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Livro 43 - " O Acontecimento"

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 "O Acontecimento" - Annie  Ernaux Annie Ernaux conta-nos um acontecimento que a marcou para sempre: o aborto que fez em 1963, numa época em que o aborto ainda era ilegal.  É uma escrita intimista e feminina, sem grandes rodeios. "Pode acontecer que uma tal narrativa provoque irritação, ou mesmo repulsa, seja qualifacda de mau gosto. Ter vivido determinada coisa, seja ela o que for, dá-nos o direito imprescindível de a passar a escrito. Não existem verdades inferiores.  E se não levar até ao fim a relação com essa experiência, estou a contribuir para ocultar a realidade das mulheres e a colocar-me ao lado da dominação masculina do mundo)." Gostei muito. Dei-lhe 5 estrelas.  Como me dizia uma pessoa do meu entourage , "quase todas as mulheres da minha geração fez um aborto. Ninguém o admite, mas fizemos. Eu não morri por sorte. " (Recebi um Kobo no Natal. Este é o meu primeiro livro lido no aparelho.)

Livro 42 - "A vida do Homem que perseguia Poemas"

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 "A Vida do Homem que Perseguia Poemas" - Joana M. Lopes Ouvi falar da autora num artigo do Público aquando da polémica nomeação de um livro do Pedro Chagas Freitas para representar, na Europa, os novos escritores portugueses. Nesse artigo , o autor criticava a escolha, sugerindo outros escritores, muito mais credíveis e promissores no panorama literário nacional. Um deles foi a Joana M. Lopes. Assim cheguei a este livro.  Este livro conta a história de um homem que nasceu com a alma de um poeta, mas que nunca foi capaz de escrever um poema.  Gostei muito do livro, sobretudo quando conhecemos a infância deste homem, num meio rural, com os avós. É escrito de uma forma muito bonita, com delicadeza e ritmo. A segunda parte do livro, que coincide com a sua partida para a cidade, já não me entusiasmou tanto.  Dei-lhe 4 estrelas, que são 4,5. Recomendo. 

Livro 41 - "Ratos e Homens"

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 "Ratos e Homens" - John Steinbeck     Ouvi falar do livro neste blog de livros . Como "A s Vinhas da Ira " do mesmo autor me marcou muito, resolvi ir buscá-lo à biblioteca. É um livro de 100 páginas que conta a história de dois homens, dois amigos, que andam de quinta em quinta a trabalharem como jornaleiros durante o tempo da Depressão, nos E.U.A. e em busca do American Dream . Um dos homens é retardado, mas dotado de uma força gigantesca, e está completamente dependente do seu parceiro, homem bondoso. (Faz lembrar um pouco a personagem de Tom Joad das Vinhas da Ira.) O autor cria um ambiente opressivo, carregado de maus presságios. Sentimos durante toda a leitura que algo vai acontecer: há sinais, dados por outras personagens e até por um cão, que a coisa não vai ser fácil. Não estava à espera, ainda assim, daquele final. O Steinbeck voltou a surpreender-me com este final. Acabei de ler o livro ontem e pensei que ia dar-lhe 4 estrelas. Entretanto, hoje de manhã, ...

Livro 40 - " Até nos Vermos lá em Cima"

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"Até Nos Vermos lá em Cima " - Pierre Lemaitre. Comprei o livro porque estava com 50% de desconto, porque o romance aborda a temática da 1a Guerra Mundial, porque sou muito permeável a coisas como " Prémio Goncourt" e porque tudo o que meta França,  eu alinho... É a história de dois soldados franceses, que poucos dias antes do Armistício, numa batalha, vêem as suas vidas ligadas para sempre. Ambos perderam tudo. Depois da guerra sentem-se abandonados por uma Pátria que se envergonha dos aleijados de guerra e onde uns quantos querem enriquecer à conta da Guerra. Estes soldados estão excluídos e voltar ao ativo parece ser mais difícil do que estar nas trincheiras. Um é " gueule cassée " ( 'tromba partida' ) e o outro, um pobre homem modesto. Levam, no entanto, a cabo uma burla que envolve estátuas e monumentos em honra dos soldados mortos como forma de vingança... É um livro que se lê muito bem e que prende com a sua linguagem simples. Não requer mui...

