de Maggie O'Farrell

Enquanto o estava a ler na praia, disse à Carolina que bom que era gostar tanto de um livro. E foi. Quando o acabei, fiquei um dia sem ler nada, a processar tudo.
É a história de uma família irlandesa, depois da grande fome, onde a terra tem um.papel mportante importante, pois tem memória de quem veio antes, muito antes, e de quem virá depois. As descrições, as personagens (espetaculares) e a história estão muito bem conseguidas. Eu estava na ilha de Armona, mas este livro conseguiu transportar-me para a Irlanda, para aquela vegetação densa, verdejante e húmida.  
Já só penso em viistar o país por causa do livro. Que bom que foi.
5 estrelas.

24/2026
Pequenas coisas como estas, de Claire Keegan. 
Este livro andava lá pela sala dos professores e quando vi o título, tive vontade de o ler. (Descobri, entretanto, que foi traduzido por uma colega...)
É um livro curto, mas que diz muito, sem revelar quase nada. Há subentendidos, silêncios e reticências, que nos obrigam a ver mais do que está escrito. A personagem principal, homem de família trabalhador, é amorosa. E mais não digo. 
4 estrelas. 

25/2026
Pequena coegrafia do adeus, de Aline Bei.

Tinha adorado O peso do pássaro morto e tinha decidido ler outro livro da autora nas férias. Guardar o que é bom para um momento bom. Não foi, no entanto, o que aconteceu. O livro é bom - conta a história de uma mulher que nos vai narrando uma infância infeliz por causa de uma mãe que foi abandonada pelo marido - mas ficou aquém das minhas expetativas. 
3 estrelas. 

26/2026
Descansos, de Susana Amaro Velho

A Carolina leu-o na ilha e recomendou-o. Não sei se gostou, mas disse-me a mim e ao pai cá de casa para o ler. 
Li-o sem grande interesse inicialmente. 
A ação decorre numa vila do centro e, na minha cabeça, imaginei Castanheira de Pera, só porque sim. Havia referências a Coimbra, A13 e tal. Mas depois havia algumas coisas, na descrição da vila, que imaginava a ação em Figueiró dos Vinhos. As personagens, invejosas e vis, também remetiam para a minha zona. Depois, aos poucos, falaram da povoação de Pobrais e mais à frente, de Nogueiró. Reconheci efetivamente a minha zona e percebi que tinha a ver também com os incêndios de Pedrogão.  A certeza veio com a referência à praia das Rocas, a Nogueiró e ao bombeiro morto, chamado Picasso no livro, mas Assa na vida real. Reconheci-o ou projetei nele o nosso bombeiro morto pelas chamas. 
Percebi por que razão a Carolina queria que o lesse. Não é um grande livro, mas gostei de o ler. A história? Uma mulher regressa à vila depois de 13 anos de ausência para enterrar a mãe com quem cortou relações, mãe essa que perdeu uma filha de 8 anos de idade. 
2,5


27/2026
Segredos de guerra: o testemunho poderoso de uma mulher alemã durante a segunda guerra munidal, de Svenja O'Donnell

A jornalista vai à procura da verdadeira história da sua avó, mulher alemã durante a segunda guerra munidal. Através de cartas, fotos, dados históricos, relatos de familiares e da própria avó, descobre o segredo dela.
É também um relato sobre o alemão comum, refugiado de guerra quando esta acaba e pelo que passou quando era (e ainda é) visto como o mau da fita.  

"A história da minha avó ensinou-me uma lição (...) O imperativo de sobreviver pode trazer consigo escolhas difíceis, que nem sempre parecem ser boas ao serem contadas."

4 estrelas

28/2026
A turista invisível, de Ana Saragoça

A Ana Saragoça é amiga de um grande amigo. Jantei com ela no 25 de Abril e ela falou-me do livro que ia ser editado na Leya.  Foi um jantar muito simpático, muito divertido e com muito álcool. Foi amor à primeira vez entre as duas ou o vinho me toldou a memória e o sentido das coisas e foi apenas um amor não correspondido. 

O livro dela é um diário de viagem que cumpre o sonho de adolescente: fazer um interrail. Aos 59 anos, fez-se ao caminho e foi sozinha. 
Acompanhamos as suas aventuras e ri-me com algumas delas e reflexões simples e divertidas. Senti também as suas angústias e neuras. Parecia que estava a viajar com ela e/ou que gostaria de viajar com ela. Uma mais-valia: a página dela no Instagram tem fotos de situações e locais que narra. Achei o máximo! 
Recomendo!
4 esteelas. 







Comentários

Carolina disse…
gostei do livro Descansos, porque me permitiu ver e ouvir as pessoas daquela região. quando reli o teu post, dei-me conta de que já nem me lembrava do enredo principal... o que me ficou, foram as pessoas. também gostei do significado de descansos, mas achei muito forçado no contexte deste livro. vou procurar a tua review sobre o outro que li A carteira....