Mensagens

A mostrar mensagens de fevereiro, 2026

Desafio

A minha escola desafiou alunos e professores a escrever uma "Carta a um jovem leitor" acerca do nosso despertar para a leitura.  Escrever aqui, caras leitoras de blogs, é uma coisa. Escrever uma carta que será lida, apresentada e afixada na comunidade escolar é toda uma outra coisa... que me deixa muito insegura.  Carta feita e enviada. 

4.1

Estou a escrever o sumário no PC numa sala do 2°andar. Sinto uma vibração e penso: - Olha, o metro a passar.  [Não há metro num raio de 1/2 km.] Uma aluna diz: -Sentiram o terramoto? Sim, nem sempre percebo as coisas à primeira! 
Não sei se é do cansaço, do excesso de trabalho, de ter pouco tempo livre. Não sei se é da perimenopausa, das muitas turmas difíceis, da chuva, do céu cinzento. Não sei se é de não ir ao ginásio desde novembro, do mês de fevereiro que se parece com janeiro ou  da minha verdadeira natureza. Mas a verdade é que me tenho tornado numa pessoa mais azedo. Mais sisuda e seca. Dou por mim, por exemplo, a pensar "que mula!" depois de falar com muitas pessoas. [E no outro dia, a contar um episódio a uma colega, acabei a história dizendo "aquele X é mesmo mula!". A colega ficou a olhar para mim, rindo-se constrangida, como quem diz "menos, Tella" e o que é que eu pensei? Isso.] Não gosto da pessoa que ando a ser. Estes dias de descanso, intercalados com a correção dos testes, são capazes de me fazer bem.  Urge mudar o chip, Tella.

8 ou 80

Preciso de muito e de pouco.  Preciso de sol na cara, apesar de saber que faz rugas.  Preciso de uma casa em Lisboa com melhores condições no inverno, apesar de saber que não tenho dinheiro para ela. 

Medo

A proposito da música  Medo do Medo   de Capicua, fiquei a pensar nos meus próprios medos. Vi um rol deles: desde aqueles que despareceram, como os dois buracos das portadas de madeira do meu quarto que me faziam lembrar os olhos de um monstro e que me obrigavam a dormir com o rosto tapado pelo cobertor, ao mais recente: o medo de ver um filho fracassar porque decide não seguir o caminho esperado (ou normal?).  Sei que pode parecer um medo que assenta numa visão negativa desse filho, mas não creio. Nasce do desejo de proteger, de evitar a desilusão dele, ou pior, que se arrependa no futuro e que (me) diga "e não fizeste nada para me impedir?" Quando ele me diz que ser outra coisa, algo difícil de alcançar, e que pode fechar várias portas "normais" por querer ser outra coisa, eu entro em pânico. Não há caminhos certos para nada, eu sei, mas há trajetos que me parecem surreais e que podem levar a nulle part.  É escusado dizer aqueles clichés todos, do género " el...

Apontamento

Vi o documentário Orwell:2+2=5 .  Quando percebemos que vivemos praticamente na distopia que Orwell escreveu em 1948 e que as reflexões dele, nos diários, são o que sentimos hoje em 2026, não podemos deixar de pensar no génio que ele era e na sociedade que somos e seremos. Que murro no estômago! Ide ver, senhoras, ide ver. Imperdível. 

Livros de janeiro

 1. Gente ansiosa - Fredrik Backman O livro começa com um assalto risível e mal conseguido e uma situação de reféns,mas rapidamente nos apercebemos que o assalto é um ponto de partida para uma outra coisa. Vamos conhecendo vários reféns, as suas histórias, fragilidades e defeitos e tudo com humor.  Fui conquistada aos poucos pelo livro. 4 estrelas. [Comecei a ver a série sueca na Netflix, mas desisti depois de ver o 1° episódio.] 2. Somos o esquecimento que seremos - Héctor Abad Faciolince O escritor fala-nos do pai dele, figura incrível que dedicou a sua vida às causas sociais e à família. Decidi ler o livro por causa do título, que achei maravilhoso. 3 estrelas.