Livro 39 - " A China fica ao lado".

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 "A China fica ao lado" - Maria Ondina Braga Ouvi falar da escritora num artigo duvidoso  chamado "Descubra que livro foi editado quando nasceu". Em maio de 1978, a Maria Ondina Braga publicou "A Personagem". Procurei o livro no Goodreads e marquei-o para ler um dia. Acontece que fiquei com alguns livros da minha amiga Ana. No lote que me calhou, trouxe este "A China fica ao lado" da autora. Não sabia se o ia ler. Acontece que o meu mais novo partiu a cabeça a brincar com um balão, no quarto, com o irmão. [suspiros] Levei-o ao Estefânia, para levar uns pontos, mas antes de sair agarrei num livro qualquer. Uma pessoa já é batida nas urgência dos hospitais públicos e sabe que as horas passam lá lentamente. Fui então prevenida. São contos sobre personagens chinesas que habitam Macau. São personagens femininas, de pés atrofiados, que representam ideias tradicionais ou personagens novas e o seu estatuto familiar e social da época.  Enfim, não gostei. 

Livro 38 - "O Tempo e o Vento: O Retrato, vols I e II"

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  "O Tempo e o Vento: O Retrato (parte 2)" - Erico Verissimo Li o primeiro volume no verão . É o livro que conta a saga familiar do Terra Cambará no Sul do Brasil durante mais de 100 anos. Apaixonei-me pelas mulheres fortes e até pelas mulheres subjugadas, pelos homens cheios de vícios e virtudes, pela terra vermelha, pelas expressões do povo, pelas emoções recalcadas, pelas paixões, por tudo, na verdade. Comecei a ler o segundo volume, com muita vontade de reencontrar os Terra Cambará, mas fiquei desiludida. Durante mais de 500 páginas,  acompanhamos apenas o bisneto do capitão Rodrigo do 1° volume ( que me fez suspirar apesar dos mil defeitos). Tudo gira em torno dele, da sua figura controversa e egocêntrica, e isso cansou-me um pouco. São páginas a mais.  É um livro muito bom, mas nada como o primeiro volume que é do outro mundo. Dei-lhe 4,5 estrelas. 

Livro 37 - "La Place"

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 "La Place" - Annie Ernaux Li este livro há 22 ou 23 anos. Foi-nos sugerido pela professora de francês na faculdade. Há 15 dias, quando soubemos que a Annie Ernaux tinha ganho o Nobel da Literatura, apeteceu-me relê-lo. Procurei pelo livro,mas deve estar na casa da aldeia. Muitos dos meus livros foram para lá por falta de espaço cá. Encontrei-o na net, num ficheiro Epub, e reli-o neste fim de semana, pondo em stand by o meu outro livro.  Depois da morte do pai, a narradora num livro simples, sem adjetivos ou sentimentos,  relata a vida do pai e a sua relação com ele. (Neste livro , também aflorou essa relação.) Ele nasceu nos finais do século XIX, teve uma vida difícil,  viveu sempre a fazer sacrifícios, sem luxos, a querer parecer bem e digno, mas tendo sempre ar de provinciano, de gente "simples". Ela  aburguesou-se, teve nalguns momentos vergonha dele e  foi afastando-se aos poucos. Escreveu, porém, este livro que o homenageia e não renegando as suas ori...

Livro 36 - "Retalhos da Vida de um Médico "

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 "Retalhos da Vida de um Médico " - Fernando Namora Este livro era da Ana. Fiquei com ele depois da sua morte. A Ana tinha recebido este livro depois da morte da sua mãe. Foi lido pela primeira vez em Julho de 1977, ainda nem tinha nascido. É uma edição antiga, com folhas amareladas e aquele pó característico dos livros antigos que engrossam os dedos. Quis ficar com os livros do Namora porque gosto muito da sua escrita. (a qui e aqui ) e porque a Ana também gostava muito.  Este livro é o relato de diversos episódios vividos pelo autor quando era médico numa aldeia em Monsanto, nas Beiras, e no Alentejo nos anos 40 do seculo XX. São pequenas histórias que mostram o carácter de um povo "granítico", desconfiado de um médico imberbe e cheios de superstições e crendices. Nestas histórias, vemos o retrato de uma sociedade rural, miserável, ignorante e supersticiosa, onde não falta o bruxo, o endireita, a velha carregada de preto, as mulheres e os seus partos doridos e o ...

