Medo

A proposito da música Medo do Medo de Capicua, fiquei a pensar nos meus próprios medos. Vi um rol deles: desde aqueles que despareceram, como os dois buracos das portadas de madeira do meu quarto que me faziam lembrar os olhos de um monstro e que me obrigavam a dormir com o rosto tapado pelo cobertor, ao mais recente: o medo de ver um filho fracassar porque decide não seguir o caminho esperado (ou normal?). 
Sei que pode parecer um medo que assenta numa visão negativa desse filho, mas não creio. Nasce do desejo de proteger, de evitar a desilusão dele, ou pior, que se arrependa no futuro e que (me) diga "e não fizeste nada para me impedir?"
Quando ele me diz que ser outra coisa, algo difícil de alcançar, e que pode fechar várias portas "normais" por querer ser outra coisa, eu entro em pânico. Não há caminhos certos para nada, eu sei, mas há trajetos que me parecem surreais e que podem levar a nulle part. É escusado dizer aqueles clichés todos, do género "eles têm de seguir a vida deles e não a tua e blá blá bla". Eu sei, mas estou a falar de medos (que são irracionais)  e não de o impedir de ser diferente.
É que este medo parece um novelo de lã. Puxas um fio e vem outro bocado. Está ligado a outros: o medo do futuro, o medo de confundir os meus sonhos com os dele e o medo do meu medo ser um obstáculo para ele. Eh pá, o meu monstro da casa de Granges parece um menino perante estes. É que não desparecem quando se enfia a cabeça debaixo de cobertor, mas instala-se na cabeça demasiado tempo a apertar o peito e, por vezes, a provocar cenas desnecessárias entre nós. 

E no meio disto tudo, quando é que se perdem os medos (ou que se fica crescida)?

Comentários