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A mostrar mensagens de março, 2026

Curtas

- Quando olho para as minhas unhas, revejo as do meu avô do Norte. Quando olho para a curvatura do Pedro, vejo o meu tio João. Deve ser isso a força do gene. Um cliché à sexta: carregamos outros dentro de nós.  - Ando a ler uma crónica do Lobo Antunes por dia. Que delicioso.  - Os meus alunos escreveram "As coisas que mais prazer me dão". Ri-me e emocionei-me com muitos. Moi, la nhónhó, como sempre.  - O Tiago anda a protelar as aulas de código. Inscrito há quase 2 ou 3 meses na escola de condução, só foi a 2 ou 3 aulas. Só o quero com carta de condução para agilizar as idas aos treinos... - Uma aluna disse-me que não tinha tempo para aprender, apenas para decorar. Andamos todos num frenesim, uns a fingirem que ensinam e outros a fingirem que aprendem.  - Fui à consulta anual de ginecologia. Não ia, afinal, desde outubro 2022...Andamos mesmo num frenesim louco e eu à deriva, não? - O Pedro disse que tinha saudades do pai enquanto treinador de GR. Dizia-me ele "com o ...

Dia 8 de Março

A minha Aida dizia-me muitas vezes " quem me dera ter 20 anos, saber o que sei hoje e viver agora neste mundo".   Sempre gostei de ouvir as histórias que tinha para contar. Ela contava muitas. Num baile da festa, um homem "mau" (ela dizia o nome dele e com quem tinha casado e acrescentava depois "o filho da mãe"), pediu para dançar com ela. Recusou. Explicava-me sempre que era uma vergonha para o homem uma mulher recusar. Ela recusou. Então, quando ela ia a passar, ele fez-lhe uma rasteira e ela caiu de cara no chão. "Era assim". Ria-se a contar a história.  Quando me casei, veio ter comigo ao meu quarto. Eu estava com a minha tia. Disse: -Tella, na vida e na cama, vais sempre ficar por baixo.  Ele fala e tu calas-te.  " Só tínhamos um carapau para comer. Dei um lombo ao teu pai, o outro à tia. Dei a cabeça ao avô. Eu comia só a sopa com um pouco de broa. O avô chegou, viu que só tinha a cabeça.  Ficou irritado. Agarrou então no prato dele e...

As coisas que mais prazer me deram na vida - António Lobo Antunes

Uma colega partilhou esta maravilhosa crónica do Lobo Antunes : "As coisas que mais prazer me deram na vida". Eis a minha versão, o meu pastiche: Ouvir os sinos da capela da senhora da Guia, mergulhar nas águas geladas do Corga, o cheiro da ilha, subir a correr ao Coentral, o coração descompassado quando via o Gaetan, passar a mão no musgo, passear com a avó Monteira e a cadela Dor e apanhar paus, ouvir as histórias dela sobre a família de Portugal, jogar às orelhas com o avô Monteiro, ouvir a Aida dizer "mãos frias, coração quente", sentir os meus filhos dentro de mim, cuidar do meu irmão, em tempos, como se eu fosse mãe dele, recordar o Pedro a dizer amo-te-te,  ouvir as músicas com a minha madrinha num gira-discos no quarto dela, deixar a areia fina escorregar dos dedos, dar um mergulho no mar e deitar-me ao sol, o meu pai a dizer-me, apenas uma vez, "amo-te", correr com a Carolina, a minha mãe a dizer "ó minha filha" quando me atende o telemó...

(Meno)pausa na forma de estar?

Há uns dias, alguém fez uma cena infeliz. Não vale a pena estar aqui a explicar, mas foi foleiro e não gostei nada. O meu olhar de desdém foi revelador. Não ia dizer nada. A vida segue. A pessoa é parva, coitada, e eu sigo a minha vida. Não há necessidade de drama.  No dia seguinte, veio ter comigo para falar o sucedido, a querer explicar o porquê da cena.  Quis falar comigo sobre o assunto em pé, na sala dos professores. Ela começou "bla bla bla" e lá explicou algo sem sentido. Interrompi-a, já estava em loop, para lhe dizer "não gostei nada da tua atitude. Foste infeliz e, na verdade, já que puxas o assunto, tu é que tiveste mal porque bla bla bla". Juro-vos que acho que foi a primeira vez que disse, no trabalho, a alguém que não tinha gostado da atitude dela para comigo. Sou de comer e calar e, se necessário, cortar para sempre a pessoa, à la ressabiada, admito.  Entretanto, apercebi-me que as conversas dos restantes colegas começaram a ficar suspensas para ouvir...

A voz de Hind Rajab

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O filme saiu  em fevereiro, mas passou-me ao lado.  Vi-o somente ontem à noite.  É um filme tunisino que documenta de forma comovente, claustrofóbica e dolorosa, a chamada telefónica entre uma criança palestinana, presa num carro, num cenário de guerra na faixa de Gaza, e a Cruz Vermela lá do sítio. O objetivo é conseguirem uma linha verde para a irem resgatar em segurança.  O filme utiliza gravações reais da menina. Ficamos, também nós,  completamente perdidos naquele caos emocional e humano.  Ainda estou devastada com o que vi. É duro, mas é obrigatório ver. 

Livros de fevereiro

 3. Amor e Enganos , de Julia Quinn A Netflix estreou a quarta temporada da série Bridgerton. Vi tudo de seguida, que uma pessoa também gosta de ver coisas simples e que enche a vista, if you know what i mean. Disponibilizaram apenas 4 episódios. Não aguentei a espera e fui ler o livro para saber o que iria acontecer às personagens.. Li-o em dois ou três dias. São frases curtas com sujeito, verbo e complemento direto; sujeito, verbo e complemento direto... Tão básico que aborrece. Dei-lhe 2 estrelas e tive vergonha de o ter adicionado no meu Goodreads... 4. Um livro cujo nome desconheço, mas vou ver no meu kobo e já aqui escrevo...  Este nem o adicionei ao Goodreads por vergonha!  Crença , de Penélope Douglas Vou contextualizar. Uma colega do secundário, que não vejo desde 1997, publicou um post a falar de literatura smut e da importância que esta teve para que ela voltasse a ler. Sugeriu este livro. Fiquei curiosa e li-o sem saber ao que ia. Meu deus. É uma literatura po...