Livro 35 - "Vinte anos e um dia"

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 "Vinte anos e um dia" - Jorge Semprún Trouxe este livro da biblioteca porque tinha gostado muito do autor e de " A Longa Viagem ". Neste romance, uma família tradicional espanhola, ainda sob didatura franquista, decide realizar, pela última vez, a cerimónia em que se reproduze a execução do irmão mais novo às mãos dos camponeses revoltados durante a guerra civil.  Através das várias personagens da herdade e dos convidados, ouvimos as várias versões da história trágica que deu origem à cerimónia. Nestas revelações, está subjacente um ambiente erótico, violento e uma luta clandestina contra o  Generalíssimo . Não gostei muito do livro. Há momentos até confusos e menos interessantes sobre a luta clandestina comunista espanhola. Dei-lhe 2,5.

Livro 34 - " Uma Educação "

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 "Uma Educação " - Tara Westover Lemos, neste livro, as memórias da autora, Tara Westover. É uma mulher que cresceu numa família mórmon e disfuncional, nos EUA, que entrou numa sala de aula pela primeira vez aos 17 anos e que teve depois disso um percurso académico brilhante. É uma história pautada por radicalismo religioso, violência e loucura. Há porém um renascimento no meio disso tudo. Tara tornar-se-á numa nova pessoa, mas como muitos partos, este também foi difícil para ela.  " Podíamos chamar muitas coisas a esta nova identidade. Transformação. Metamorfose. Falsidade. Traição.  Eu chamo-lhe Educação. " Fico agora a pensar se o livro merece 4 ou 5 estrelas. Há coisas contadas que parecem mentiras ou surreais, como as cenas dos acidentes, por exemplo. Terá sido mesmo assim? Nunca foram ao hospital, mesmo naquelas condições, e sobreviveram? Ah, e ela aprende matematica sozinha? E consegue? A naba dos números que há em mim acha estranho e desconfia... Depois,  ch...

Livro 33- "A Breve Vida das Flores"

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 "A Breve Vida das Flores" - Valérie Perrin Comprei o livro naquela ida despropositada ao centro comercial. Tinha lido, há uns tempos, um artigo francês sobre um livro da autora, intitulado "Trois", mas que ainda não foi traduzido cá. De repente, oiço falar da autora por cá também. Parece que toda a gente tinha lido ou estava a ler "A Breve Vida ..." (cujo título em português nada tem a ver com o título francês "Changer l'eau des fleurs" - a saber Mudar a água das flores,  como quem diz manter a esperança e a vontade para que uma flor (ou pessoa) não morra. Quer dizer, interpretei assim a coisa depois de ler o livro, claro, e vale o que vale. ) O romance fala de Violette, uma mulher que trabalha num cemitério. Acompanhamos a vida dos mortos, dos vivos que visitam os mortos e a própria história da Violette. Mas todo livro fala sempre sobre a vida e o renascer. É uma ode à esperança, quase. A Violette é uma personagem que nos marca porque aguen...

Livro 32 - "Os da Minha Rua"

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 "Os da Minha Rua" - Ondjaki Na minha primeira pausa de férias,  para além de uma ida despropositada a um centro comercial, fui trocar livros à biblioteca. Como tinha gostado muito do "Livro do Deslembramento ", resolvi trazer outro do mesmo autor. Este livro é um livro de contos. Quem me lê e presta atenção ao que escrevo, sabe que não gosto particularmente desse género literário. Aqui, no entanto, é diferente. O autor volta à sua infância,  às personagens que já conhecia do outro livro, à cidade de Luanda, às traquinices dos meninos da rua, que brincavam juntos. Nestes contos, eu emocionei-me bastante pela poesia que é dita em prosa. É um livro íntimo também. Emocionei-me no fim, chorando baba e ranho e relendo os últimos 5 parágrafos 3 vezes para captar tudo.  Quando um livro me sensibiliza tanto e me faz querer comprá-lo já depois de o ter lido, só pode ter 5 estrelas. 

