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Dia 15

 Ai mulheres, que vem aí um novo confinamento mas acho - e espero - que as escolas continuem abertas. Pelo sim, pelo não,  já tenho um stock jeitoso de vinho.  Fiz um almoço digno de festas: bacalhau assada com broa e batatas a murro, acompanhado de um tinto que ui, meninas, bem bom. Depois disso, obviamente, tive de estar confinada no sofá a ler e a ver séries. Mas não estejam aí a pensar que "ah e tal, a Tella outra vez naquele estado!". Nada disso, caros leitores. (Por quem me tomeis?! ) Pelo meio do confinamento confinado, orientei o estudo do mais novo para o teste de português: conjugação verbal, recursos expressivos e o diabo a quatro. Tudo ali sabidinho, ou quase, vá,  com a minha  ajuda. Ah pois!  Vou agora continuar no meu sofá,  que já tem cova, a olhar para o quadrado. Vida simples a minha.

Dia 14

Pfff, estive o dia todo confinada. Saímos da cama às 13h30 e já sem poder sair de casa. Que neura. Passei o resto do dia a  pensar que amanhã terei de acordar às 6h35. Outra neura.

Dia 13

Arrumar as nossas coisas e a casa, onde viemos somente os 4 passar 10 dias, e regressar à nossa, tendo desafiado o recolher obrigatório e a circulação entre concelhos. Aí mulheres, os nervos que apanhei por estar a transgredir, a prevaricar. Estava tão nervosa que embirrei com todos mil vezes. Felizmente eles gostam de mim e limitam-se também eles a acenar e sorrir. 

Dia 12

Ando perdida nessa coisa de confinamento. Na verdade, tal como a MaryQA  dizia, é difícil saber se hoje fechamo-nos às 13h, às 15h ou até se é dia de soltura. Adiante, não estão cá para ler coisas sobre isso.  Hoje, dia 1 de janeiro, acordei sem ressaca, por isso tratei de mim e vesti-me. Por regra, no primeiro dia do ano,  não dispo o pijama, não almoço e fico a dormitar no sofá o dia todo. Triste, eu sei.  Hoje, dizia eu, acordei muitas horas antes dos outros. Bebi café no jardim, a receber  raios de sol, e lá fiquei até sentir as primeiras gotas de chuva no rosto. Fui limpar os vestígios da nossa passagem de ano, a pensar que 2021 trazia também um mau augúrio: a morte do Carlos do Carmo. O que querem, a cena pessimista de 2020 não desaparece de um dia para o outro.  Depois, ó meus caros leitores, o dia 1, com ou sem ressaca, com ou sem recolher obrigatório, será sempre um momento de preguiça absoluta: quatro lontras a devorar filmes uns atrás dos outros....

Dia 7

Mais uma voltinha, mais umas horas fechados em casa, não é? A gostar?  Aqui, olhem, cá vamos andando.  Há dias em que só me apetece ficar em casa e pronto, foi isso que sucedeu. Sei que não estou a dar nenhuma novidade mas há posts assim, simples e sem grande profundidade. Como continuam a andar por cá, suponho que não se importam, não é? Não andam aqui à procura de grandes vôos, já vos conheço meus caros leitores. [Amanhã poderá haver coisas mais interessantes mas vá, ide sem grandes expetativas, que andamos a viver num mundo sem certezas. Tá ?]

Dia 6

Acordei às 7h00 no sofá. Adormeci ontem antes das 23h, claro. Dizem, mas eu não acredito, que sou super antipática quando  me querem acordar para ir para cama. O Tiago disse que lhe dei uma estalada, o Pedro disse que sou má e o pai cá de casa revirou olhos dizendo "há anos que me deixei de te acordar!". Pelo vistos,  ninguém me agarra quando estou numa espécie de transe. Acordei com a boca seca. Nada a ver com o vinho de ontem, pensei, deve ser do AC. Acordei agarrada às cruzes, que custa dormir no sofá. Depois, agarrei-me aos (poucos) cabelos: "que horror: nem o telemóvel me carregaram, pá!". Por segundos, fiquei nervosa. O mundo a acontecer, mesmo confinados, e eu não o acompanho.  Quis agarrar-me aos ténis para ir correr mas o meu olhar cruzou-se com as 9 turmas para corrigir e agarrei-me estoicamente ao trabalho. Foi assim, certos e errados, até ao almoço.  À tarde, continuei a ver testes mas debaixo da mantinha e em frente da lareira: o sono agarrou-me e eu de...