Livro 31 - "Madalena"

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 "Madalena" - Isabel Rio Novo Trouxe este livro da biblioteca por causa deste , que me ficou na cabeça.  "Madalena" conta duas histórias: a da narradora, professora de história, a fazer sessões de quimio e radioterapia e a história da sua bisavó Madalena, personagem misteriosa e de fama duvidosa e do seu bisavô. As duas histórias estão entrelaçadas e na reta final, de alguma forma, convergem.  As passagens sobre a dor física e emocional de quem trava uma luta contra um cancro foram difíceis de ler e houve momentos em que parecia estar a ver a minha amiga Ana ou só agora perceber algumas coisas sobre o seu sofrimento final.  A história de amor, traição e drama dos bisavós, por ser contada a partir de cartas antigas e notas num caderno azul, prendeu-me de imediato. Que personagens! Hei de ler mais coisas desta autora, até porque tenho cada vez mais vontade de conhecer escritoras portuguesas.  Recomendo muito a leitura deste livro. Dei-lhe 4,5.

Livro 30 - "Homens Bons"

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 "Homens Bons " - Arturo Pérez-Reverte  No ano passado ou há mais tempo, já nao sei, li um artigo no Observador sobre este livro e lembro-me de pensar que tinha de o ler. Nunca o trouxe da biblioteca porque é um calhamaço. Quando os livros ultrapassam as 500 páginas,  prefiro trazê-los para as férias. Assim o fiz. Este livro conta a história de dois homens, no século XVIII, membros da Real Academia Espanhola, que têm como missão trazer de Paris os 28 volumes da Encyclopédie de Diderot. Seguimos assim as aventuras deles, numa Paris pré-revolucionária e iluminista onde a Razão tenta derrubar ideias obscuras e ultrapassadas.  Gostei muito do livro, cheio de peripécias e de enquadramentos históricos e filosóficos sobre as Luzes. Para além disso, as personagens são deliciosas e foi fácil gostar delas.  Dei-lhe 4 estrelas e recomendo o livro, sobretudo para as férias. 

Livro 29 - "O Livro do Deslembramento"

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 "O Livro do Deslembramento"  - Ondjaki Há muito tempo que queria ler este autor angolano,mas nunca me lembrei até agora de o requisitar. (Na biblioteca do bairro, os autores africanos e brasileiros estão afastados dos portugueses e dos outros todos...). É um livro que nos leva a Luanda, nos anos 90. É a voz de uma criança que nos conduz pelas ruas de capital angolana, pelos encontros familiares, pela rotina da casa e pela escola. É um olhar aparentemente ingénuo e muito ternurento, mas que consegue perceber as diferentes camadas das pessoas e da vida. Tudo é contado com um ritmo oral, com palavras inventadas, acho eu. Está escrito como se fala. As observações da criança são genuínas e muito cómicas. Dei várias gargalhadas, coisa rara quando leio. Na maior parte das vezes, esboço um sorriso. Aqui nao, é delicioso e mesmo muito divertido. Mas as observações da criança também são bonitas e encantadoras. O livro acaba com o início,  novamente, da guerra civil e até esse mome...

Livro 28-"Retrato a Sépia"

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 "Retrato a Sépia " - Isabel Allende Trouxe este livro porque é sempre bom contar com uma escritora como a Allende nas férias: escreve histórias que prendem, com mulheres fortes e paisagens chilenas que me apaixonam sempre. E são livros que se lêem rapidamente porque exigem pouco de nós, leitores. Este segue a linha. Não me falhou.  Quando comecei a ler este livro, reconheci as personagens e até achei por momentos que já o tinha lido. Não sabia que este era uma espécie de continuação da " Filha da Fortuna ", uma vez que a protagonista é neta da personagem principal deste último. Fiquei depois a saber que a " Casa dos Espíritos " é o terceiro volume da saga familiar (embora os 3 possam ser lidos individualmente).  Dei-lhe 4 estrelas porque estive completamente entretida com a trama e fui sonhando, através do livro, numa viagem ao Chile...

Livro 27 - "Samarcanda"

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 "Samarcanda" - Amin Maalouf Este livro pertencia à minha amiga Ana e por isso o trouxe para as férias.  Este livro fala de um manuscrito com poemas de um grande poeta persa do século X e XI. Na primeira parte, descobrimos a vida deste poeta, junto dos vizires, dos xás, da sua amada e afins em várias cidades do Oriente. Fui incapaz de me localizar no espaço, pois não conheço grande coisa por aquelas bandas. Samarcanda é uma cidade que fica no Uzbequistão e onde o poeta escreveu esse tal manuscrito.  Na segunda parte, estamos no início do século XX. O Ocidente descobre o Oriente e esse poeta em particular. Seguimos então uma personagem - encantadora, diga-se - pelo Oriente e pelas mil cidades para mim quase todas desconhecidas, à procura do livro. Pelo meio, temos conhecimento da evolução política e social da Pérsia, que é dominada pelos vários Impérios europeus. Tédio! Achei tudo aborrecido. Não gosto particularmente da cultura das arábias, talvez por não a conhecer. Daí ...

Livro 26 - "Fahrenheit 451"

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 "Fahrenheit 451" - Ray Bradbury Ouvi falar deste livro quando li este romance do Afonso Cruz. Algum tempo depois, a irmã da Mary escreveu uma ótima review, que me despertou a curiosidade.  É um romance distópico escrito em 1953, onde os bombeiros não apagam incêndios. Em vez disso, queimam livros porque são proibidos. Os leitores sao mortos. Um dos bombeiros - Guy Montag - começa a questionar a sua vivência e a sociedade onde está, cheia de tecnologia, com um ritmo acelerado onde não há espaço para ler, logo não há tempo para questionar, saber, ponderar ou refletir. Os ecrãs estão em todo o lado, com imagens rápidas, sons repetitivos e de forma a que todos estejam felizes ( ao jeito das redes sociais.). Mas a personagem principal perceberá que os livros e o conhecimento abrirão portas e mundos novos.  É um livro que foi escrito em 1953 e parece-me que está mais atual agora. Não que haja uma coisa assim, de queimar livros. Parece que não se dá valor ao que um livro nos m...

Livro 25 - "As Pessoas Invisíveis "

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 "As palavras invisíveis " - José Carlos Barros Comprei o livro porque recebeu o prémio Leya e porque apareceu naquelas listas "livros para ler nas férias". O livro está muito bem escrito. Nada a dizer nesta parte.  A história é uma desilusão, embora não possa dizer que não tenha gostado, até porque acordei hoje de manhã a pensar no livro.  O livro começa por falar-nos de um jovem, Xavier Sarmiento, que tem o dom de curar as pessoas através de plantas. Ou pensa que tem.  Cura sobretudo pessoas sós,  invisiveis aos outros. Às tantas, consegue mover com a mente objetos e levitar. E as primeiras 100 páginas ou mais são sobre isso. Percebemos no entanto que ele se fascina com o Poder que o dom lhe dá, mas nada do outro mundo. De repente, reviravolta e ele vai para São Tomé e deixa de aparecer. Ou seja, aparece aqui e ali, mas não é o centro da narrativa Tornou-se numa pessoa diferente, de má índole, participando num massacre de um grande número de nativos africanos....

Livro 24 - "O Tempo e o Vento: O Continente" - volume 1 e 2

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"O Tempo e o Vento: O Continente - Parte 1" de Erico Verissimo. Foi uma sugestão de uma colega, aquela que me sugeriu há um ano "As Vinhas da Ira ". Dizia ela que este romance, que tem 3 partes, é um dos livros que toda a gente devia ler. Desvendo já a  coisa,  dizendo-vos que estou de acordo com ela.  Nesta primeira parte da trilogia, descobrimos o nascimento do estado de Rio Grande do Sul através da história de uma família ao longo quase 150 anos, de 1745 até 1895. É uma saga muito bem construída e com personagens que me marcam.  Senti intensamente aquela gente, aquele cheiro, aquela terra vermelha, aquele falar das pessoas do Sul e as vivências daqueles homens e mulheres. Já há muito tempo que não era arrebatada assim por um livro e que me apaixonava pelas personagens. Não consigo dizer qual a minha preferida, mas tenho um fraquinho pelo médico alemão e um maior ainda pelo capitão Rodrigo Cambará.  O romance prendeu-me tanto que o quero na minha estante...