Dia 5

O confinamento do dia 5 é de apenas uma hora. A partir das 23h, casa! Ó senhores, deixem-me dizer-vos que esse xixi/cama a partir das 23h00 já  é prática corrente, cá em casa, às sextas desde ...puffff...desde há uma vida quase. Ai, não sei o que é pior: este confinamento de sexta ou as minhas sextas-feiras à noite, tour court.  

Dia 4

Irritei-me tanto com eles por causa da escola, do estudo, da dependência dos ecrãs que até eu já não me consigo ouvir. "Tiago, vai estudar", "não, não podes jogar PS2", "desliga o telemóvel ", "não mexes no telemóvel  sem a minha autorização ", "Meninos, no final do período é que acertamos contas", "Tiago, tens 3 testes em 3 dias. Vai ESTUDAR."  Ficaram cansados? Eu também. Eles mais ainda. Mas como se consegue estar confinado umas horas e estar desligado muito tempo dos tik tok e do fortnite? Em casa, desde o isolamento de março que os miúdos ficaram completamente viciados nisso e eu não consigo encontrar nada que os faça estar o mesmo número de horas agarrado a tudo isso e entusiasmados. Nem no estudo, obviamente.  Felizmente encontramos  uma série curtíssima que nos agarrou aos quatro e que limitou a ps, o telemóvel ou o PC: a série portuguesa "O atentado", disponível na RtpPlay. Conta a história do atentado ao Sa...

Dia 3

Hoje, enquanto pude claro, que sou uma pessoa que acho tudo isso exagerado [e ao escrever isso, estou a apontar para toda a situação atual] mas que cumpre, fui ter com uma amiga. Deu-me um livro traduzido por ela. Não o confessei mas fiquei super contente. Primeiro porque receber um livro alegra-me só por si e depois porque é um livro que lhe pertence também, que não pariu mas que ajudou a crescer. Partilhou comigo, assim toma lá, dá cá a sua marca.  Entusiasmo-me com pouco ou alegro-me com muito, depende da perspetiva das pessoas. Vamos deixar assim a coisa, a fluir, com cada um a pensar nesta última ideia, hein? É coisa pouca que também não vos vai ocupar muito tempo, certo?  18h45, ui, a conversa está boa mas chegou a hora dum drink, que nem tudo pode ser reflexões sérias ou ainda  sociedade recoletoras, agropastoris, celtas e o diabo a quatro. Sim, o estudo de hgp continuou, ******-se! 

Dia 2

Dediquei-me à leitura. Li mais hoje do que nas últimas semanas. Novembro tem sido um mês mau. Estive a ler, sentada no sofá,  em frente à lareira e fui transportada para o Brasil. Embrulha confinamento! Pelo meio, houve estudo "a sério" com o miúdo e 4 perguntas: o que te deixa realmente feliz? O que te entristece? O que te assusta verdadeiramente?  O que te surpreende mesmo ? Estar em casa com as portas fechadas mesmo que só umas horas, obriga-nos a abrir umas ou outras janelas. Hoje abri a janela da língua, com o seu ritmo próprio e variações com o açougue, o doniestela, o "te disse que tem", e a janela das emoções.  Nem sempre temos de abrir uma garrafa.  Mentira, temos também de o fazer.

Dia 1

O confinamento a partir das 13h já começou há duas semanas mas só ontem é que senti a cena. Achei então que devia retomar o meu #diariodocovid, mudando-lhe o nome, atualizando-o, tornando-o mais jovens e desempoeirado. Vai daí, surgiu a ideia do diario de um semi confinamento . Nada de especial, eu sei, mas já nos conhecemos há uns tempos, e entre nós, a expetativa é baixa, reciprocamente falando, claro, que não estou aqui para ofender ninguém. O que aconteceu ontem, no dia 1? Um vinho branco francês Chardonnay , oh lá lá mes chers , que me caiu para lá de Paris, ah oui, oui e que me obrigou, le malandro, a uma paragem no sofá para pôr a vida em perspetiva, claro. Tive também de sacrificar a tarde de estudo com o meu mai'novo que estava todo lançado com o clima temperado mediterrâneo,continental e o diabo a quatro. Ele agradeceu e olhou-me com aqueles olhos ainda tão inocentes a dizer-me "Obrigada mãe. Prometo que amanhã estudamos a sério e muito".   Quis sair. Ir para qu...